20141004

Open letter to Mr. Oliver Stone who recently visited Portugal and didn’t had the chance to know the following facts about the common history of Portugal and the US

Dear Mr. Oliver Stone, I’ve just read the story about your recent visit to Portugal published in the “Expresso” magazine. Knowing your work “The Untold History of the United States” I thought how ironic it was that your only interview in Portugal was to television SIC and newspaper “Expresso” – both of the same communication group – because they are the best exemple of what’s not told to the Portuguese public about their past and contemporary history.
"Expresso" said that you’ve visited Mário Soares at his home in Vau, Algarve. And you did that because you asked first who the President of Portugal was during the first Gulf War (1990-1991). Well, I don’t know if you were previously informed that a Portuguese President doesn’t have the same executive power as the US President. The power to decide the Government foreign policy and Defense strategy are in the hands of the prime-minister. If you were told that in 1990-1991 the prime-minister was the actual President, Aníbal Cavaco Silva, you bet you could have film material!
Aníbal Cavaco Silva was the Finance minister present on the last meeting with the Portuguese prime-minister Sá Carneiro and Defense minister Amaro da Costa, on December 4, 1980, the day these last two died on a plane crash.
A plane crash that was caused by an explosion on board – a fact only given as proven in 2004.
Nowadays, the Portuguese Parliament is investigating a possible link between their death and an investigation commanded by Sá Carneiro to an ilegal guns deal to Iran before the Reagan/Bush 1980 election. The 1980 “October Surprise” deal. Cavaco Silva had been ordered by Sá Carneiro to investigate a financial flow of ilegal money among the militar in Portugal, but he never carried out the investigation. Instead, after the death of Sá Carneiro he became prime-minister in 1985 and, like Mário Soares, who also was prime-minister before him, Cavaco Silva was submissive to the power in Washington.
That’s why you can find Portugal and the Lisbon airport mentioned as a third country in the Iran-Contra affair. Cavaco Silva is a personal friend of Bush senior, the former CIA director. As a matter of fact, Bush senior was present in the inauguration ceremony of Cavaco Silva as President of Portugal in 2006.
So, the name of the person who was in control of the Portuguese policy during the first Gulf War and who’s also a close friend of Bush senior was then the prime-minister Aníbal Cavaco Silva, now the President of Portugal.
I hope you can come a second time to Portugal. There’s a lot more of an “Untold” history that you would really like to know. Because it’s also your history that’s hidden here, in Portugal. All the best.

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20140603

Bilderberg 2014 - Álbum de recordações

20120726

Um artigo que não é meu

Chamaram-me a atenção para um texto do blogue The Braganza Mothers com linguagem vernacular menos própria para o diálogo cívico e adjectivações susceptíveis de provocar processos de difamação. Contudo, tirando o estilo, o texto é um desabafo que, infelizmente, é triste e revelador da falência do jornalismo. O texto tem observações bastante pertinentes e lógicas que vão ao encontro de muitas denúncias internacionais e partem cada vez mais da percepção das pessoas que sentem todos os dias na pele a ineficácia da economia mundial e do jornalismo que lhes devia explicar o porquê de tudo isto. Assim, acho que o texto mereceria ser escrito sem a linguagem de caserna, sem uma ou outra informação pessoal que não consegui verificar e com algum rigor na altura da adjectivação de certas personalidades públicas nomeadas. Deste modo, na minha óptica meramente pessoal, o texto poderia ter sido publicado assim: «Tenho saudades dos tempos em que ia para as Docas, com o Passos Coelho, e o tinha de arrastar de lá, altas horas, já muito perto de uma intoxicação alcoólica – fruto não de um exagero próprio da juventude rebelde, mas também de algum álcool marado muito vulgar na altura em que a ASAE ainda não fazia as fiscalizações tão meritórias dos dias de hoje -, porque ninguém o segurava, a noite inteira, a querer conhecer mulheres de origem africana de modo a demonstrar a sua arte de sedução com vista à satisfação de actos sexuais onde o extâse final estava reservada não só para si, mas também para a parceira. Objetivamente, nada há de pernicioso em passar noites inteiras a tentar mais um acto sexual com mulheres africanas, porque a imagem estereotipada que se tem da beleza africana são, a seu modo, como as parcerias público-privadas: quem vê uma é capaz de ver todas as outras, e já não nota a diferença. Para nós, Portugueses, isso até poderia chamar-se multiculturalismo, se não tivesse levado o Estado a confundir vícios privados de um impreparado com os poderes do Estado, e a conceder a um indivíduo considerado, justamente ou injustamente, como estando bastante abaixo da média, cujos únicos interesses na vida, segundo o seu adjunto Relvas (ao Expresso de Abril de 2011) eram o álcool e, viu-se depois, as mulheres africanas e, finalmente, o lugar de Primeiro-Ministro. Isso aconteceu, ele estabilizou, casou com uma mulher de tez escura com ar maternal, e o Estado ficou entregue a si mesmo. O problema começa quando um Estado fica entregue, a si mesmo, e eu explico, nominalmente, o que é isso: um indivíduo com suspeita de problemas neurológicos, no topo da Pirâmide, em quem a Maria é vista de forma óbvia a agarrar permanentemente na mãozinha trémula, o que é tido pelo povo como uma tentativa de evitar que ele tenha um ataque público , ou comece a falar de vacas ; uma segunda figura do Estado, que, como todos viram, subiu pelo Princípio de Peter, é tida como completamente ignara de leis e regimento da Assembleia da República, fruto de uma óbvia e assumida luta escorada pela Maçonaria e a Opus Dei , com um sotaque propício à caricatura, e que, pelos vistos dizem coisas pessoais que, à falta de confirmação independente, reservo-me o direito de não os citar aqui, mas registo para futura informação. Descendo a escadaria, temos o tal apreciador do belo sexo africano, que conseguiu o milagre de tornar José Sócrates numa pessoa respeitável (!), Miguel Relvas, um típico indivíduo daqueles que gostaríamos de evitar ter como amigo, o ministro sombra, para amparar o apreciador da bela mulher africana, descaradamente nomeado pela mui respeitável e bem-intencionada (embora nada se veja em relação a resultados positivos da sua acção, o que lhe confere então uma designação de “sinistra”) Maçonaria PSD , e ao serviço de um estado que é tido como pária, governado por uma família de indivíduos que não gostaríamos ter como amigos, que, pelos vistos – com a soma de exemplos – parece que anseia usar Portugal para algumas ancoragens da Dinastia Dos Santos ; um ministro tido como extremamente inteligente, mas igualmente desorganizado, o que lhe confere alguma bipolaridade , e a quem querem convencer de que Portugal ainda tem Economia -- uma coisa que só não vê quem não quer que foi há muito destruída, nos anos de Cavaco Silva (e com isto está tudo dito em relação aos adjectivos negativos que se poderiam facilmente aplicar à figura do actual Chefe de Estado) -- um homem de espírito pobre, pouco corajoso e sobre o qual já se tornou banal dizer que não sabe distinguir uma lombada de um livro, mas que gere a "Cultura" , e coisas ainda mais perniciosas, como uma anomalia, com problemas de dicção, que acha que uma asneira, repetida devagar e pausadamente, se pode tornar numa epifania evangélica, e aqui chegamos, realmente, ao fulcro do problema. Todos eles, com o pretexto do FMI, estão a cumprir o que Cavaco Silva sonhou, há vinte anos, e Passos agora cumpre: um regresso aos índices do Salazarismo. Quanto a Vítor Gaspar, para além da credibilidade discutível, de quem sabe que a teoria monetarista foi a responsável pelo colapso de estados inteiros -- como o Chile, de Pinochet -- usados como palcos de "experiências, como fez o filho de uma mulher de profissão duvidosa, seu inventor, da célebre Escola de Chicago, Milton Friedman, um daqueles tipos que não iríamos querer para amigo dos nossos filhos ao serviço do não menos pouco recomendável Ronald Reagan , apenas se pode acrescentar que é o rosto anedótico do verdadeira patrão da coisa, um bem conhecido Carlos Moedas , um dos agentes da confraria de indivíduos de acção letal económica , que tem o nome de GOLDMAN SACHS , e que está encarregado, entre outros que desconhecemos, de DESTRUIR PORTUGAL . Para quem viu o retórico "Inside Job ", um ser pouco recomendável, como António Borges, o tal que ganha duzentos e tal mil euros por mês, livres de impostos, e está encarregado de vender as empresas do Estado Português aos elementos da empresa mundial a que pertence a Goldman Sachs, teria sido imediatamente afastado do terreno, mas não foi, e está, como Relvas, Moedas, os três chefes reconhecidamente maçónicos das bancadas parlamentares da Assembleia da "República", PS, PSD e CDS , o Álvaro Santos Pereira, o Cavaco, a malta da Opus Dei, representada pelo insensível, Paulo Macedo , o grupo da Educação , cuja única missão é semear o analfabetismo e lançar, para o desemprego, em 2 meses, 25 000 pessoas , e mais uns quantos de que nem nos lembramos, porque são irremediavelmente inexistentes, embora nos saiam dos bolsos. Há anos, lembro-me de alguém me ter dito que Portugal era utilizado, em certos fora internacionais, como palco de "experiências ", cujo âmbito, então, não entendi. Hoje, em pleno 2012, com o alegadamente criminoso Balsemão , o alegadamente criminoso Borges, o alegadamente criminoso Cavaco, o alegadamente criminoso Moedas, o alegadamente Relvas, o alegadamente Paulo Macedo e todos os alegados criminosos que os antecederam, sob as batutas de Sócrates e Durão Barroso, a coisa torna-se quase transparente, e deveria ter direito a reação, não estivéssemos num povo com um grau de iliteracia elevadíssimo, e uma estreiteza de horizontes que se resume aos calções transpirados dos Narcisos das Barracas, da Procissão do Adeus, e do trinar da Mariza. Com esta massa humana é possível fazer-se TUDO, e está-se a fazer. Para que não desanimem, vamos mostrar que, lá fora, a coisa ainda está pior: a Europa, governada por indivíduos pouco recomendáveis da Alemanha ex comunista, com Reagans e Hitlers metidos na cabeça, está à beira de conseguir o sonho de Obama, um sonho que ele não sabia que tinha de ter, mas a ultra direita Norte Americana se encarregou de lhe incluir nos delírios rosados de indivíduo de origem africana: forçar a Europa a um tal ponto que tenha de emitir dinheiro, para equilibrar as contas dos países que Bilderberg, a Goldmann Sachs e parentes deram ordem para "homicidar". Uma vez aumentada a liquidez, o Euro desvaloriza automaticamente, ao ponto de não ser cativante que se torne a moeda de negociação mundial do crude, e ajoelha, perante as sombras sinistras que governam o mundo, a partir dos apartamentos palacianos de East Upper Side . Quando se ouve um estranho italiano -- o próximo alvo, dos Moedas e Borges de lá... -- a dizer que não se importa com que venha um príncipe saudita comprar a Ferrari, torna-se claro que a jogada está mais alta: ou a Grécia fica no Euro, com o Syriza a bater o pé, o que poderia ser um refundar da Democracia , ou a Grécia cai nas mãos da China , o que poderia ser uma forma irónica de definitivamente mostrar que a Nova Ordem Mundial era mesmo nova, e vinha com os olhos em bico. Para lá destas fronteiras, finalmente descobriu-se que as armas de destruição maciça, que nunca foram encontradas nos "bunkers" de Saddam Hussein, estavam, afinal, todas concentradas na Síria, o que obriga a que a Diplomacia Mundial, que já decidiu a Guerra do Irão, esteja a lidar, com pinças, sobre a sua partilha, pós guerra, entre os interesses da mafia americana, da mafia russa e da mafia chinesa, com Israel a ter de sujar diretamente as mãos no assunto. Aparentemente, a coisa vai ser simples: o tal vírus "Flamer", uma coisa criada entre a NSA e a Mossad, entre outros, que parece que se suicidou, afinal, não se suicidou , está, somente, a... descansar: quanto estiver resolvida a retaguarda síria, irá entrar nas centrais clandestinas de produção de armas nucleares iranianas, e irá dizer as sensores de temperatura que os núcleos de cisão não estão sobreaquecidos, até que eles... expludam todos. Vai ser muito feio, mas, com Fukushima, o Mundo até já foi ensinado que é possível viver com vegetais e sushi radioativos, e o Irão, ou o que dele restar, lá poderá deixar o Fundamentalismo Islâmico, para finalmente regressar à sua verdadeira natureza, o esplendor persa. Por cá, haverá uma velha, a quem o filho de uma mulher de duvidosa reputação que é o Borges queria reduzir a reforma de 300 para 250 € a comentar, como é típico, "pois, andaram a mexer em coisas perigosas, agora, explodiram-lhes nas mãos, coitados, devem estar a sofrer tanto..." Quanto ao vírus, suponho que já então se terá resuicidado, e com um pouco de sorte, até teria levado consigo todos os homens menos recomendáveis, cujos nomes atrás citei.» Original aqui, mas declino qualquer responsabilidade pela linguagem usada. Não faz o meu estilo.

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20120501

Camarate - "Eu Sei Que Você Sabe" e "Poeta&Espião"

Para quem tenha interesse em saber o que já escrevi sobre Camarate, fica aqui a sugestão de visitarem a Feira do Livro de Lisboa, sobretudo o pavilhão A09, da Aillaud&Lellos, na zona verde (a primeira do lado esquerdo de quem sobe a feira vindo do Marquês de Pombal), onde ficará conhecer factos que ainda permanecem "inéditos" da Imprensa em geral.

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20120429

A CIA e o atentado de Camarate

20120427

Camarate - Um apelo aos deputados

Senhores deputados, por favor, não cometam o erro de criarem a 10ª Comissão de Inquérito Parlamentar à Tragédia de Camarate (CIPTC). Ouçam as vozes bem avisadas, sensatas e honestas daqueles que pedem que não gastem mais dinheiro do orçamento da Assembleia da República. Pensem, isso sim, em medidas para combater a actual situação económica em que se encontra o País. Combatam o desemprego, desenvolvam a produtividade nacional, ouçam as palavras do senhor Presidente da República no 25 de Abril e promovam uma imagem positiva de Portugal no estrangeiro. Não gastem tempo a analisar uma situação do passado, que já não interessa e não vai adiantar ao futuro. Por favor, senhores deputados, não percam tempo com mais comissões quando já houve nove, nove comissões de inquérito parlamentar onde não há mais nada a acrescentar. Ou preferem continuar a distrair-nos com estas questões do passado enquanto o povo passa fome? Ouçam, por favor, o ex-conselheiro da Revolução, Sousa e Castro, que diz que os militares de Abril derrubaram o Estado Novo para acabar com a fome em Portugal e investiguem, por exemplo, o negócio dos submarinos. Esse sim, um verdadeiro escândalo, a par de casos como o BPN ou estas vergonhas do Freeport e os seus “envelopes castanhos” mais os gabinetes de arquitectura de amigos. Por favor, ouçam este apelo de um simples cidadão: não criem a 10ª CIPTC. Senhores deputados, se caírem no erro de criarem a 10ª CIPTC, a situação económica vai piorar, pois arriscam-se a meter a mão num ninho de vespas internacional que depois vai agravar o já apertado sufoco financeiro na tentativa de nos calar. É assim que eles têm feito há anos e anos. Desde Camarate. Os senhores deputados vão abrir uma caixa de Pandora com todas as desgraças do mundo dentro dela. Se cometerem a imprudência de quererem saber se a “alegada confissão” de um alegado responsável do alegado atentado, que, alegadamente, foi funcionário da CIA, com alegadas ligações a um – e aqui não é alegado, pois é um facto – ex-embaixador norte-americano em Portugal e posterior número dois da CIA, Frank Carlucci, que até era amigo pessoal de um ex-primeiro-ministro e ex-Presidente da República, Mário Soares -, então vão deixar em maus lençóis os nossos aliados norte-americanos e a sua imagem no resto do mundo. Acaso imaginam as implicações que teria para o nosso futuro se acusarmos os Estados Unidos da América de estarem por detrás do assassinato do nosso primeiro-ministro e ministro da Defesa, apenas porque estes queriam impedir que tivesse lugar em Portugal uns estranhos negócios ilegais de tráfico de armas que desrespeitavam a soberania do nosso País? Mas, onde é que já se viu isso? Se a vossa 10ª CIPTC provar que Portugal andava a vender armas para o Irão em 1980, furando assim um embargo internacional, que havia elementos da CIA por detrás desse negócio e Sá Carneiro, dois meses antes de Camarate, desconfiava estar a ser perseguido pela secreta norte-americana por querer investigar essas ilegalidades, pelo que teria sido então “encomendada” a sua morte por um milhão de dólares, isso vai deixar em maus lençóis muita boa gente que ainda hoje está viva. E não é só nos EUA. É também por cá. E aviso-vos que nem sequer é necessário chamar o desacreditado Fernando Farinha Simões de Vale de Judeus para testemunhar no Parlamento que Sá Carneiro desconfiava da CIA, pois podem perfeitamente chamar para ir à 10ª CIPTC uma pessoa credível, Vasco Abecassis, ex-marido de Snu Abecassis (a companheira de Sá Carneiro que faleceu também em Camarate), que contou precisamente isso à jornalista Cândida Pinto (outra pessoa credível), da SIC (a televisão do ex-primeiro-ministro Pinto Balsemão, também pessoa credível), que o escreveu na biografia sobre Snu, editada pela Dom Quixote (que é uma editora igualmente credível e bastante respeitada). Senhores deputados, por favor, não cometam ainda o imenso e superlativo erro de irem investigar o Fundo de Defesa Militar de Ultramar - o “saco azul” do exército do tempo da guerra colonial, destinado a financiar a compra de material de guerra fora do controle do Orçamento do Estado e que, desde o 25 de Abril de 1974, era gerido em segredo pelos “militares de Abril”, esses, ingratos, que, tal como Mário Soares (o amigo do Carlucci da CIA), faltaram às celebrações da data de Liberdade no vosso Parlamento. Se insistirem nessa perigosa ideia, então façam tudo para enganar o povo Português e escondam a necessidade de envolver o nome do Presidente da República nessa questão. Eu sei que vai ser difícil, pois quando o actual Presidente da República era ministro das Finanças recebeu ordens de Sá Carneiro para investigar o Fundo de Defesa Militar de Ultramar e nunca o fez. Assim, qualquer comissão séria teria de ir perguntar-lhe o motivo pelo qual não conseguiu cumprir as ordens do primeiro-ministro e se manteve calado ao longo destes anos todos. E, mais uma vez, não é sequer necessário recorrer a “alegadas confissões” no YouTube para confirmar isso, pois basta consultar os comunicados do Conselho de Ministros de Novembro de 1980 onde essa ordem está bem explícita. Ou então a imprensa da época – tenho cópias que vos posso fornecer. Senhores deputados, não sujeitem o Presidente da República a perguntas incómodas sobre qual o conteúdo da última reunião de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, na qual ele esteve igualmente presente, na manhã do fatídico dia 4 de Dezembro de 1980, juntamente com as mais altas chefias militares do País, para falarem precisamente sobre questões de dinheiro e Orçamento. Não façam essas perguntas ao Presidente da República, pois o País já tem tantos problemas económicos que a imagem de Portugal no estrangeiro iria ficar arruinada para sempre. Já basta termos um ex-primeiro-ministro com fama de corrupto, imaginem agora só se, na sequência da vossa investigação, um jornalista norte-americano, ou inglês, ou francês, ou alemão se lembrasse de escrever lá no país dele que, aqui, no belo e tranquilo Portugal, o Presidente da República é suspeito de ter encoberto o móbil do assassinato de um antigo primeiro-ministro e ministro da Defesa pela CIA. Que o fizera para proteger militares portugueses e norte-americanos. Que assim escondeu um negócio de tráfico de armas de Portugal para o Irão no tempo em que o ex-director da CIA, George Bush, era candidato a vice-presidente dos EUA. Imaginem ainda que esses jornalistas se lembrassem ainda de que, no dia da primeira tomada de posse do nosso Presidente da República, George Bush esteve no Parlamento português como seu convidado de honra, confirmando assim uma longa amizade. Imaginem então uma coisa ainda mais grave, pois esses jornalistas estrangeiros iriam depois ficar a saber que, a ter havido negócio de tráfico de armas para o Irão através de Portugal em finais de 1980, isso iria demonstrar que elementos da campanha republicana Reagan/Bush, ex-agentes da CIA, teriam negociado secretamente com os iranianos a não libertação dos reféns de Teerão antes das eleições presidenciais nos EUA, a 4 de Novembro de 1980, roubando assim a reeleição de Jimmy Carter. Isso significaria que a administração Reagan chegara ao poder através de um acto de traição. Iria colocar em causa toda a política norte-americana no Médio Oriente na actualidade, pois a mesma tem sido a sequência lógica das acções iniciadas por esse negócio da CIA em Portugal com a cumplicidade dos nossos dirigentes, dirigentes norte-americanos republicanos e até com complacência dos democratas. Não, senhores deputados, a morte de um estadista em Portugal não pode chegar as estas conclusões. É preciso manter esta Ordem Mundial, senão ainda se chega à questão de saber de onde vinha o dinheiro para manter estes negócios e revelar as redes de tráfico de droga, as organizações terroristas que são promovidas para justificar as mortes e assassinatos que cresceram da mesma forma que os furacões nascem com o bater de asas de borboletas. E é por isso que temos a crise económica mundial de hoje, precisamente por causa de todos os negócios que se fizeram depois destes negócios que levaram a Camarate. Sei que parece ser algo pretensioso querer dizer que Camarate está na origem de todos os males no mundo, mas, de certo modo, infelizmente, e sem exageros, até está. E não podemos mostrar essa verdade aos Portugueses: eles não iriam aguentar. É pior do que o holocausto de Hitler, acreditem. Por isso, o meu apelo, para que não iniciem sequer os trabalhos. Tentem ir adiando até ser esquecido. A imprensa está a dar o exemplo e está fazer um bom trabalho ao ignorar o assunto. Deram a notícia ontem, mas hoje já ninguém se lembra. Não falem mais nisso e daqui a nada, no fim do mês, os portugueses já se esqueceram e podem continuar infelizes e domesticados como sempre. Qualquer CIPTC nesta altura ou noutra qualquer, mesmo que conseguisse abafar metade daquilo que eu aqui digo, ainda assim iria descobrir muita coisa, pois os factos existem e até estão à vista. Não os liguem entre si. Não estraguem a verdade oficial que tantos anos demoraram a construir. Lembrem-se que se houver sangue, ainda pode ser o vosso a jorrar nas escadas do Parlamento. Não deixem falar quem quer falar, não façam falar quem não pode falar. Por favor, senhores deputados, não falem mais em Camarate!

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20120410

Camarate - A confissão de Farinha Simões

20120117

O homem que não estava lá

É na página 383 da sua autobiografia política que Mário Soares não fala de Rui Mateus...



Para mim, que tanto faz, penso que Rui Mateus deve ter sido um pouco mais daquilo do que Mário Soares quer dar a entender...





Assim, o que me separa de Mário Soares não é a Democracia, mas sim o "tique" estalinista de tirar pessoas da fotografia...

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20111122

Manual de Instruções para Golpes de Estado

Um golpe de Estado não se anuncia. Faz-se. E, de preferência, a uma terça, quarta ou quinta-feira. Porquê? Para haver tropa. Esta indicação foi-me dada por alguém que já fez um golpe de Estado, Otelo Saraiva de Carvalho. O 25 de Abril de 1974 foi a uma quinta-feira, enquanto a intentona do 16 de Março, nas Caldas da Rainha, foi de sexta para sábado. Por isso falhou. Salgueiro Maia, certa vez, quando Cavaco Silva era primeiro-ministro, foi apresentado ao chefe do Governo durante uma cerimónia militar: "Sr. primeiro-ministro, este é Salgueiro Maia, o homem que prendeu o chefe do Conselho, Marcello Caetano". Maia sorriu e disse a Cavaco: "Prendi sim senhor, e prenderei outro se tal for necessário". Cavaco engoliu em seco, Maia já não está entre nós, morreu de cancro. Cavaco, antigo líder social-democrata, está agora em Belém, na cadeira que foi de Américo Tomaz. O actual chefe do Governo é um ex-dirigente da juventude social-democrata. O ministro dos Negócios Estrangeiros é um antigo membro da juventude social-democrata e o anterior primeiro-ministro, apesar de ser "socialista", ainda chegou a militar na juventude social-democrata. O actual presidente da comissão europeia, o português Barroso, passou pela juventude de um partido marxista e chegou depois a líder do partido social-democrata. A alternância dita "democrática" que hoje temos não é fruto de uma revolução feita a 25 de Abril de 1974, pois temos ainda de recordar outras datas que não são feriados: 28 de Setembro de 1974, 11 de Março de 1975, 25 de Novembro de 1975 e 4 de Dezembro de 1980. Feriados como o 25 de Abril, 10 de Junho, 1 de Dezembro, não parecem fazer sentido nos dias de hoje. Penso que deve-se manter o 5 de Outubro, mas exaltado como data do Tratado de Zamora de 1143 - e que Portugal seja um País onde, finalmente, se celebra a data da sua criação!. E, por fim, que se comece desde já a trabalhar para criar um novo feriado.

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20111024

Sei onde ainda podem comprar o "Eu Sei Que Você Sabe"

Quem ainda não teve a oportunidade de ler o cada vez mais raro livro "Eu Sei Que Você Sabe - Manual de Instruções para Teorias da Conspiração", editado em 2003 pelas Edições Polvo, ou quer oferecer um exemplar a um amigo, soube que há ainda uns exemplares à venda na Feira do Livro permanente da Gare do Oriente...



Ali, no lado direito de quem entra, junto à parede, a meio do espaço...



Escondidos lá atrás...



Et voilá!...

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20110902

Acampada no Rossio - O Filme

E prontos! Depois da festa, o vídeo da festa... E assim se faz a Revolução em Portugal... As imagens são bonitas, as palavras finais certeiras e brutais. Parabéns a todos. A sério. Aproveitem agora para andarem mais a pé - por causa do aumento dos preços nos transportes públicos - e mantenham hábitos saudáveis para não ficarem doentes - pois os cortes na Saúde vão estar pela "hora da morte". Ah! Já agora, se puderem investir na Educação, estudem um bocadinho a História de Portugal...




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20110616

Oito anos e seis dias atrás...

A 10 de junho de 2003, o então ministro da Defesa de Portugal, Paulo Portas, recebeu no Forte de São Julião da Barra, em Oeiras, o então secretário de Estado da Defesa, Donald Rumsfeld...





O Iraque tinha sido invadido em Março desse ano e, no seguimento do encontro, houve uma conferência de Imprensa conjunta. Nunca esqueci a comparação que Paulo Portas fez nessa altura entre o tamanho das armas de destruição massiva e o púlpito no qual falava...



"Portas: [In Portuguese.] The only thing that the international community knows is that Saddam Hussein lied to the United Nations and to civilized countries for a decade. I would like to call attention to the fact that the weapons of mass destruction are not an assertion, they are a real problem. For ten years Iraq deceived the United Nations, first hiding them, then showing incomplete lists, then saying they had destroyed them, then moving them to systematically evade the international rules for containing this weaponry. Iraq is a country the size of France. A weapon of mass destruction might be the size of this podium. Finding something the size of this podium in a country the size of France is not something you can do in either a day or a month. But obviously Iraq today is no longer the threat to either the region or to the world that it was when Saddam Hussein was in power".

Paulo Portas tem elevadas qualidades políticas, humanas e intelectuais. Os EUA são um aliado natural português, pois ambos países partilham valores tão elevados como o amor pela Paz e Liberdade e lutam pela Democracia. É perfeitamente compreensível e de salutar que os dois governantes procurassem pontes de entendimento a favor dos interesses dos respectivos países...



Dois anos mais tarde, a 6 de Maio de 2005, quando já se sabia que não havia armas de destruição massiva e a guerra no Iraque, apesar de ter afastado Saddam Hussein do poder, fora sustentada numa mentira, Paulo Portas - já deputado do CDS, pois a liderança do partido estava entregue a Ribeiro e Castro - foi ao Pentágono receber uma medalha pelos bons serviços prestados no passado...

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20110501

Seria do bom...

... e do bonito que esta informação tivesse sido publicada na primeira página do "Expresso" com o título "Camarate - Sá Carneiro desconfiava que a CIA o andava a perseguir"...





Mas, o "critério jornalístico" determinou que ficasse apenas pelo suplemento de cultura...




E, para o caderno principal, houve apenas espaço para a informação do lançamento da obra...




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20110414

E que tal os técnicos do FMI irem também a Belém?

20110404

Foi há 24...

Hoje é um bom dia para pregar aos peixes... Foi há 24 anos que o governo minoritário de Cavaco Silva caiu na Assembleia da República depois de uma moção de censura colocada pelo PRD - partido fundado por Ramalho Eanes, o mesmo que recentemente o apoiou na reeleição para Belém... O que fez cair Cavaco foi um incidente diplomático de menor importância do qual hoje não há qualquer memória...




Havia ainda uma comissão de inquérito parlamentar aprovada dias antes da queda do governo, mas nunca chegou a funcionar. Iria investigar o negócio do tráfico de armas em Portugal e chegar a Camarate...


("Expresso", 4 de Abril de 1987)

Cavaco ganhou assim a primeira maioria absoluta. Nunca mais deixou o poder...
Saibam o que roubaram a Portugal desde 1980, vejam aqui...

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20101213

Vejam só este belo exemplo...

O diário espanhol "El País", publicou hoje nas páginas de abertura (2 e 3) um artigo sobre o telegrama diplomático norte-americano que refere a ligação do BCP ao Irão...



O artigo do "El País" citou então a seguinte informação que consta daquela comunicação diplomática dos EUA: "Early last year, the Iranian Embassy in Lisbon contacted Ferreira, who had previous contact with that embassy while serving as Chairman of the Board of Directors of Oeiras Foundation (1987-1989), a state entity that he says sold munitions to Iran more than 20 years ago"...



O jornalista espanhol do "El País" que assina o artigo, Francesc Relea, fez depois a "recolocação de factos" e informou os seus leitores que "el detalle no puede pasar desapercibido si se tiene en cuenta que la venta de armas lusas a Irán, antes y durante la guerra de aquel país islámico contra Irak (1980-88), levantó durante años gran polvareda en Portugal y sigue siendo un asunto con abundantes interrogantes. El hilo de aquellos suministros militares llega hasta la muerte del ex primer ministro portugués Francisco Sá Carneiro, el 4 de diciembre de 1980, conocida como el caso Camarate".
Comparem este artigo espanhol com o que escreveram sobre o mesmo assunto os jornalistas do "Público" e do "DN". Digam-me agora se ainda acham que vivem num país onde os jornalistas fazem o seu trabalho ou se, pelo contrário, estão a esconder debaixo do tapete a nossa História recente...

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20101212

Carta a um/a jovem jornalista nascido/a depois do dia 4 de Dezembro de 1980

Caro/a jovem jornalista,

Escrevo-te a ti, que tens 30/20 anos e ilusões sobre o jornalismo. Sou um pouco mais velho do que tu, pois nasci dois anos antes daquela outra data de que muito ouviste falar, o 25 de Abril de 1974. Se fores como eu era, as datas podem não te dizer nada, nem compreendes a importância das mesmas para os dias de hoje, já de si tão complicados com o desemprego, crise financeira mundial, guerras e perigos de doenças invisíveis.
Certamente que ouviste falar, há dias, da criação de uma nona comissão de inquérito parlamentar a um caso que aconteceu numa localidade por onde, provavelmente, nunca passaste e que se chama Camarate. Ouviste falar de um antigo primeiro-ministro, Sá Carneiro, sobre o qual muito se escreveu ultimamente. E ainda de um dirigente do CDS, Amaro da Costa, que citam como sendo um político exemplar. No entanto, nada conheces ou nada viste de concreto que pudesse fazer parte da tua História ou do teu futuro. Então, para quê perder tempo com o assunto? Para quê gastar dinheiro na Assembleia da República a investigar um caso com 30 anos, quando há tantos problemas mais imediatos e bem graves?
Não vou falar sobre os políticos que querem investigar o caso de Camarate ou qual o seu objectivo. Prefiro contar-te o que os jornalistas não fizeram nestes últimos 30 anos e como isso atrasou este País.
Quando caiu o avião em Camarate, especulou-se que teria sido atentado, mas as evidências apontavam para acidente, devido às más condições técnicas do aparelho: falta de gasolina num dos motores no momento da descolagem, perda de energia no avião e pouca experiência dos pilotos – que não conseguiram controlar o aparelho, acabando este por cair na zona de Camarate, mesmo à saída do aeroporto de Lisboa. Foi graças à insistência de um jornalista/caricaturista do semanário “O Diabo”, Augusto Cid – amigo de um dos pilotos –, que o caso não se ficou pela versão oficial do acidente. Para ele, havia um indício que apontava algo mais complicado: os corpos das vítimas não apresentavam fracturas, significando isto que estavam mortos ou sem sentidos no momento do impacto. A tese de atentado ganhava terreno e outros se juntaram a Cid. Ao longo destes anos, criaram-se várias comissões na Assembleia da República, ao mesmo tempo que a Polícia Judiciária investigava o caso. Ao fim de 15 anos, a Justiça mandou encerrar a investigação, pois já passara o tempo legal em Portugal para condenar eventuais culpados – 15 anos. Há países onde o crime de assassinato não prescreve, mas esse não é caso de Portugal. Isso foi há 15 anos, em 1995. Nessa altura, ainda era um jovem jornalista a começar a carreira e confiava nas investigações que, antes de mim, outros jornalistas – que eu admirava – teriam feito. Para mim, o jornalismo é uma espécie de sacerdócio da busca pela verdade, ou por uma aproximação à mesma. Não quis ser advogado, pois não acredito em apenas uma versão da verdade. Não quis ser juiz, pois não devo julgar sobre o que é ou não a verdade – e ainda hoje não compreendo como há seres humanos que acham que o conseguem fazer. Não fui detective policial, pois gosto pouco de segredos e tenho imensas dificuldades em os guardar. Queria contar histórias. A história de Camarate, infelizmente, é uma que não queria ter de contar, mas fui obrigado a tal. Digo-te infelizmente, pois chegou uma altura da minha vida profissional em que descobri que, mais do que jogos políticos, Camarate é um exemplo da total incompetência e irresponsabilidade jornalística nacional que, ainda hoje, se verifica. Sou adepto de uma coisa que se chama “jornalismo científico”, ou seja, colocar questões. Questões lógicas. De investigação. E, julgava eu, no início da minha profissão, que outros as tinham colocado antes de mim. Penso que deves pensar de igual forma. Que tens a confiança de que, até hoje, sempre foi assim e que tu também poderás agarrar e dar seguimento a essa responsabilidade. Mas, descobri mais tarde, não foi bem assim que as coisas se passaram. E dessa descoberta nasceu um livro que publiquei, em Novembro de 2003, intitulado “Eu Sei Que Você Sabe – Manual de Instruções para Teorias da Conspiração”. Está lá tudo que precisas de saber. A sério. O problema é que o livro está fora de circulação e não o deves conseguir encontrar nas livrarias. No entanto, vou-te contar o essencial nesta carta.
Os jornalistas mais velhos são hoje comentadores muito bem pagos em televisões e jornais, mas não citam aquela obra. Aliás, esperam que um dia nunca venhas a conhecê-la. Apostam em manter-te na ignorância, pois se descobrisses a fraude que eles sempre foram, deixarias de os respeitar e de comprar os livros de ficção que editam e vendem aos montes graças à exposição pública que conseguem – numa justa paga por te manterem no escuro da tua própria História.
Caro/a jovem jornalista, tenho amigos que dizem que sou o último jornalista em Portugal. Repara que não dizem que sou o “melhor”, pois isso implicaria existirem outros com quem me compararem. Não. Dizem-me que sou o “único”. A afirmação não me deixa contente. Na realidade, deixa-me triste, pois não quero, nem sei, nem consigo conceber a ideia de que sou o único a denunciar o que denunciei. Mas, sabes, a realidade dos factos comprova-o: até ao momento fui mesmo o único.
E o que denunciei? Nada de especial. Nada que não se pudesse saber numa investigação jornalística séria cinco minutos após a queda do avião em Camarate – faço aqui uma pequena ressalva: Augusto Cid, que sofreu pressões profissionais por causa da defesa da tese do atentado, não deve ser colocado no mesmo saco daqueles jornalistas incompetentes. Ele focou a sua energia na questão técnica sobre o que se teria passado ao avião. Queria limpar a imagem do amigo piloto, que muitos davam como o culpado da tragédia. Ficou, isso sim, sozinho na questão sobre o que estaria por detrás dos motivos do atentado. Ainda andou lá perto, mas os outros jornalistas falharam por completo a missão de informar.
Em 2000, estava eu na redacção do semanário “Tal&Qual”, no segundo andar de um prédio com o número 5 na porta, na Avenida 5 de Outubro – que, presumo, deve ser o de 1910 e não o de 1143… Através de uma troca de correspondência, via e-mail, com uma senhora na Califórnia, que nunca conheci pessoalmente, mas que me disseram que trabalhara com o realizador Oliver Stone, em 1989, no filme “JFK”, perguntei-lhe se alguma vez ouvira falar no nosso caso de Camarate. Disse-me que não e quis saber quando acontecera. Respondi com a data que todos conhecemos: 4 de Dezembro de 1980. Assim que viu a data, essa senhora mandou-me duas palavras que, de repente, passaram a fazer todo o sentido quando percebi o significado da mesma: “October Surprise”. Também tu, caro/a jovem jornalista – que tenho em boa conta – saberás perceber. A 4 de Novembro de 1980, um mês antes de Camarate, houve eleições nos EUA. O então presidente Jimmy Carter tentava ser reeleito, mas enfrentava uma grave crise política que o prejudicava nas sondagens, pois havia 52 diplomatas norte-americanos detidos no Irão, no seguimento de um assalto à embaixada que tivera lugar no dia 4 de Novembro de 1979 - exactamente um ano antes das eleições. Significa isto que, durante todo o ano de 1980, houve negociações para a libertação dos reféns norte-americanos em Teerão. Houve ainda uma tentativa frustrada de resgate dos mesmos numa acção militar – em Abril de 1980. E havia um embargo de armas ao Irão. Em Setembro de 1980, no dia 22, começou a guerra Irão-Iraque. O Irão precisava de armas e munições. Como o exército iraniano tinha armas de origem norte-americana – visto que o Xá do Irão fora um aliado dos EUA até ter sido deposto em Fevereiro de 1979 -, o único mercado onde se poderia abastecer era o dos “States” e aliados da NATO – Portugal incluído.
A expressão “October Surprise” é uma frase política muito vulgar nos EUA. As eleições presidenciais têm sempre lugar na primeira terça-feira de Novembro, de quatro em quatro anos. Sendo assim, uma surpresa política que aconteça em Outubro poderá mudar a intenção de voto e beneficiar ou prejudicar um candidato. Jimmy Carter era o candidato pelo partido Democrata e presidente em exercício. Raramente um presidente em exercício perderia uma reeleição, mas do lado do partido Republicano havia dois candidatos – a presidente e vice-presidente – que estavam convencidos que iriam conseguir derrotar Carter. Um era Ronald Reagan, ex-actor e ex-governador da Califórnia, e George Bush, multimilionário texano e antigo chefe da CIA – despedido precisamente por Carter, quatro anos antes.
Ainda hoje não se sabe nos EUA se emissários da candidatura Republicana tiveram ou não um encontro secreto, em Paris, no fim-de-semana de 18 e 19 de Outubro de 1980, para combinarem um dos mais sinistros negócios dos tempos modernos: o regime do Irão iria receber as armas que precisava para combater os iraquianos desde que se comprometesse a não libertar os reféns antes do dia 4 de Novembro de 1980, impossibilitando assim a reeleição de Jimmy Carter e permitindo a chegada à Casa Branca de um actor de filmes de “cow-boys” e de um ex-chefe da CIA. Caso este negócio viesse a ser descoberto, os seus responsáveis norte-americanos seriam presos por traição. E suspeita-se que George Bush – pai do presidente que conheceste agora entre 2001 e 2008 – seria um desses traidores dos EUA.
Acontece, caro/a jovem jornalista, que, em Novembro de 1980, dias antes de Camarate houve um jornal – “Portugal Hoje” -, ligado ao Partido Socialista que alertou para o facto de que havia rumores de que Portugal andava a vender material de guerra ao Irão, furando assim o embargo. O semanário “Expresso”, então dirigido por Marcelo Rebelo de Sousa, desmentiu a informação dias depois e disse que o material fora vendido ao Iraque – país sobre o qual não havia embargo. Ora, se passados uns dias morrem o primeiro-ministro e o ministro da Defesa em circunstâncias estranhas, por que razão nenhum jornalista foi capaz de escrever que tal poderia estar relacionado com a venda de material de guerra ao Irão? E por que não foram investigar essa pista? Afinal, por que não fizeram o “jornalismo científico”? E por que continuam hoje muitos deles a dizer que não há nada para investigar? Tiveram medo? É legítimo ter medo. Eu não sou corajoso, sou apenas irresponsável – ainda acredito em fadas…
A investigação que fiz em 2003 permitiu descobrir que, em 1987, houve uma grande cobertura de toda esta investigação e isso conduziu à primeira maioria absoluta de Cavaco Silva, o actual Presidente da República e o último ministro a ter estado reunido com as duas vítimas de Camarate. Essa cobertura foi o fim de uma comissão de inquérito parlamentar que iria investigar o papel de Portugal num esquema de venda de armas para o Irão durante a administração Reagan - e que ficou então conhecido como caso “Irangate” ou "Iran-Contra". Enquanto que nos EUA se discutia se o caso de venda de armas para o Irão só começara em 1982, a pista portuguesa poderia levar o caso para Outubro de 1980. No entanto, a Assembleia da República foi dissolvida pelo Presidente da República Mário Soares e o inquérito, aprovado dias antes, nunca chegou a funcionar. A legislatura seguinte, dominada pela primeira maioria absoluta do partido de Cavaco Silva, nunca quis investigar o caso. Foi só em 2004, um ano depois de o meu livro ter sido publicado, que a oitava comissão de inquérito de Camarate, liderada por uma pessoa que respeito imenso - Nuno Melo -, descobriu que Portugal andava mesmo a vender armas ao Irão em 1980 e que o ministro da Defesa quis investigar o caso. Foram 30 anos da minha vida jornalística desperdiçados com essa revelação. Não cabia a mim ter sido o responsável por ter dito isso um ano antes. Esse teria sido o trabalho da geração anterior a mim. Foram esses que me falharam.
Eu não quero falhar-te, caro/a jovem jornalista. Agora que vão andar a investigar mais coisas daqueles tempos, quero garantir-te que há muitos livros publicados fora de Portugal com toda a informação sobre o assunto e que ninguém nos diz. Podes encontrar alguns desses títulos nas lombadas exposta na minha biblioteca. Não é preciso ir muito longe, portanto. Os jornalistas que ainda existem por aí – não quero ser o único -, podem ir fazer buscas na Internet e comprar livros “on-line”. Não é preciso ir ao estrangeiro, como nos anos 80.
Vou estar atento ao que se vai dizer, agora que parece que querem desenterrar esta história, como se fosse uma grande novidade. Não sei ainda o que se pretende esconder. Quando souber, digo-te. Para já, deixo-te esta carta, para que, daqui em diante, possas perceber o que se passou e como isso afecta o teu futuro, pois são os mesmos de 1980 – e seus filhos e empregados - que ainda mandam no mundo de hoje. No teu mundo. No nosso mundo.

Do teu,

Frederico Duarte Carvalho

P.S. Tens ainda muita informação sobre esta história num blogue que criei em 2005 e que se chama O Fim da Democracia.

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20101122

Até era capaz de me rir, se não fosse sério e trágico

20101112

Navegar ao sabor da corrente...

O "DN" descobriu a pólvora: "Senhorio de Nobre esteve preso por tráfico de armas". O diário chegou a esta conclusão porque terá feito uma busca na Internet e depois consulou o seu próprio arquivo, onde encontrou a primeira notícia do caso, publicada em Janeiro de 85. Não consta do texto agora publicado uma única declaração actual do visado, Moisés Broder. Nem consta a informação de que tenha sido contactado para a prestar, o que nos deixa algo preocupados sobre a qualidade do jornalismo ali praticado. Se o "DN" desejar saber mais sobre o tráfico de armas de Portugal para o Irão, poderá continuar a consultar nos seus arquivos o final de 86 e início de 87. Fala-se aí muito sobre o papel de Cavaco Silva e de George Bush (pai) nesses mesmos negócios... Seria bom ver algum jornalismo em vez de andarem a navegar ao sabor da corrente...

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20100725

Como branquear a responsabilidade dos políticos

Dizem-nos agora que a guerra no Iraque foi ilegal. Sabemos isso desde o primeiro dia, em Março de 2003. Porém, quando os artigos sobre o caso terminam a dizer "The public got it right. It is a great pity the politicians got it wrong", está-se a branquear a responsabilidade dos nossos dirigentes, pois estes também sempre souberam o que estavam a fazer, como podem confirmar no O Fim da Democracia...

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