20141004

Open letter to Mr. Oliver Stone who recently visited Portugal and didn’t had the chance to know the following facts about the common history of Portugal and the US

Dear Mr. Oliver Stone, I’ve just read the story about your recent visit to Portugal published in the “Expresso” magazine. Knowing your work “The Untold History of the United States” I thought how ironic it was that your only interview in Portugal was to television SIC and newspaper “Expresso” – both of the same communication group – because they are the best exemple of what’s not told to the Portuguese public about their past and contemporary history.
"Expresso" said that you’ve visited Mário Soares at his home in Vau, Algarve. And you did that because you asked first who the President of Portugal was during the first Gulf War (1990-1991). Well, I don’t know if you were previously informed that a Portuguese President doesn’t have the same executive power as the US President. The power to decide the Government foreign policy and Defense strategy are in the hands of the prime-minister. If you were told that in 1990-1991 the prime-minister was the actual President, Aníbal Cavaco Silva, you bet you could have film material!
Aníbal Cavaco Silva was the Finance minister present on the last meeting with the Portuguese prime-minister Sá Carneiro and Defense minister Amaro da Costa, on December 4, 1980, the day these last two died on a plane crash.
A plane crash that was caused by an explosion on board – a fact only given as proven in 2004.
Nowadays, the Portuguese Parliament is investigating a possible link between their death and an investigation commanded by Sá Carneiro to an ilegal guns deal to Iran before the Reagan/Bush 1980 election. The 1980 “October Surprise” deal. Cavaco Silva had been ordered by Sá Carneiro to investigate a financial flow of ilegal money among the militar in Portugal, but he never carried out the investigation. Instead, after the death of Sá Carneiro he became prime-minister in 1985 and, like Mário Soares, who also was prime-minister before him, Cavaco Silva was submissive to the power in Washington.
That’s why you can find Portugal and the Lisbon airport mentioned as a third country in the Iran-Contra affair. Cavaco Silva is a personal friend of Bush senior, the former CIA director. As a matter of fact, Bush senior was present in the inauguration ceremony of Cavaco Silva as President of Portugal in 2006.
So, the name of the person who was in control of the Portuguese policy during the first Gulf War and who’s also a close friend of Bush senior was then the prime-minister Aníbal Cavaco Silva, now the President of Portugal.
I hope you can come a second time to Portugal. There’s a lot more of an “Untold” history that you would really like to know. Because it’s also your history that’s hidden here, in Portugal. All the best.

Etiquetas: , , , ,

20120723

"Cavaco Versus Cavaco" ao alcance de todos

Após um pequeno passeio por Lisboa, entre os dias de ontem e hoje, posso assegurar aos meus leitores que a obra "Cavaco Versus Cavaco" está bem distribuída e exposta com destaque. Assim, para além da Fnac do Chiado, onde teve lugar o lançamento na passada sexta-feira, podem, por exemplo, entre outros locais, encontrar o livro na... Bertrand das Amoreiras...
Bertrand Vasco da Gama...
Fnac Vasco da Gama...
Fnac Colombo...
Worten Colombo...
Continente Colombo...
Em termos de divulgação, para além de notícias no "Jornal de Notícias", "O Diabo" e "A Bola TV", podem ouvir a minha entrevista a Fernando Alvim no "Alvinex" e ainda a Guilherme Fonseca, no programa "Inferno", do "Canal Q"...

Etiquetas: , , , , , , , , , , , ,

20120427

Camarate - Um apelo aos deputados

Senhores deputados, por favor, não cometam o erro de criarem a 10ª Comissão de Inquérito Parlamentar à Tragédia de Camarate (CIPTC). Ouçam as vozes bem avisadas, sensatas e honestas daqueles que pedem que não gastem mais dinheiro do orçamento da Assembleia da República. Pensem, isso sim, em medidas para combater a actual situação económica em que se encontra o País. Combatam o desemprego, desenvolvam a produtividade nacional, ouçam as palavras do senhor Presidente da República no 25 de Abril e promovam uma imagem positiva de Portugal no estrangeiro. Não gastem tempo a analisar uma situação do passado, que já não interessa e não vai adiantar ao futuro. Por favor, senhores deputados, não percam tempo com mais comissões quando já houve nove, nove comissões de inquérito parlamentar onde não há mais nada a acrescentar. Ou preferem continuar a distrair-nos com estas questões do passado enquanto o povo passa fome? Ouçam, por favor, o ex-conselheiro da Revolução, Sousa e Castro, que diz que os militares de Abril derrubaram o Estado Novo para acabar com a fome em Portugal e investiguem, por exemplo, o negócio dos submarinos. Esse sim, um verdadeiro escândalo, a par de casos como o BPN ou estas vergonhas do Freeport e os seus “envelopes castanhos” mais os gabinetes de arquitectura de amigos. Por favor, ouçam este apelo de um simples cidadão: não criem a 10ª CIPTC. Senhores deputados, se caírem no erro de criarem a 10ª CIPTC, a situação económica vai piorar, pois arriscam-se a meter a mão num ninho de vespas internacional que depois vai agravar o já apertado sufoco financeiro na tentativa de nos calar. É assim que eles têm feito há anos e anos. Desde Camarate. Os senhores deputados vão abrir uma caixa de Pandora com todas as desgraças do mundo dentro dela. Se cometerem a imprudência de quererem saber se a “alegada confissão” de um alegado responsável do alegado atentado, que, alegadamente, foi funcionário da CIA, com alegadas ligações a um – e aqui não é alegado, pois é um facto – ex-embaixador norte-americano em Portugal e posterior número dois da CIA, Frank Carlucci, que até era amigo pessoal de um ex-primeiro-ministro e ex-Presidente da República, Mário Soares -, então vão deixar em maus lençóis os nossos aliados norte-americanos e a sua imagem no resto do mundo. Acaso imaginam as implicações que teria para o nosso futuro se acusarmos os Estados Unidos da América de estarem por detrás do assassinato do nosso primeiro-ministro e ministro da Defesa, apenas porque estes queriam impedir que tivesse lugar em Portugal uns estranhos negócios ilegais de tráfico de armas que desrespeitavam a soberania do nosso País? Mas, onde é que já se viu isso? Se a vossa 10ª CIPTC provar que Portugal andava a vender armas para o Irão em 1980, furando assim um embargo internacional, que havia elementos da CIA por detrás desse negócio e Sá Carneiro, dois meses antes de Camarate, desconfiava estar a ser perseguido pela secreta norte-americana por querer investigar essas ilegalidades, pelo que teria sido então “encomendada” a sua morte por um milhão de dólares, isso vai deixar em maus lençóis muita boa gente que ainda hoje está viva. E não é só nos EUA. É também por cá. E aviso-vos que nem sequer é necessário chamar o desacreditado Fernando Farinha Simões de Vale de Judeus para testemunhar no Parlamento que Sá Carneiro desconfiava da CIA, pois podem perfeitamente chamar para ir à 10ª CIPTC uma pessoa credível, Vasco Abecassis, ex-marido de Snu Abecassis (a companheira de Sá Carneiro que faleceu também em Camarate), que contou precisamente isso à jornalista Cândida Pinto (outra pessoa credível), da SIC (a televisão do ex-primeiro-ministro Pinto Balsemão, também pessoa credível), que o escreveu na biografia sobre Snu, editada pela Dom Quixote (que é uma editora igualmente credível e bastante respeitada). Senhores deputados, por favor, não cometam ainda o imenso e superlativo erro de irem investigar o Fundo de Defesa Militar de Ultramar - o “saco azul” do exército do tempo da guerra colonial, destinado a financiar a compra de material de guerra fora do controle do Orçamento do Estado e que, desde o 25 de Abril de 1974, era gerido em segredo pelos “militares de Abril”, esses, ingratos, que, tal como Mário Soares (o amigo do Carlucci da CIA), faltaram às celebrações da data de Liberdade no vosso Parlamento. Se insistirem nessa perigosa ideia, então façam tudo para enganar o povo Português e escondam a necessidade de envolver o nome do Presidente da República nessa questão. Eu sei que vai ser difícil, pois quando o actual Presidente da República era ministro das Finanças recebeu ordens de Sá Carneiro para investigar o Fundo de Defesa Militar de Ultramar e nunca o fez. Assim, qualquer comissão séria teria de ir perguntar-lhe o motivo pelo qual não conseguiu cumprir as ordens do primeiro-ministro e se manteve calado ao longo destes anos todos. E, mais uma vez, não é sequer necessário recorrer a “alegadas confissões” no YouTube para confirmar isso, pois basta consultar os comunicados do Conselho de Ministros de Novembro de 1980 onde essa ordem está bem explícita. Ou então a imprensa da época – tenho cópias que vos posso fornecer. Senhores deputados, não sujeitem o Presidente da República a perguntas incómodas sobre qual o conteúdo da última reunião de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, na qual ele esteve igualmente presente, na manhã do fatídico dia 4 de Dezembro de 1980, juntamente com as mais altas chefias militares do País, para falarem precisamente sobre questões de dinheiro e Orçamento. Não façam essas perguntas ao Presidente da República, pois o País já tem tantos problemas económicos que a imagem de Portugal no estrangeiro iria ficar arruinada para sempre. Já basta termos um ex-primeiro-ministro com fama de corrupto, imaginem agora só se, na sequência da vossa investigação, um jornalista norte-americano, ou inglês, ou francês, ou alemão se lembrasse de escrever lá no país dele que, aqui, no belo e tranquilo Portugal, o Presidente da República é suspeito de ter encoberto o móbil do assassinato de um antigo primeiro-ministro e ministro da Defesa pela CIA. Que o fizera para proteger militares portugueses e norte-americanos. Que assim escondeu um negócio de tráfico de armas de Portugal para o Irão no tempo em que o ex-director da CIA, George Bush, era candidato a vice-presidente dos EUA. Imaginem ainda que esses jornalistas se lembrassem ainda de que, no dia da primeira tomada de posse do nosso Presidente da República, George Bush esteve no Parlamento português como seu convidado de honra, confirmando assim uma longa amizade. Imaginem então uma coisa ainda mais grave, pois esses jornalistas estrangeiros iriam depois ficar a saber que, a ter havido negócio de tráfico de armas para o Irão através de Portugal em finais de 1980, isso iria demonstrar que elementos da campanha republicana Reagan/Bush, ex-agentes da CIA, teriam negociado secretamente com os iranianos a não libertação dos reféns de Teerão antes das eleições presidenciais nos EUA, a 4 de Novembro de 1980, roubando assim a reeleição de Jimmy Carter. Isso significaria que a administração Reagan chegara ao poder através de um acto de traição. Iria colocar em causa toda a política norte-americana no Médio Oriente na actualidade, pois a mesma tem sido a sequência lógica das acções iniciadas por esse negócio da CIA em Portugal com a cumplicidade dos nossos dirigentes, dirigentes norte-americanos republicanos e até com complacência dos democratas. Não, senhores deputados, a morte de um estadista em Portugal não pode chegar as estas conclusões. É preciso manter esta Ordem Mundial, senão ainda se chega à questão de saber de onde vinha o dinheiro para manter estes negócios e revelar as redes de tráfico de droga, as organizações terroristas que são promovidas para justificar as mortes e assassinatos que cresceram da mesma forma que os furacões nascem com o bater de asas de borboletas. E é por isso que temos a crise económica mundial de hoje, precisamente por causa de todos os negócios que se fizeram depois destes negócios que levaram a Camarate. Sei que parece ser algo pretensioso querer dizer que Camarate está na origem de todos os males no mundo, mas, de certo modo, infelizmente, e sem exageros, até está. E não podemos mostrar essa verdade aos Portugueses: eles não iriam aguentar. É pior do que o holocausto de Hitler, acreditem. Por isso, o meu apelo, para que não iniciem sequer os trabalhos. Tentem ir adiando até ser esquecido. A imprensa está a dar o exemplo e está fazer um bom trabalho ao ignorar o assunto. Deram a notícia ontem, mas hoje já ninguém se lembra. Não falem mais nisso e daqui a nada, no fim do mês, os portugueses já se esqueceram e podem continuar infelizes e domesticados como sempre. Qualquer CIPTC nesta altura ou noutra qualquer, mesmo que conseguisse abafar metade daquilo que eu aqui digo, ainda assim iria descobrir muita coisa, pois os factos existem e até estão à vista. Não os liguem entre si. Não estraguem a verdade oficial que tantos anos demoraram a construir. Lembrem-se que se houver sangue, ainda pode ser o vosso a jorrar nas escadas do Parlamento. Não deixem falar quem quer falar, não façam falar quem não pode falar. Por favor, senhores deputados, não falem mais em Camarate!

Etiquetas: , , , , , ,

20120317

Faz hoje 10 anos...

... que tiveram lugar as eleições legislativas antecipadas de 2002, aquelas que resultaram da demissão de António Guterres e permitiram a chegada ao poder de Durão Barroso.
Não me parece que muitos se tenham lembrado hoje da data redonda do 17 de Março de 2002, mas vejo aí a origem dos actuais problemas políticos. As eleições foram a consequência da demissão antecipada de Guterres que, na noite das eleições autárquicas de Dezembro de 2001, resolveu bater com a porta e deixar-nos no "pântano"...



António Guterres fugiu às suas responsabilidades, pois apesar de não ter maioria parlamentar, tinha reforçado, em 1999, a votação em relação a 1995 e dispunha de um mandato de governo para quatro anos. Mas, optou por fugir. Recordo-me da confusão no PS por causa dessa saída antecipada. Lembro-me de Jaime Gama apresentar a candidatura à liderança do partido...



... e de no dia seguinte dizer que, por motivos pessoais, afinal já não podia...



Com a saída de Jaime Gama apareceu Ferro Rodrigues...



As eleições de há 10 anos não deram a maioria absoluta a Barroso, pelo que teve de fazer uma coligação com o líder do CDS, Paulo Portas. Em Novembro daquele ano de 2002 rebentava o escândalo da Casa Pia, que, em 2003, levaria à prisão preventiva do nº2 de Ferro Rodrigues, Paulo Pedroso. O próprio Ferro Rodrigues não escaparia às suspeitas de pedofilia, contudo, apesar dos ataques, conseguiu uma vitória política para o PS ao vencer as eleições europeias de 13 Junho de 2004, no dia seguinte ao início do Euro2004, no Estádio do Dragão, no Porto, quando Portugal perdeu 2-1 contra a Grécia no jogo de abertura. Durão Barroso aproveitou a distração provocada pela euforia do Euro2004 para, tal como Guterres, sair a meio de um mandato. Foi viver longe daqui, nos salões de Bruxelas e palcos internacionais. Deixou um governo com Santana Lopes e Paulo Portas, mas o Presidente Jorge Sampaio não convocou eleições antecipadas quando podia e isso provocou a demissão de Ferro Rodrigues. Sampaio esperou depois pelas eleições internas no PS, feitas para a vitória de José Sócrates e, antes que este perdesse o "estado de graça", criou um discurso para justificar a demissão da coligação PSD/CDS, apesar da mesma ter a confiança da maioria do Parlamento. E assim chegámos a Sócrates. E assim tivemos quatro anos de maioria absoluta socialista e assim tivemos, no PSD, as lideranças efémeras de Marques Mendes, Luís Filipe Menezes, Manuela Ferreira Leite e, finalmente, quando já se tinha tentado quase tudo no PSD, o antigo "jota" Pedro Passos Coelho. Deste modo, com José "Freeport" "Independente" "BPN" "PEC" Sócrates caído em desgraça, chegámos ao actual governo. Chegámos à actual conjuntura político-financeira. Foram 10 anos de tempo perdido, onde, pelo meio, elegemos e reelegemos o primeiro-ministro que, há 25 anos, ganhou a primeira maioria absoluta do PSD e, apesar de ter tido na mão todos os instrumentos financeiros e a legitimidade política para os aplicar em projectos sólidos com fundos europeus, queimou a agricultura, afundou as pescas, esqueceu o tecido produtivo nacional e promoveu o novo-riquismo, dando-nos o País com o povo que agora temos e que ele tanto critica.
Por isso, nestes 10 anos que hoje se celebram, só tenho uma coisa a dizer: Parabéns a todos!

Etiquetas: , , , ,

20120123

Não sou anónimo nem me chamo Alcides

Fui informado, por altura do Natal, da existência de um blogue chamado "Bar do Alcides" que se apresentava da seguinte forma: "O Bar do Alcides é o ponto de encontro de todos aqueles que estão insatisfeitos com o actual 'ESTADO DA NAÇÃO PORTUGUESA' e que querem desabafar enquanto bebem um copo. O Bar do Alcides é feito e editado por portugueses não-maçons que estão exilados no Rio de Janeiro e em São Paulo no Brasil. Aqui a MAÇONARIA não é de todo BENVINDA!".
Achei interessante a iniciativa e fiquei atento, tanto mais que anunciavam, para a noite de Natal, a publicação de um livro a revelar como o primeiro-ministro Sá Carneiro fora assassinado pela maçonaria. Dias antes da data prevista, contactei os responsáveis do blogue através de uma mensagem via "Facebook", mostrando-me interessado em adquirir a obra e até em partilhar informações, já que estou a escrever um livro sobre o que aconteceu em Camarate a 4 de Dezembro de 1980. Como prova da vontade em querer partilhar informações, enviei-lhes a cópia de um artigo do jornal espanhol "La Vanguardia", datado do dia 4 de Dezembro de 1980, onde se falava da maçonaria - nomeadamente o GOL -, e como esta organização estava contra Sá Carneiro, apoiando o candidato presidencial Ramalho Eanes...



Era e ainda acredito que continua a ser um texto pouco conhecido em Portugal. Posso dizer que era um documento relativamente importante para a minha investigação e fora fruto de uma daquelas sortes jornalísticas, que se encontram com alguma paciência em arquivos da Internet, e não numa qualquer busca do "Google". Mas, da mesma forma que tinha lá chegado, também um qualquer indivíduo mais interessado no assunto poderia lá chegar. Na resposta, os autores do "Bar do Alcides" não fizeram qualquer comentário ao artigo que lhes enviei e disseram-me apenas para esperar pela publicação para a data e hora marcada. E esperei. Vi depois no longo texto que publicaram, que o único dado inédito face ao que já conhecia fora precisamente a junção daquele artigo do "La Vanguardia".
Agora, devido à polémica em torno das declarações sobre a pensão de Cavaco Silva, os responsáveis do blogue surgiram num grupo de discussão do "Facebook" para o qual fui adicionado sem ter pedido - mas, pronto, vá lá. Ao ler os comentários, desabafei que, para mim, Cavaco Silva ainda tinha ainda de responder sobre o conteúdo da última reunião que teve com Sá Carneiro e Amaro da Costa, no dia 4 de Dezembro de 1980, onde estiveram a falar sobre o orçamento das Forças Armadas. E perguntava: Sabendo ainda que Cavaco Silva tinha a incumbência de investigar o Fundo de Despesa de Ultramar, a pedido de Sá Carneiro, por que motivo essa investigação nunca avançou? Face a esta questão, qual foi a conclusão dos responsáveis do "Bar do Alcides"? Escreveram isto: "Aníbal Cavaco Silva ENVOLVIDO no assassinato do Dr. Francisco Sá Carneiro". Ora, a meu ver, este é um título exagerado ao qual não posso estar associado, pois parece que Cavaco Silva participou, conscientemente, na morte do fundador do PSD. A minha observação, que não é nada inocente - reconheço -, ainda assim foi feita de cara descoberta e é fruto de muito trabalho jornalístico, pois há mais informações que precisam de ser investigadas. Por isso é que, a 7 de Dezembro de 2010, assinei um texto no semanário "O Diabo" a chamar precisamente a atenção para o facto de que Cavaco Silva teria de depor sobre Camarate...



Mais grave ainda, é que o referido texto do "Bar do Alcides" apresenta a reprodução de um texto de minha autoria e publicado em Novembro de 2006 na revista "Focus", aquando da entrevista que fiz a José Esteves, o suposto autor da bomba de Camarate...



Quero aqui dizer aos leitores do "Para Mim Tanto Faz" que não sou o autor do "Bar do Alcides", não conheço pessoalmente nenhum dos envolvidos nem tenho qualquer controlo naquilo que eles escrevem. Muitos dos problemas em Portugal não são os segredos ou as sociedades dos aventais e espadas. São, isso sim, factos que todos nós sabemos, mas, passados uns tempos, ficam esquecidos por jornalistas sem memória ou sem capacidade de fazerem perguntas em Liberdade. Como ainda vou tendo alguma memória e mantenho a custo a Liberdade de fazer perguntas, escrevo os meus textos sem medo de mostrar a cara.
Chamo-me Frederico Duarte Carvalho e sou jornalista.

Etiquetas: , , , ,

20110811

O actual ministro dos Negócios Estrangeiros sobre a actual primeira-dama, quando ambos ainda não o eram (mais o Marcelo e a história da Vychisoise)

20110628

"A mim, pagam-me os portugueses"

Cavaco Silva, virou-se para o banqueiro espanhol Mario Conde e disse-lhe que não. O governo português não iria autorizar a venda do banco Totta&Açores a um cidadão do país vizinho, pois, justificou, era "uma jóia de Portugal, uma peça-chave do sistema financeiro português". Portanto, não iria ser privatizado para cair em mãos espanholas, acrescentou o então primeiro-ministro português. Mario Conde não desistiu perante o argumento: "Compreendo. Para nós, também é uma jóia e foi por isso que o comprámos. Sabemos que é português, mas trata-se do Mercado Único...". A conversa teve lugar a 20 de Julho de 1993, em S. Bento. Para além de Cavaco e Conde, havia uma terceira pessoa presente, mas o banqueiro não a sabe identificar. Contudo, não seria alguém ligado às finanças, Banco de Portugal nem ministério da Economia. Cavaco deixara uma primeira sensação em Mário Conde: "Altivo, orgulhoso, distante, com soberbia". Para o primeiro-ministro português, pouco interessava o argumento de que Portugal estava num mercado financeiro sem fronteiras. Interrompeu o banqueiro espanhol e disse-lhe: "Olhe, uma coisa é falar do Mercado Único, outra é viver a política de cada dia. A mim, pagam-me os portugueses e vou fazer o que seja bom para Portugal". O banqueiro espanhol sentiu que revisitava a batalha de Aljubarrota. Um importante negócio financeiro não poderia avançar porque o primeiro-ministro de Portugal não queria espanhóis à frente de uma histórica instituição bancária portuguesa. Mario Conde ainda tentou explorar o clima de confronto entre Cavaco e o então Presidente da República Portuguesa, Mário Soares. Como tinha a informação de que o Presidente português era amigo do Rei de Espanha, o banqueiro fez as malas e foi pedir ajuda ao seu monarca, que estava a participar nas festas do "Jacobeo 93", em Santiago de Compostela. Mas, de pouco valeu essa intervenção real e presidencial, pois o primeiro-ministro português acabaria por criar uma disposição legal que destruiu definitivamente as ideias do banqueiro espanhol. E desabafa Mário Conde: "Os verdadeiros anti-europeístas são eles", esses políticos que dizem uma coisa em público e depois outra em privado. Sobretudo frases como aquela de "a mim, pagam-me os portugueses". E, afinal, ainda hoje continuamos a pagar-lhe. Viu-se isso com o BPN, não se viu, senhor Presidente da República?

A história que aqui conto é uma adaptação da versão mais longa e detalhada que o próprio Mario Conde revela na sua mais recente obra biográfica...

Etiquetas: , ,

20110407

Manifesto-me por Portugal

Só existe um único grande partido em Portugal. Esse partido não se chama PSD, nem PS nem CDS, nem mesmo PPM. Esse partido chama-se AD. Foi a AD que deu a maioria absoluta a Sá Carneiro, em 1979. Sem a AD, foi depois necessário, em 1983, fazer o Bloco Central entre PS e PSD e, sem a AD, Cavaco Silva teve uma maioria relativa na primeira vez que se candidatou a primeiro-ministro, ou seja, em 1985. Foi, contudo, graças ao efeito AD da campanha presidencial do início de 1986, com Freitas do Amaral como candidato do PSD, que, em Junho de 1987, Cavaco Silva conseguiu conquistar sozinho o eleitorado da AD, esvaziando o CDS. Segurou essa maioria na reeleição de 1991, mas o PSD não iria conseguir a repetição com as eleições de 1995, altura em que o PS de Guterres obteve uma maioria relativa, aproveitando a divisão da AD e o desgaste dos meses finais do cavaquismo. Mas, Guterres nunca conseguiu convencer o leitorado da AD e, por isso, nunca teve a maioria absoluta que pretendia nas eleições de 1999. Demitiu-se em finais de 2001. Nas eleições antecipadas de 2002, Durão Barroso não conseguiu a maioria absoluta da AD, pois no CDS Paulo Portas conseguira inverter a “vampirização” do eleitorado centrista e recuperou parte dos votantes da AD para o partido. Contudo, como Barroso e Portas fizeram um acordo pós-eleitoral, nunca conseguiram usar a força plena da AD – sobretudo quando não tinham consigo o pequeno PPM para juntá-los nas diferenças. As eleições antecipadas de 2005 foram ganhas por José Sócrates que conseguiu juntar parte do eleitorado da AD ao seu PS. Afinal, a esquerda sempre criticou a maioria de Sócrates de estar mais próxima das políticas de direita – da AD - do que propriamente da sua área de origem política e social. Em 2009, com todos divididos, a AD não deu maioria absoluta a ninguém. O que vai acontecer nas próximas eleições de 5 de Junho é simples: ninguém vai ter maioria absoluta, pois não há AD. Posso, contudo, arriscar que, graças ao facto do PSD achar que poderá obter a maioria relativa e depois aliar-se ao CDS e repetir o governo de 2002, isso poderá potenciar uma subida do PS durante a campanha eleitoral. O PSD, ao recusar uma aliança pré-eleitoral com o CDS e outros pequenos partidos que, apesar de pequenos na sua expressão eleitoral são grandes nas ideias que defendem para Portugal – caso do PPM -, perdeu o eleitorado da AD. Mesmo que o plano de Coelho dê certo, duvido que aguente mais do que dois anos. Entretanto, o PS vai-se organizar. Vai eleger António Costa e, finalmente, poderá fazer um governo de Bloco Central com o PSD. Nessa altura, o líder será Rui Rio. Está já escrito há muito tempo. Não estou a dizer nada de novo. Manifesto-me, isso, sim, pois não sei se esta última solução será a melhor para Portugal. Este é um País pequeno na sua dimensão geográfica, mas grande em termos de História e de soluções. Basta ser bem gerido, basta não ser despesista e basta incentivar à produção. Basta colocar as leis a funcionar com ética e transparência. Basta de apostar em soluções erradas. Basta.

Etiquetas: , , , , , , , , , , ,

20101224

Salvé Luz de Belém que nasceste para o nosso bem!

20101206

Agora n'O Diabo...

20101120

Os líderes... e os amigos...

20101112

Navegar ao sabor da corrente...

O "DN" descobriu a pólvora: "Senhorio de Nobre esteve preso por tráfico de armas". O diário chegou a esta conclusão porque terá feito uma busca na Internet e depois consulou o seu próprio arquivo, onde encontrou a primeira notícia do caso, publicada em Janeiro de 85. Não consta do texto agora publicado uma única declaração actual do visado, Moisés Broder. Nem consta a informação de que tenha sido contactado para a prestar, o que nos deixa algo preocupados sobre a qualidade do jornalismo ali praticado. Se o "DN" desejar saber mais sobre o tráfico de armas de Portugal para o Irão, poderá continuar a consultar nos seus arquivos o final de 86 e início de 87. Fala-se aí muito sobre o papel de Cavaco Silva e de George Bush (pai) nesses mesmos negócios... Seria bom ver algum jornalismo em vez de andarem a navegar ao sabor da corrente...

Etiquetas: , , , , ,

20101110

O Diabo veste Pravda