20140113

Sócrates e as críticas ao Goldman Sachs

Para também não virem depois dizer que só me "preocupo" em "atacar" José Sócrates com esta coisa sem importância do jogo Portugal-Coreia do Norte - e é verdade que não tem importância o caso em si, pois o que sempre me interessou foi realçar como um exemplo prático, fácil de apreender, e que serve para demonstrar o que não acontece em outros casos bem mais graves e importantes que nem sequer chegam a ser conhecidos devido à falência do jornalismo -, destaco outras palavras de Sócrates, ontem à noite, na RTP. Ele criticou a Goldman Sachs. Sim, é algo que um homem de esquerda faria naturalmente. Mas, agora, quando ouvirem as suas palavras, tenham em mente algo que a jornalista Cristina Esteves provavelmente não sabia: Em 2004, há 10 anos apenas, José Sócrates, quando era um simples deputado socialista, foi convidado por Balsemão para participar no encontro anual do Clube Bilderberg. Entre outros, estavam lá também o então o comissário europeu Mario Monti, pessoa que José Luís Arnaut vai substituir na Goldman Sachs. E estava ainda o actual presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que era nessa altura vice-presidente da... Goldman Sachs. Pensem nisso e agora ouçam e digam lá se isto não um Portugal-Coreia do Norte outra vez... http://youtu.be/3fHMp_ph9Oc

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Sócrates e a falência do jornalismo

Fui criticado por "atacar" o ex-primeiro-ministro José Sócrates ao apontar um alegado engano da sua parte quando, na semana passada, relatou no espaço semanal da RTP uma memória de infância relacionada com o jogo do Mundial de 1966, Portugal-Coreia do Norte. Disse ele então que saiu de casa quando Portugal perdia por 3-0 e, acaminho da escola, ia ouvindo pelas ruas da Covilhã os golos até que, quando chegou à escola, foi uma explosão de alegria com a vitória de Portugal. Apontei então o facto do jogo ter sido num sábado e que que poderia dar-se o caso de não haver aulas. Muitas críticas vieram reclamar que ao sábado havia aulas - embora o jogo tivesse começado às 15 horas e, mesmo com aulas ao sábado, estas, normalmente, acabavam à hora do almoço - havendo ainda o facto de ser férias de Verão: o jogo foi a 23 de Julho. Enfim, ontem à noite, novamente na RTP, Sócrates garantiu que disse que ia para a escola para jogar futebol com os amigos. E a jornalista Cristina Esteves não o interpelou e não disse que isso era um engano - para não dizer mentira - já que, nas declarações que estão gravadas, o ex-primeiro-ministro nunca explica o que o levou a ter de ir para a escola naquele sábado, a meio do jogo. É verdade que ele também nunca disse que ia para a escola porque tinha de ir para as aulas. Mas, se teve de sair de casa a meio de um jogo onde Portugal estava a perder, então isso deveu-se ao facto de que era obrigado a ter de sair de casa para ir para a escola - pelo que a possibilidade de ter aulas era a mais óbvia - ou então não acreditava na reviravolta de Portugal e foi jogar à bola. E não o quis dizer ou esqueceu-se de dizer que era para jogar à bola. Mas, se há uma semana houve um lapso de memória com quase 50 anos de distância, esta semana houve um segundo lapso de memória com apenas uma semana de distância. No entanto, a culpa nem é de Sócrates: é dos jornalistas que o deixam enganar-se ao vivo e, depois, somos nós todos, asociedade, que acaba vítima dos enganos pelos políticos que os jornalistas deixam passar.

O vídeo do engano de ontem que a jornalista deixou passar... http://youtu.be/g7JYZe5xMiA

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20140109

Foi à escola, sem sacola

Afinal, não havia aulas ao sábado. Mas Sócrates foi à escola, sem a sacola, pois foi jogar à bola. Quem o diz, é Jorge Patrão, pessoa que, mais tarde, levou Sócrates para o PS. Tudo na mesma escola, portanto. Sim. E eu sou um jornalista muito mau...


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20140107

Eusébio e Sócrates

Que Eusébio não fosse um pensador, como disse esse pensador Mário Soares, é uma opinião. Agora, em relação aos factos, temos um problema quando ouvimos Sócrates, outro pensador. Ele diz que se lembra de caminhar para a escola a ouvir os golos de Eusébio. E diz que isto foi num  momento muito específico: durante o célebre jogo do Mundial de 1966 contra a Coreia do Norte. Ora, várias questões se levantam quando um político fala e pensa. Daí que o trabalho dos jornalistas seja o de verificar a veracidade dos factos. Não é dizer que ele mente ou que se engana nos factos. Mas, trata-se de pensar naquilo que ele diz. Assim, Sócrates diz, por outras palavras, que, no sábado, dia 23 de Julho de 1966, pelas 15 horas - data e hora do jogo entre Portugal e a Coreia do Norte -, ele foi à escola. E era Verão, quando muita gente já estaria de férias. Ele tinha então 8 anos, portanto, é possível que a memória não seja bem esta. Mas, agora, pensem noutras coisas que um político diz e garante serem verdade. Por isso, olhem e observem - não basta olhar apenas - para os movimentos do corpo e as palavras... http://youtu.be/rbPamN_o1F0

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20120118

Acreditar em quê ou em quem?

O jornalismo não é uma ciência exacta. Sabe-se que existem regras bem definidas como, por exemplo, confrontar mais do que uma fonte para obter diferentes versões dos acontecimentos. Há imperativos éticos que defendem que um jornalista não deve noticiar factos que lhe digam respeito pessoalmente ou politicamente. E não se deve mentir descaradamente. Depois, há a realidade: os jornalistas nem sempre têm tempo para ouvir as várias versões dos acontecimentos, nem sempre querem ouvir as várias versões porque isso não convém aos seus interesses pessoais ou políticos e confundem ética com necessidade, o que acaba sempre por dar uma grande confusão, onde uns safam-se e outros tramam-se. E ainda temos de contar com os que, não mentido descaradamente, são os mestres da omissão de factos. E os leitores, como não conhecem todos os factos, nem sequer sabem o que foi omitido. Vem isto a propósito da recente troca de acusações entre dois jornalistas: "Luís Miguel Viana ameaça processar José Manuel Fernandes por difamação". Luís Miguel Viana chama a atenção para o facto de o ex-editor de política da Lusa, Rui Baptista, que ele próprio escolheu, ser agora o assessor de Imprensa do primeiro-ministro social-democrata Pedro Passos Coelho, fazendo assim cair por terra o argumento de José Manuel Fernandes de que a Lusa estava ao serviço do ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates nas eleições de 2009. Pode parecer um argumento infalível de Luís Miguel para demonstrar a independência da Lusa face aos poderes políticos, mas o meu "jornalismo científico" coloca agora uma hipótese: será justo assumirmos que a vitória de José Sócrates foi obra de um Rui Baptista que, na editoria de política da Lusa durante as eleições de 2009, não permitiu uma cobertura mais justa à campanha da então líder social-democrata Manuela Ferreira Leite - que, recorde-se, não convidara Passos Coelho a integrar as listas de candidato a deputado - perdendo assim uma corrida contra um José Sócrates que já começara a dar evidentes sinais de fim de regime? A hipótese é terrível, mas os factos estão à vista para a colocar. Afinal, as tácticas de manipulação das contratações nas redacções e as técnicas de manipulação dos títulos das peças jornalísticas são tão antigas como no tempo da ditadura como no tempo da nossa Democracia. Para um exemplo prático desta velha luta, basta ler o seguinte texto, datado de Maio de 1979 e publicado no "Diário de Lisboa"...

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20110526

Boa noite e boa sorte, Rui Costa Pinto!

20110407

Manifesto-me por Portugal

Só existe um único grande partido em Portugal. Esse partido não se chama PSD, nem PS nem CDS, nem mesmo PPM. Esse partido chama-se AD. Foi a AD que deu a maioria absoluta a Sá Carneiro, em 1979. Sem a AD, foi depois necessário, em 1983, fazer o Bloco Central entre PS e PSD e, sem a AD, Cavaco Silva teve uma maioria relativa na primeira vez que se candidatou a primeiro-ministro, ou seja, em 1985. Foi, contudo, graças ao efeito AD da campanha presidencial do início de 1986, com Freitas do Amaral como candidato do PSD, que, em Junho de 1987, Cavaco Silva conseguiu conquistar sozinho o eleitorado da AD, esvaziando o CDS. Segurou essa maioria na reeleição de 1991, mas o PSD não iria conseguir a repetição com as eleições de 1995, altura em que o PS de Guterres obteve uma maioria relativa, aproveitando a divisão da AD e o desgaste dos meses finais do cavaquismo. Mas, Guterres nunca conseguiu convencer o leitorado da AD e, por isso, nunca teve a maioria absoluta que pretendia nas eleições de 1999. Demitiu-se em finais de 2001. Nas eleições antecipadas de 2002, Durão Barroso não conseguiu a maioria absoluta da AD, pois no CDS Paulo Portas conseguira inverter a “vampirização” do eleitorado centrista e recuperou parte dos votantes da AD para o partido. Contudo, como Barroso e Portas fizeram um acordo pós-eleitoral, nunca conseguiram usar a força plena da AD – sobretudo quando não tinham consigo o pequeno PPM para juntá-los nas diferenças. As eleições antecipadas de 2005 foram ganhas por José Sócrates que conseguiu juntar parte do eleitorado da AD ao seu PS. Afinal, a esquerda sempre criticou a maioria de Sócrates de estar mais próxima das políticas de direita – da AD - do que propriamente da sua área de origem política e social. Em 2009, com todos divididos, a AD não deu maioria absoluta a ninguém. O que vai acontecer nas próximas eleições de 5 de Junho é simples: ninguém vai ter maioria absoluta, pois não há AD. Posso, contudo, arriscar que, graças ao facto do PSD achar que poderá obter a maioria relativa e depois aliar-se ao CDS e repetir o governo de 2002, isso poderá potenciar uma subida do PS durante a campanha eleitoral. O PSD, ao recusar uma aliança pré-eleitoral com o CDS e outros pequenos partidos que, apesar de pequenos na sua expressão eleitoral são grandes nas ideias que defendem para Portugal – caso do PPM -, perdeu o eleitorado da AD. Mesmo que o plano de Coelho dê certo, duvido que aguente mais do que dois anos. Entretanto, o PS vai-se organizar. Vai eleger António Costa e, finalmente, poderá fazer um governo de Bloco Central com o PSD. Nessa altura, o líder será Rui Rio. Está já escrito há muito tempo. Não estou a dizer nada de novo. Manifesto-me, isso, sim, pois não sei se esta última solução será a melhor para Portugal. Este é um País pequeno na sua dimensão geográfica, mas grande em termos de História e de soluções. Basta ser bem gerido, basta não ser despesista e basta incentivar à produção. Basta colocar as leis a funcionar com ética e transparência. Basta de apostar em soluções erradas. Basta.

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20110404

Estamos contentes?

Francamente, não estou a ver Passos Coelho como primeiro-ministro. O engenheiro Sócrates teve a Cova da Beira, o Freeport, a Independente, o Face Oculta, era ele a cabeça do "Polvo" e tem ainda a crise política, financeira - que é nacional, internacional, planetária e global. Enfrenta a maior taxa de desemprego de que há memória, é arrogante e foi ele que provocou estas eleições antecipadas. Faz-se de vítima e estamos todos cansados da sua imagem - precisa ele de descansar de nós e nós dele. No entanto, ainda assim, não consigo ver Passos Coelho como primeiro-ministro. E quando olho para Sócrates penso: "Raios! Mas, tu queres mesmo ver que ainda vais ficar contente se o voltares a ter como primeiro-ministro?!".

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20110130

Portugal a arder... muito bom

20100729

As minhas desculpas ao primeiro-ministro de Portugal

Quero pedir desculpas públicas ao primeiro-ministro José Sócrates por ter acreditado que ele poderia ser corrupto. Realmente, fui ingénuo...
Senhor primeiro-ministro, espero agora que a Justiça seja severa para com quem andou a inventar coisas contra si, como é caso deste cidadão estrangeiro...



Senhor primeiro-ministro, de novo, as minhas desculpas por ter acreditado que a versão do inglês poderia fazer algum sentido...



Senhor primeiro-ministro, como o senhor mesmo disse: "A verdade acaba sempre por vir ao de cima", também acredito que sim. E não peço desculpa por ainda ter fé na verdade.

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20100702

Castelos no ar...

O líder do PSD e candidato a primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse a propósito das portagens nas SCUTs que deve haver "discriminação positiva para alguns utentes" e acrescentou que "isso não signifique uma isenção nem ponha portugueses contra portugueses, como aconteceria se houvesse distinção entre concelhos, como já foi avançado pelo Governo". Fazia bem Pedro Passos Coelho olhar para a capital do País, mais concretamente para o simbólico Castelo de S. Jorge, onde, para entrar, todos os portugueses têm de pagar, mas os "lisboetas continuam isentos"...



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20100517

Estado de Mentiras

Antes de mais, um muito obrigado a todos os que estiveram presentes na passada noite de sexta-feira para debater o "Estado de Segredos". Aos que não poderam aparecer, obrigado pelas mensagens de apoio que depois me enviaram. Muito obrigado aos amigos de verdade. O "Estado de Segredos" continua todos os dias e, hoje, tivemos mais um desenvolvimento...
A minha pergunta neste momento é: Em quem acreditar? No semanário de "referência", propriedade do militante número 1 do PSD, ou no actual primeiro-ministro que está cada vez mais "manso"?

"Expresso" - 27 de Junho de 2009...



Hoje...

"Governo nem recebeu qualquer tipo de informação, nem deu orientações sobre o negócio em preparação pela PT".

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20100415

Amazing global economic boom

20100328

À espera da bomba...

20100215

Lembrar 87

20100213

Em defesa do juiz Mau

Tenho evitado comentar o actual estado de espírito da Nação. Já vi este filme e sei qual é o objectivo que se pretende atingir: eleições antecipadas. Tenho pena da manipulação pública que está a ser feita em nome da "Liberdade de Expressão" e o desrespeito da palavra "Justiça", cujo conceito é cada vez mais difícil de entender. O nosso Nobel da Literatura, José Saramago, a propósito de um texto em defesa do juiz Baltasar Garzón, hoje publicado no diário espanhol "El País", lembrou a pintura que existe na aldeia alentejana de Monsaraz onde estão representados o juiz Bom e o juiz Mau. O "Bom" é imaculado, o "Mau" tem duas faces. São esses seres de duas faces que me incomodam, mas é com eles que temos de conviver. Não acredito que existam pessoas genuinamente boas, mas também não creio que haja pessoas genuinamente más. Acredito que Armando Vara e José Sócrates, e até mesmo o empresário Joaquim Oliveira, em privado, são seres humanos com compaixão, emocionam-se e, conscientes do poder social que têm, devem mesmo querer melhorar a vida de muitos dos seus concidadãos anónimos. Também acredito que outros políticos defensores dos direitos dos trabalhadores e dos oprimidos, quando podem, comem caviar e mandam entregar em casa compras pagas com cartões de crédito dourados, benefícios pessoais que urge manter a todo custo. Mesmo à custa daqueles que dizem defender. Já tenho idade suficiente para saber que ninguém se vai atravessar por mim quando estiver na penúria por não ter mais nenhum espaço onde escrever e ganhar a vida como jornalista. Sei que só dependo de mim mesmo e daquilo que conseguir fazer. Já não sou um "jornalista novo", no entanto também não sou conhecido por fazer "fretes". Posso ser, contudo, como o "juiz Mau" e ter duas caras. Mas, pelo menos, uma delas é capaz de ser boa. Agora, imaculado, ninguém pode dizer em consciência que o é. E assumir isto, é um bom ponto de partida para melhorar muita coisa.

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20100209

Mas, afinal ainda não se habituaram?

O que o PS está a fazer no jornalismo não deveria ser surpresa para ninguém. Afinal, o PS está a ser coerente com aquilo que avisou que iria fazer no dia em que José Sócrates conquistou a maioria absoluta de 2005 e que até ficou resumido numa expressão de António Vitorino dirigida aos jornalistas: "Habituem-se!". Quem se enganou foi Paquete de Oliveira, que achou que iria ser o contrário...

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20100206

A manipulação dos manipuláveis

Não me chateia que José Sócrates queira "financiar a campanha com dinheiro de empresas públicas e controlar a comunicação social". Está no seu direito democrático de o tentar fazer. É uma opção de vida. O que me chateia é o facto de haver uns quantos profissionais - em vários sectores - que estão dispostos a ajudar. Sozinho é que ele não seria capaz.

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20100204

Pequena contribuição para a história da censura em Portugal

Para mim, o "caso Mário Crespo" não é novidade. Conheci Mário Crespo há cerca de 10 anos, em Outubro de 1999, quando ele estava na "prateleira" do canal do Estado, RTP. Nessa altura, como repórter do "Tal&Qual", andava eu a investigar alguns detalhes de um caso que estava a causar polémica nos EUA e que envolvia um importante político norte-americano e luso-descendente, Tony Coelho, então chefe da campanha da candidatura presidencial de Al Gore. Coelho estava envolvido numa investigação devido
às suspeitas de esbajamento de dinheiros públicos durante a altura tempo em que esteve em Lisboa como chefe da delegação dos EUA na Expo98...



Soube então que, Mário Crespo, ex-correspondente da RTP em Washington, fizera uma reportagem sobre a figura de Tony Coelho, em 1996, na altura em que o político luso-descendente fora nomeado para representar os EUA em Lisboa, onde recordou escândalos passados onde Coelho estivera envolvido. Uma reportagem para a qual Crespo entrevistou algumas personalidades políticas portuguesas que passaram pelos EUA nessa altura, mas que se mostraram muito incomodadas com as perguntas do jornalista, sobretudo o então ministro socialista António Vitorino. Vai daí, escrevi esta reportagem...




Algum tempo depois desta reportagem, Mário Crespo foi contratado para a SIC e, um ano mais tarde, em Outubro de 2000, o "T&Q" relembrou o caso e acrescentou mais informações...

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20091226

Contas de Barroso

Há 10 dias, lembrei aqui as palavras de Durão Barroso durante o discurso de encerramento do XXV Congresso do PSD, em Oliveira de Azeméis, a 23 de Maio de 2004 (no vídeo está 23 de Março, mas é engano...), onde o então primeiro-ministro manifestava o seu apoio a António Vitorino para Presidente da Comissão Europeia. Levantei então a hipótese de que Durão Barroso estaria a fazer uma encenação, pois ele é que acabou por ser o escolhido, abrindo assim a porta a uma crise política que provocou a eleição de José Sócrates. Agora, as minhas suspeitas confirmam-se: "Para o presidente do PPE, o momento crucial aconteceu no dia 24 de Maio de 2004, em Lisboa, num almoço com o então Primeiro-ministro português. O político belga tinha como missão encontrar um candidato do PPE à presidência da Comissão Europeia e depois de Barroso ter dito que apoiava Vitorino, Marteens retorquiu que o próprio Barroso seria o melhor candidato e foi já no final da conversa que Barroso admitiu a possibilidade de avançar caso o PPE não conseguisse encontrar mais ninguém. Durão Barroso acompanhou essa disponibilidade de um aviso: se isso fosse tornado público, negaria tudo, conta o antigo Primeiro-ministro belga, em declarações à Renascença".

É claro que sempre se pode dizer que não há contradições, pois a 23 de Maio Durão Barroso defendia a solução Vitorino e foi apenas no dia seguinte que aceitou ser ele próprio considerado como hipótese e, por isso, pediu que não fosse tornado público. Mas - e isto é dito dentro do PSD -, aquele congresso de Oliveira de Azeméis foi então considerado "inútil", a não ser que Durão Barroso estivesse a fazer contas para a sua saída. E isso viu-se agora: Barroso estava mesmo a fazer contas.

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