20120817

Notas soltas sobre a censura em Portugal

Nasci em 1972, há 40 anos. Era ainda o tempo do Estado Novo e os jornais exibiam na primeira página a nota idicativa de que fora visado pela comissão de censura. Nessa altura, os jornalistas tinham a Liberdade de pedir a extinção da censura, tal como aconteceu três anos antes, durante a campanha eleitoral de 1969...
Depois, quando eu tinha apenas dois anos, aconteceu o 25 de Abril. E disseram que iria acabar a censura nos jornais...
E eu acreditei nos mais velhos... Por isso, acho que os jornais deveriam trazer hoje na primeira página o aviso: «Esta publicação foi submetida à censura interna dos nossos profissionais». Nisso, o Estado Novo não era hipócrita.

Etiquetas: ,

20101027

Mário Crespo tem um lugar na "Penthouse"

Etiquetas: ,

20101022

Bom dia e... boa noite!

20100513

Se é o Luís que o diz...

Conheci o Luís Calisto durante a cobertura que fiz para o "Tal&Qual" das eleições na Madeira em 1996. Desse convívio, guardo a imagem de um jornalista sério e profundamente conhecedor da vida política na ilha. Isso ficou bem registado na dedicatória que o Luís depois me fez no seu livro "Achas na Autonomia", obra de grande valor histórico contemporâneo...



Por isso, quando o Luís diz que "o Presidente da República, a Assembleia da República, a ERC, os tribunais, os partidos políticos, o governo de Lisboa - todos têm conhecimento dos criminosos atentados contra a liberdade de imprensa na Região. Infelizmente, o que esses dignitários e instituições fazem é vir cá elogiar a 'superior qualidade da democracia na Madeira' e a 'obra' realizada pelo 'democrata' dr. Jardim", eu só tenho uma alternativa: divulgar as suas palavras.

Etiquetas: , , , , ,

20100315

Marionetas e censura

É lógico que quem critica a direcção do próprio partido a dois meses de eleições tem razões políticas para o fazer. Logo, estará bem identificado no alcance propósito das suas acções. Os eleitores que decidam depois quem tem razão: ele ou a direcção do partido. Penso que se chama a isso... err... Democracia, não? Deve haver disciplina, sim e sempre. Mas, quando alguém não concorda com determinada política, ou muda internamente o que não está bem, ou sai pelo próprio pé. Boicotar premeditadamente uma campanha política ou apresentar-se como candidato numa campanha alheia são motivos facilmente compreendidos pelo cidadão comum para levar à expulsão de um militante - caso o militante ainda não tenha percebido que aquele, se calhar, não é o seu partido. Agora, impôr uma regra que impede a livre expressão, apenas por um breve período de tempo, de um militante cujas ideias contrárias são sobejamente conhecidas, não só é "censura desnecessária", como se torna perigosamente risível...

Etiquetas: ,

20100212

Nem por sombras...

20100209

Mas, afinal ainda não se habituaram?

O que o PS está a fazer no jornalismo não deveria ser surpresa para ninguém. Afinal, o PS está a ser coerente com aquilo que avisou que iria fazer no dia em que José Sócrates conquistou a maioria absoluta de 2005 e que até ficou resumido numa expressão de António Vitorino dirigida aos jornalistas: "Habituem-se!". Quem se enganou foi Paquete de Oliveira, que achou que iria ser o contrário...

Etiquetas: , , , ,

20100204

Pequena contribuição para a história da censura em Portugal

Para mim, o "caso Mário Crespo" não é novidade. Conheci Mário Crespo há cerca de 10 anos, em Outubro de 1999, quando ele estava na "prateleira" do canal do Estado, RTP. Nessa altura, como repórter do "Tal&Qual", andava eu a investigar alguns detalhes de um caso que estava a causar polémica nos EUA e que envolvia um importante político norte-americano e luso-descendente, Tony Coelho, então chefe da campanha da candidatura presidencial de Al Gore. Coelho estava envolvido numa investigação devido
às suspeitas de esbajamento de dinheiros públicos durante a altura tempo em que esteve em Lisboa como chefe da delegação dos EUA na Expo98...



Soube então que, Mário Crespo, ex-correspondente da RTP em Washington, fizera uma reportagem sobre a figura de Tony Coelho, em 1996, na altura em que o político luso-descendente fora nomeado para representar os EUA em Lisboa, onde recordou escândalos passados onde Coelho estivera envolvido. Uma reportagem para a qual Crespo entrevistou algumas personalidades políticas portuguesas que passaram pelos EUA nessa altura, mas que se mostraram muito incomodadas com as perguntas do jornalista, sobretudo o então ministro socialista António Vitorino. Vai daí, escrevi esta reportagem...




Algum tempo depois desta reportagem, Mário Crespo foi contratado para a SIC e, um ano mais tarde, em Outubro de 2000, o "T&Q" relembrou o caso e acrescentou mais informações...

Etiquetas: , , , , , , ,

20090309

Finalmente, Kissinger como nunca o viram

20090225

Dou um doce...

... a quem for o primeiro leitor a dizer-me o nome do autor destas sábias e justas palavras proferidas há 50 anos durante um discurso num país de língua oficial espanhola:

"Cuando un gobernante actúa honradamente, cuando un gobernante está inspirado en buenas intenciones, no tiene por qué temer a ninguna libertad (APLAUSOS). Si un gobierno no roba, si un gobierno no asesina, si un gobierno no traiciona a su pueblo, no tiene por qué temer a la libertad de prensa, por ejemplo (APLAUSOS), porque nadie podrá llamarlo ladrón, porque nadie podrá llamarlo asesino, porque nadie podrá llamarlo traidor. Cuando se roba, cuando se mata, cuando se asesina, entonces el gobernante tiene mucho interés en que no se le diga la verdad. Cuando un gobierno es bueno, no tiene por qué temer a la libertad de reunión, porque los pueblos no se reúnen para combatirlo, sino para apoyarlo. Quienes, como nosotros, tienen hoy el privilegio de ver a la masa del pueblo reunirse para brindarnos su respaldo, pueden comprender perfectamente, que solo cuando los gobernantes se han granjeado la enemistad de su pueblo, pueden concebir la estupidez, la injusticia, de negarles a los ciudadanos el derecho a reunirse (APLAUSOS)".

Acrescento a 260209: Como já houve quem tenha acertado no nome, aqui fica a versão completa e identificada: "DISCURSO PRONUNCIADO POR EL COMANDANTE FIDEL CASTRO RUZ, EN LA PLAZA DE LA CIUDAD DE CAMAGÜEY, EL 4 DE ENERO DE 1959".

Etiquetas: , ,

20080720

Notícias que não foram notícia

20080218

Lembrete: tenho de ler este livro...

20070730

A memória...

Entrevista de José Miguel Sardo ao jornalista francês Paul Moreira, luso-descendente, publicada hoje no DN por ocasião do lançamento em França do livro "Les Nouvelles Censures":

"- Qual é afinal a 'nova censura' de que fala no seu livro?
- A censura, como a conhecíamos no passado, desapareceu. A censura brutal, se ainda existe, acaba sempre por ser contraproducente, porque hoje tudo acaba por ser divulgado, mas não se imprime na memória, e é exactamente aí que vai incidir o controlo da informação, no controlo da memória. Todo o trabalho dos gabinetes de relações públicas, dos conselheiros de comunicação, é um trabalho de gestão do que vai ficar retido na memória, e de gestão da emoção pública, porque sabemos que o mundo muda cada vez que a emoção pública ultrapassa um certo nível".

Ao que posso acrescentar esta opinião sobre o mesmo livro:

"So Moreira is the first to reject ‘Big Brother’-like worldwide conspiracy theories. Although his book seems to only portend to manipulations led by huge corporations or States, he explains he had to base it on specific investigations and concrete examples. Truth is, 'there is a myriad of interests that construct these firewalls,' he says, and these censorships are driven by 'industrial projects' rather than ideology – the stakes are often tragically banal, such as money or the dissimulation of legal mishaps".

Tudo isto faz-me lembrar a frase do "1984" de Gorge Orwell, que usei na abertura do meu livro "Eu Sei Que Você Sabe": "Quem controla o passado controla o futuro, quem controla o presente controla o passado".

Etiquetas: , , , ,