20131011

Esclarecimento à Assembleia da República sobre testemunho de Rui Carp na comissão de Camarate

E-mail que acabei de enviar ao Presidente da Xª Comissão Parlamentar de Inquérito à Tragédia de Camarate: Caro Dr, Estive ontem à noite a assistir à transmissão em diferido do Canal Parlamento da audiência ao antigo subsecretário de Estado do Orçamento do Governo da AD, Dr. Rui Carp, que teve lugar ao fim da tarde de ontem no âmbito do Inquérito à tragédia de Camarate. Não tive oportunidade de assistir desde o início, mas espero que seja disponibilizada a totalidade da audiência no arquivo do Canal Parlamento. Contudo, vi que, já perto do fim da audiência, ao responder a uma pergunta da deputada do PS, Isabel Oneto, sobre uma passagem do meu livro "Camarate - Sá Carneiro e as Armas para o Irão", onde era referido o nome de Rui Carp a propósito de um almoço com o então ministro da Defesa e vítima de Camarate, Adelino Amaro da Costa, no qual foi debatido o caso do fundo ilegal dos militares, o ex-subsecretário disse não se lembrar de me ter contado isso ou sequer de alguma vez ter falado comigo. O deputado do CDS, Ribeiro e Castro, que tinha um original do meu livro, mostrou depois a minha fotografia e, uma vez mais, Rui Carp disse não se lembrar de ter falado comigo. Acrescentou ainda que poderia ter conversado ao telefone, mas garantiu que nunca teria contado a um jornalista que houve aquele almoço. Acrescente-se que, pelo que consegui depreender daquilo que assisti, Rui Carp teria revelado esse almoço durante o seu testemunho na comissão e garantiu aos deputados que era a primeira vez que contava essa informação. Achei extraordinário e surreal que, uma informação publicada no meu livro, há um ano - a obra foi lançada para o mercado a 22 de Novembro de 2012 -, fosse considerada no dia 10 de Outubro de 2013 como um "exclusivo" para a Assembleia da República. Já escrevi muitas coisas, mas confesso que não tenho a capacidade de prever exclusivos com uma tão longa distância temporal. Quero então esclarecer a comissão, para que não fiquem dúvidas sobre a minha qualidade profissional e o rigor da obra sobre Camarate, como é que a informação desse almoço foi parar às páginas do livro, impressas há um ano. Refira-se, para o devido enquadramento, que as afirmações de Rui Carp estão contidas no epílogo, onde relato histórias que devem ser ainda aprofundadas. E, nesse sentido, devo dizer que os senhores deputados estão a fazer um excelente trabalho. O nome de Rui Carp foi-me transmitido pelo, infelizmente, já falecido Dr. Carlos Sousa Brito, que em 1980 era o secretário de Estado da Comunicação Social. Carlos Sousa Brito era amigo de Soares Carneiro, o general candidato da AD a Presidente da República contra o general Ramalho Eanes. De acordo com o testemunho de Sousa Brito, os documentos do fundo militar chegaram ao primeiro-ministro Sá Carneiro através do general Soares Carneiro. Por sua vez, como diziam respeito a questões financeiras, Sá Carneiro pediu a Sousa Brito que os fizesse chegar ao ministro das Finanças, cargo então ocupado pelo actual Presidente da República, Cavaco Silva. Ainda segundo o testemunho de Sousa Brito, os documentos foram mesmo entregues a Cavaco Silva e, recordava-se o antigo secretário de Estado, foi nessa altura que ele conheceu a chefe de gabinete do professor Cavaco, a futura ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite. Passado uns tempos, Sousa Brito quis saber do andamento do caso e foi informado que o subsecretário de Estado do Orçamento, Rui Carp, estava com o assunto em mãos. Foi na sequência deste testemunho que tentei, obviamente, tentar confirmar com Rui Carp a alegada circulação de documentos entre o gabinete do ministro das Finanças e o seu gabinete. Foi assim que, a 3 de Novembro de 2010, mandei um e-mail para o Dr. Rui Carp, então presidente do Instituto Seguros de Portugal, onde lhe coloquei essas dúvidas, assim como o facto do seu chefe de gabinete ser então o Dr. Ramiro Ladeiro Monteiro, futuro director do SIS. Segue em anexo o meu e-mail com o pedido de entrevista, enviado no dia 3 de Novembro de 2010 e segue também em anexo a resposta de recusa que recebi da parte da sua secretária, a 8 de Novembro, e que motivou ainda um segundo e-mail da minha parte, no mesmo dia, a agradecer a resposta – mesmo negativa -, e a manter em aberto a possibilidade de uma conversa sobre o assunto para mais tarde. Sem a possibilidade de poder confirmar a veracidade das afirmações de Sousa Brito, mantive essa história de fora da estrutura central do meu livro. Contudo, certo dia da Primavera de 2011, em data que não posso precisar, ao passar por uma feira de antiguidades no Jardim Conde Valbom, ao lado da Avenida Marquês de Tomar, em Lisboa, encontrei por acaso o Dr. Rui Carp, que estava na companhia de uma pessoa amiga. Estava ele a ver as antiguidades expostas e aproveitei a ocasião para me apresentar e dizer quem era e lhe tinha pedido uma entrevista para um livro de Camarate, há uns tempos, mas que ele recusara. A reacção de Rui Carp, que se mostrou muito simpático para comigo, foi a de dizer-me que se lembrava do meu contacto, mas não tinha nada a acrescentar. Então, sem ter que me tivesse pedido qualquer reserva de publicação, acrescentou, de moto próprio, a informação de que costumava "cruzar-se" com Adelino Amaro da Costa no restaurante Central da Baixa. Explicou-me ainda que isso acontecia porque trabalhavam todos no Terreiro do Paço, nos dois torreões opostos. Avançou com a informação de que andou depois a fazer perguntas aos vários ramos militares, mas que tal fora inconclusivo. Agradeci aqueles minutos no meio da feira de antiguidades e cada um seguiu o seu caminho. Por isso, senhor presidente, é que existe a tal informação "exclusiva" no meu livro. Informação que o Dr. Rui Carp não desmentiu perante a comissão e que deu detalhes que podem ser úteis para futuras audiências. Destaco a necessidade de ouvir o secretário de Estado acima de Rui Carp, Figueiredo Lopes, e ainda o ministro das Finanças de então, Cavaco Silva. E, parece-me útil, ouvir também a antiga chefe de gabinete do ministro das Finanças, Manuela Ferreira Leite. Penso que o Dr. Rui Carp foi sincero ao dizer à deputada Isabel Oneto que não se lembrava de mim, pois foi um encontro que terá durado cerca de 3 minutos, no meio da rua, há mais de dois anos. Mas, foi um importante encontro entre um jornalista e uma testemunha da época que se recusara a responder a contactos anteriores. E, se foi necessário esperar 33 anos para confirmar essa informação na Assembleia da República, então aqueles 3 minutos estão certamente entre os mais importantes da minha carreira profissional. Com os melhores cumprimentos Frederico Duarte Carvalho

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20130711

Já estava escrito...

Aquilo que tenho a dizer sobre o discurso de Cavaco é apenas que, em 2006, disse aqui que era isto que ele iria fazer... Não acreditam? Vão então ao arquivo deste blogue, mês de Abril de 2006, e, no dia 29, leiam o texto chamado "Apenas uma impressão"...


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20130416

Com Inspiração - Cavaco Silva e o BPN

20130210

O que a SIC não disse sobre o BPN - II

Para que não fiquem dúvidas sobre o que foi dito na reportagem da SIC sobre o BPN e que ficou por dizer sobre a realidade das datas e dos factos...


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20130209

O que a SIC não disse sobre o BPN...

Um desenho...





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20120721

O lançamento de "Cavaco Versus Cavaco"

Foi bonita a festa! Obrigado a todos pela vossa presença e podem já divulgar a obra, pois está à venda nas livrarias desde o dia 19.

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20120713

Camarate - Salvé Jorge Fão!

Foi hoje aprovada na Assembleia da República a criação da Xª Comissão de Inquérito Parlamentar de Camarate, apenas com um único voto contra. Esse voto foi o do deputado socialista Jorge Fão - erradamente designado na notícia como "João Fão". Quero aqui saudar publicamente a atitude corajosa deste deputado, pois foi o único que se mostrou sensível ao meu apelo para que não fosse criada a Xª Comissão de Camarate... O apelo.
Apelo em papel.

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"Cavaco Versus Cavaco"

Irei lançar o meu próximo livro, "Cavaco Versus Cavaco", com a chancela da Vogais, na próxima sexta-feira, dia 20, na Fnac do Chiado, pelas 19 horas. Todos os amigos e leitores deste blogue ficam desde já convidados para a sessão, que contará com apresentação da obra pelo jornalista Rui Costa Pinto...
E, entretanto, para conhecer um pouco mais sobre o conteúdo do livro - que deverá chegar às livrarias a partir de quinta-feira, dia 19 - podem já ler aqui: "Frederico Duarte Carvalho revela um Cavaco Silva desconhecido dos portugueses"

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20110717

Um País à Beira de Um Ataque de Nervos...

20110526

O que Portas dizia de Cavaco em 1995...

20110414

E que tal os técnicos do FMI irem também a Belém?

20110404

Foi há 24...

Hoje é um bom dia para pregar aos peixes... Foi há 24 anos que o governo minoritário de Cavaco Silva caiu na Assembleia da República depois de uma moção de censura colocada pelo PRD - partido fundado por Ramalho Eanes, o mesmo que recentemente o apoiou na reeleição para Belém... O que fez cair Cavaco foi um incidente diplomático de menor importância do qual hoje não há qualquer memória...




Havia ainda uma comissão de inquérito parlamentar aprovada dias antes da queda do governo, mas nunca chegou a funcionar. Iria investigar o negócio do tráfico de armas em Portugal e chegar a Camarate...


("Expresso", 4 de Abril de 1987)

Cavaco ganhou assim a primeira maioria absoluta. Nunca mais deixou o poder...
Saibam o que roubaram a Portugal desde 1980, vejam aqui...

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20101027

Queijo na ratoeira

Quero agradecer ao actual Presidente da República o favor de nos poupar a cartazes como estes na sua reeleição...

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20101025

Desculpa lá ò Manuel...

... mas, como um ex-Presidente da República tem direito a pensão vitalícia e acumula isso com o direito a motorista, gabinete próprio, secretárias e outras benesses financeiras, sempre é preferível reeleger Cavaco Silva e adiar esses gastos por mais cinco anos. É a vossa ética, pá...

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20100621

O génio da banalidade não se despediu do Prémio Nobel

Sabemos que Saramago não era grande apreciador de Cavaco Silva...



Qualquer um compreenderia, portanto, que o cidadão Cavaco Silva não quisesse estar presente na cerimónia fúnebre dedicada ao cidadão José Saramago. Agora, é ridículo o alegado presidente "de todos os portugueses" justificar a sua ausência física no funeral do único Prémio Nobel da Literatura português que ainda estava vivo alegando que é "diferente daquilo que deve ser feito pelos amigos ou pelos conhecidos. Devo dizer que nunca tive o privilégio na minha vida, se me recordo, de alguma vez conhecer ou encontrar José Saramago" e que emitiu "uma nota oficial prestando homenagem à obra literária de José Saramago e ao seu contributo para a projecção da cultura portuguesa no mundo, enviou uma coroa de flores e promulgou o decreto de declaração de dois dias de luto nacional. Hoje [ontem] de manhã, o meu chefe da Casa Civil e o meu chefe da Casa Militar apresentaram sentidas condolências aos familiares de José Saramago". Esclarecendo igualmente que "todos os portugueses sabem que desde quinta-feira à noite estou nos Açores, em S. Miguel, cumprindo uma promessa que fiz há muito tempo a toda a minha família, filhos e netos, de lhes mostrar as belezas desta região".
Acrescento ainda que, para além dos líderes do PCP e BE, o outro líder de um partido político português que esteve presente na cerimónia privada foi Paulo Estêvão, presidente do PPM, e que é dos... Açores.

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20100613

Reflexões com 25 anos de atraso

Celebraram-se ontem, sábado, no Mosteiro dos Jerónimos, os 25 anos da assinatura da entrada de Portugal na Comunidade Europeia...




Foi um momento de palavras solenes e de "solidariedade". E recordou-se as primeiras páginas dos jornais da altura, como este exemplo...



Mas, poucos se devem ter lembrado que foi no dia seguinte a esta assinatura que Cavaco Silva acabou com o "Bloco Central". Cavaco Silva, caso não tenham reparado, é o actual Presidente da República e ex-professor de Economia que, um dia, quando era primeiro-ministro, disse que Portugal era "o bom aluno da Europa". E é o mesmo que anda agora a apelar à união nacional para combater a crise europeia...



Entretanto, descobri este livro na minha biblioteca pessoal...



Onde, da conclusão final, destaco: "Era preciso que uma certa Europa se fizesse porque servia os interesses dos grupos multinacionais. Era preciso que as fronteiras se entreabrissem, que as mesmas normas técnicas pudessem ser impostas nos diferentes países. Mas não mais. Teria sido perigoso para os grupos multinacionais que se instalasse em Buxelas um poder político forte, capaz de lhes fazer face, de os impedir de ditar a sua lei"...



E quando é que este livro foi editado em Portugal? Teria sido antes ou depois da assinatura da entrada de Portugal? Foi antes... Nove anos antes...



Depois não digam que não fomos avisados...

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20100426

O Estado a que isto chegou

"Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os sociais, os corporativos e o Estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o Estado a que chegámos!"

Salgueiro Maia, na madrugada de 25 de Abril de 1974"
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Na biografia de Salgueiro Maia, da autoria de António Sousa Duarte, conta-se que quando o então primeiro-ministro Cavaco Silva foi apresentado pessoalmente a Salgueiro Maia, disseram-lhe: "Senhor professor, não sei se já conhece, este é o tenente-coronel Salgueiro Maia, o capitão de Abril que prendeu o primeiro-ministro Marcello Caetano". E Salgueiro Maia acrescentou prontamente para Cavaco: "Prendi esse, sim senhor, e prenderei outros se necessário for!". Reza a história que Cavaco Silva não terá gostado de ouvir isso. E, "em 1988, o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusou atribuir a Salgueiro Maia uma pensão que tinha sido pedida pelo capitão de Abril pelos 'serviços excepcionais e relevantes prestados ao país' devido à sua participação no 25 de Abril, para a qual nunca obteve resposta, segundo declarações da viúva de Salgueiro Maia". Hoje, 36 anos depois, o Presidente da República afirma: "Na madrugada de 25 de Abril de 1974, um jovem capitão de 29 anos reuniu os seus homens da Escola Prática de Cavalaria de Santarém. Falou-lhes do estado a que Portugal chegara e terminou dizendo: 'quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!' (...)Aqueles que saíram de Santarém, de Mafra, de Tancos, de Santa Margarida, de Estremoz ou de Vendas Novas rumaram a Lisboa porque não se conformaram com o País em que viviam. Vieram todos, porque todos queriam mudar. Queriam um país livre".

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"Estado de Segredos" (2)

20100425

O plano do Pentágono

Este é apenas o início do "Estado de Segredos"...

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20100328

À espera da bomba...