20120225

Jornalismo preguiçoso e perigoso ou o caso da mulher que foi atirada para a linha do metro de Londres

A estação do metro de Londres, Leicester Square, foi palco de um acto criminoso no passado dia 16 de Setembro: um homem empurrou uma mulher para a linha do metro. A BBC, num documentário sobre o metro, divulgou as imagens da câmara de vigilância e a notícia espalhou-se pelo mundo inteiro.

"Who is this vile thug? Shocking CCTV images show the moment crazed commuter shoves 23-year-old woman on to Tube tracks".

Na sequência dessas notícias, li há pouco num diário português de grande circulação a seguinte descrição dos acontecimentos: "Um homem empurrou, sem razão aparente, uma jovem de 23 anos para a linha do metro de Londres. A mulher caminhava ao longo da estação de Leicester Square quando um homem a empurrou para os carris. O atacante foi imediatamente perseguido por um jovem, que pelo que a estação televisiva BBC apurou, era namorado da vítima".

Este é um jornalismo preguiçoso e perigoso. Preguiçoso, pois basta analisar com alguma atenção as imagens para facilmente se perceber que as palavras "sem razão aparente" e "caminhava ao longo da estação" não são verdadeiras. E perigoso, pois dá a sensação de que existe, no metro de Londres, um louco que, sem qualquer explicação, anda a atirar para a linha do metro pessoas inocentes e completamente absorvidas nos pensamentos do dia-a-dia.
E isso, como se pode ver, não é verdade...

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20111030

Luta de classes na Imprensa nacional

O "Jornal de Notícias" e o "Correio da Manhã" trazem hoje a notícia de um homem que disparou contra outro, por motivos passionais, na localidade de Fafe. Presumo que sejam o mesmo caso, pois não creio que, de ontem para hoje, tivessem tido lugar ocorrências idênticas dentro daquela mesma localidade. Contudo, fiquei com dúvidas, pois enquanto o "JN" afirma que tudo aconteceu quando o autor dos disparos chegou a casa "cerca da meia-noite, tendo-se deparado com o alegado acto de infidelidade da mulher. Enfurecido, puxou de uma arma de fogo e alvejou o suposto amante da mulher", já o "CM" garante que o autor dos disparos, afinal, não era casado com a mulher. E esclarece: "Ao que o 'CM' apurou, o autor dos disparos é o patrão do homem e da mulher que se encontravam na cama. Ao que tudo indica, o empresário desconheceria que a funcionária, com quem mantinha um relacionamento íntimo, também tinha um caso com um colega de trabalho. Ao vê-los, anteontem à noite, juntos na cama, reagiu de forma violenta".
Sendo assim, e partindo do princípio de que se trata do mesmo caso, resta-nos constatar que o "JN" defende com unhas e dentes o direito à propriedade do patronato - classificando inclusive de legítima uma mulher que lhe pertence como empregada -, enquanto o "CM" demonstra ser uma publicação que se posiciona claramente na defesa intransigente dos direitos dos trabalhadores oprimidos e que são baleados quando ousam amar.

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20100426

"Estado de Segredos" (2)