20190311

"Snu"

“Snu” é um filme a ver. É obrigatório. Não digo isto por achar que seja um grande filme, daqueles de Hollywood, nem conceptual. Mas, é uma obra com boa cinematografia, uma música hipnotizante da portuguesa Surma – aquela da canção no Festival da Canção que faz o Conan Osíris parecer um vulgar artista Pop e comercial -, e uma história baseada em factos históricos. A história de amor entre o ex-primeiro-ministro Sá Carneiro e Snu foi um facto político entre 1976 e 1980. Sobretudo durante este último ano, o da morte de ambos. O registo possível, foi este. Porque ainda há muitas pessoas dessa altura que estão vivas. Podia ter sido outro, noutro filme, mas acabou dar este. E é melhor do que nada. Estou habituado a produções estrangeiras sobre factos verídicos bem mais recentes, como “A Rainha”, de Stephen Frears, sobre os dias da morte da Princesa Diana, que fora precedido ainda pelo telefilme do mesmo realizador, “The Deal”, baseado na alegada conversa secreta entre Tony Blair e Gordon Brown em que ambos decidiram quando é que cada deles seria primeiro-ministro do Reino Unido. Este “Snu” é sobre um caso com quase mais de 40 anos, mas que, de uma forma colateral, ainda envolve muitos segredos actuais. O filme não quis dizer que o embaixador dos EUA se chamava Frank Carlucci. Não quis mencionar que o artigo da revista “Time” que tanto irritou o casal teria sido instigado pela CIA – co-dirigida então por Carlucci. E Sá Carneiro achava que era uma manobra contra si, alimentada pelo amigo americano de Mário Soares, o mesmo que naquela altura disse que um homem que não consegue governar a sua própria casa não serve para governar o País. Não, o filme também não contou o episódio do telefonema de Snu para o ex-marido sobre a possibilidade da CIA estar a vigiar Sá Carneiro devido à alegada investigação de um negócio secretos de armas para o Irão. Tudo isso ficou de fora. Mas, ide ver o filme. O mínimo que nos mostra já é muito bom para contextualizar depois os factos verdadeiros.
P.S. – No filme, é recriado o ambiente do “Botequim”, o bar de Natália Correia, a confidente do amor entre Sá Carneiro e Snu. As filmagens, no entanto, não tiveram lugar no local original, à Graça. Escolheram – e bem - o ambiente do “Procópio”, nas Amoreiras. Não pude deixar de ficar particularmente tocado com essa escolha, sobretudo devido a um detalhe que, creio, nem os responsáveis do filme devem ter notado: a data altura, Sá Carneiro e Snu saem do bar e descem as escadas em direcção ao carro estacionado no fim das mesmas. A porta de uma casa atrás deles é onde, ainda hoje, vive José Esteves, antigo motorista de Freitas de Amaral e um dos homens que sempre se disse estar envolvido no atentado de Camarate. Detalhes do destino.

Etiquetas: , , , ,

20140704

Os dinheiros da CIA para o PS

Chamaram-me há dias a atenção para uma reportagem da televisão holandesa, feita no anos passado, sobre o financiamento do PS por parte da CIA no pós-25 de Abril. Não é que o tema seja novidade ou segredo, mas esta reportagem tem testemunhos inéditos que confirmam aquilo que, até hoje, se falava como uma mera hipótese sem grande importância. Não. Foi uma coisa em grande. Há um holandês, Harry van der Bergh, que confirma ter servido de "correio" desse dinheiro e ainda uma alta individualidade norte-americana, Arthur Hartman, que afirma que o dinheiro era mesmo da CIA e está convencido de que Mário Soares sabia de onde vinha o dinheiro e houve ainda a preocupação de não o envolver directamente no esquema. Aliás, o nosso ex-Presidente da República e antigo líder do PS é também entrevistado para a reportagem da tv da Holanda. E diz: "No meio de uma revolução, quem quer saber se o dinheiro que recebe de fora é legal ou ilegal?". Pois, é verdade, quem quer saber? Por isso é que ninguém nos leva a sério no resto da Europa e mundo. A reportagem está, obviamente, na sua maior parte, em holandês. Aliás, se alguém puder dar-se ao trabalho de traduzir as declarações do "correio" holandês para português e depois partilhar aqui, ficaria imensamente grato. Há ainda uma testemunha alemã, que não compreendo tudo o que diz e, de igual modo, gostaria de ler uma tradução fiel. O que está em inglês e francês é mais acessível. Não esquecer ainda que esta reportagem confirma muito do que se disse aqui. Para ver a reportagem, ir aqui.

Etiquetas: , , ,

20131112

Passatempo "O Terceiro Bispo"

À semelhança com livros anteriores, faço um pequeno passatempo para os meus leitores, cujo prémio será um exemplar do meu próximo livro. Irei fazer aqui uma pergunta e aquele que colocar a resposta correcta em primeiro lugar nos comentários terá direito a receber o seu exemplar no dia do lançamento da obra - em data e local a anunciar em breve. Se não puder ir pessoalmente, poderá enviar alguém em sua substituição. Assim, para introdução à pergunta, digo que Joaquim Barata, a personagem principal do livro "O Terceiro Bispo", foi jornalista no extinto vespertino Diário de Lisboa. A colecção completa desse jornal pode hoje ser consultada "on-line" através da Fundação Mário Soares: http://www.fmsoares.pt/diario_de_lisboa/ano Assim, a pergunta cuja resposta correcta vale um exemplar de "O Terceiro Bispo" é: Em que data e em que página é que o Diário de Lisboa publicou esta ligação entre a morte do papa João Paulo I e a CIA?


Etiquetas: , , ,

20130819

Area 51? Oh, what a surprise!...

A CIA admitiu a existência da área 51. Realmente, é uma surpresa, sobretudo porque não há extraterrestres envolvidos.

Etiquetas: ,

20120713

Camarate - Salvé Jorge Fão!

Foi hoje aprovada na Assembleia da República a criação da Xª Comissão de Inquérito Parlamentar de Camarate, apenas com um único voto contra. Esse voto foi o do deputado socialista Jorge Fão - erradamente designado na notícia como "João Fão". Quero aqui saudar publicamente a atitude corajosa deste deputado, pois foi o único que se mostrou sensível ao meu apelo para que não fosse criada a Xª Comissão de Camarate... O apelo.
Apelo em papel.

Etiquetas: , , , , ,

20120430

Camarate - O testemunho de Elza

Elza Oliveira foi mulher de Fernando Farinha Simões desde 1975 e assistiu por perto às movimentações do marido, juntamente com as de José Esteves, antes e depois do atentado de Camarate - que, a 4 de Dezembro de 1980, provocou a morte do primeiro-ministro Sá Carneiro e ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa. Em 1995, Elza esteve na Assembleia da República para dar o seu testemunho. Agora, acrescenta dados novos que se juntam às declarações de José Esteves e Fernando Farinha Simões, pelo que espera pela constituição da 10ª Comissão de Inquérito Parlamentar de Camarate para as poder assumir perante os deputados da Assembleia da República.

Etiquetas: , , , , , , ,

20120427

Camarate - Um apelo aos deputados

Senhores deputados, por favor, não cometam o erro de criarem a 10ª Comissão de Inquérito Parlamentar à Tragédia de Camarate (CIPTC). Ouçam as vozes bem avisadas, sensatas e honestas daqueles que pedem que não gastem mais dinheiro do orçamento da Assembleia da República. Pensem, isso sim, em medidas para combater a actual situação económica em que se encontra o País. Combatam o desemprego, desenvolvam a produtividade nacional, ouçam as palavras do senhor Presidente da República no 25 de Abril e promovam uma imagem positiva de Portugal no estrangeiro. Não gastem tempo a analisar uma situação do passado, que já não interessa e não vai adiantar ao futuro. Por favor, senhores deputados, não percam tempo com mais comissões quando já houve nove, nove comissões de inquérito parlamentar onde não há mais nada a acrescentar. Ou preferem continuar a distrair-nos com estas questões do passado enquanto o povo passa fome? Ouçam, por favor, o ex-conselheiro da Revolução, Sousa e Castro, que diz que os militares de Abril derrubaram o Estado Novo para acabar com a fome em Portugal e investiguem, por exemplo, o negócio dos submarinos. Esse sim, um verdadeiro escândalo, a par de casos como o BPN ou estas vergonhas do Freeport e os seus “envelopes castanhos” mais os gabinetes de arquitectura de amigos. Por favor, ouçam este apelo de um simples cidadão: não criem a 10ª CIPTC. Senhores deputados, se caírem no erro de criarem a 10ª CIPTC, a situação económica vai piorar, pois arriscam-se a meter a mão num ninho de vespas internacional que depois vai agravar o já apertado sufoco financeiro na tentativa de nos calar. É assim que eles têm feito há anos e anos. Desde Camarate. Os senhores deputados vão abrir uma caixa de Pandora com todas as desgraças do mundo dentro dela. Se cometerem a imprudência de quererem saber se a “alegada confissão” de um alegado responsável do alegado atentado, que, alegadamente, foi funcionário da CIA, com alegadas ligações a um – e aqui não é alegado, pois é um facto – ex-embaixador norte-americano em Portugal e posterior número dois da CIA, Frank Carlucci, que até era amigo pessoal de um ex-primeiro-ministro e ex-Presidente da República, Mário Soares -, então vão deixar em maus lençóis os nossos aliados norte-americanos e a sua imagem no resto do mundo. Acaso imaginam as implicações que teria para o nosso futuro se acusarmos os Estados Unidos da América de estarem por detrás do assassinato do nosso primeiro-ministro e ministro da Defesa, apenas porque estes queriam impedir que tivesse lugar em Portugal uns estranhos negócios ilegais de tráfico de armas que desrespeitavam a soberania do nosso País? Mas, onde é que já se viu isso? Se a vossa 10ª CIPTC provar que Portugal andava a vender armas para o Irão em 1980, furando assim um embargo internacional, que havia elementos da CIA por detrás desse negócio e Sá Carneiro, dois meses antes de Camarate, desconfiava estar a ser perseguido pela secreta norte-americana por querer investigar essas ilegalidades, pelo que teria sido então “encomendada” a sua morte por um milhão de dólares, isso vai deixar em maus lençóis muita boa gente que ainda hoje está viva. E não é só nos EUA. É também por cá. E aviso-vos que nem sequer é necessário chamar o desacreditado Fernando Farinha Simões de Vale de Judeus para testemunhar no Parlamento que Sá Carneiro desconfiava da CIA, pois podem perfeitamente chamar para ir à 10ª CIPTC uma pessoa credível, Vasco Abecassis, ex-marido de Snu Abecassis (a companheira de Sá Carneiro que faleceu também em Camarate), que contou precisamente isso à jornalista Cândida Pinto (outra pessoa credível), da SIC (a televisão do ex-primeiro-ministro Pinto Balsemão, também pessoa credível), que o escreveu na biografia sobre Snu, editada pela Dom Quixote (que é uma editora igualmente credível e bastante respeitada). Senhores deputados, por favor, não cometam ainda o imenso e superlativo erro de irem investigar o Fundo de Defesa Militar de Ultramar - o “saco azul” do exército do tempo da guerra colonial, destinado a financiar a compra de material de guerra fora do controle do Orçamento do Estado e que, desde o 25 de Abril de 1974, era gerido em segredo pelos “militares de Abril”, esses, ingratos, que, tal como Mário Soares (o amigo do Carlucci da CIA), faltaram às celebrações da data de Liberdade no vosso Parlamento. Se insistirem nessa perigosa ideia, então façam tudo para enganar o povo Português e escondam a necessidade de envolver o nome do Presidente da República nessa questão. Eu sei que vai ser difícil, pois quando o actual Presidente da República era ministro das Finanças recebeu ordens de Sá Carneiro para investigar o Fundo de Defesa Militar de Ultramar e nunca o fez. Assim, qualquer comissão séria teria de ir perguntar-lhe o motivo pelo qual não conseguiu cumprir as ordens do primeiro-ministro e se manteve calado ao longo destes anos todos. E, mais uma vez, não é sequer necessário recorrer a “alegadas confissões” no YouTube para confirmar isso, pois basta consultar os comunicados do Conselho de Ministros de Novembro de 1980 onde essa ordem está bem explícita. Ou então a imprensa da época – tenho cópias que vos posso fornecer. Senhores deputados, não sujeitem o Presidente da República a perguntas incómodas sobre qual o conteúdo da última reunião de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, na qual ele esteve igualmente presente, na manhã do fatídico dia 4 de Dezembro de 1980, juntamente com as mais altas chefias militares do País, para falarem precisamente sobre questões de dinheiro e Orçamento. Não façam essas perguntas ao Presidente da República, pois o País já tem tantos problemas económicos que a imagem de Portugal no estrangeiro iria ficar arruinada para sempre. Já basta termos um ex-primeiro-ministro com fama de corrupto, imaginem agora só se, na sequência da vossa investigação, um jornalista norte-americano, ou inglês, ou francês, ou alemão se lembrasse de escrever lá no país dele que, aqui, no belo e tranquilo Portugal, o Presidente da República é suspeito de ter encoberto o móbil do assassinato de um antigo primeiro-ministro e ministro da Defesa pela CIA. Que o fizera para proteger militares portugueses e norte-americanos. Que assim escondeu um negócio de tráfico de armas de Portugal para o Irão no tempo em que o ex-director da CIA, George Bush, era candidato a vice-presidente dos EUA. Imaginem ainda que esses jornalistas se lembrassem ainda de que, no dia da primeira tomada de posse do nosso Presidente da República, George Bush esteve no Parlamento português como seu convidado de honra, confirmando assim uma longa amizade. Imaginem então uma coisa ainda mais grave, pois esses jornalistas estrangeiros iriam depois ficar a saber que, a ter havido negócio de tráfico de armas para o Irão através de Portugal em finais de 1980, isso iria demonstrar que elementos da campanha republicana Reagan/Bush, ex-agentes da CIA, teriam negociado secretamente com os iranianos a não libertação dos reféns de Teerão antes das eleições presidenciais nos EUA, a 4 de Novembro de 1980, roubando assim a reeleição de Jimmy Carter. Isso significaria que a administração Reagan chegara ao poder através de um acto de traição. Iria colocar em causa toda a política norte-americana no Médio Oriente na actualidade, pois a mesma tem sido a sequência lógica das acções iniciadas por esse negócio da CIA em Portugal com a cumplicidade dos nossos dirigentes, dirigentes norte-americanos republicanos e até com complacência dos democratas. Não, senhores deputados, a morte de um estadista em Portugal não pode chegar as estas conclusões. É preciso manter esta Ordem Mundial, senão ainda se chega à questão de saber de onde vinha o dinheiro para manter estes negócios e revelar as redes de tráfico de droga, as organizações terroristas que são promovidas para justificar as mortes e assassinatos que cresceram da mesma forma que os furacões nascem com o bater de asas de borboletas. E é por isso que temos a crise económica mundial de hoje, precisamente por causa de todos os negócios que se fizeram depois destes negócios que levaram a Camarate. Sei que parece ser algo pretensioso querer dizer que Camarate está na origem de todos os males no mundo, mas, de certo modo, infelizmente, e sem exageros, até está. E não podemos mostrar essa verdade aos Portugueses: eles não iriam aguentar. É pior do que o holocausto de Hitler, acreditem. Por isso, o meu apelo, para que não iniciem sequer os trabalhos. Tentem ir adiando até ser esquecido. A imprensa está a dar o exemplo e está fazer um bom trabalho ao ignorar o assunto. Deram a notícia ontem, mas hoje já ninguém se lembra. Não falem mais nisso e daqui a nada, no fim do mês, os portugueses já se esqueceram e podem continuar infelizes e domesticados como sempre. Qualquer CIPTC nesta altura ou noutra qualquer, mesmo que conseguisse abafar metade daquilo que eu aqui digo, ainda assim iria descobrir muita coisa, pois os factos existem e até estão à vista. Não os liguem entre si. Não estraguem a verdade oficial que tantos anos demoraram a construir. Lembrem-se que se houver sangue, ainda pode ser o vosso a jorrar nas escadas do Parlamento. Não deixem falar quem quer falar, não façam falar quem não pode falar. Por favor, senhores deputados, não falem mais em Camarate!

Etiquetas: , , , , , ,

20120426

Camarate - a confissão de Farinha Simões

Duas semanas após ter colocado neste blogue o vídeo de José Esteves com a confissão sobre Camarate que Fernando Farinha Simões lhe entregou em Vale de Judeus, o caso é hoje notícia: O deputado Ribeiro e Castro defende uma nova comissão de inquérito sobre Camarate, numa altura em que surge a alegada confissão de um homem que diz ter organizado o atentado em que morreu o então primeiro-ministro, Sá Carneiro. Acho interessante o uso do termo "alegada confissão", mas compreendo, pois trata-se de um indíviduo preso e a confissão surge escrita na Internet, o que dificulta a confirmação da veracidade da mesma. Mas, isso pode agora ser facilmente resolvido pela maioria dos jornalistas com uma entrevista a Fernando Farinha Simões em Vale de Judeus. Creio que não seria difícil de conseguir a autorização dos serviços prisionais. Existe neste artigo, contudo, uma pequena imprecisão, pois informa que houve uma vítima em terra. Ora, isso chegou de facto a ser noticiado na altura, no entanto seria corrigido. As vítimas foram sete, todos os ocupantes do avião, e não houve nenhuma vítima em terra. Agora, esperamos que a 10ª comissão de Camarate possa esclarecer o que há de verdade ou desinformação nesta "alegada confissão".

Etiquetas: , , , , , ,

20120417

Camarate está no Rossio

20120410

Camarate - A confissão de Farinha Simões

20120323

Beirute, 1985

20120320

Lembrança mental: estar atento...

... ao destino de Muammar Gaddafi's former intelligence chief Abdullah al-Senussi... Ele sabe o que se passou em Lockerbie.

Etiquetas: , , ,

20120112

Obama e os telemóveis

O POTUS gosta de transmitir a imagem de pessoa activa e moderna. Por isso, contra todas as regras de segurança, fala muito ao telemóvel...





E, agora, acabei de ler esta frase: "Some Presidents like to ride around Dallas in open top limos, other are addicted to their cell phones... neither tend to remain in office too long".

Etiquetas: , , , ,

20111227

Assim se vê a qualidade do nosso jornalismo...

É nestes pequenos detalhes que se constata como o nosso jornalismo está pobre: enquanto os brasileiros sabem que Benazir Bhutto foi primeira-ministra do Paquistão, aqui, em Portugal, acham que foi um "primeiro-ministro"... E, ainda por cima, copiam-se...


Etiquetas: , ,

20111123

Manual de Instruções para Golpes de Estado (2)

Mário Soares, fundador do PS (1973), ministro dos Negócios Estrangeiros (1974-1975), primeiro-ministro por duas vezes (1976-1978 e 1983-1985), Presidente da República por duas vezes (1986-1996), eurodeputado (1999-2004), candidato derrotado a um terceiro mandato a Belém (2006) e presidente da fundação com o seu nome, resolveu agora encabeçar um manifesto onde defende que "é o momento de mobilizar os cidadãos de esquerda que se reveem na justiça social e no aprofundamento democrático como forma de combater a crise". No dia 6 de Novembro de 1975, naquele que foi um dos mais importantes debates políticos em Portugal após o 25 de Abril de 1974, o líder comunista, Álvaro Cunhal, olhou Mário Soares nos olhos e explicou-lhe o que era uma revolução: "Uma revolução faz-se por alguém e, naturalmente, contra alguém". E Cunhal concluiu a ideia ao esclarecer que "não se pode fazer uma revolução se os órgãos de poder têm representantes desse alguém contra quem é feita essa revolução". Mário Soares, como bom democrata que é, também fitou o líder dos comunistas nos olhos e retorquiu que Álvaro Cunhal não podia excluir a vontade majoritária da população que votara a 25 de Abril de 1975 para a Assembleia Constituinte e dera apenas 15 por cento aos comunistas, enquanto o PPD de Sá Carneiro - que Cunhal queria excluir da governação - tivera mais de 20 por cento. E o líder do PC respondeu com o exemplo das perseguições aos membros do seu partido nos Açores: "Naturalmente, nestas condições, temos uma fantochada eleitoral nos Açores e depois apresenta-se o resultado majoritário daqueles que recebem os votos. Nós queremos eleições, mas não queremos essas eleições". Nos Açores, nessa mesma noite, fora assaltada, pela primeira vez, uma sede do PS, ao que o líder dos comunistas, sempre arguto, comentou: "O PS soprou bastante fogo anticomunista que ateou um pouco as chamas em que arderam as sedes do PCP, mas, enfim, talvez com a direita reaccionária fascista, dos ELP ao MDLP, de outros sectores, enfim, com a ultradireita, chegue o dia em que os próprios socialistas, que, no momento, parecem inclinar-se, na prática, objectivamente, para uma aliança com as forças da direita, acabem por ser vítimas dessas forças de direita". Álvaro Cunhal sabia que os atentados à bomba vinham da direita. Nessa noite, na Rua da Emenda, José Esteves - o presumível autor da bomba que, cinco anos mais tarde, mataria Sá Carneiro - lançou uma granada chinesa contra a sede do PS enquanto decorria o debate. "Foi Mário Soares quem pediu que fosse atacada a sede do PS", contou-me há dias o autor da façanha. O mesmo José Esteves fora um dos fundadores de uma organização terrorista que ficaria conhecida como CODECO e actuava como braço armado do CDS. José Esteves, quando foi preso pela GNR, a 18 de Novembro de 1975, era motorista de Freitas do Amaral (que esteve coligado com Mário Soares entre 1977 e 1978 e foi depois ministro dos Negócios Estrangeiros do "socialista" José Sócrates). Dias depois da eleição do actual governo de Passos Coelho, Mário Soares encontrou-se com um velho amigo: o ex-embaixador da CIA em Portugal, Frank Carlucci. Responderam com imensos sorrisos aos jornalistas embebecidos que não havia problemas neste nosso jardim, pois a democracia delineada nas águas-furtadas da residência norte-americana à Lapa, em 1975, ainda estava a funcionar. Apesar da subida do PC nas eleições e a descida do PS, o PSD - agora sem o incómodo Sá Carneiro - e o CDS (liderado por um ex-militante social-democrata), assumiam a matemática e previsível alternância "democrática". O 1089. Sendo assim, a próxima revolução não pode contar com Mário Soares, pois é precisamente contra Mário Soares e seus amigos "republicanos" e "democratas" que esta terá de ser feita.

Ver aqui o debate Soares-Cunhal, a 6 de Novembro de 1975.

Reportagem de Mário Crespo, da SIC, sobre o reencontro de Soares com Carlucci...

Etiquetas: , , ,

20110910

Do coração da América...

Etiquetas: ,

20110502

"Encontraram Ossama"

Sobre o anúncio da alegada morte do presumível autor moral dos ataques nos EUA a 11 de Setembro de 2001, não tenho muito a dizer. Apenas partilho um vídeo - que não tem nada a ver com o assunto -, mas que, por coincidência, estava a ver ontem à noite enquanto se preparava o ataque no Paquistão. É a curta metragem portuguesa "Azeitona", feita por alunos de cinema da Universidade da Beira Interior, cuja primeira frase é: "Encontraram Ossama!". Ao que acrescento: "Ok, isso é estranho!...".

Azeitona (Olive) from Luis Campos on Vimeo.

Etiquetas: , , , , , ,

20110501

Seria do bom...

... e do bonito que esta informação tivesse sido publicada na primeira página do "Expresso" com o título "Camarate - Sá Carneiro desconfiava que a CIA o andava a perseguir"...





Mas, o "critério jornalístico" determinou que ficasse apenas pelo suplemento de cultura...




E, para o caderno principal, houve apenas espaço para a informação do lançamento da obra...




Etiquetas: , , , , , , , ,

20101122

Saudades de África...

O caso do negociante de armas - de notar que não disse "traficante" - Viktor Bout, merecia uma maior atenção da nossa parte. Este russo, agora extraditado para os EUA e conhecido como o "mercador da morte", sabe falar português. Foi tradutor em Moçambique e o seu crime foi ter permanecido em África após o fim da URSS a fazer os negócios que a CIA entretanto abandonara...



De salientar que há quem diga que é muito amigo do actual vice-primeiro-ministro russo - e braço direito de Putin - Igor Sechin. Bout diz que não, que nunca se encontrou com ele, pois quando estava em Moçambique, Sachin trabalhava como tradutor num outro país africano: Angola.

Etiquetas: , , , , ,

20100814

Droga de Wikileaks

De repente, parece que o mundo jornalístico descobriu que há uma solução para a censura e, vai daí, anunciaram como cura milagrosa para um trabalho que há muito se demitiram de fazer: as fugas de informação no "Wikileaks", das quais já se "saliva" à espera de mais revelações espectaculares. Convém por isso conhecer o que diz Daniel Estulin sobre estas revelações: "¿Por qué los supuestos documentos secretos de Wikileaks se ceban con un viejo general de 74 años? [Hamid Gul el general jubilado y ex jefe de los servicios secretos Paquistaní] ha cometido un 'error' imperdonable en junio 2010 cuando en una entrevista local saco a la luz el papel del ejercito estadounidense en la venta de heroína Afgana a través de su base top secret Manas en Kyrgyzstan".



Hamid Gul já se disponibilizou a ir aos EUA esclarecer as informações da "Wikileaks": "'Report of my physical involvement with al Qaeda or Taliban in planning attacks on American forces is completely baseless,' the former Inter-Services Intelligence chief said in an interview with The Wall Street Journal. 'I am not against America, but I am opposed to what the American forces are doing in Afghanistan'". Mas, a sua tarefa vai ser algo difícil por causa disto...



De qualquer modo, para saber mais sobre o tráfico de droga no Afeganistão, podem sempre recordar uma peça jornalística, sem "Wikileaks", que surgiu há dois anos: "CIA, Heroin Still Rule Day in Afghanistan".

Etiquetas: , , , , , , , , ,