20190311

"Snu"

“Snu” é um filme a ver. É obrigatório. Não digo isto por achar que seja um grande filme, daqueles de Hollywood, nem conceptual. Mas, é uma obra com boa cinematografia, uma música hipnotizante da portuguesa Surma – aquela da canção no Festival da Canção que faz o Conan Osíris parecer um vulgar artista Pop e comercial -, e uma história baseada em factos históricos. A história de amor entre o ex-primeiro-ministro Sá Carneiro e Snu foi um facto político entre 1976 e 1980. Sobretudo durante este último ano, o da morte de ambos. O registo possível, foi este. Porque ainda há muitas pessoas dessa altura que estão vivas. Podia ter sido outro, noutro filme, mas acabou dar este. E é melhor do que nada. Estou habituado a produções estrangeiras sobre factos verídicos bem mais recentes, como “A Rainha”, de Stephen Frears, sobre os dias da morte da Princesa Diana, que fora precedido ainda pelo telefilme do mesmo realizador, “The Deal”, baseado na alegada conversa secreta entre Tony Blair e Gordon Brown em que ambos decidiram quando é que cada deles seria primeiro-ministro do Reino Unido. Este “Snu” é sobre um caso com quase mais de 40 anos, mas que, de uma forma colateral, ainda envolve muitos segredos actuais. O filme não quis dizer que o embaixador dos EUA se chamava Frank Carlucci. Não quis mencionar que o artigo da revista “Time” que tanto irritou o casal teria sido instigado pela CIA – co-dirigida então por Carlucci. E Sá Carneiro achava que era uma manobra contra si, alimentada pelo amigo americano de Mário Soares, o mesmo que naquela altura disse que um homem que não consegue governar a sua própria casa não serve para governar o País. Não, o filme também não contou o episódio do telefonema de Snu para o ex-marido sobre a possibilidade da CIA estar a vigiar Sá Carneiro devido à alegada investigação de um negócio secretos de armas para o Irão. Tudo isso ficou de fora. Mas, ide ver o filme. O mínimo que nos mostra já é muito bom para contextualizar depois os factos verdadeiros.
P.S. – No filme, é recriado o ambiente do “Botequim”, o bar de Natália Correia, a confidente do amor entre Sá Carneiro e Snu. As filmagens, no entanto, não tiveram lugar no local original, à Graça. Escolheram – e bem - o ambiente do “Procópio”, nas Amoreiras. Não pude deixar de ficar particularmente tocado com essa escolha, sobretudo devido a um detalhe que, creio, nem os responsáveis do filme devem ter notado: a data altura, Sá Carneiro e Snu saem do bar e descem as escadas em direcção ao carro estacionado no fim das mesmas. A porta de uma casa atrás deles é onde, ainda hoje, vive José Esteves, antigo motorista de Freitas de Amaral e um dos homens que sempre se disse estar envolvido no atentado de Camarate. Detalhes do destino.

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20140816

Caso Boqueirão

Para os meus leitores no Brasil: Queridos irmãos brasileiros, compartilho a dor que sentem com o trágico desaparecimento de Eduardo Campos, um político carismático e que resultou de um alegado acidente aéreo. Digo "alegado", pois vejo que no vossa imprensa já se começa a falar da possibilidade de atentado. Quero então dizer-vos que o que aconteceu com Eduardo Campos tem semelhanças assustadoras com algo que também já aconteceu com um político português e que teve lugar há mais de 30 anos! Um avião Cessna caiu numa zona habitacional nos arredores de um aeroporto, causando a morte de todos os sete ocupantes. Isso teve lugar em plena campanha de eleição presidencial e testemunhas falam de "bola de fogo" "bola de fogo" no ar e de um avião que vinha já a arder antes de embater no solo. As gravações das comunicações entre piloto e torre de controlo são inconclusivas e não há o registo de qualquer pedido de auxílio - o usual "Mayday" - da parte do piloto antes do embate fatal. Onde é que isto tudo aconteceu? Aconteceu em Lisboa, na noite de 4 de Dezembro de 1980, quando o avião Cessna que transportava o primeiro-ministro de Portugal, Francisco Sá Carneiro, despenhou-se pouco depois de ter descolado do aeroporto de Lisboa. Ia a caminho do Porto, onde era esperado para discursar numa acção de campanha de apoio ao seu candidato a Presidente da República, Soares Carneiro. O avião caiu no bairro de Camarate, sendo que, desde então, esta queda ficou conhecido em Portugal como o "Caso Camarate". E esse é hoje, caros irmão brasileiros, o vosso "Caso Boqueirão". Juntamente com o primeiro-ministro, figura bastante carismática entre os portugueses, morreram ainda o ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, e o chefe de gabinete do primeiro-ministro, António Patrício Gouveia. Faleceram igualmente as esposas dos governantes, Snu e Manuela, e os dois pilotos do aparelho, Jorge Albuquerque e Alfredo Sousa. Ao fim de mais de 30 anos de investigação, a justiça portuguesa encerrou o caso sem que tivesse encontrado uma explicação lógica para o que teria levado à queda do aparelho. Entretanto, face às dúvidas de acidente ou atentado, o Parlamento português realizou várias comissões parlamentares de inquérito. Em 2004, a oitava comissão concluiu que houve uma explosão a bordo, provocada por um engenho colocado na parte dianteira da aeronave, supostamente junto ao trem de aterragem. Em 2012 escrevi um livro intitulado "Camarate - Sá Carneiro e as Armas para o Irão", onde explico que o móbil do atentando poderia estar relacionado com o facto de haver um negócio secreto de tráfico de armas dos EUA para o Irão, usando o território português como plataforma giratória para esse negócio. Sá Carneiro teria mandado investigar e isso levou à sua morte. Por outro lado, ele era uma pessoa que não hesitava em enfrentar poderes muito acima da força internacional de Portugal, pelo que a sua substituição no panorama político nacional levou depois a uma espécie de "harmonização" da vida política e que perdura até hoje. Estive no ano passado no Parlamento português a testemunhar na décima comissão parlamentar de inquérito, que tem agora a tarefa de confirmar se a tese do móbil da rede internacional que levou ao atentado tem sustentabilidade ou não. Vou lendo o que me chega do Brasil e chamo a vossa atenção para a possibilidade de surgir muita desinformação. Vão ser dias difíceis, os próximos, pelo que estejam atentos a tudo o que vos parecer informação credível e que, com o tempo, poderá desaparecer da rede. Como, por exemplo, os primeiros testemunhos que falam de uma explosão do avião no ar e que vinha a arder antes de embater no solo. Há 30 anos, não havia ainda Internet e só existia um único canal de televisão em Portugal e que era controlado pelo Estado. Hoje, com a profusão de canais de informação, podemos pensar que estamos melhor informados. É mentira. Existe é cada vez mais uma grande dispersão da informação e aquela que acaba depois por ficar é somente a que querem que seja a oficial. Por isso, mantenham a memória destes dias, pois sabe-se lá se daqui a 30 anos ainda vamos estar a discutir detalhes do que aconteceu na semana passada.

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20131011

Esclarecimento à Assembleia da República sobre testemunho de Rui Carp na comissão de Camarate

E-mail que acabei de enviar ao Presidente da Xª Comissão Parlamentar de Inquérito à Tragédia de Camarate: Caro Dr, Estive ontem à noite a assistir à transmissão em diferido do Canal Parlamento da audiência ao antigo subsecretário de Estado do Orçamento do Governo da AD, Dr. Rui Carp, que teve lugar ao fim da tarde de ontem no âmbito do Inquérito à tragédia de Camarate. Não tive oportunidade de assistir desde o início, mas espero que seja disponibilizada a totalidade da audiência no arquivo do Canal Parlamento. Contudo, vi que, já perto do fim da audiência, ao responder a uma pergunta da deputada do PS, Isabel Oneto, sobre uma passagem do meu livro "Camarate - Sá Carneiro e as Armas para o Irão", onde era referido o nome de Rui Carp a propósito de um almoço com o então ministro da Defesa e vítima de Camarate, Adelino Amaro da Costa, no qual foi debatido o caso do fundo ilegal dos militares, o ex-subsecretário disse não se lembrar de me ter contado isso ou sequer de alguma vez ter falado comigo. O deputado do CDS, Ribeiro e Castro, que tinha um original do meu livro, mostrou depois a minha fotografia e, uma vez mais, Rui Carp disse não se lembrar de ter falado comigo. Acrescentou ainda que poderia ter conversado ao telefone, mas garantiu que nunca teria contado a um jornalista que houve aquele almoço. Acrescente-se que, pelo que consegui depreender daquilo que assisti, Rui Carp teria revelado esse almoço durante o seu testemunho na comissão e garantiu aos deputados que era a primeira vez que contava essa informação. Achei extraordinário e surreal que, uma informação publicada no meu livro, há um ano - a obra foi lançada para o mercado a 22 de Novembro de 2012 -, fosse considerada no dia 10 de Outubro de 2013 como um "exclusivo" para a Assembleia da República. Já escrevi muitas coisas, mas confesso que não tenho a capacidade de prever exclusivos com uma tão longa distância temporal. Quero então esclarecer a comissão, para que não fiquem dúvidas sobre a minha qualidade profissional e o rigor da obra sobre Camarate, como é que a informação desse almoço foi parar às páginas do livro, impressas há um ano. Refira-se, para o devido enquadramento, que as afirmações de Rui Carp estão contidas no epílogo, onde relato histórias que devem ser ainda aprofundadas. E, nesse sentido, devo dizer que os senhores deputados estão a fazer um excelente trabalho. O nome de Rui Carp foi-me transmitido pelo, infelizmente, já falecido Dr. Carlos Sousa Brito, que em 1980 era o secretário de Estado da Comunicação Social. Carlos Sousa Brito era amigo de Soares Carneiro, o general candidato da AD a Presidente da República contra o general Ramalho Eanes. De acordo com o testemunho de Sousa Brito, os documentos do fundo militar chegaram ao primeiro-ministro Sá Carneiro através do general Soares Carneiro. Por sua vez, como diziam respeito a questões financeiras, Sá Carneiro pediu a Sousa Brito que os fizesse chegar ao ministro das Finanças, cargo então ocupado pelo actual Presidente da República, Cavaco Silva. Ainda segundo o testemunho de Sousa Brito, os documentos foram mesmo entregues a Cavaco Silva e, recordava-se o antigo secretário de Estado, foi nessa altura que ele conheceu a chefe de gabinete do professor Cavaco, a futura ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite. Passado uns tempos, Sousa Brito quis saber do andamento do caso e foi informado que o subsecretário de Estado do Orçamento, Rui Carp, estava com o assunto em mãos. Foi na sequência deste testemunho que tentei, obviamente, tentar confirmar com Rui Carp a alegada circulação de documentos entre o gabinete do ministro das Finanças e o seu gabinete. Foi assim que, a 3 de Novembro de 2010, mandei um e-mail para o Dr. Rui Carp, então presidente do Instituto Seguros de Portugal, onde lhe coloquei essas dúvidas, assim como o facto do seu chefe de gabinete ser então o Dr. Ramiro Ladeiro Monteiro, futuro director do SIS. Segue em anexo o meu e-mail com o pedido de entrevista, enviado no dia 3 de Novembro de 2010 e segue também em anexo a resposta de recusa que recebi da parte da sua secretária, a 8 de Novembro, e que motivou ainda um segundo e-mail da minha parte, no mesmo dia, a agradecer a resposta – mesmo negativa -, e a manter em aberto a possibilidade de uma conversa sobre o assunto para mais tarde. Sem a possibilidade de poder confirmar a veracidade das afirmações de Sousa Brito, mantive essa história de fora da estrutura central do meu livro. Contudo, certo dia da Primavera de 2011, em data que não posso precisar, ao passar por uma feira de antiguidades no Jardim Conde Valbom, ao lado da Avenida Marquês de Tomar, em Lisboa, encontrei por acaso o Dr. Rui Carp, que estava na companhia de uma pessoa amiga. Estava ele a ver as antiguidades expostas e aproveitei a ocasião para me apresentar e dizer quem era e lhe tinha pedido uma entrevista para um livro de Camarate, há uns tempos, mas que ele recusara. A reacção de Rui Carp, que se mostrou muito simpático para comigo, foi a de dizer-me que se lembrava do meu contacto, mas não tinha nada a acrescentar. Então, sem ter que me tivesse pedido qualquer reserva de publicação, acrescentou, de moto próprio, a informação de que costumava "cruzar-se" com Adelino Amaro da Costa no restaurante Central da Baixa. Explicou-me ainda que isso acontecia porque trabalhavam todos no Terreiro do Paço, nos dois torreões opostos. Avançou com a informação de que andou depois a fazer perguntas aos vários ramos militares, mas que tal fora inconclusivo. Agradeci aqueles minutos no meio da feira de antiguidades e cada um seguiu o seu caminho. Por isso, senhor presidente, é que existe a tal informação "exclusiva" no meu livro. Informação que o Dr. Rui Carp não desmentiu perante a comissão e que deu detalhes que podem ser úteis para futuras audiências. Destaco a necessidade de ouvir o secretário de Estado acima de Rui Carp, Figueiredo Lopes, e ainda o ministro das Finanças de então, Cavaco Silva. E, parece-me útil, ouvir também a antiga chefe de gabinete do ministro das Finanças, Manuela Ferreira Leite. Penso que o Dr. Rui Carp foi sincero ao dizer à deputada Isabel Oneto que não se lembrava de mim, pois foi um encontro que terá durado cerca de 3 minutos, no meio da rua, há mais de dois anos. Mas, foi um importante encontro entre um jornalista e uma testemunha da época que se recusara a responder a contactos anteriores. E, se foi necessário esperar 33 anos para confirmar essa informação na Assembleia da República, então aqueles 3 minutos estão certamente entre os mais importantes da minha carreira profissional. Com os melhores cumprimentos Frederico Duarte Carvalho

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20130418

Frederico D. Carvalho speaking about the international importance of Camarate

20130321

Comissão cumprida

Foram três horas. Entre as 19 e as 22 horas de ontem estive a responder a todas as perguntas dos deputados na Xª Comissão Parlamentar de Inquérito de Camarate. No fim ficou a sensação do dever cumprido, como jornalista e cidadão. Foi o culminar de mais de 10 anos de trabalho com muitos riscos profissionais, foram mais de 30 anos de vontade em querer saber a verdade. Como disse ontem aos deputados, era por ali que tudo deveria ter começado quando, a 4 de Dezembro de 1980, caiu o avião com o primeiro-ministro e ministro da Defesa a bordo. Qual o "nexo de causalidade" entre a morte de Sá Carneiro e o tráfico de armas para o Irão, foi a primeira pergunta, feita pela deputada Isabel Oneto, do PS. Estava dado o mote de partida. A reportagem da agência Lusa destacou para título essa primeira pergunta entre as muitas que depois se seguiram durante as três horas. E ainda bem, pois foi uma atitude inteligente de quem fez a pergunta e da jornalista que a registou (creio que era uma jornalista, pois só havia uma pessoa presente no local habitualmente ocupado pela Comunicação Social e era mulher). Respondi que também eu queria saber isso. Destaquei então a capa do meu livro, que pelo grafismo, reproduz jornais da época e disse que, na realidade, Camarate só ontem é que começava a ser investigado. Os jornalistas da época podiam ter começado a investigar o caso dos reféns de Teerão e a possibilidade de haver ou não um "nexo de causalidade" com a morte do primeiro-ministro. E davam assim seguimento ao artigo do jornal "Portugal Hoje", de 11 de Novembro de 1980, semanas antes da queda do avião Cessna, onde era mencionado esse tráfico. Um jornal onde estagiou a deputada socialista que ainda não conhece o "nexo de causalidade". Outro dado muito inteligente registado pela reportagem da Lusa foi a lista dos nomes das pessoas que sugeri que deviam ser ouvidas precisamente para procurar esclarecer o tal "nexo de causalidade". Escreveram que sugeri Frank Carlucci, que fora o embaixador dos EUA em Lisboa e era o número dois da CIA na altura da morte do primeiro-ministro português, o ex-Presidente da República e amigo pessoal de Carlucci, Mário Soares, e o ministro dos negócios Estrangeiros de 1977, Medeiros Ferreira. Eram os nomes que, devido aos cargos que então ocupavam, estavam envolvidos num caso de tráfico de armas em Portugal em Julho de 1977. No entanto, a minha lista era mais completa. Também sugeri Alpoim Calvão, responsável pela empresa Explosivos da Trafaria, José Garnel, da empresa Defex, Henry Kissinger, Vasco Abecassis (ex-marido de Snu e que teria telefonado para Donald Rumsfeld para saber se Sá Carneiro era "perseguido" pela CIA), Cavaco Silva, Rui Carp, Jim Hunt (sobrinho de Frank Sturgis, o suposto autor do atentado, pessoa que terá apertado o botão do controlo remoto que fez explodir a bomba a bordo do avião), para além de José Esteves e Farinha Simões. Sugeri ainda que a Assembleia da República pedisse à CIA que esclarecesse os factos descritos no meu livro sobre o tráfico de armas por Portugal durante a crise dos reféns do Irão e as suspeitas de Sá Carneiro. Mas, de igual modo, alertei os deputados para o perigo que este caso, ainda hoje, representa para a estabilidade do regime dos EUA e do Irão. Frisei que Camarate era uma questão que envolvia a nossa soberania. Foi por termos perdido essa soberania ao longo dos anos em que não se investigou o tráfico de armas por Portugal que permitimos o actual domínio da Troika. Mencionei o facto de que, desde 1975, a nossa Democracia, construída na base de atentados à bomba e de contra-informação, ainda hoje não permite a plenitude do jogo democrático com uma aliança PS-PCP. Mas que, ainda assim, investigar Camarate, era um sinal para o resto do mundo de que tínhamos a coragem de arrumar a nossa casa e dizer depois aos outros países que fizessem o mesmo.
Eu cumpri.
Agora, outros que cumpram também o seu dever.

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20130318

Com Inspiração - Camarate

20121205

Camarate em Coimbra

20120518

Camarate - O que sabiam os jornalistas

Durante o ano de 1995, Camarate estava na ordem do dia, pois passavam-se 15 anos desde os acontecimentos e o processo corria o risco de prescrever do ponto de vista criminal. Na Assembleia da República, a V Comissão recebia os resultados dos teste laboratoriais feitos em Londres a uma peça do avião e concluía pela existência de indícios de material explosivo. Na SIC, Miguel Sousa Tavares tinha dúvidas sobre o atentado e perguntava a Augusto Cid, um dos principais defensores da tese de atentado e membro da Comissão, se não tinha também procurado indícios que levassem a concluir pela tese do acidente. O cartoonista explicou e rebateu pacientemente todas as dúvidas do jornalista... Entretanto, a TVI foi televisão que mais se destacou na investigação jornalística. Entre os profissionais daquela estação estava Miguel Ganhão Pereira, que então analisou a primeira confissão feita por Fernando Farinha Simões, onde este já falava no nome do major Canto e Castro. Miguel Ganhão Pereira iria ficar tristemente célebre quando se suicidou, cinco anos mais tarde, no dia em que se cumpriam 20 anos exactos desde a tragédia de Camarate. Como jornalista da TVI foi um dos que deu a cara na divulgação da informação de que, o possível móbil de um atentado em Camarate, seria o tráfico de armas durante a guerra Irão-Iraque, facto que Freitas do Amaral defendeu recentemente...

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20120510

Camarate - A explicação de Conceição Monteiro

Em 1995, a ex-secretária do primeiro-ministro Sá Carneiro, Conceição Monteiro, deu uma entrevista à TVI onde explicou a sua versão sobre Camarate. Afirmou que sempre pensou que, a ter havido atentado, este seria contra o ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, e não contra Sá Carneiro. Segundo a ex-secretária, a decisão de Sá Carneiro de voar no Cessna foi tomada em cima da hora, após uma conversa com Adelino Amaro da Costa. Este último é que estaria previsto, desde o início, para viajar naquele avião pelo que não parecia possível a Conceição Monteiro que se pudesse planear, em tão pouco tempo, um atentado contra o primeiro-ministro. Questionada sobre a existência de um segundo avião que teria vindo do Porto para transportar o primeiro-ministro para o comício, Conceição Monteiro garantiu que esse aparelho nunca chegou a Lisboa, pois ela própria telefonou para o Porto a cancelar o voo após a combinação entre Sá Carneiro e Amaro da Costa. Conceição Monteiro, ao mostrar-se convicta do que disse e ao não explicitar as declarações que prestara à Polícia Judiciária, acabou assim por criar na Opinião Pública a ideia de que Sá Carneiro embarcou à última hora no Cessna fatídico, prescindindo ainda dos bilhetes que estavam reservados para a TAP. No entanto, a ida para o Porto estava prevista desde o dia 1, três dias antes, sendo que a viagem sempre esteve prevista para ser feita a bordo de um avião privado, daí o facto de ter sido feito o pedido de um avião no Porto, o que ficou decidido no dia anterior, 3 de Dezembro. As reservas no voo TAP só deveriam ser usadas caso fizesse mau tempo e o avião privado não tivesse autorização de voo. Ao cancelar o avião do Porto, Conceição Monteiro selou o destino de Sá Carneiro e esclareça-se que, de facto, esse avião chegou a vir do Porto e estava estacionado no aeroporto de Lisboa ao lado do Cessna que viria a cair. Contudo, o piloto foi dispensado às 18 horas quando chegou ao aeroporto e, deste modo, Sá Carneiro, mesmo que quisesse, não teria podia viajar nesse segundo aparelho. Ainda hoje muitas pessoas estão convencidas de que não houve atentado contra Sá Carneiro porque não havia tempo para o preparar.

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20120505

Camarate - "A Verdade não Prescreve", ou será que sim?

No Verão de 1996, a jornalista Inês Serra Lopes lançou o livro "Camarate - A Verdade não Prescreve", uma obra que resultou das investigações que fizera durante o tempo em que trabalhou na TVI ao lado de pessoas como José Ribeiro e Castro e Artur Albarran. O prefácio foi de Marcelo Rebelo de Sousa, então recém-eleito líder do PSD. Na cerimónia esteve, entre outros, o general Soares Carneiro, ex-candidato da AD à Presidência da República, que revelou ter sido avisado com antecedência de que se preparava um atentado contra a sua pessoa durante a campanha eleitoral de 1980. Também o principal suspeito da autoria da bomba de Camarate, José Esteves, marcou presença no lançamento, sendo bastante solicitado pelos jornalistas. Pode-se ainda vislumbrar, em segundo plano, no momento em que a RTP tenta obter mais revelações de José Esteves, os actuais governantes Miguel Relvas e Pedro Passos Coelho...
Entretanto, no programa "Querida Júlia", na SIC, no passado dia 2, a apresentadora Júlia Pinheira e o jornalista Hernâni Carvalho analisaram a carta de Fernando Farinha Simões... Entre os vários aspectos referidos por Hernâni Carvalho, há a história da "Chaimite" que José Esteves comprou ao Estado e estacionou depois à porta de casa. Isso foi em Maio de 1996, e o próprio Hernâni Carvalho, entre outros, fez a reportagem para a RTP... Por fim, após as palavras derrotistas de Hernâni Carvalho no "Querida Júlia" e ainda na sequência do meu apelo aos deputados para que não criem a 10ª Comissão de Camarate, espero que a verdade, finalmente, venha mesmo a prescrever. Para bem de todos nós, não é?

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20120430

Camarate - O testemunho de Elza

Elza Oliveira foi mulher de Fernando Farinha Simões desde 1975 e assistiu por perto às movimentações do marido, juntamente com as de José Esteves, antes e depois do atentado de Camarate - que, a 4 de Dezembro de 1980, provocou a morte do primeiro-ministro Sá Carneiro e ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa. Em 1995, Elza esteve na Assembleia da República para dar o seu testemunho. Agora, acrescenta dados novos que se juntam às declarações de José Esteves e Fernando Farinha Simões, pelo que espera pela constituição da 10ª Comissão de Inquérito Parlamentar de Camarate para as poder assumir perante os deputados da Assembleia da República.

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20120429

A CIA e o atentado de Camarate

20120426

Camarate - a confissão de Farinha Simões

Duas semanas após ter colocado neste blogue o vídeo de José Esteves com a confissão sobre Camarate que Fernando Farinha Simões lhe entregou em Vale de Judeus, o caso é hoje notícia: O deputado Ribeiro e Castro defende uma nova comissão de inquérito sobre Camarate, numa altura em que surge a alegada confissão de um homem que diz ter organizado o atentado em que morreu o então primeiro-ministro, Sá Carneiro. Acho interessante o uso do termo "alegada confissão", mas compreendo, pois trata-se de um indíviduo preso e a confissão surge escrita na Internet, o que dificulta a confirmação da veracidade da mesma. Mas, isso pode agora ser facilmente resolvido pela maioria dos jornalistas com uma entrevista a Fernando Farinha Simões em Vale de Judeus. Creio que não seria difícil de conseguir a autorização dos serviços prisionais. Existe neste artigo, contudo, uma pequena imprecisão, pois informa que houve uma vítima em terra. Ora, isso chegou de facto a ser noticiado na altura, no entanto seria corrigido. As vítimas foram sete, todos os ocupantes do avião, e não houve nenhuma vítima em terra. Agora, esperamos que a 10ª comissão de Camarate possa esclarecer o que há de verdade ou desinformação nesta "alegada confissão".

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20120425

Camarate e as 14 comissões quando ainda não há a 10ª...

No programa de debate da RTP "Prós e Contras", a 23 de Abril de 2012, o ex-conselheiro da Revolução, Rodrigo Sousa e Castro, afirma que já houve 14 comissões de inquérito parlamentar sobre Camarate - a morte do primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, na queda de uma avioneta Cessna a 4 de Dezembro de 1980. A jornalista Fátima Campos Ferreira sorri e não corrige o antigo porta-voz do Presidente da República, Ramalho Eanes. Na realidade, a última comissão de Camarate foi a 9ª, que, à semelhança de outras antes dessa, não terminou os trabalhos dentro do prazo estabelecido devido à queda do Governo e a convocação de eleições antecipadas. Aliás, o actual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, já admitiu a criação da 10ª comissão. Mas, a mesma tarda...

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