20120505

Camarate - "A Verdade não Prescreve", ou será que sim?

No Verão de 1996, a jornalista Inês Serra Lopes lançou o livro "Camarate - A Verdade não Prescreve", uma obra que resultou das investigações que fizera durante o tempo em que trabalhou na TVI ao lado de pessoas como José Ribeiro e Castro e Artur Albarran. O prefácio foi de Marcelo Rebelo de Sousa, então recém-eleito líder do PSD. Na cerimónia esteve, entre outros, o general Soares Carneiro, ex-candidato da AD à Presidência da República, que revelou ter sido avisado com antecedência de que se preparava um atentado contra a sua pessoa durante a campanha eleitoral de 1980. Também o principal suspeito da autoria da bomba de Camarate, José Esteves, marcou presença no lançamento, sendo bastante solicitado pelos jornalistas. Pode-se ainda vislumbrar, em segundo plano, no momento em que a RTP tenta obter mais revelações de José Esteves, os actuais governantes Miguel Relvas e Pedro Passos Coelho...
Entretanto, no programa "Querida Júlia", na SIC, no passado dia 2, a apresentadora Júlia Pinheira e o jornalista Hernâni Carvalho analisaram a carta de Fernando Farinha Simões... Entre os vários aspectos referidos por Hernâni Carvalho, há a história da "Chaimite" que José Esteves comprou ao Estado e estacionou depois à porta de casa. Isso foi em Maio de 1996, e o próprio Hernâni Carvalho, entre outros, fez a reportagem para a RTP... Por fim, após as palavras derrotistas de Hernâni Carvalho no "Querida Júlia" e ainda na sequência do meu apelo aos deputados para que não criem a 10ª Comissão de Camarate, espero que a verdade, finalmente, venha mesmo a prescrever. Para bem de todos nós, não é?

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20090107

Quem tramou Inês Serra Lopes?

Na sequência da chamada de atenção do Zé Paulo sobre a condenação de Inês Serra Lopes, tenho de recordar que registei no meu livro "Eu Sei Que Você Sabe" uma passagem da reportagem do semanário "O Crime" de 13 de Março de 2003, onde o jornalista Alte Pinho explica o que esteve por detrás da história do duplo do Carlos Cruz...



Mais se acrescenta que, no dia seguinte à publicação desta reportagem, o "Independente" de Inês Serra Lopes revelava que o apartamento de Cascais onde Jorge Ritto vivia no início da década de 80 e que estivera na origem da primeira investigação, era emprestado. O legítimo proprietário era Caimoto Duarte, que o comprara em 1978, antes de ir como diplomata para a Turquia e que utilizava o apartamento como habitação transitória, "de apoio". Fizera então uma "cedência informal" ao amigo Ritto. Na altura em que o "Independente" revelou essa informação, Caimoto Duarte era o chefe da secreta militar, nomeado pelo ministro da Defesa, Paulo Portas.

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20081020

O Xá nos Açores - O que faltou na "Pública"

Tal como referi ontem, confirma-se que a pessoa que era ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal no dia em que o Xá do Irão esteve quase a morrer nos Açores, relata mesmo o episódio no segundo volume das suas memórias que chegou esta semana às livrarias...



Tal como contei ontem - um dia explico-vos como desconfiei que ele iria falar deste caso -, Freitas do Amaral até mencionou o detalhe de como Sá Carneiro o recebeu vestido de pijama. O que se segue, portanto, foi o que faltou na reportagem da "Pública" de ontem...




Agora, cada vez que leio este género de memórias, aprendo sempre mais um bocadinho. Achei deveras interessante este pequeno episódio ocorrido em Março de 1980, sobretudo na parte do telefonema de Sá Carneiro para Ramalho Eanes. A pergunta que o antigo Presidente da República fez a Sá Carneiro, se este estava a informá-lo de uma decisão já tomada ou se queria pedir uma opinião, fez soar uma campainha na minha cabeça... Onde é que eu já tinha lido algo parecido?
Lembrei-me pouco depois.
Foi aqui, neste livro de 1995...



A jornalista Inês Serra Lopes relatou como Ramalho Eanes, certa vez, em 1980, recebeu um telefonema de Sá Carneiro a pedir-lhe a autorização do uso da base das Lajes para o envio de armas para o Irão...



Não é certo que os dois episódios tenham ocorrido na mesma altura - o que significaria confundir Xá do Irão com armas para o Irão -, mas lá que é muito interessante, de facto é.
E agora está devidamente registado.

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