20120713

Camarate - Salvé Jorge Fão!

Foi hoje aprovada na Assembleia da República a criação da Xª Comissão de Inquérito Parlamentar de Camarate, apenas com um único voto contra. Esse voto foi o do deputado socialista Jorge Fão - erradamente designado na notícia como "João Fão". Quero aqui saudar publicamente a atitude corajosa deste deputado, pois foi o único que se mostrou sensível ao meu apelo para que não fosse criada a Xª Comissão de Camarate... O apelo.
Apelo em papel.

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20120709

Em Belém...

20120528

Casa Pia e a "exportação" de crianças para a América

Está anunciado para hoje uma reportagem na RTP sobre crianças da Casa Pia que foram usadas como "cobaias" numa experiência médica norte-americana. Isto só seria novidade se, a 3 de Fevereiro de 1976, no vespertino "A Capital", o actual provedor do leitor do "Diário de Notícias", Óscar Mascarenhas, não tivesse já escrito uma reportagem onde falava da "exportação" de crianças da Casa Pia para os EUA, antes do 25 de Abril, num processo mandado arquivar pelo ministro Baltasar Rebelo de Sousa e reaberto na altura da reportagem. Contudo, ainda hoje está por se saber o que é feito dessas crianças dos anos 70...

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20120430

Camarate - O testemunho de Elza

Elza Oliveira foi mulher de Fernando Farinha Simões desde 1975 e assistiu por perto às movimentações do marido, juntamente com as de José Esteves, antes e depois do atentado de Camarate - que, a 4 de Dezembro de 1980, provocou a morte do primeiro-ministro Sá Carneiro e ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa. Em 1995, Elza esteve na Assembleia da República para dar o seu testemunho. Agora, acrescenta dados novos que se juntam às declarações de José Esteves e Fernando Farinha Simões, pelo que espera pela constituição da 10ª Comissão de Inquérito Parlamentar de Camarate para as poder assumir perante os deputados da Assembleia da República.

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20120426

Camarate - a confissão de Farinha Simões

Duas semanas após ter colocado neste blogue o vídeo de José Esteves com a confissão sobre Camarate que Fernando Farinha Simões lhe entregou em Vale de Judeus, o caso é hoje notícia: O deputado Ribeiro e Castro defende uma nova comissão de inquérito sobre Camarate, numa altura em que surge a alegada confissão de um homem que diz ter organizado o atentado em que morreu o então primeiro-ministro, Sá Carneiro. Acho interessante o uso do termo "alegada confissão", mas compreendo, pois trata-se de um indíviduo preso e a confissão surge escrita na Internet, o que dificulta a confirmação da veracidade da mesma. Mas, isso pode agora ser facilmente resolvido pela maioria dos jornalistas com uma entrevista a Fernando Farinha Simões em Vale de Judeus. Creio que não seria difícil de conseguir a autorização dos serviços prisionais. Existe neste artigo, contudo, uma pequena imprecisão, pois informa que houve uma vítima em terra. Ora, isso chegou de facto a ser noticiado na altura, no entanto seria corrigido. As vítimas foram sete, todos os ocupantes do avião, e não houve nenhuma vítima em terra. Agora, esperamos que a 10ª comissão de Camarate possa esclarecer o que há de verdade ou desinformação nesta "alegada confissão".

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20111201

Mário Soares e o risco de reescrever a História

Mário Soares não está gagá, mas sente-se impune e, pela frente, encontra jornalistas sem memória e um povo adormecido. Por isso engana-se e ninguém dá por isso. A recente obra autobiográfica - "Um político assume-se – ensaio autobiográfico político e ideológico" contém um pequeno mas determinante erro histórico. Diz Mário Soares, na página 221, que, a 17 de Agosto de 1974, na altura em que o director-adjunto da CIA, Vernon Walters, visitou Portugal, encontrou-se com o "Presidente Costa Gomes"...



No entanto, nessa data, o Presidente da República ainda era o general António de Spínola, autor do livro "Portugal e o Futuro", editado em Fevereiro desse mesmo ano e que legitimara o general do monóculo para surgir no dia 25 de Abril como a pessoa que receberia o poder das mãos de Marcello Caetano. Spínola só deixou de ser Presidente da República cerca de um mês depois da visita do homem-forte da CIA, na sequência do fracasso da manifestação da "Maioria Silenciosa", a 28 de Setembro. Mário Soares, que era ministro dos Negócios Estrangeiros, não deveria ter deixado passar numa obra autobiográfica um erro tão óbvio, tanto mais que, poucas páginas mais à frente, menciona precisamente a demissão de Spínola. O engano, pelos vistos, também passou despercebido aos revisores da obra que, sendo assim, terão de alterar esta informação numa próxima reedição.
O maior problema do erro de Mário Soares, no entanto, é o de lançar ainda mais dúvidas em relação ao papel da CIA na Revolução portuguesa de 1974. António Spínola, que era um defensor da ideia da criação de uma Federação Lusitana com as ex-colónias, não agradava à política de independência defendida pelos EUA. Sendo assim, Costa Gomes seria o preferido dos norte-americanos. Daí que o "erro" de Soares não se trata de um "engano" da sua cabeça, pois, para a CIA e para Mário Soares, o verdadeiro "Presidente" já era Costa Gomes e não Spínola...
Foi ainda na sequência dessa visita de Vernon Walters a Portugal que ficou combinado que o embaixador dos EUA iria ser substituído. No regresso aos EUA, o chefe da CIA sugeriu ao secretário de Estado Henry Kissinger um nome para lidar com o problema português: Frank Carlucci. E foi a amizade entre Frank CarlucCIA e Mário Soares que permitiu ao líder do PS destacar-se durante o Verão Quente de 1975. Uma amizade que perdura e, exemplo disso, foi o recente encontro entre ambos, logo após as eleições legislativas, na antiga lavandaria da residência do embaixador norte-americano em Lisboa, à Lapa...



Resulta por isso estranho que Mário Soares não tenha incluído qualquer referência ao nome do "amigo americano" - Carlucci, Frank - nesta sua grossa obra autobiográfica...



E, recorde-se como facto, Frank Carlucci, depois de ter sido embaixador em Portugal, em 1978, foi nomeado director-adjunto da CIA, afinal o mesmo cargo que Vernon Walters ocupava quando visitou Portugal e, segundo e "evangelho" de Soares, encontrou-se com o "Presidente" Costa Gomes.

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20111123

Manual de Instruções para Golpes de Estado (2)

Mário Soares, fundador do PS (1973), ministro dos Negócios Estrangeiros (1974-1975), primeiro-ministro por duas vezes (1976-1978 e 1983-1985), Presidente da República por duas vezes (1986-1996), eurodeputado (1999-2004), candidato derrotado a um terceiro mandato a Belém (2006) e presidente da fundação com o seu nome, resolveu agora encabeçar um manifesto onde defende que "é o momento de mobilizar os cidadãos de esquerda que se reveem na justiça social e no aprofundamento democrático como forma de combater a crise". No dia 6 de Novembro de 1975, naquele que foi um dos mais importantes debates políticos em Portugal após o 25 de Abril de 1974, o líder comunista, Álvaro Cunhal, olhou Mário Soares nos olhos e explicou-lhe o que era uma revolução: "Uma revolução faz-se por alguém e, naturalmente, contra alguém". E Cunhal concluiu a ideia ao esclarecer que "não se pode fazer uma revolução se os órgãos de poder têm representantes desse alguém contra quem é feita essa revolução". Mário Soares, como bom democrata que é, também fitou o líder dos comunistas nos olhos e retorquiu que Álvaro Cunhal não podia excluir a vontade majoritária da população que votara a 25 de Abril de 1975 para a Assembleia Constituinte e dera apenas 15 por cento aos comunistas, enquanto o PPD de Sá Carneiro - que Cunhal queria excluir da governação - tivera mais de 20 por cento. E o líder do PC respondeu com o exemplo das perseguições aos membros do seu partido nos Açores: "Naturalmente, nestas condições, temos uma fantochada eleitoral nos Açores e depois apresenta-se o resultado majoritário daqueles que recebem os votos. Nós queremos eleições, mas não queremos essas eleições". Nos Açores, nessa mesma noite, fora assaltada, pela primeira vez, uma sede do PS, ao que o líder dos comunistas, sempre arguto, comentou: "O PS soprou bastante fogo anticomunista que ateou um pouco as chamas em que arderam as sedes do PCP, mas, enfim, talvez com a direita reaccionária fascista, dos ELP ao MDLP, de outros sectores, enfim, com a ultradireita, chegue o dia em que os próprios socialistas, que, no momento, parecem inclinar-se, na prática, objectivamente, para uma aliança com as forças da direita, acabem por ser vítimas dessas forças de direita". Álvaro Cunhal sabia que os atentados à bomba vinham da direita. Nessa noite, na Rua da Emenda, José Esteves - o presumível autor da bomba que, cinco anos mais tarde, mataria Sá Carneiro - lançou uma granada chinesa contra a sede do PS enquanto decorria o debate. "Foi Mário Soares quem pediu que fosse atacada a sede do PS", contou-me há dias o autor da façanha. O mesmo José Esteves fora um dos fundadores de uma organização terrorista que ficaria conhecida como CODECO e actuava como braço armado do CDS. José Esteves, quando foi preso pela GNR, a 18 de Novembro de 1975, era motorista de Freitas do Amaral (que esteve coligado com Mário Soares entre 1977 e 1978 e foi depois ministro dos Negócios Estrangeiros do "socialista" José Sócrates). Dias depois da eleição do actual governo de Passos Coelho, Mário Soares encontrou-se com um velho amigo: o ex-embaixador da CIA em Portugal, Frank Carlucci. Responderam com imensos sorrisos aos jornalistas embebecidos que não havia problemas neste nosso jardim, pois a democracia delineada nas águas-furtadas da residência norte-americana à Lapa, em 1975, ainda estava a funcionar. Apesar da subida do PC nas eleições e a descida do PS, o PSD - agora sem o incómodo Sá Carneiro - e o CDS (liderado por um ex-militante social-democrata), assumiam a matemática e previsível alternância "democrática". O 1089. Sendo assim, a próxima revolução não pode contar com Mário Soares, pois é precisamente contra Mário Soares e seus amigos "republicanos" e "democratas" que esta terá de ser feita.

Ver aqui o debate Soares-Cunhal, a 6 de Novembro de 1975.

Reportagem de Mário Crespo, da SIC, sobre o reencontro de Soares com Carlucci...

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20110501

Seria do bom...

... e do bonito que esta informação tivesse sido publicada na primeira página do "Expresso" com o título "Camarate - Sá Carneiro desconfiava que a CIA o andava a perseguir"...





Mas, o "critério jornalístico" determinou que ficasse apenas pelo suplemento de cultura...




E, para o caderno principal, houve apenas espaço para a informação do lançamento da obra...




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20100428

"Estado de Segredos" (4)

20091222

Alguma fartura

Como diz o ditado que não há fome que não dê em fartura, aqui ficam alguns "links" para compensar o silêncio dos últimos dias. Primeiro, podem conhecer, através da "Playboy" norte-americana, "The Man Who Conned the Pentagon". A seguir, chamo a atenção para a apresentação do livro "Terra Sonora" e o surgimento de um restaurante libanês em Lisboa, que embora ainda não conheça, tenho curiosidade em experimentar: Restaurante Fenícios. Constato ainda que "Epal junta-se a empresa israelita que viola o direito internacional" e que "Morre embaixador do golpe de 1964", Lincoln Gordon
- foi com ele, e o já falecido ex-director da CIA, Vernon Walters, que Frank Carlucci trabalhou antes de vir para Portugal.

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20090403

Portugal - Quinta de Carlucci/Carlyle

A propósito da recente notícia de que "o presidente demissionário do conselho superior da SLN Rui Machete entregou na comissão de inquérito parlamentar ao caso BPN as suas actas - que estão no arquivo da FLAD - e onde se revela que na reunião deste órgão, datada de 17 de Dezembro de 2007, José Oliveira Costa refere ter dado conhecimento ao primeiro-ministro, José Sócrates, da intenção de alienar à Carlyle uma parte do capital do grupo", chamo a atenção para vários textos que já aqui escrevi sobre os negócios do grupo Carlyle e, sobretudo, do seu principal nome para Portugal, o embaixador dos EUA e ex-chefe da CIA, Frank Carlucci...

"República Portuguesa de Carlucci, SA" - 3 de Abril de 2004.

"Carlyle fora da Galp" - 2 de Junho de 2004 (onde avisei: "Tudo bem, não houve nada para o grupo Carlyle na Galp... Só que isso deveria preocupar-nos mais, pois nem quero imaginar no que vai ser dado em troca...)".

E, mais recentemente...

"Quem vendeu Portugal" - 28 de Janeiro de 2009.

E, já agora, como acrescento, a pergunta: E o que aconteceu ao único líder português que, até hoje, fez frente a Carlucci?...

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20090128

Quem vendeu Portugal

A falta de conhecimento da História recente do país permite situações de fragilidade política como a que assistimos actualmente. Para colmatar essa falha relembro aqui a primeira página do já extinto vespertino "A Capital" do dia 3 de Março de 1975, nove dias antes do golpe militar - o 11 de Março - que deu origem à nacionalização da banca...




De notar que no plano de Carlucci/CIA (hoje grupo Carlyle e actual dono do Freeport) havia ainda a entrega de dinheiro à ala direita do PS - para evitar coligações com o PCP - e que o homem da pasta seria Vítor Constâncio, actual Governador do Banco de Portugal...

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20071020

Quando ele ainda fazia perguntas

Quero aqui esclarecer, mais uma vez, que nada de pessoal me move contra o sr. Tavares. Aliás, devo dizer que foi graças ao exemplo dele que decidi entrar no jornalismo. Era um jornalista frontal, directo, acutilante, informado, educado e com cultura. E fazia perguntas que poucos ousavam fazer...



Agora, o sr. Tavares já não faz as mesmas perguntas...



Para isso, tem de ser aqui o Frederico Duarte Carvalho - sem metade dos amigos importantes do senhor Tavares - a dizer aquilo que, afinal, o sr. Tavares sabe mas nunca nos disse...

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20070425

Alguns papéis...

O Abril que ninguém pediu