20140704

Os dinheiros da CIA para o PS

Chamaram-me há dias a atenção para uma reportagem da televisão holandesa, feita no anos passado, sobre o financiamento do PS por parte da CIA no pós-25 de Abril. Não é que o tema seja novidade ou segredo, mas esta reportagem tem testemunhos inéditos que confirmam aquilo que, até hoje, se falava como uma mera hipótese sem grande importância. Não. Foi uma coisa em grande. Há um holandês, Harry van der Bergh, que confirma ter servido de "correio" desse dinheiro e ainda uma alta individualidade norte-americana, Arthur Hartman, que afirma que o dinheiro era mesmo da CIA e está convencido de que Mário Soares sabia de onde vinha o dinheiro e houve ainda a preocupação de não o envolver directamente no esquema. Aliás, o nosso ex-Presidente da República e antigo líder do PS é também entrevistado para a reportagem da tv da Holanda. E diz: "No meio de uma revolução, quem quer saber se o dinheiro que recebe de fora é legal ou ilegal?". Pois, é verdade, quem quer saber? Por isso é que ninguém nos leva a sério no resto da Europa e mundo. A reportagem está, obviamente, na sua maior parte, em holandês. Aliás, se alguém puder dar-se ao trabalho de traduzir as declarações do "correio" holandês para português e depois partilhar aqui, ficaria imensamente grato. Há ainda uma testemunha alemã, que não compreendo tudo o que diz e, de igual modo, gostaria de ler uma tradução fiel. O que está em inglês e francês é mais acessível. Não esquecer ainda que esta reportagem confirma muito do que se disse aqui. Para ver a reportagem, ir aqui.

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20120423

25 Abril e os homens da idade da pedra

A Associação 25 de Abril que, segundo parece, será a legítima proprietária daquilo que eu achava ser de todos, diz que não vai participar nas cerimónias oficiais do 25 de Abril por discordar da política do Governo. A decisão só seria ridícula se tivesse importância, tal como idêntica atitude de Mário Soares. Afinal, este regresso dos homens de Abril à "idade da pedra" durante a vigência de um governo PSD/CDS nem sequer é novo e revela-se completamente infrutífero para a resolução dos problemas do País. Constatar isso, sinceramente, é que é uma pena...
"Expresso", 24 de Abril de 1980

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20120120

Minuto 15

20120117

O homem que não estava lá

É na página 383 da sua autobiografia política que Mário Soares não fala de Rui Mateus...



Para mim, que tanto faz, penso que Rui Mateus deve ter sido um pouco mais daquilo do que Mário Soares quer dar a entender...





Assim, o que me separa de Mário Soares não é a Democracia, mas sim o "tique" estalinista de tirar pessoas da fotografia...

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20111201

Mário Soares e o risco de reescrever a História

Mário Soares não está gagá, mas sente-se impune e, pela frente, encontra jornalistas sem memória e um povo adormecido. Por isso engana-se e ninguém dá por isso. A recente obra autobiográfica - "Um político assume-se – ensaio autobiográfico político e ideológico" contém um pequeno mas determinante erro histórico. Diz Mário Soares, na página 221, que, a 17 de Agosto de 1974, na altura em que o director-adjunto da CIA, Vernon Walters, visitou Portugal, encontrou-se com o "Presidente Costa Gomes"...



No entanto, nessa data, o Presidente da República ainda era o general António de Spínola, autor do livro "Portugal e o Futuro", editado em Fevereiro desse mesmo ano e que legitimara o general do monóculo para surgir no dia 25 de Abril como a pessoa que receberia o poder das mãos de Marcello Caetano. Spínola só deixou de ser Presidente da República cerca de um mês depois da visita do homem-forte da CIA, na sequência do fracasso da manifestação da "Maioria Silenciosa", a 28 de Setembro. Mário Soares, que era ministro dos Negócios Estrangeiros, não deveria ter deixado passar numa obra autobiográfica um erro tão óbvio, tanto mais que, poucas páginas mais à frente, menciona precisamente a demissão de Spínola. O engano, pelos vistos, também passou despercebido aos revisores da obra que, sendo assim, terão de alterar esta informação numa próxima reedição.
O maior problema do erro de Mário Soares, no entanto, é o de lançar ainda mais dúvidas em relação ao papel da CIA na Revolução portuguesa de 1974. António Spínola, que era um defensor da ideia da criação de uma Federação Lusitana com as ex-colónias, não agradava à política de independência defendida pelos EUA. Sendo assim, Costa Gomes seria o preferido dos norte-americanos. Daí que o "erro" de Soares não se trata de um "engano" da sua cabeça, pois, para a CIA e para Mário Soares, o verdadeiro "Presidente" já era Costa Gomes e não Spínola...
Foi ainda na sequência dessa visita de Vernon Walters a Portugal que ficou combinado que o embaixador dos EUA iria ser substituído. No regresso aos EUA, o chefe da CIA sugeriu ao secretário de Estado Henry Kissinger um nome para lidar com o problema português: Frank Carlucci. E foi a amizade entre Frank CarlucCIA e Mário Soares que permitiu ao líder do PS destacar-se durante o Verão Quente de 1975. Uma amizade que perdura e, exemplo disso, foi o recente encontro entre ambos, logo após as eleições legislativas, na antiga lavandaria da residência do embaixador norte-americano em Lisboa, à Lapa...



Resulta por isso estranho que Mário Soares não tenha incluído qualquer referência ao nome do "amigo americano" - Carlucci, Frank - nesta sua grossa obra autobiográfica...



E, recorde-se como facto, Frank Carlucci, depois de ter sido embaixador em Portugal, em 1978, foi nomeado director-adjunto da CIA, afinal o mesmo cargo que Vernon Walters ocupava quando visitou Portugal e, segundo e "evangelho" de Soares, encontrou-se com o "Presidente" Costa Gomes.

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20111123

Manual de Instruções para Golpes de Estado (2)

Mário Soares, fundador do PS (1973), ministro dos Negócios Estrangeiros (1974-1975), primeiro-ministro por duas vezes (1976-1978 e 1983-1985), Presidente da República por duas vezes (1986-1996), eurodeputado (1999-2004), candidato derrotado a um terceiro mandato a Belém (2006) e presidente da fundação com o seu nome, resolveu agora encabeçar um manifesto onde defende que "é o momento de mobilizar os cidadãos de esquerda que se reveem na justiça social e no aprofundamento democrático como forma de combater a crise". No dia 6 de Novembro de 1975, naquele que foi um dos mais importantes debates políticos em Portugal após o 25 de Abril de 1974, o líder comunista, Álvaro Cunhal, olhou Mário Soares nos olhos e explicou-lhe o que era uma revolução: "Uma revolução faz-se por alguém e, naturalmente, contra alguém". E Cunhal concluiu a ideia ao esclarecer que "não se pode fazer uma revolução se os órgãos de poder têm representantes desse alguém contra quem é feita essa revolução". Mário Soares, como bom democrata que é, também fitou o líder dos comunistas nos olhos e retorquiu que Álvaro Cunhal não podia excluir a vontade majoritária da população que votara a 25 de Abril de 1975 para a Assembleia Constituinte e dera apenas 15 por cento aos comunistas, enquanto o PPD de Sá Carneiro - que Cunhal queria excluir da governação - tivera mais de 20 por cento. E o líder do PC respondeu com o exemplo das perseguições aos membros do seu partido nos Açores: "Naturalmente, nestas condições, temos uma fantochada eleitoral nos Açores e depois apresenta-se o resultado majoritário daqueles que recebem os votos. Nós queremos eleições, mas não queremos essas eleições". Nos Açores, nessa mesma noite, fora assaltada, pela primeira vez, uma sede do PS, ao que o líder dos comunistas, sempre arguto, comentou: "O PS soprou bastante fogo anticomunista que ateou um pouco as chamas em que arderam as sedes do PCP, mas, enfim, talvez com a direita reaccionária fascista, dos ELP ao MDLP, de outros sectores, enfim, com a ultradireita, chegue o dia em que os próprios socialistas, que, no momento, parecem inclinar-se, na prática, objectivamente, para uma aliança com as forças da direita, acabem por ser vítimas dessas forças de direita". Álvaro Cunhal sabia que os atentados à bomba vinham da direita. Nessa noite, na Rua da Emenda, José Esteves - o presumível autor da bomba que, cinco anos mais tarde, mataria Sá Carneiro - lançou uma granada chinesa contra a sede do PS enquanto decorria o debate. "Foi Mário Soares quem pediu que fosse atacada a sede do PS", contou-me há dias o autor da façanha. O mesmo José Esteves fora um dos fundadores de uma organização terrorista que ficaria conhecida como CODECO e actuava como braço armado do CDS. José Esteves, quando foi preso pela GNR, a 18 de Novembro de 1975, era motorista de Freitas do Amaral (que esteve coligado com Mário Soares entre 1977 e 1978 e foi depois ministro dos Negócios Estrangeiros do "socialista" José Sócrates). Dias depois da eleição do actual governo de Passos Coelho, Mário Soares encontrou-se com um velho amigo: o ex-embaixador da CIA em Portugal, Frank Carlucci. Responderam com imensos sorrisos aos jornalistas embebecidos que não havia problemas neste nosso jardim, pois a democracia delineada nas águas-furtadas da residência norte-americana à Lapa, em 1975, ainda estava a funcionar. Apesar da subida do PC nas eleições e a descida do PS, o PSD - agora sem o incómodo Sá Carneiro - e o CDS (liderado por um ex-militante social-democrata), assumiam a matemática e previsível alternância "democrática". O 1089. Sendo assim, a próxima revolução não pode contar com Mário Soares, pois é precisamente contra Mário Soares e seus amigos "republicanos" e "democratas" que esta terá de ser feita.

Ver aqui o debate Soares-Cunhal, a 6 de Novembro de 1975.

Reportagem de Mário Crespo, da SIC, sobre o reencontro de Soares com Carlucci...

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20100613

Reflexões com 25 anos de atraso

Celebraram-se ontem, sábado, no Mosteiro dos Jerónimos, os 25 anos da assinatura da entrada de Portugal na Comunidade Europeia...




Foi um momento de palavras solenes e de "solidariedade". E recordou-se as primeiras páginas dos jornais da altura, como este exemplo...



Mas, poucos se devem ter lembrado que foi no dia seguinte a esta assinatura que Cavaco Silva acabou com o "Bloco Central". Cavaco Silva, caso não tenham reparado, é o actual Presidente da República e ex-professor de Economia que, um dia, quando era primeiro-ministro, disse que Portugal era "o bom aluno da Europa". E é o mesmo que anda agora a apelar à união nacional para combater a crise europeia...



Entretanto, descobri este livro na minha biblioteca pessoal...



Onde, da conclusão final, destaco: "Era preciso que uma certa Europa se fizesse porque servia os interesses dos grupos multinacionais. Era preciso que as fronteiras se entreabrissem, que as mesmas normas técnicas pudessem ser impostas nos diferentes países. Mas não mais. Teria sido perigoso para os grupos multinacionais que se instalasse em Buxelas um poder político forte, capaz de lhes fazer face, de os impedir de ditar a sua lei"...



E quando é que este livro foi editado em Portugal? Teria sido antes ou depois da assinatura da entrada de Portugal? Foi antes... Nove anos antes...



Depois não digam que não fomos avisados...

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20100531

"Olhe que não! Olhe que não!"

Na noite de quinta-feira, 6 de Novembro de 1975, Mário Soares e Álvaro Cunhal protagonizaram o mais intenso e histórico debate televisivo que há memória em Portugal. Foram quase quatro horas de troca de argumentos em directo. Hoje, o que retemos na memória colectiva é Álvaro Cunhal a garantir a Mário Soares que o PCP não iria lutar por uma ditadura de esquerda - "Olhe que não! Olhe que não!" -, mas o debate foi muito mais do que isso. Existem algumas imagens desse confronto no "You Tube", mas uma versão integral - a edição de um DVD comemorativo, no melhor exemplo da entrevista "Frost-Nixon" original - não parece estar estar nos planos da TV pública. Felizmente, o extinto "Diário de Lisboa", consciente de que aquele fora um momento histórico, publicou dias depois, a 8 de Novembro, a transcrição do confronto político. É um documento único da nossa história contemporânea. Numa altura em que se discutia a união entre o PS e PCP, a dias da independência da última colónia portuguesa, Angola, o país vivia uma instabilidade social única. Escassos vinte dias após o debate acontecia o 25 de Novembro. E o país "entrava nos eixos"... Hoje, precisamos de novos heróis políticos...

















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20100428

"Estado de Segredos" (4)

20091118

Mário "Comezinhos" Soares

20090826

Soares, o virgem da política

Na crónica de ontem no "DN", o ex-Presidente da República, Mário Soares, esclarece que não respondeu aos pedidos dos jornalistas para prestar declarações sobre "um hipotético conflito institucional, divulgado por gente anónima", que facilmente se percebe ser o caso das escutas em Belém. O ex-Presidente tem uma qualidade única que lhe permite parecer ser a mais despudorada das virgens políticas nacionais. Soares afirma que não quis "alimentar" o conflito apenas porque "não é elegante dirigir críticas aos seus sucessores", além do "dever de reserva" que a qualidade de membro do Conselho de Estado lhe impõe. Tenho pena de quem acredita sinceramente nisto – tanto mais que na mesma crónica, o ex-Presidente diverte-se a criticar a prestação da candidata a primeira-ministra social-democrata durante a última entrevista que deu ao Canal do Estado.

Para perceber como Soares não nenhuma virgem política nisto de escutas em Belém e de ataques institucionais, recorde-se o ano de 1994. Em Março, o socialista António Guterres acabava de ser reeleito secretário-geral do PS e faltava um ano e meio para as eleições legislativas de 1995, mas em Belém, o antigo secretário-geral do PS e então Presidente da República, Mário Soares, movimentava a sua esfera de influências contra o então primeiro-ministro social-democrata, Cavaco Silva.

Em Abril desse ano foi detectado um microfone escondido no soalho do gabinete do então Procurador-Geral da República, Cunha Rodrigues. O caso lançou ondas de alerta que chegaram aos corredores do Palácio de Belém. O então Presidente da República colocou literalmente os seus assessores de traseiro para o ar à procura de microfones escondidos em aparelhos de telefone ou gravadores “esquecidos” em alguma gaveta ou debaixo de alguma secretária. Guterres não quis perder o comboio e foi para os jornais dizer que também achava que estava a ser escutado.

Diga-se de passagem que Cavaco Silva até que teria bons motivos para conhecer as conversas do Presidente da República, pois temia que o ocupante da cadeira de Belém pedisse a dissolução da Assembleia da República. Mário Soares levava a cabo pequenos actos públicos de destabilização do Governo, como a "Presidência Aberta" dedicada ao Ambiente e Qualidade de Vida, no início de Abril, ou ainda o facto de que, em Maio, realizava-se o congresso "Portugal Que Futuro?". Este último evento foi um desfilar de críticas contra o então governo de maioria absoluta do PSD e, apesar de não ter contado com a presença ou apoio explícito do Presidente da República, teve a participação activa de conhecidas figuras públicas próximas da área "soarista". O suficiente para dar a entender que quem mandava no congresso era Belém.

Recorde-se que foi também nesse ano que o então director do SIS, Ladeiro Monteiro, abandonou a direcção da secreta em conflito com o ministro Dias Loureiro. O mesmo Dias Loureiro que há meses teve de abandonar o lugar de Conselheiro de Estado em Belém depois de o seu nome ter sido envolvido no escândalo do BPN.

O Verão de 1994 viu ainda o PS a vencer as eleições para o Parlamento Europeu, garantindo assim a legitimidade de António Guterres como líder da Oposição e cada vez mais próximo da vitória nas eleições gerais de Outubro de 1995. Outro factor que, a 24 de Junho de 1994, contribuiu para o fim do cavaquismo foi a carga policial contra os manifestantes da Ponte 25 de Abril. O Presidente da República, ao mencionar depois o "direito à indignação", colocava mais lenha na fogueira política que fazia Cavaco Silva arder "em lume brando". O ano político de 1994 ainda veria, em Outubro, o PS a convocar os "Estados Gerais" e, no início de Dezembro, Mário Soares usava o termo "ditadura de maioria" durante uma entrevista ao mesmo "DN" onde hoje escreve crónicas. Pedro Santana Lopes, actual candidato do PSD à Câmara de Lisboa e ex-primeiro-ministro, foi então o primeiro a perceber que o barco estava a afundar-se e, quatro dias antes do Natal de 1994, demitiu-se do cargo de Secretário de Estado da Cultura.

Texto originalmente publicado no blogue Eleições 2009.

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20090818

Lembrar 1994 ou o que o "Público" não disse...



"Presidência da República teme estar a ser vigiada"... Desculpem lá os senhores do "Público" - não, não é "perseguição" - mas acho que faltou neste texto lembrar que, quando Cavaco Silva era primeiro-ministro e o Presidente era Mário Soares, também se falou que poderia haver escutas em Belém. Foi em 1994, na altura em que se encontrou um microfone no gabinete do Procurador-Geral da República, Cunha Rodrigues (26 de Abril). Era uma fase política muito sensível já que se aproximavam as eleições europeias (12 de Junho) e em Belém discutia-se uma possível dissolução da AR. Dias antes da descoberta do microfone na PGR, Soares acabara de fazer uma "Presidência Aberta" dedicada ao Ambiente e Qualidade de Vida, um bom pretexto para o Presidente levantar críticas ao primeiro-ministro e influenciar resultados eleitorais a favor de António Guterres - reeleito secretário-geral do PS a 13 de Março desse mesmo ano. Depois, a 24 de Junho, deu-se a carga policial sobre os manifestantes na ponte 25 de Abril, e começava a contagem decrescente do cavaquismo...

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20090406

Rostos do passado

Parece que o ex-secretário-geral do PS, ex-Primeiro-Ministro, ex-Presidente da República, ex-eurodeputado e actual presidente da Fundação Mário Soares, Mário Soares, criticou a reeleição de Durão Barroso ao cargo de presidente da Comissão Europeia dizendo, e sem que soasse a ironia, que "é um homem inteligente, mas é um rosto do passado"...
Soares tem toda a razão, pois Barroso há muito que anda na política...



Embora ache parolo defender a reeleição de Durão Barroso apenas porque é português, lembro que até foi a líder do PSD que um dia disse que a eleição de Barroso para a Comissão Europeia só foi boa para ele...



E sobre Soares... Há muito que apontei as suas responsabilidades no passado, reveladora da presente hipocrisia, onde também posso dizer sobre ele que "é um homem inteligente, mas é um rosto do passado"...

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20090211

Mais do Soares

"Espero que se saiba o que se passou no BPP e no BPN. Tudo tem de ser esclarecido. É preciso transparência no País, senão é impossível haver confiança. Isso gera revolta - e não estamos imunes que isso aconteça em Portugal. Há alguns generais, dois que eu me lembre dois, que já dizeram que é preciso cuidado com as Forças Armadas porque há um certo mal-estar".

Se o socialista ex-primeiro-ministro, ex-Presidente da República, ex-eurodeputado e ex-candidato a Presidente da República Mário Soares quer saber, qual virgem ofendida, o que se passa no BPP e BPN, é porque provavelmente saberá que não se passará nada que possa atingir directamente pessoas da sua "família" política, mas sim os membros de uma outra "família republicana"... Também quando um Republicano fala em mal-estar nas Forças Armadas, apenas lhe indico que só em ditadura é que a Forças Armadas não estão do lado do povo. Ou seja, e usando palavras suas, existe um "défice democrático"... Será que é disso que Mário Soares nos queria avisar?

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20081230

Ética Republicana

20081217

Diz não há crise

20081216

Caramba, até parece que ele nunca foi primeiro-ministro, Presidente da República e Eurodeputado

"Mas o povo pergunta: e as roubalheiras, ficam impunes? E o sistema que as permitiu - os paraísos fiscais -, os chorudos vencimentos (multimilionários) de gestores incompetentes e pouco sérios, ficam na mesma?

(...) E querem depois o voto desses mesmos eleitores, sem os informar seriamente nem esclarecer? É demais! É sabido: quem semeia ventos colhe tempestades...

(...) Nas ruas e universidades da Grécia, há vários dias, os estudantes manifestam-se violentamente, atiram pedras contra a polícia, incendeiam automóveis, provocam distúrbios. Indignação ou houve o pretexto de a polícia ter matado um estudante? Não são, contudo, jovens marginais, filhos de imigrantes, habitantes de bairros problemáticos, como sucedeu, há meses, em França. São filhos da burguesia que está a ser muito afectada com a crise.

(...) Quando há uma crise latente, que fere em consciência as classes médias, qualquer pretexto serve para gerar a revolta.

(...) Portugal também não deve ficar indiferente. Com as desigualdades sociais sempre a crescer, o aumento do desemprego que previsivelmente vai subir imenso, em 2009, a impunidade dos banqueiros delinquentes, o bloqueio na Justiça, e em especial, do Ministério Público e das polícias, estão a criar um clima de desconfiança - e de revolta - que não augura nada de bom. Oiçam-se as pessoas na rua, tome-se o pulso do que se passa nas universidades, nos bairros populares, nos transportes públicos, no pequeno comércio, nas fábricas e empresas que ameaçam falir, por toda a parte do País, e compreender-se-á que estamos perante um ingrediente que tem demasiadas componentes prestes a explodir. Acrescenta-se o radicalismo das oposições, à esquerda e à direita, que apostam na política do 'quanto pior melhor'. Perigosíssima, quando não se apresentam alternativas credíveis..."

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20081103

Soares é Panda

Se Soares é fixe...



... e se a nova publicidade ao canal Panda diz o mesmo sobre o dito canal infantil...



... isto significa que Soares prepara uma nova candidatura a Belém e está já a trabalhar para ganhar apoios entre os mais pequenos...
Esperto...

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20080621

Quiz do "Bloco Central"

Segundo uma avisada análise política, Cavaco Silva, "depois de ter sido o coveiro do Bloco Central, pode ser o responsável por ressuscitá-lo, a melhor forma de garantir a reeleição". Seria interessante, por isso, analisar a história do "Bloco Central", como começou e como acabou. Portanto, para começar, aqui vão duas perguntas de Quiz:

1 - Em que data é que Mário Soares e Mota Pinto criaram o "Bloco Central"?



2 - Em que data é que Cavaco Silva anunciou a Mário Soares o fim do "Bloco Central"?



As respostas podem ser enviadas para o e-mail deste blog e haverá um prémio para o primeiro leitor que acertar nas duas datas. Não contam respostas deixadas na caixa de comentários.

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20080521

Assim se fez história

Fui ao lançamento do livro "Fidel", do ex-embaixador de Portugal em Cuba, José Fernandes Fafe.



Conheci o autor do livro quando, em 1996, juntamente com o filho, José Paulo Fafe, tive o prazer e a honra de trabalhar com ambos em Cuba, durante um mês, na produção do documentário "O Enigma Cubano".
O embaixador Fernandes Fafe foi o primeiro representante diplomático português na ilha de Fidel após o 25 de Abril de 1974. O ministro do Negócios Estrangeiros era Mário Soares, amigo pessoal de Fernandes Fafe - ambos, inclusive, tinham visitado a ilha de Fidel em 1963. Clandestinos.
Durante a cerimónia de lançamento do livro, na Fundação Mário Soares, o autor convidou alguns protagonistas das histórias sobre os anos pós-revolução em que foi "O Nosso Agente em Havana", ou, como diz com o ar diplomático que o caracteriza, "O Vosso Agente em Havana". Uma dessas histórias conhecia-a em 1996 e dei até uma ajuda como jornalista para que a verdade fosse esclarecida.
Reza a lenda que, em finais de Julho de 1975, Fidel Castro recebeu Otelo Saraiva de Carvalho durante as celebrações do aniversário do assalto ao quartel da Moncada - o 26 de Julho. Otelo era então o homem forte do COPCON e Fidel pediu que mandasse uma mensagem ao Presidente da República, Costa Gomes. Era uma mensagem histórica. O líder cubano queria saber qual seria a reacção dos portugueses se os cubanos enviassem militares para Angola, respondendo assim a um pedido de Agostinho Neto, líder do MPLA. Recorde-se que, no Verão Quente de 1975, havia um risco de Guerra Civil em Portugal. A ponte aérea de Angola estava a começar e Lisboa enchia-se de retornados. Mas, a Independência de Angola só seria efectiva no dia 11 de Novembro...
Segundo aquilo que sempre se disse, Costa Gomes nunca terá recebido essa mensagem. Otelo, contudo, garantiu que a transmitira. Falei uma vez com Costa Gomes, que também me repetiu e garantiu que nunca recebera a mensagem de Otelo.
Fidel Castro esperou por uma resposta até que, num certo dia de meados de Setembro, e numa atitude complemente inédita ao nível das relações entre Estados, deslocou-se pessoalmente à chancelaria portuguesa em Havana onde o embaixador Fernandes Fafe terminava despreocupadamente um qualquer ofício.
O líder cubano entrou porta da chancelaria portuguesa e, no meio de uma confusão de pobreza franciscana, com cadeiras a ameaçar cair (o embaixador, surpreso, sentado em caixotes), o líder cubano disse a Fernandes Fafe que esperava a resposta a uma mensagem que enviara por Otelo - sem especificar o teor da mesma - e que precisava urgentemente da posição oficial de Portugal.
Fernandes Fafe voou para Lisboa, transmitiu a questão de Fidel a Melo Antunes, então ministro dos Negócios Estrangeiros, e este mandou-o esperar pela resposta. Demorou exactamente uma semana até que lhe chegasse algo: "Olhe, conto com o seu talento. Não há resposta", disse Melo Antunes ao embaixador.
Fernandes Fafe regressou a Havana e pediu um encontro com Fidel Castro. Demoraram a conceder-lhe um audiência. O embaixador não insistiu, os cubanos já estavam a caminho de Angola. Sem esperar.
Dias antes da independência, travando assim a entrada em Luanda das tropas da UNITA, apoiadas pelos sul-africanos.
Otelo, no lançamento do livro, explicou que dissera então a Fidel que, em Portugal, ninguém iria ajudar o MPLA a nível militar e a ordem era "nem mais um soldado para as colónias". Por isso, ele, Fidel, em nome do internacionalismo, deveria mandar soldados cubanos para Angola: "Têm aí elemento negros que podem passar por angolanos. Falam espanhol, é certo, mas chegados a Angola, ficam mudos", terá dito o militar de Abril ao líder cubano. Quanto a Costa Gomes, Otelo garante que falou com ele, depois de um Conselho da Revolução, às seis da manhã, assim que chegou de Cuba.
Mário Soares, por sua vez, justificou a atitude de Costa Gomes em negar-se alguma vez a reconhecer ter recebido tal mensagem - que, vista à luz da época, implicaria uma cedência oficial de Portugal - como uma atitude "inteligente". Ele sabe bem como se faz história, pois também já foi Presidente da República.


(Peço desculpa da fraca qualidade de som e imagem da gravação, mas isto serve para pelo menos lembrar-me das palavras de Otelo sobre esta história)

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