20130415

Louçã sabe que eu sei

Francisco Louçã, agora que deixou de ser deputado, começou a dizer coisas que não dizia. Agora, diz o que realmente sabe e pensa ou, em alternativa, tornou-se numa pessoa "irresponsável", adepta de "teorias da conspiração". Explique-se: a minha mais recente obra fala sobre a morte de Sá Carneiro, onde aponto o tráfico de armas para o Irão como o provável móbil para um atentado. Isso está a ser investigado na Assembleia da República, onde fui testemunhar há cerca de um mês. Fiz ver aos deputados da Nação que, em 1980, era proibido vender armas para o Irão, pois havia um embargo internacional devido à crise dos reféns de Teerão. Ainda hoje se suspeita, nos EUA, que o então ex-director da CIA e candidato a vice-Presidente dos EUA, George Bush (pai), teria negociado secretamente, em Paris, durante o fim-de-semana de 18 e 19 de Outubro de 1980, o envio de armas para o Irão de modo a que os iranianos pudessem combater contra o Iraque de Saddam Hussein. A guerra Irão-Iraque começara um mês antes e viria a prolongar-se até 1989. Em troca, os iranianos atrasariam a libertação dos reféns até ao dia das eleições presidenciais nos EUA, que teriam lugar daí a um mês, a 4 de Novembro de 1980. Foi assim que Jimmy Carter não conseguiu ser reeleito e George Bush tornou-se vice-Presidente, depois Presidente e, mais tarde, pai de Presidente (ainda poderá vir a ser avô de Presidente...). Frisei que a morte de Sá Carneiro, a 4 de Dezembro de 1980, ocorreu depois das eleições, mas também antes da libertação dos reféns de Teerão, facto que só veio a acontecer no dia da tomada de posse de Reagan como Presidente, ou seja, no dia 20 de Janeiro de 1981. Falei ainda do negócio do tráfico de armas durante os anos Reagan/Bush e que deram origem ao chamado escândalo "Irangate", que teve ramificações em Portugal. Fiz ainda notar aos deputados da Xª Comissão de Camarate para o facto de George Bush ser muito amigo do actual Presidente da República de Portugal, Cavaco Silva, a ponto de ter sido um dos convidados de honra da tomada de posse de Cavaco em 2006. Era ainda uma amizade que remontava ao ano de 1986, altura do tráfico de armas por Portugal. São factos que mereciam ser debatidos muitos antes de eu ter sido obrigado a escrever o meu livro. Mas, por exemplo, nunca ouvi nada da parte do Bloco de Esquerda sobre estes factos. Se calhar não sabiam de nada. Nunca vi nada escrito por Francisco Louçã sobre estes factos - e, se o fez, lamento mas nunca os vi. Se, entretanto, alguém quiser elucidar-me ou desmentir qualquer acusação de deslealdade intelectual da minha parte, por favor, diga-me e reconhecerei humildemente o erro. Agora, vi que o ex-deputado Francisco Louçã é autor de um livro "Isto é um Assalto" , feito em conjunto com Mariana Mortágua e com ilustrações de Nuno Saraiva. Depois de ter lida uma das Bandas Desenhadas que está na obra, considero que Francisco Louçã, afinal, já sabia tudo aquilo que fui dizer. Porquê? Porque agora eu tenho a certeza que ele sabe o que eu também sei. Ele sabe que Bush pai foi chefe da CIA. Ele sabe que Sá Carneiro morreu em 1980. Ele sabe que havia tráfico de armas para o Irão e que isso passou por Portugal. Ele sabe qual era o banco que servia para esses negócios. E ele sabe que Bush esteve na tomada de posse de Cavaco. Ele sabe isso e muito mais. Mas nunca o disse como deputado. Prefere "esconder" aquilo que sabe numa Banda Desenhada. Nunca se comprometeu, enquanto deputado, pela denúncia ou pela divulgação pública destes factos. Para mim, a BD é uma arte nobre, muito importante do ponto de vista da Comunicação. Mas, para Francisco Louçã, parece ser uma coisa menor, para crianças, onde, aparentemente, pode dizer o que quiser sem risco de dissabores. Pode dizer o que nunca disse no Parlamento. Mas, agora fica aqui o registo que eu sei que ele sabe...











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20071020

Quando ele ainda fazia perguntas

Quero aqui esclarecer, mais uma vez, que nada de pessoal me move contra o sr. Tavares. Aliás, devo dizer que foi graças ao exemplo dele que decidi entrar no jornalismo. Era um jornalista frontal, directo, acutilante, informado, educado e com cultura. E fazia perguntas que poucos ousavam fazer...



Agora, o sr. Tavares já não faz as mesmas perguntas...



Para isso, tem de ser aqui o Frederico Duarte Carvalho - sem metade dos amigos importantes do senhor Tavares - a dizer aquilo que, afinal, o sr. Tavares sabe mas nunca nos disse...

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20070925

Como se rouba um país...

São só negócios. Há os negócios da madeira, os negócios das pedreiras...





(Imagens aéreas das pedreiras da Serra da Arrábida, às portas de Lisboa. O líder do Bloco de Esquerda denunciou o caso e foi viajar hoje de helicóptero para mostrar à Imprensa as "chagas" da exploração desenfreada. Acabou por ser a última notícia do dia no canal do Estado. Como se fosse uma nota curiosa. A anedota do dia...).

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20070614

Para guardar e recordar...

20051211

Apenas para o meu arquivo...

Esta, ainda foi a única referência a um dado que já dei conta e considero de alguma importância em relação a muito do que tenho escrito e está, como se viu, bastante actual... E, para que depois não desapareça nas teias da "net" ou da nossa memória colectiva, aqui fica o registo visual do meu arquivo pessoal...



P.S. Entretanto, vi que no site oficial da candidatura de Francisco Louçã está uma cópia vídeo do debate. A situação em concreto desenvolve-se está entre os minutos 25 e 27 da segunda parte. Verifiquem pelos vossos próprios olhos e ouvidos!

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20051210

As armas para o Irão que Cavaco não deixou passar por Lisboa

Ontem, no debate Presidencial entre Cavaco Silva e Francisco Louçã, o antigo primeiro-ministro, mostrando que era uma pessoa independente de pressões, vangloriou-se de ter impedido o uso do aeroporto de Lisboa para o envio de armas norte-americanas de Israel para o Irão. Uma operação no âmbito do escândalo "Irangate" e que, inclusive, ele menciona no primeiro volume da sua autobiografia política.



Louçã calou-se.
Admito que Louçã não saiba que as armas não passaram em Lisboa devido ao nevoeiro que obrigou ao fecho do aeroporto da Portela no dia 22 de Novembro de 1985.



Contudo, creio que Louçã não deveria ter-se esquecido de dizer que, em Março de 1987, foi aprovado um inquérito parlamentar ao negócio do "Irangate" por Portugal que, no entanto, nunca chegou a realizar-se devido à dissolução do Parlamento por parte do Presidente Mário Soares e posterior obtenção da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva.
É pena haver políticos que sabem e calam apenas porque têm medo de deixar de comer da gamela da porca da República...



P.S. Se qualquer dia Louçã disser-vos que não sabia nada disto, então é pior. Significa que anda mal rodeado, pois um qualquer seu assessor político deveria ter-lhe feito um recorte da minha crónica da semana passada na "Focus" e não fez...

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