20100616

As fotos de Bilderberg





E uma entrevista a Daniel Estulin na rotunda - e sim, o gajo que lhe está a fazer perguntas num péssimo inglês sou eu...

Etiquetas: , , ,

20100615

Bilderberg no "O Diabo"

O semanário "O Diabo" publica hoje uma crónica de minha autoria sobre o mais recente encontro do Clube Bilderberg. Vale a pena comprar a edição em papel e guardar. Entretanto, fica aqui a versão integral do texto:

Ao encontro de Bilderberg

Frederico Duarte Carvalho
em Sitges, Barcelona

Os “senhores do mundo” reuniram-se no início deste mês em Sitges, perto de Barcelona. Este é o relato de quem lá foi e ficou à porta

Agora já posso dizer que estive num encontro do Clube de Bilderberg. Pelo menos, até onde me deixaram ir: até junto do apertado cordão de segurança policial. Ao fim de quase 10 anos a escrever sobre este clube restrito, onde apenas os políticos convidados têm assento junto dos grandes empresários multinacionais, tive finalmente a oportunidade de me aproximar: o encontro deste ano teve lugar em Sitges, perto de Barcelona, aqui mesmo ao lado.
Em 1999 a reunião foi em Sintra, mas confesso que, nessa altura, ainda não estava suficientemente familiarizado com a importância destes encontros. Para mim, não havia mal nenhum no facto de um grupo de políticos se reunir com alguns empresários. Afinal, é esse o trabalho de cada um. Na era moderna chama-se a isso “lobby” ou “grupos de pressão” e são perfeitamente legais e regulamentados.
Contudo, comecei a suspeitar de que talvez houvesse alguma razão nos protestos daqueles que desconfiavam desses encontros. E por uma única razão: eram à porta fechada, sem o devido escrutínio posterior na Comunicação Social e também sem direito a uma conferência de Imprensa no final. Aí comecei a torcer o nariz, pois pareceu-me – como jornalista que sou – que havia nesta atitude algo que não estava de acordo com o que é transparente.
“A privacidade destes encontros não tem outra intenção senão a possibilidade dos seus intervenientes poderem falar abertamente e com franqueza”, explica-se num recente endereço electrónico “oficial” da organização criada em 1954 no hotel Bilderberg, na Holanda - http://bilderbergmeetings.org. Por esta ordem de ideias, confirma-se que quer políticos, quer empresários, não são francos nem honestos quando falam em público. E como também afirmam que não há lugar a um comunicado de Imprensa ou declarações à saída que os vinculem a decisões, nem sequer vale a pena aos jornalistas lá aparecerem a bater à porta. Também se diz que, como há patrões da Imprensa presentes nestes encontros, não faz sentido pensarmos que os membros do Clube Bilderberg estejam a preparar uma conspiração terrível contra a humanidade – uma das teorias defende, por exemplo, que os membros do Clube trabalham no sentido de criarem condições a uma redução drástica da população mundial, pois os recursos naturais estão a chegar ao fim. Entre os donos de órgãos de Comunicação Social mais próximos de nós que estão sempre presentes nestes encontros, destacam-se o ex-primeiro-ministro português Pinto Balsemão, dono da SIC...



... e o seu compadre espanhol Juan Luis Cébrian, actualmente dono da TVI. Mas, a nível internacional, também há quem represente o diário norte-americano “Washington Post” e a influente revista de economia internacional “The Economist”. Estranhamente, algo me diz que, ainda assim, deveria estar realmente preocupado com o conteúdo das conversas e das amizades forjadas em Bilderberg. Acho até que teria bem mais interesse conhecer as suas conversas do que as escutas entre Armando Vara e José Sócrates.
Quem não tenha participado activamente nos encontros não pode dizer com a certeza absoluta o que se passou lá dentro, pois os intervenientes estão proibidos de falar publicamente sobre os assuntos em debate. É uma regra do clube. Não é que as reuniões ou os encontros sejam “secretos”, pois por definição só é secreto aquilo que não se sabe que existe. E Bilderberg, sabe-se, existe mesmo. Há, inclusive, jornalistas que escrevem livros e alimentam blogues com informações que, alegadamente, saem de lá de dentro.
Um desses jornalistas é um conhecido meu. Jantei com ele uma vez no Porto e chama-se Daniel Estulin, filho de um agente secreto russo, cidadão canadiano a viver há anos em Espanha. É autor de vários livros – dois editados entre nós – e publicou recentemente uma ficção, “Conspiração Polvo”: “Diz-se que os membros do Clube Bilderberg querem criar uma Nova Ordem Mundial. Não é verdade. O que eles pretendem é a criação de um Governo Mundial Único”, afirma Estulin. E ele costuma estar certo em muitas coisas. Foi ele que me disse que o petróleo iria subir para os 150 dólares o barril numa altura em que andava perto dos 40 dólares. Quando a crise rebentou, ouvi um director de um reputado jornal de economia nacional que até poderia chegar aos 200 dólares. Mas, garante Estulin, são tudo medidas “fictícias”. Destinadas a manter-nos na crise, enquanto os membros do grupo Bilderberg ganham cada vez mais poder. E Estulin também lá estava, como eu, a assistir ao encontro, numa rotunda, à torreira do sol, atrás do cordão policial montado na via de acesso ao hotel Dolce, onde durante quatro dias – entre 3 e 6 de Junho – se reuniram os cerca de 120 membros do clube.
Juntaram-se ainda uma série de jornalistas e activistas anti-globalização, que iam desde o Reino Unido, Espanha, Suíça, Alemanha, Rússia, EUA e Roménia. Em comum, um propósito: confirmar quem iria participar na reunião e fotografá-los à entrada ou à saída, no interior dos carros de alta cilindrada em que se faziam transportar – alguns identificados com uma misteriosa letra “K”, talvez em honra de um dos mais altos impulsionadores destes encontros, o ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger.
Paulo Rangel, o eurodeputado do PSD e ex-candidato a líder dos sociais-democratas, também esteve lá, fechado no hotel, sem poder vir beber um copo num bar local – isto por razões de segurança. Só não se percebe se por haver a ameaça real de alguém querer fazer-lhe mal ou se para evitar que ele fizesse mal a alguém. A única confissão que Rangel acabaria por fazer (ao diário “i”) sobre o encontro foi a de que ficou positivamente “impressionado” por ter almoçado ao lado de Kissinger, pessoa que agora considera “brilhante”.
Não sabemos, entretanto, se Rangel teve a oportunidade de perguntar a Kissinger o que realmente veio ele fazer a Portugal a 2 de Outubro de 1980. Conforme contou na sua autobiografia o coronel Hugo Rocha – ex-chefe de Gabinete do então ministro da Defesa, Amaro da Costa –, o norte-americano teria vindo falar secretamente com o nosso governante sobre a venda de armas de Portugal ao Irão. Dois meses depois acontecia Camarate, e ainda hoje subsistem suspeitas de que, a ter havido atentado, um dos prováveis motivos seria precisamente a investigação de Amaro da Costa ao tráfico de armas para o Irão.
Teria sido, assim, uma boa oportunidade para Rangel conhecer a opinião de Kissinger sobre o assunto. Tanto mais que em Camarate, caso Rangel não se recorde – é jovem – também morreu Sá Carneiro, então primeiro-ministro e líder do PSD, cargo ao qual Rangel se candidatou recentemente, tendo perdido para Pedro Passos Coelho.
Sitges, a 35 quilómetros de Barcelona é uma simpática cidade costeira. De raízes piscatórias, é hoje mais conhecida como capital do turismo “gay” em Espanha. Foi ali que, alegadamente, se debateu o futuro do Euro. Irá a moeda única sobreviver à crise grega ou iremos todos ser arrastados no caminho? E Portugal no meio disto? O nosso ministro das Finanças esteve lá. Teixeira dos Santos até faltou ao debate quinzenal na Assembleia da República e fechou-se no hotel Dolce. Mas a fazer o quê? Ele não nos pode dizer, pois são as regras do clube – isto apesar de ser funcionário público e a Constituição portuguesa defender que temos direito a ser informados sobre a gestão do Governo. Ficou para a história do encontro o momento em que o ministro de Estado e das Finanças de Portugal saiu do encontro com cara de poucos amigos ao ver que estava a ser fotografado. Ficou também a ideia de que, afinal, não será lá muito bom para a Democracia, especialmente numa altura de crise financeira, vermos um ministro das Finanças participar em encontros com empresários privados, à porta fechada, durante três dias, e sem direito a declarações à Imprensa. Irá algum país sair momentaneamente do Euro até resolver a sua dívida? Irá haver uma invasão do Irão? São alguns dos temas, supostamente, discutidos entre aquelas quatro paredes.
Especulou-se durante o encontro, na rotunda à torreira do sol, que Durão Barroso também estaria presente no encontro de Sitges. Mas, até ao momento, não há imagens que o confirmem, nem a lista “oficial” alude à sua presença. Sabemos, isso sim, que Barroso esteve na reunião de 2003, em Versalhes – Ferro Rodrigues declarou no DIAP que esteve nesse encontro e falou aí com Barroso sobre o processo Casa Pia. No ano seguinte, em 2004, Portugal sentiu de forma bem visível aquilo que, até então, apenas se especulava sobre o real poder do Grupo Bilderberg: a capacidade dos convidados políticos serem literalmente “catapultados” para altos cargos públicos após a participação nestas reuniões fechadas à Imprensa e onde se pode falar “abertamente e com franqueza”.
registos fotográficos e testemunhos oficiais que os dois políticos portugueses convidados para o encontro de 2004, em Stresa, Itália, foram o então presidente da Câmara de Lisboa, Pedro Santana Lopes, e o ex-ministro do Ambiente e então deputado socialista, o actual primeiro-ministro José Sócrates. O encontro teve igualmente lugar nos primeiros dias de Junho, numa altura em que, publicamente, ainda não se sabia quem poderia vir a suceder ao italiano Romano Prodi na presidência da Comissão Europeia. O nosso primeiro-ministro Durão Barroso apoiava publicamente a candidatura do comissário europeu português, o socialista António Vitorino. E conta Santana Lopes no livro “Percepções e Realidade” (pág. 41): “Lembro-me que, por essa altura, participei nos encontros de Bilderberg onde estava António Vitorino. Sabendo que eu pertencia à direcção do Partido no Governo português, as pessoas sondavam-me sobre a hipótese de Vitorino ir para a Comissão. Tive então ocasião de transmitir o apoio de Durão Barroso e do Governo português a essa candidatura, mas parecia claro que o presidente da nova Comissão Europeia tinha de ser do PPE, Partido Popular Europeu (centro-direita). Assim aconteceu”. Barroso foi o “escolhido”. Ora, soube-se no Natal passado, Durão Barroso almoçou em Lisboa, uma semana antes da reunião de Bilderberg, com o presidente do PPE, o ex-primeiro-ministro belga Wilfred Marteens. Foi no dia seguinte ao XXV congresso do PSD – em Oliveira de Azeméis -, onde Barroso garantira no discurso final que apoiava a candidatura de Vitorino. Mas, conforme escreveu o belga nas suas memórias, Barroso disse-lhe que, se não fosse possível a solução Vitorino, ele próprio estaria disponível a aceitar o cargo – apesar de estar a meio do mandato como primeiro-ministro de Portugal. Contudo, pedia segredo. Ora, se Santana Lopes não sabia disto quando esteve em Bilderberg – e ninguém falou com ele “abertamente e com franqueza” sobre essa possibilidade -, isso significava que Santana era carta fora do baralho. Calhou depois a fava do Governo a José Sócrates – que, primeiro, teve de esperar pela demissão de Ferro Rodrigues e consequente eleição a secretário-geral do PS para, finalmente, poder chegar a primeiro-ministro com maioria absoluta. Quanto a Vitorino, logo se verá, pois não há lugar para todos. No entanto, também não me parece que ele hoje esteja mal na vida.
As reuniões do Clube Bilderberg têm assim o condão de, ò coisa bonita!, aproximar pessoas de países e culturas tão díspares num propósito comum: a procura do bem para todos nós. Pelo menos assim o esperamos. Ficámos preocupados apenas quando vemos o actual presidente do clube, o belga Étienne Davignon, a afirmar: "Quando as pessoas dizem que isto é um governo mundial secreto, respondo que se fossemos o governo mundial secreto deveríamos estar cheios de vergonha de nós próprios". Ou seja, eles afinal não mandam mesmo em nada e, ainda assim, são uma vergonha, pois o mundo está a assistir à desintegração do sistema financeiro mundial ao mesmo tempo que quem poderia fazer a mudança – os políticos eleitos democraticamente - preferem reunir-se à porta fechada com quem vive à custa da crise do que ir ao Parlamento nacional debater as soluções. Mas, agora, o que interessa isso quando temos a Vuvuzela para podermos ir puxar pela Selecção?

Etiquetas: , , , , ,

20100610

Balanço Bilderberg 2010 - Sitges, Barcelona

Em Espanha, já muitos sabem o que significa Bilderberg. As televisões noticiaram o encontro...



E debateram...



O diário "El Mundo" até fez humor com o tema - é um dado importante, pois o humor só se faz quando o assunto é suficientemente reconhecido pela maioria da população...



Depois, as manifestações que aconteceram no centro de Barcelona, tornaram a questão "oficial"... Acho que, a partir do encontro de Sitges, não se pode continuar a negar que existe mesmo uma elite financeira que se reúne, à porta fechada, com políticos eleitos, por detrás de um forte cordão policial, durante três dias, sem direito a declarações públicas. Chamam a isso Democracia, mas não é...







Entretanto, Daniel Estulin tem aqui as alegadas notas do encontro deste ano:

"Think Greece Is Alone? Think Again! Bilderbergers admitted that the pain isn’t confined to Greece. Portugal’s benchmark 2-year note yield just blew out to 4.82 percent from 1.58 percent. That’s a tripling in interest rates in less than a month. Ireland? Its 2-year yield rocketed to 3.83 percent from 1.62 percent in 23 days. Spain´s yields recently shot up to 2.08 percent from 1.36 percent. Bottom line: A virulent sovereign debt contagion is spreading like wildfire throughout the euro zone. But, as another Bilderberg admitted, 'if the Greeks get bailed out, who’s next? And where the heck is all the bailout money going to come from? Policymakers may need to cough up almost $800 billion to 'save' everyone'".

Etiquetas: , ,

20100609

"Souvenir" de Sitges...

20100607

É isto a Democracia?

Ministro de Estado e das Finanças de Portugal, Fernando Teixeira dos Santos, fotografado em Sitges, Espanha, no domingo, 6 de Junho de 2010, pelas 13 horas locais - meio-dia em Portugal -, à saída do encontro do Clube Bilderberg...




Para quem trabalha ele? Para um Governo legitimamento eleito em sufrágio universal ou para privados que se reúnem à porta fechada?
A Democracia pede uma resposta.
Da Constituição da República Portuguesa:

Artigo 48.º
Participação na vida pública
1. Todos os cidadãos têm o direito de tomar parte na vida política e na direcção dos assuntos públicos do país, directamente ou por intermédio de representantes livremente eleitos.
2. Todos os cidadãos têm o direito de ser esclarecidos objectivamente sobre actos do Estado e demais entidades públicas e de ser informados pelo Governo e outras autoridades acerca da gestão dos assuntos públicos
.

(...)

Artigo 80.º
Princípios fundamentais
A organização económico-social assenta nos seguintes princípios:
a) Subordinação do poder económico ao poder político democrático;
b) Coexistência do sector público, do sector privado e do sector cooperativo e social de propriedade dos meios de produção;
c) Liberdade de iniciativa e de organização empresarial no âmbito de uma economia mista;
d) Propriedade pública dos recursos naturais e de meios de produção, de acordo com o interesse colectivo;
e) Planeamento democrático do desenvolvimento económico e social;
f) Protecção do sector cooperativo e social de propriedade dos meios de produção;
g) Participação das organizações representativas dos trabalhadores e das organizações representativas das actividades económicas na definição das principais medidas económicas e sociais.

Do Código Penal:

Artigo 308.º - Traição à Pátria

Aquele que, por meio de usurpação ou abuso de funções de soberania:

a) Tentar separar da Mãe-Pátria ou entregar a país estrangeiro ou submeter à soberania estrangeira todo o território português ou parte dele; ou
b) Ofender ou puser em perigo a independência do País;

é punido com pena de prisão de dez a vinte anos.

Etiquetas: , , , ,