Blogue do jornalista Frederico Duarte Carvalho, com coisas que tanto faz que se saibam porque em nada servem para o que sabemos. e-mail: paramimtantofaz@gmail.com
A recente adaptação do romance de espionagem de John Le Carré vale bem a pena ser vista...
Há que realçar no filme o trabalho magistral que permite incluir numa obra densa de espionagem momentos com a canção "The Second Best Secret Agent in the Whole Wide World", de Sammy Davis Jr. ...
e ainda aquele de criar uma cena final, que ficará certamente na história do cinema por ser uma sequência brutal e emotiva, feita ao som da canção "La Mer" interpretada por Julio Iglesias! Muito bom...
Chamem-lhe o que quiserem, mas mesmo um chefe de polícia muito estúpido teria grandes dificuldades em levar à vista documentos sobre uma operação anti-terrorista para um encontro com o primeiro-ministro. As pastinhas escuras com insígnias muitos vistosas há muito que fazem parte dos adereços de qualquer cão-de-guarda... Ou realmente a operação era uma treta para distrair o povo da crise e manter a regra do medo, ou então era mesmo para provocar o despedimento...
Um pregador caminha no deserto a anunciar a vinda do Senhor para breve, até que vê, ao longe, um casal. A mulher vai montada num burro e está grávida. Corre até eles e, entusiasmado, pergunta-lhes: - Como se chama a senhora? - Maria. - E você, o marido dela? - José. -Então isso significa que a criança que ela transporta no ventre é Jesus! - diz o pregador repleto de alegria. o marido interrompe-o e, zangado, responde: - Olha lá, tu deves estar enganado!... Nós não somos portugueses!
Ainda me lembro quando, há cerca de uma dezena de anos, durante o festival de BD em Angoulême, tive a oportunidade de dizer pessoalmente ao Vuillemin que, apesar do nome José e Maria serem dos mais comuns em Portugal, já o nome Jesus não o era assim tanto. Ele achou estranho, pois parecia ser mesmo lógico. Se Maria e José são nomes bastante comuns em Portugal, então por que não é Jesus? Expliquei-lhe que há casos, mas são as excepções que confirmavam a regra... Jesus, definitivamente, não é um nome que os portugueses usem amiúde, garanti-lhe. Por isso é que eu acho que não há qualquer espião português chamado Jesus. Se fosse esse o caso, qualquer um de nós já o teria topado à légua.
Ainda me lembro de algo que ouvi pouco depois do 11 de Setembro: "Se gostou da luta contra o comunismo, vai adorar a luta contra o terrorismo". E o escritor britânico explora bem esta ideia, por isso fez-me bem ler isto... ...
E assim se percebe como Guantánamo é um erro e como cada prisioneiro que lá está é a prova de algo falhou.
O Basílio, do Mote para Motim, deixou-me o seguinte comentário no texto sobre David Shayler: "Há dois anos atrás David Shayler e a mulher (tb ex-agente) disseram que havia dedo do MI5 nos atentados de Londres, na morte da Diana e noutros assassinatos. Depois parece que ele começou a passar-se da cabeça...". Bem, Basílio, que o MI5 colocou o dedo isso é óbvio. Mas Shayler há muito que devia saber que os agentes do serviços secretos não são monges que julgam o que está certo ou errado. John Le Carré já o explicara no "O Espião que Veio do Frio" através do personagem Alec Leamas (Richard Burton na adaptação ao cinema, em 1965): "What the hell do you think spies are? Moral philosophers measuring everything they do against the word of God or Karl Marx? They're not! They're just a bunch of seedy, squalid bastards like me: drunkards, queers, hen-pecked husbands, civil servants playing cowboys and Indians to brighten their rotten little lives. Do you think they sit like monks in a cell, balancing right against wrong?".