20071111

José María Callas

Na terra que viu morrer Salvador Allende, o nosso Presidente da República visitou a casa do poeta Neruda onde o ouvi dizer - via rádio - que gostara muito de escutar poesia dita em "chileno" e português. Depois, vi-o numa conferência de Imprensa ao lado do primeiro ministro José Sócrates, na qual este último disse que Portugal não tem uma "visão diplomática infantil" numa directa ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez. E acrescentou: "Respeitamos o chefe de Estado eleito da Venezuela, o que não quer dizer que temos de pensar como ele".
Hugo Chávez, à falta de Fidel Castro, voltou a brilhar na "cumbre" por ter conseguido sacar uma reprimenda do rei de Espanha: "Por qué no te callas?". O rei perdeu a compustura quando Chávez interrompeu o primeiro ministro Zapatero no momento em que este exigia respeito em relação ao seu antecessor, o ex-primeiro ministro José María Aznar, que Chávez havia anteriormente apelidado de "fascista", apesar de ter sido eleito democraticamente pelo povo de Espanha. Sobre tudo isto, destaco aqui um comentário que li no fórum do diário espanhol El Mundo. É uma observação muito interessante, a fazer notar que isto é tudo uma grande palhaçada entre os líderes deste mundo que têm o condão de viverem numa sociedade sem memória. Note-se que este texto é um comentário de um leitor, não de um jornalista. Estes últimos "no se recuerdan de nada"...

"290. ¿A que no lo recordáis?

José María Aznar visitó Venezuela en 1999 como presidente del Gobierno español, pavoneándose en aquel entonces de la extrema cercanía que mantenía con el presidente Hugo Chávez. Aznar habló en el Congreso venezolano a la misma hora en que Chávez ascendía a generales a varios militares golpistas, pese a que los diputados y senadores habían vetado los nombramientos de altos oficiales. La Constitución vigente en 1999 establecía que el Congreso debía aprobar el ascenso de generales. En Venezuela, el historiador Manuel Caballero dijo que el comportamiento de Chávez de pasar por encima del Congreso equivalía a otro golpe de Estado. Pero Aznar no dijo nada ante los legisladores que fuera incómodo o pudiera molestar a su 'amigo Hugo'. Aznar incluso le vendía a Chávez los gases lacrimógenos con que la policía reprimía a la oposición democrática, que afectaron a muchos periodistas. De hecho, Chávez se mostró tan complaciente con Aznar –incluso lo llevó en yate a visitar la hermosa zona turística de Los Roques- como Fidel Castro lo fue con Fraga Iribarne cuando el presidente de la Xunta visitó Cuba en 1991.
albertofp / Madrid"

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20071105

Andar em frente... sem a cabeça

Os dois diários espanhóis, El País e El Mundo, são o espelho um do outro. O primeiro é claramente pró-PSOE e o segundo é pró-PP. Para ficarmos informados com um mínimo de isenção temos de ler os dois jornais. Não podemos ficar com uma opinião fundamentada apenas na leitura de um deles. Sobretudo num caso tão complicado como é o 11 de Março de 2004 (o 11-M). Enquanto o El País realça as palavras de Zapatero: "por favor, no se aten al pasado, que miren hacia adelante, que todos juntos trabajemos para que nunca vuelva a haber una tragedia como aquel atentado, y que estemos con las víctimas y sus familias". O El Mundo ainda procura uma cabeça que tenha planeado o atentado: "El tribunal del 11-M desbarata la tesis clave de la versión oficial en su sentencia".

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20071101

O elo português do 11 de Março

O julgamento dos atentados de Madrid acabou sem que fosse apurado o cérebro do massacre que vitimou 191 pessoas a 11 de Março de 2004 (interessante número, esse, de 191, como que se o Universo da matemática nos estivesse a apontar o dedo para o 9 do 11).
Entre os 28 acusados foram absolvidos sete.
Entre os oito principais nomes implicados, apenas três foram condenados pelas mortes. Rabei Osman, mais conhecido como "Mohamed, O Egípcio", foi um dos que acabou por ser absolvido. O marroquino que colaborou com a polícia espanhola, Rafá Zouhier, foi condenado a 10 anos de prisão, pelo que se puder beneficiar da redução de metade da pena poderá sair em liberdade daqui a cinco anos.
O libanês que tinha documentos portugueses falsos, Mahmoud Slimane, foi condenado a três anos de prisão...

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