20080528

Não se esqueçam nunca de Methuen!

Carlos Queiroz, português e treinador-adjunto do Manchester United, indignou-se com o assédio dos espanhóis do Real Madrid em relação à estrela da companhia inglesa, o "puto maravilha", Cristiano Ronaldo. E os argumentos contra os nossos companheiros da Península Ibérica foram envergonham o Saramago que existe dentro de cada um de nós: "Já fizeram o mesmo com Cristóvão Colombo, agora, parece que querem naturalizar o Cristiano Ronaldo" (...) "O Cristiano Ronaldo não será espanhol! Nem que a gente tenha que tomar outra vez Olivença..." (...) "Já se esqueceram do que nós lhes fizemos no passado? Não nos façam perder a paciência".
Espanha é um grande país - ser Português é apreciar isso e ainda assim querer continuar independente -, por isso acredito que Cristiano Ronaldo vai mesmo trocar a fria Albion pelas cálidas "noches locas" de Madrid. Sem dúvida. É mais ao estilo latino de quem já conquistou tudo o que podia por terra de Sua Majestade, a rainha. A mudança para "tierras" de El Rey D. Juan - olha se fossemos uma monarquia também... - deve estar para breve.
Que descanse "Sir" Queiroz, fiel servidor dos ingleses na industriosa Manchester, que a honra da pátria Lusitana não sofrerá com mais uma imigração para terras de Castela. Não sofreu no passado, quando o mesmo fizeram outros bravos cavaleiros dessa nobre arte que é o exímio manejo da bola com os pés, como Octávio Machado, Paulo Futre, Fernando Gomes, Ricardo Sá Pinto, Figo, Vítor Baía, Fernando Couto, Mourinho, Miguel e até o nosso actual guarda-redes da selecção, Ricardo.
Caro "Sir" Queiroz - que, por acaso também já esteve um ano no Real Madrid, lembra-se? -, o nosso problema foram sempre os ingleses. A mais velha aliança do mundo, não é? Pois, deve ter tido vantagens, é certo, mas sempre fomos mais explorados do que beneficiados.
E isso, Carlos, vem desde 1703...



(Mapa de Portugal - Pieter Schenk, 1703)

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20080325

De volta a África

Já que estamos numa de Moçambique, nada melhor do que mencionar aqui o livro do meu camarada de profissão, Júlio Magalhães, que publicou recentemente "Os Retornados - Um Amor Nunca Se Esquece".
Este é um tema interessante para muita gente, sobretudo aqueles que, tal como ele, tiveram de deixar África e vir para Portugal depois da "descolonização possível" - citando um ex-ministro dos Negócios Estrangeiros.
Estranhei apenas o facto da editora - Esfera dos Livros, espanhola - ter escolhido para capa do livro uma fotografia que não ilustra nada a imagem dos retornados...



Aqueles senhores na foto não estão vestidos com roupas dos anos 70, nem têm uma cara tão sofredora como a de qualquer foto que registe o fim do Império Português...



Ainda por cima, acabaram de me chamar a atenção para o facto de que a mesmíssima imagem ilustra a edição inglesa em livro de bolso do "Suite Française" de Irène Némirovsky, que se passa... durante a Segunda Guerra Mundial...



Aliás, não é bem a "mesmíssima" imagem, uma vez que na capa do livro do Júlio Magalhães "colaram" um avião bem mais moderno do que as roupas dos protagonistas. Este anacronismo está lá apenas para dar "aquele ar" de ponte aérea...



De facto, ò "Juca", não merecias este tratamento pelos espanhóis...

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