20080214

Se fosse cá...

O vídeo com as últimas palavras gravadas por Alfredo Reinado que a Focus colocou no You Tube já circulava há um mês, mas a revista teve acesso a uma cópia vinda directamente de Timor com partes em tétum e fez o tratamento jornalística das mesmas no artigo depois publicado. Quando Reinado foi morto era importante explicar os pensamentos do homem que esteve por detrás dos acontecimentos que, em 2006, levaram à demissão do primeiro-ministro Mari Alkatiri. Para que compreendam melhor a indignação de Alfredo Reinado, pensem no que sentiriam se, depois de terem ajudado o Presidente Jorge Sampaio a conspirar contra Santana Lopes, ele deixava-os "cair" e ocupava o cargo de primeiro-ministro apesar do PS até ter ficado atrás do PSD nas eleições legislativas... Mas, lá está, cá não há petróleo.

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Exclusivo Timor na Focus

ATENÇÃO!!! ESTE POST CONTÉM IMAGENS QUE PODEM CHOCAR ALGUMAS PESSOAS! SÃO DE UM HOMEM MORTO COM UM TIRO NA CABEÇA, MAS RELEVANTES PARA O QUE SE DIZ

Assim que soube que Alfredo Reinado fora abatido antes, repito, antes de Ramos-Horta ter sido baleado fiquei com os sentidos em alerta. As vozes que ainda não se calam em Timor confirmaram-me de que se tratara de uma operação militar muito "estranha", sobretudo com o ataque frustrado à caravana do primeiro-ministro Xanana Gusmão: "Aquilo aconteceu numa montanha, junto a uma ravina. Se quisessem mesmo matá-lo, não falhavam", foi-me dito.
Hoje, ao ler uma notícia da AP, reparei neste detalhe descrito pelo soldado que abateu Alfredo Reinado: "I shouted Alfredo's name and then opened fire at his head with my machine gun because he was wearing a bulletproof vest".
O uniforme. O uniforme que Alfredo Reinado usava foi um segundo detalhe ao qual me chamaram a atenção. Aquilo é um uniforme novo do exército regular timorense, pelo que, apesar de andar escondido na montanha, Alfredo Reinado teve acesso a novos uniformes - o que não deve ser difícil -, mas também pode significar que alguém, já depois de o ter abatido, poderia ter-lhe colocado o uniforme e o colete à prova de bala para justificar a execução. Isso explicaria o facto do uniforme estar imaculado, sem gota de sangue, apesar do militar ter sido atingido na cabeça e, supostamente, ainda de pé...





Para uma tentativa de explicação sobre o porquê desta confusão na mais jovem democracia do mundo, talvez ajude saber que "há petróleo e gás natural a mais em Timor. É a ganância de muitos actores internacionais que mais mal tem feito a Timor. Ajudar não é intrometer".

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20080212

Uma resposta científica



Mais detalhes na edição de amanhã da revista Focus.

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Dúvida metódica para o jornalismo científico