20121022

Jornalismo no ano 2000

2º Congresso dos Jornalistas Portugueses, 12 a 15 de Novembro de 1986...

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20121017

Que da noite se faça o dia

Vamos lá ver se nos entendemos. Há jornalistas em risco de desemprego na agência Lusa, há despedimentos anunciados no diário Público, revistas que fecham e outras que cortam nas colaborações dos jornalistas externos. Não há “cheta”, diz-se. A crise não justifica tudo, mas ajuda. Pois, numa altura destas, em que tudo parece desmoronar-se, vejo aqui a melhor oportunidade para se construir algo sólido. No entanto, para tal, é necessário perceber como é que se chegou ao jornalismo que se produz nos dias de hoje. E perceber o que se quer. É que parece que ainda há quem não tenha percebido. Por exemplo, o Sindicato dos Jornalistas ainda não percebeu, pois acabou de me informar que, no dia 18, pelas 11 da manhã, vai haver uma vigília de jornalistas em frente à Presidência do Conselho de Ministros, como se isso fosse mudar algo. É que não vai, não. E vou explicar porquê. Vou fazê-lo através de uma peça de teatro. Chama-se “A Noite”, estreou em Maio de 1979, e foi representada pela primeira vez pelo Grupo de Teatro de Campolide. Foi escrita por José Saramago. O prémio Nobel da Literatura de 1998. A noite é a noite de 24 para 25 de Abril, no ano de 1974.
A acção passa-se na redacção de um jornal não identificado. Há um administrador, dois contínuos, um director, um chefe de redacção, a secretária de redacção, redactores de “Província”, “Parlamentar”, “Estrangeiro”, “Cidade” e “Desportivo”, mais dois redactores não especificados, um fotógrafo e uma estagiária. Depois, temos ainda o chefe de tipografia, um linotipista e um compositor manual. Estes três últimos são os principais motores da acção e proporcionam alguns diálogos bastante críticos. Quando, por exemplo, o chefe de tipografia, Jerónimo (Valdemar de Sousa), enfrenta o chefe de redacção, Abílio Tavares (António Assunção) por causa de uma notícia da Guarda, preparada pelo redactor da secção “Província”, Torres (Luís Alberto), dá-se o seguinte diálogo: ++++ - VALADARES (Levantando-se) Você não me vem ensinar o direito que eu tenho. Nesta Redacção quem manda sou eu. Eu é que resolvo o que se publica ou não se publica. A notícia da Guarda não tem interesse para o jornal, já há pouco me tinha querido parecer e agora confirmei. Precisa de mais explicações? (Para Jerónimo.) Pode ir. Daqui a pouco lhe mando o artigo do director. - JERÓNIMO (Ao afastar-se, bate no ombro de Torres) Deixa lá, não te rales tanto. O verbo é sempre o mesmo: eu obedeço, tu obedeces, ele manda. E para quê? Para fazer uma coisa que de jornal só tem o nome e o papel... (Encaminha Torres para o seu lugar.) - VALADARES O senhor Jerónimo far-me-á o favor de não vir para aqui indisciplinar a Redacção. Guarde esses entendimentos lá para fora. Aqui não admito. Para cumprir a sua obrigação profissional, só tem que falar comigo ou com os redactores que eu designar para o efeito. Percebeu? - JERÓNIMO (Volta a Valadares) Ouça, senhor chefe da Redacção, estou pouco interessado em discutir consigo, nada interessado até, mas uma vez que me pediu por favor que não indisciplinasse a Redacção, não lhe vou ficar atrás em delicadeza. Portanto, faça por sua vez o favor de admitir que eu, como trabalhador deste jornal, ou prefere que diga funcionário?, tenho tanto direito como o senhor a dar opiniões sobre o que neste jornal se passa e o que este jornal faz. E se o senhor é o chefe da Redacção e está a dizer-me que me lembre disso, lembro-lhe eu que sou o chefe da Oficina... - VALADARES Da Oficina, não. Do turno da noite. - JERÓNIMO Coitado de você, se não fosse o turno da noite, coitado do seu lindo jornal, se não fosse o turno da noite. (Para Torres.) Não faças caso. (Vai dirigir-se para a porta da tipografia, mas volta atrás subitamente.) Apesar de tudo, também sou leitor deste jornal. (Sorri.) ++++ Nesta altura da noite ainda não se sabia que estava uma revolução na rua. Quando se começou a falar de movimentações de tropas, entram na redacção Jerónimo, acompanhado por Afonso, o linotipista e Damião, da composição manual. E diz Valadares: - Que se passa? Há algum problema? Três já fazem comissão… - JERÓNIMO (Com serenidade que cobre uma exaltação profunda) Está uma revolução na rua. O que é que o jornal vai fazer? Quando começam a ir originais para dentro? ++++ Como se vê através do diálogo, em 1974, na altura da última revolução conhecida em Portugal, os jornais eram uma máquina com vários elementos que se completavam. Os jornalistas trabalhavam com a matéria-prima que o dia-a-dia lhe proporcionava e tinham de produzir notícias que, antes de chegarem aos leitores, eram entregues aos tipógrafos. Estes, por sua vez, pegavam nas notícias como matéria-prima do seu trabalho, e passavam depois para a composição e impressão. Um trabalho de equipa. Neste ritmo de trabalho, no entanto, havia um claro jogo de poderes. Note-se no momento da noite em que Valadares pergunta a Jerónimo como é que soubera que havia uma revolução na rua. E o chefe da Oficina esclareceu: - Não tenho nada que responder. Digo que está uma revolução na rua, e, como chefe da Oficina, venho perguntar que é que o jornal faz. O resto é com os senhores jornalistas. Eles é que são pagos para saber as notícias. ++++ E, mais à frente no diálogo, quando se tenta perceber se o golpe é de direita ou esquerda, Jerónimo dita condições: - Se o golpe for de direita, ainda mais de direita, temos de estar preparados. Se for da esquerda… (Interrompe-se, quebra pela primeira vez a sua aparente impassibilidade, apoia-se nos ombros dos companheiros) Se for de esquerda, será a noite da nossa festa, e isto de festas, o melhor é começá-las o mais cedo possível. (Outro tom) Dou-lhe um quarto de hora para nos dizer o que pensa fazer. O jornal tem de começar a andar, e não há notícias na tipografia, nem vejo que as estejam a preparar aqui. Um quarto de hora. ++++ O poder dos tipógrafos era tremendo. Eles podiam condicionar o trabalho dos jornalistas e funcionavam como uma sociedade à parte. Os empregos nas tipografias passavam de pais para filhos. Para que houvesse um bom produto final, era necessário conciliar a harmonia entre a redacção e a tipografia. Mas, na hora do balanço final, eram os tipógrafos que tinham mais força. Quando os jornalistas faziam greve para reivindicar os seus direitos, tinham de contar com o apoio solidário dos tipógrafos, senão a greve falhava. Afinal, os tipógrafos eram os únicos que detinham o poder de evitar que uma edição feita apenas por um director, chefe de redacção e um estagiário. Se não pudesse ser impressa, não chegava à rua. Se os tipógrafos fizessem greve, não precisavam da solidariedade dos jornalistas. Estes podiam escrever as notícias que quisessem, mas não seriam depois impressas e distribuídas. E isso durava o tempo que os tipógrafos quisessem. Dez anos mais tarde, em Inglaterra, um australiano chamado Rupert Murdoch acabou com isso tudo. De um dia para o outro, aproveitando as novas tecnologias, conseguiu despedir de uma assentada, 2500 tipógrafos. E os que fizeram os jornalistas? Foram solidários com os camaradas trabalhadores do seu jornal? Não. Gostaram da ideia de já não dependerem da influência dos tipógrafos e continuaram a trabalhar.
Hoje, os jornalistas são as vítimas dessa falta de solidariedade. Não adianta andarem a fazer greves, pois não há a solidariedade dos tipógrafos. Não há a solidariedade de ninguém. Os jornais vão ser impressos na mesma. Não contem, por isso, com a solidariedade dos leitores. Esses têm mais em que pensar e estão-se a marimbar para os jornalistas. Querem é um produto final que lhes agrade. Se encontrarem, compram. Se não encontrarem, vão à procura em publicações estrangeiras. O Sindicato dos Jornalistas já não representa quase ninguém, pois não há jornalistas nas redacções: existem para lá uns tipos que alinham uns comunicados, fazem uns telefonemas para amigos e tentam ganhar a vida a produzir umas coisas para encher a tempo a internet e para ser impresso numa folha de papel de acordo apenas com o único critério daquilo que eles acham que é importante e, no fundo, reproduz apenas o gosto do seu umbigo. Um sindicato que queira fazer qualquer coisa para mudar isso, deveria olhar para as condições em que muitas redacções se “alimentam” para produzirem notícias. Quem são os profissionais, quais os seus salários e quais as condições de trabalho. Qual o fosso salarial entre quem manda e quem obedece? E, depois, como são divulgadas para os leitores, por que meios? Nessa altura, vão perceber que não há jornalistas. Há apenas órgãos de Comunicação Social. Sem jornalistas, pois é preciso abdicar da qualidade de ser jornalista para poder sobreviver àquilo que hoje se faz. E é por isso que eu digo que esta é uma época radiosa para quem quiser ser jornalista. A edição em livro da peça de teatro de José Saramago tem uma frase introdutória. É uma frase que eu já dizia há muito tempo, ainda antes de a conhecer nesta obra. Diz assim: “Todos faremos jornais um dia”. E é verdade. Que da noite se faça o dia.

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20120817

"Discurso Directo", 3 de Agosto de 2012

Notas soltas sobre a censura em Portugal

Nasci em 1972, há 40 anos. Era ainda o tempo do Estado Novo e os jornais exibiam na primeira página a nota idicativa de que fora visado pela comissão de censura. Nessa altura, os jornalistas tinham a Liberdade de pedir a extinção da censura, tal como aconteceu três anos antes, durante a campanha eleitoral de 1969...
Depois, quando eu tinha apenas dois anos, aconteceu o 25 de Abril. E disseram que iria acabar a censura nos jornais...
E eu acreditei nos mais velhos... Por isso, acho que os jornais deveriam trazer hoje na primeira página o aviso: «Esta publicação foi submetida à censura interna dos nossos profissionais». Nisso, o Estado Novo não era hipócrita.

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John Le Carré em 2003

O avião que não estava lá

Concorde-se ou não com a tese, ainda assim temos de concordar que há aqui algum trabalho de pesquisa...

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20120726

Um artigo que não é meu

Chamaram-me a atenção para um texto do blogue The Braganza Mothers com linguagem vernacular menos própria para o diálogo cívico e adjectivações susceptíveis de provocar processos de difamação. Contudo, tirando o estilo, o texto é um desabafo que, infelizmente, é triste e revelador da falência do jornalismo. O texto tem observações bastante pertinentes e lógicas que vão ao encontro de muitas denúncias internacionais e partem cada vez mais da percepção das pessoas que sentem todos os dias na pele a ineficácia da economia mundial e do jornalismo que lhes devia explicar o porquê de tudo isto. Assim, acho que o texto mereceria ser escrito sem a linguagem de caserna, sem uma ou outra informação pessoal que não consegui verificar e com algum rigor na altura da adjectivação de certas personalidades públicas nomeadas. Deste modo, na minha óptica meramente pessoal, o texto poderia ter sido publicado assim: «Tenho saudades dos tempos em que ia para as Docas, com o Passos Coelho, e o tinha de arrastar de lá, altas horas, já muito perto de uma intoxicação alcoólica – fruto não de um exagero próprio da juventude rebelde, mas também de algum álcool marado muito vulgar na altura em que a ASAE ainda não fazia as fiscalizações tão meritórias dos dias de hoje -, porque ninguém o segurava, a noite inteira, a querer conhecer mulheres de origem africana de modo a demonstrar a sua arte de sedução com vista à satisfação de actos sexuais onde o extâse final estava reservada não só para si, mas também para a parceira. Objetivamente, nada há de pernicioso em passar noites inteiras a tentar mais um acto sexual com mulheres africanas, porque a imagem estereotipada que se tem da beleza africana são, a seu modo, como as parcerias público-privadas: quem vê uma é capaz de ver todas as outras, e já não nota a diferença. Para nós, Portugueses, isso até poderia chamar-se multiculturalismo, se não tivesse levado o Estado a confundir vícios privados de um impreparado com os poderes do Estado, e a conceder a um indivíduo considerado, justamente ou injustamente, como estando bastante abaixo da média, cujos únicos interesses na vida, segundo o seu adjunto Relvas (ao Expresso de Abril de 2011) eram o álcool e, viu-se depois, as mulheres africanas e, finalmente, o lugar de Primeiro-Ministro. Isso aconteceu, ele estabilizou, casou com uma mulher de tez escura com ar maternal, e o Estado ficou entregue a si mesmo. O problema começa quando um Estado fica entregue, a si mesmo, e eu explico, nominalmente, o que é isso: um indivíduo com suspeita de problemas neurológicos, no topo da Pirâmide, em quem a Maria é vista de forma óbvia a agarrar permanentemente na mãozinha trémula, o que é tido pelo povo como uma tentativa de evitar que ele tenha um ataque público , ou comece a falar de vacas ; uma segunda figura do Estado, que, como todos viram, subiu pelo Princípio de Peter, é tida como completamente ignara de leis e regimento da Assembleia da República, fruto de uma óbvia e assumida luta escorada pela Maçonaria e a Opus Dei , com um sotaque propício à caricatura, e que, pelos vistos dizem coisas pessoais que, à falta de confirmação independente, reservo-me o direito de não os citar aqui, mas registo para futura informação. Descendo a escadaria, temos o tal apreciador do belo sexo africano, que conseguiu o milagre de tornar José Sócrates numa pessoa respeitável (!), Miguel Relvas, um típico indivíduo daqueles que gostaríamos de evitar ter como amigo, o ministro sombra, para amparar o apreciador da bela mulher africana, descaradamente nomeado pela mui respeitável e bem-intencionada (embora nada se veja em relação a resultados positivos da sua acção, o que lhe confere então uma designação de “sinistra”) Maçonaria PSD , e ao serviço de um estado que é tido como pária, governado por uma família de indivíduos que não gostaríamos ter como amigos, que, pelos vistos – com a soma de exemplos – parece que anseia usar Portugal para algumas ancoragens da Dinastia Dos Santos ; um ministro tido como extremamente inteligente, mas igualmente desorganizado, o que lhe confere alguma bipolaridade , e a quem querem convencer de que Portugal ainda tem Economia -- uma coisa que só não vê quem não quer que foi há muito destruída, nos anos de Cavaco Silva (e com isto está tudo dito em relação aos adjectivos negativos que se poderiam facilmente aplicar à figura do actual Chefe de Estado) -- um homem de espírito pobre, pouco corajoso e sobre o qual já se tornou banal dizer que não sabe distinguir uma lombada de um livro, mas que gere a "Cultura" , e coisas ainda mais perniciosas, como uma anomalia, com problemas de dicção, que acha que uma asneira, repetida devagar e pausadamente, se pode tornar numa epifania evangélica, e aqui chegamos, realmente, ao fulcro do problema. Todos eles, com o pretexto do FMI, estão a cumprir o que Cavaco Silva sonhou, há vinte anos, e Passos agora cumpre: um regresso aos índices do Salazarismo. Quanto a Vítor Gaspar, para além da credibilidade discutível, de quem sabe que a teoria monetarista foi a responsável pelo colapso de estados inteiros -- como o Chile, de Pinochet -- usados como palcos de "experiências, como fez o filho de uma mulher de profissão duvidosa, seu inventor, da célebre Escola de Chicago, Milton Friedman, um daqueles tipos que não iríamos querer para amigo dos nossos filhos ao serviço do não menos pouco recomendável Ronald Reagan , apenas se pode acrescentar que é o rosto anedótico do verdadeira patrão da coisa, um bem conhecido Carlos Moedas , um dos agentes da confraria de indivíduos de acção letal económica , que tem o nome de GOLDMAN SACHS , e que está encarregado, entre outros que desconhecemos, de DESTRUIR PORTUGAL . Para quem viu o retórico "Inside Job ", um ser pouco recomendável, como António Borges, o tal que ganha duzentos e tal mil euros por mês, livres de impostos, e está encarregado de vender as empresas do Estado Português aos elementos da empresa mundial a que pertence a Goldman Sachs, teria sido imediatamente afastado do terreno, mas não foi, e está, como Relvas, Moedas, os três chefes reconhecidamente maçónicos das bancadas parlamentares da Assembleia da "República", PS, PSD e CDS , o Álvaro Santos Pereira, o Cavaco, a malta da Opus Dei, representada pelo insensível, Paulo Macedo , o grupo da Educação , cuja única missão é semear o analfabetismo e lançar, para o desemprego, em 2 meses, 25 000 pessoas , e mais uns quantos de que nem nos lembramos, porque são irremediavelmente inexistentes, embora nos saiam dos bolsos. Há anos, lembro-me de alguém me ter dito que Portugal era utilizado, em certos fora internacionais, como palco de "experiências ", cujo âmbito, então, não entendi. Hoje, em pleno 2012, com o alegadamente criminoso Balsemão , o alegadamente criminoso Borges, o alegadamente criminoso Cavaco, o alegadamente criminoso Moedas, o alegadamente Relvas, o alegadamente Paulo Macedo e todos os alegados criminosos que os antecederam, sob as batutas de Sócrates e Durão Barroso, a coisa torna-se quase transparente, e deveria ter direito a reação, não estivéssemos num povo com um grau de iliteracia elevadíssimo, e uma estreiteza de horizontes que se resume aos calções transpirados dos Narcisos das Barracas, da Procissão do Adeus, e do trinar da Mariza. Com esta massa humana é possível fazer-se TUDO, e está-se a fazer. Para que não desanimem, vamos mostrar que, lá fora, a coisa ainda está pior: a Europa, governada por indivíduos pouco recomendáveis da Alemanha ex comunista, com Reagans e Hitlers metidos na cabeça, está à beira de conseguir o sonho de Obama, um sonho que ele não sabia que tinha de ter, mas a ultra direita Norte Americana se encarregou de lhe incluir nos delírios rosados de indivíduo de origem africana: forçar a Europa a um tal ponto que tenha de emitir dinheiro, para equilibrar as contas dos países que Bilderberg, a Goldmann Sachs e parentes deram ordem para "homicidar". Uma vez aumentada a liquidez, o Euro desvaloriza automaticamente, ao ponto de não ser cativante que se torne a moeda de negociação mundial do crude, e ajoelha, perante as sombras sinistras que governam o mundo, a partir dos apartamentos palacianos de East Upper Side . Quando se ouve um estranho italiano -- o próximo alvo, dos Moedas e Borges de lá... -- a dizer que não se importa com que venha um príncipe saudita comprar a Ferrari, torna-se claro que a jogada está mais alta: ou a Grécia fica no Euro, com o Syriza a bater o pé, o que poderia ser um refundar da Democracia , ou a Grécia cai nas mãos da China , o que poderia ser uma forma irónica de definitivamente mostrar que a Nova Ordem Mundial era mesmo nova, e vinha com os olhos em bico. Para lá destas fronteiras, finalmente descobriu-se que as armas de destruição maciça, que nunca foram encontradas nos "bunkers" de Saddam Hussein, estavam, afinal, todas concentradas na Síria, o que obriga a que a Diplomacia Mundial, que já decidiu a Guerra do Irão, esteja a lidar, com pinças, sobre a sua partilha, pós guerra, entre os interesses da mafia americana, da mafia russa e da mafia chinesa, com Israel a ter de sujar diretamente as mãos no assunto. Aparentemente, a coisa vai ser simples: o tal vírus "Flamer", uma coisa criada entre a NSA e a Mossad, entre outros, que parece que se suicidou, afinal, não se suicidou , está, somente, a... descansar: quanto estiver resolvida a retaguarda síria, irá entrar nas centrais clandestinas de produção de armas nucleares iranianas, e irá dizer as sensores de temperatura que os núcleos de cisão não estão sobreaquecidos, até que eles... expludam todos. Vai ser muito feio, mas, com Fukushima, o Mundo até já foi ensinado que é possível viver com vegetais e sushi radioativos, e o Irão, ou o que dele restar, lá poderá deixar o Fundamentalismo Islâmico, para finalmente regressar à sua verdadeira natureza, o esplendor persa. Por cá, haverá uma velha, a quem o filho de uma mulher de duvidosa reputação que é o Borges queria reduzir a reforma de 300 para 250 € a comentar, como é típico, "pois, andaram a mexer em coisas perigosas, agora, explodiram-lhes nas mãos, coitados, devem estar a sofrer tanto..." Quanto ao vírus, suponho que já então se terá resuicidado, e com um pouco de sorte, até teria levado consigo todos os homens menos recomendáveis, cujos nomes atrás citei.» Original aqui, mas declino qualquer responsabilidade pela linguagem usada. Não faz o meu estilo.

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20120704

O caso do deputado que vivia em quatro casas ao mesmo tempo

Acho que é um desperdício de tempo dos jornalistas andarem a investigar a licenciatura deste ou daquele político, sobretudo quando a crise económica que assola o País é bem mais grave do que estas notícias. Aliás, o ministro Relvas é um político já bastante habituado a gerir escândalos em relação à sua pessoa. Esta não é a primeira vez que a sua honra é posta em causa, como, por exemplo, mostra esta notícia da extinta revista "Semana Ilustrada", em 1990, quando o ministro era ainda um jovem deputado de 28 aninhos...

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20120530

Aquilo que eu sei que eles sabem

Sobre o célebre relatório Balsemão que consta do processo judicial das "secretas", surge no mesmo uma menção ao meu nome e ao livro que publiquei em 2003, "Eu Sei Que Você Sabe". Essa referência está num capítulo com o nome de "Coincidências...", acompanhado de uma nota do autor do relatório: "Reproduzimos esta informação não pelo seu valor objectivo, mas pelo potencial de exploração da mesma"...
Quero esclarecer os meus amigos e leitores que o autor do relatório, no que diz respeito a esta informação em concreto, não recorreu a qualquer escuta ilegal ou acesso a informação privada. Aquele texto, perfeitamente factual, há muito que está disponível na Internet, onde qualquer motor de pesquisa pode encontrá-lo facilmente. Figura no meu blogue desde 28 de Janeiro de 2004.

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20120524

Camarate - Apelo aos deputados em papel

O apelo que fiz aos deputados para que não façam a 10ª comissão de inquérito parlamentar de Camarate foi publicado em papel no jornal "O Sul", que é distribuído como um encarte do "Expresso" na zona de Setúbal. Muito obrigado ao Sul...

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Lockerbie ainda vive...

20120429

A CIA e o atentado de Camarate

20120326

Uma explicação sobre o Chiado, 2012

No texto anterior analisei o vídeo da agressão à jornalista da AFP, Patrícia Melo Moreira, no Chiado, no passado dia 22. Na legenda da "Imagem 3", fiz notar o momento em que um jovem se baixa e, quando se levanta, surge ao mesmo tempo no ecrã as pernas de uma cadeira...



Embora tivesse tido depois o cuidado de explicitar que não se podia confirmar nas imagens se o jovem atirara ou não aquela cadeira contra a polícia, ficou presente na minha análise pessoal que ele era um elemento "provocador" e concluí depois que o mesmo jovem correra em direcção ao cordão policial e utilizara a jornalista como "escudo humano". E acrescentei que isto aconteceu numa altura em que Patrícia Melo Moreira estava a fazer o seu trabalho, ou seja, a tirar uma fotografia ao cordão policial. Achava eu que isto tudo acontecera antes da jornalista ser atacada pela bastonada do polícia, momento esse que ficou depois fixado na imagem que iria correr o mundo e mostrar a violência policial contra jornalistas que fazem a cobertura das manifestações. E conclui assim que a jornalista foi uma vítima inocente de um acto provocado por um manifestante, sendo esse o verdadeiro "alvo" da violência da polícia...

Totalmente errado!


Fui alertado na minha caixa de comentários por um leitor deste blogue - obrigado, Fernando - para analisar com redobrada atenção o momento em que o jovem se baixa. Disse-me para olhar com mais atenção para a cadeira, vendo o que se passava do lado do cordão policial. E, de facto, nessa segunda leitura, reparei que, afinal, a cadeira estava já junto do cordão policial e era afastada por um agente da autoridade no momento em que o jovem se levantava e resurgia na imagem do vídeo.

Quero então frisar aqui que aquela cadeira não tem qualquer relação com o jovem. Foi erro meu. Peço humildemente desculpa ao meus leitores.

Envergonhado por este grave erro de observação, procurei ver com mais cuidado o que levara então o jovem a baixar-se. E, de facto, está lá, límpido e claro - sem a "ilusão de óptica" da cadeira - que o jovem fora ajudar a jornalista Patrícia a levantar-se, pois esta estava caída no chão. Quando reparei nesse detalhe, tentei perceber qual o motivo que me levara a descurar o momento. Como podia eu ter descurado a altura em que o jovem ajudou a Patrícia a levantar-se do chão? Fui então ouvir de novo as declarações da jornalista, transmitidas "a quente" na SIC, onde ela disse o seguinte:

“Eu não me apercebi muito bem do que se passou quando lá cheguei… Eu estava a enviar o meu trabalho perto dos Armazéns do Chiado quando… com o José Goulão [jornalista da Lusa], quando nós começámos a ver várias carrinhas da polícia de choque na rua Garret a chegarem e bastantes polícias a subirem a rua. Entretanto, demos uma corrida até ali perto da pastelaria Benard e quando lá chegamos já havia esses confrontos entre os manifestantes e os polícias. Fizemos o nosso trabalho, começámos a fotografar, e o que se deu foi que os manifestantes foram recuando até quase à entrada do metro do Chiado e os polícias ficaram entre, com a esplanada, entre os manifestantes e os polícias e foi aí que se deu essa confusão toda que começaram a varrer literalmente a esplanada atirarem cadeiras, mesas, tudo, para cima dos manifestantes e para o lado, para todo o lado, e foi nesse momento que um polícia interage comigo, me manda ao chão e, depois de eu estar no chão, eu tento me levantar e identificar com o cartão de Imprensa e é aí que ele… eu vou direita a ele para lhe mostrar o cartão e ele aí manda-me ao chão de novo, e começa-me a bater com o cassetete, e foi depois aí que o manifestante interviu e me veio ajudar a levantar e recuar para junto dos outros manifestantes…”

Deste modo, Patrícia Melo Moreira nunca disse que o jovem que surge na fotografia da sua agressão, aquele que a agarrara pelas costas, aquele que a puxara para trás e que a fizera rodopiar num "bailado" perante a agressão do polícia, perpetuados na fotografia que correu o mundo, afinal já a ajudara a levantar-se numa primeira vez. Não quero estar a insinuar que a jornalista omitiu isto de propósito. Aquelas são, note-se, declarações "a quente". A voz da jornalista denota ainda a emoção dos acontecimentos. E, frise-se, quando somos os protagonistas, as nossas sensações guardam momentos mais amplificados e outros menos precisos. E foi precisamente por perceber isso que a minha interpretação dos factos não foi a mais correcta. Por não saber que o jovem ajudara a Patrícia por duas vezes num curto espaço de tempo - quando a ajudou a levantar-se do chão e quando a agarrou pelas costas - não associei naquele acto de baixar-se com a primeira ajuda que deu à Patrícia.
Entretanto, já depois de ter descoberto estes meus graves erros de interpretação, fui ver outros vídeos. E, deste modo, consegui ver uma história mais completa e cronologicamente válida que levou a esta foto e, inclusive, o que se seguiu pouco depois de ter sido tirada...



Assim, a nossa história começa no Rossio quando se inicia a marcha da CGTP em direcção à Assembleia da República. Os organizadores gostam deste percurso porque, como as ruas são estreitas, formam-se filas mais compactas e dão logo a sensação de que há muita gente na marcha. Isso pode proporcionar fotografias mais positivas para a organização. Se partissem do Marquês de Pombal, subindo ao Largo do Rato, só tinham essa imagem na Rua de S. Bento, ou seja, quase no fim da manifestação. Assim, ao fazerem o percurso pelo Rossio e subindo a rua Garret, os jornais podem ter as fotos mais cedo. E, quando a manifestação da CGTP chegou à zona das esplanadas, Patrícia Melo Moreira e José Goulão estavam a mandar fotos junto aos Armazéns do Chiado, no fundo da rua.


Este é momento em que os manifestantes da CGTP estão na rua Garret, em marcha ordeira, sem qualquer incidente (foto publicada no seu "site" oficial da greve da CGTP)...

Só que quando a marcha ordeira da CGTP chegou à zona da esplanada da pastelaria Benard, os manifestantes não seguiram em frente, para o Chiado, em direcção ao Largo do Camões...
Não. A marcha da CGTP virou depois à direita, na rua Serpa Pinto.
E o que fez a polícia? Fechou a rua.
A polícia fechou a rua Serpa Pinto e não deixou outros manifestantes seguirem na marcha "oficial" da CGTP. Assim, para trás, no cruzamento entre a rua Serpa Pinto e a rua Garret, ao lado da Livraria Sá da Costa, junto à pastelaria Bernard, ficaram os elementos "indesejáveis" à CGTP. Estes eram os jovens conotados com movimentos anarquistas, os "anónimos" ou cidadãos solidários com a greve, mas não identificados com grupos sindicais ou políticos. E, claro, rebentou a confusão: insultos e objectos arremassados. Cabeças partidas. De acordo com as palavras de Patrícia, foi nesse momento que ela e o jornalista da Lusa subiram a correr em direcção à esplanada da pastelaria Benard:

"Entretanto, demos uma corrida até ali perto da pastelaria Benard e quando lá chegamos já havia esses confrontos entre os manifestantes e os polícias. Fizemos o nosso trabalho, começámos a fotografar".

Esta terá então sido uma das fotografias que a jornalista da AFP tirou quando lá chegou e que confirma o relato cronológico dado ainda "a quente", pois vemos os polícias na esquina da rua Serpa Pinto com a rua Garret. Repare-se então que o polícia que vai agredir Patrícia está também neste grupo. É o agente um pouco mais recuado, de colete, mas ainda assim perfeitamente identificável com os óculos escuros...



E, para perceber o ambiente tenso que então se vivia, vemos este primeiro filme, captado precisamente nesse local, onde também podemos reconhecer o jovem que irá, daí a pouco, ajudar a jornalista Patrícia Melo Moreira a levantar-se...





Assim, de acordo com as imagens deste primeiro filme, a polícia saiu depois da esquina da rua Serpa Pinto em carga e juntou-se aos elementos das forças anti-motim que, entretanto, subiram a rua Garret para uma primeira carga policial. Foi essa carga que "limpou" a área da esplanada da pastelaria Benard. Nesse momento, a jornalista da AFP tirou uma fotografia onde se vê o jovem que depois a vai ajudar a ser corrido à bastonada pela polícia e, num plano mais aproximado, está também o tal polícia que a irá agredir...



A jornalista da AFP continuou a fazer o seu trabalho até ao meio das esplanadas, conforme se pode ver nesta sua outra (excelente, diga-se) foto...



E, analisando de novo as declarações de Patrícia, o que aconteceu depois foi o seguinte:

"E o que se deu foi que os manifestantes foram recuando até quase à entrada do metro do Chiado e os polícias ficaram entre, com a esplanada, entre os manifestantes e os polícias e foi aí que se deu essa confusão toda que começaram a varrer literalmente a esplanada atirarem cadeiras, mesas, tudo, para cima dos manifestantes e para o lado, para todo o lado, e foi nesse momento que um polícia interage comigo, me manda ao chão".

Sendo assim, quando a Patrícia estava no chão, o jovem foi ter com ela e ajudou-a a levantar-se. A jornalista correu depois em direcção ao polícia com a finalidade de se identificar, mas o jovem vai atrás dela para a puxar e tudo acontece de forma tão rápida que a jornalista é novamente agredida. Foi então que o fotógrafo da Reuters, Hugo Correia, captou a sequência da agressão a Patrícia, onde esta é puxada por detrás pelo mesmo manifestante que fotografara, e, ambos, ao rodopiarem, caem no chão, com Patrícia a bater no degrau da esplanada da Brasileira. Se tivesse sido um pouco mais atrás, o embate poderia ter sido com a cabeça. E Patrícia descreveu este momento dramático da seguinte forma:

"Eu vou direita a ele [polícia] para lhe mostrar o cartão e ele aí manda-me ao chão de novo, e começa-me a bater com o cassetete, e foi depois aí que o manifestante interviu e me veio ajudar a levantar e recuar para junto dos outros manifestantes…”



Segue-se depois a segunda carga policial, aquela que vai varrer a esplanada da Brasileira e que está no "site" do "Expresso". Não há dúvidas quanto à ordem cronológica desta acção, pois o local da carga está bem identificado pela estátua de Fernando Pessoa e da famosa cadeira que faz parte do conjunto da mesmo e que um manifestante tenta pegar...

O vídeo do "Expresso".

Ora, neste filme do "Expresso", vemos ainda a jornalista Patrícia já depois da agressão, ao lado do jornalista da Reuters. E, quando a polícia anti-motim começa a aproximar-se, o que acontece? O mesmo jovem que já a ajudara por duas vezes, vem ter com ela, dá-lhe um toque no braço e fá-la correr atrás dele. É a cena final deste terceiro vídeo...




Por fim, já a chegar em segurança, ao Largo do Camões, a jornalista da AFP, faz, finalmente, estas fotos já depois da agressão...


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20120323

Chiado, 22 de Março de 2012

Da greve geral de ontem, duas imagens captadas pela câmara do jornalista da Reuters, Hugo Correia, correram o mundo, mostrando a polícia portuguesa a agredir uma jornalista da AFP, Patrícia Melo, durante o seu trabalho de reportagem...



Quem olha para as imagens vê um acto de violência gratuita: um polícia usa um bastão para agredir uma jovem jornalista que é ajudada por um jovem.
E, esta manhã, vi o vídeo que regista o momento...



O vídeo permite ter uma ideia do que se terá passado antes desta agressão. Ao olhar com alguma atenção, reparei numa história que poderá ter uma interpretação diferente daquela que correu o mundo. Não quero desculpar a violência policial, mas não estou totalmente convencido de que o objectivo do polícia fosse atingir a jornalista.
Porquê? Por causa disto:

Imagem 1 - Reparem no centro do ecrã, assinalado a vermelho: este é o jovem que irá ajudar a jornalista. Ele atravessa a zona do Chiado, vindo da esquerda para a direita do ecrã, passando em frente do cordão policial...



Imagem 2 - Aqui, o jovem desaparece por completo do ecrã. Porquê? Porque baixou-se e está tapado pelo jornalista da Reuters, Hugo Correia, na zona assinalada a vermelho...



Imagem 3 - O jovem levanta-se e aparece no ecrã. Ao mesmo tempo que o faz, a imagem mostra, ao nível do seu corpo, as pernas de uma cadeira ou de uma pequena mesa. A cabeça do jovem e as pernas do objecto estão aqui assinaladas a vermelho...



Imagem 4 - As imagens não permitem depois confirmar se o jovem atirou ou não o objecto contra a polícia, provocando assim uma reacção. Mas, vemos que corre em direcção ao cordão policial. O jovem está assinalado a vermelho. E, atrás dele, assinalado a verde, surge a jornalista Patrícia Melo...



Imagem 5 - Embora as imagens não o permitam ver, o jovem contornou depois a jornalista e escondeu-se atrás dela, usando-a como se fosse um "escudo humano". A jornalista tem a câmara apontada para a polícia...



Imagem 6 - Enquanto o jovem usa a jornalista como "escudo humano", o polícia, assinalado a amarelo, vem a correr para ambos...



Imagem 7 - Veja-se que o jovem intuiu que é ele o alvo do bastão da polícia, pois foi um elemento "provocador". Baixa-se atrás da jornalista, agarrando-a pelos braços. A jornalista julga que ele a ajuda, mas, na realidade, foi o jovem que levou a polícia até ela. E ela, nesse momento, protege-o...



Imagem 8 - E, neste momento, o jornalista da Reuters capta a imagem que irá correr o mundo, onde parece que um polícia está bater numa jornalista e que um jovem corre para a ajudar, quando, na realidade, o polícia ia atrás do rapaz...



Imagem 9 - E, depois de bater, o polícia afasta-se imadiatamente e corre para o meio do cordão policial. A azul, está o repórter da Reuters...



Não quero, com isto justificar a violência policial. Acho perigoso um estado policial, mas, como jornalista, se no futuro quiser ter razão para criticar o trabalho da polícia, tenho também de ser capaz de apontar o que não me parece ser a interpretação mais correcta de um determinado facto.
É apenas isso.

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Beirute, 1985

20120322

França, 2012

Perguntaram-me a opinião sobre o que se passou hoje em França. O jovem argelino era mesmo um terrorista? Foi realmente morto depois de ter disparado contra a polícia, que agiu em legítima defesa? Foram realizados todos os esforços para o apanharem vivo e ir a julgamento? Afinal, confessou ou não os crimes? A quem? Que credibilidade tem essa confissão? Que provas havia contra ele? Podemos acreditar que foi mesmo ele quem matou as crianças na escola judaica ou seria um "bode expiatório"? Até que ponto tudo isto não foi preparado por uma facção dos serviços secretos franceses para promover a reeleição do Presidente Sarkozy? Podemos comparar estes acontecimentos àqueles que, a 11 de Março de 2004, levaram à vitória do PSOE em Espanha e que, ainda hoje, oito anos volvidos, suscitam dúvidas?
Sou jornalista em Portugal e pouco ou nada sei, mas uma coisa vos garanto: se fosse em Portugal não deixaria de investigar estas questões. É isso que tenho vindo a fazer com outros casos. E conto, como sempre, com a ajuda de quem quer saber respostas, que são os meus leitores.

P.S. Sim, no meu perfil acrescentei alguns dados novos: está ali o meu NIB e IBAN. Agradeço donativos de qualquer valor. O trabalho passado é a única garantia que posso dar de que o donativo será merecido. O trabalho futuro dependerá da generosidade dos donativos. Obrigado.

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20120225

Jornalismo preguiçoso e perigoso ou o caso da mulher que foi atirada para a linha do metro de Londres

A estação do metro de Londres, Leicester Square, foi palco de um acto criminoso no passado dia 16 de Setembro: um homem empurrou uma mulher para a linha do metro. A BBC, num documentário sobre o metro, divulgou as imagens da câmara de vigilância e a notícia espalhou-se pelo mundo inteiro.

"Who is this vile thug? Shocking CCTV images show the moment crazed commuter shoves 23-year-old woman on to Tube tracks".

Na sequência dessas notícias, li há pouco num diário português de grande circulação a seguinte descrição dos acontecimentos: "Um homem empurrou, sem razão aparente, uma jovem de 23 anos para a linha do metro de Londres. A mulher caminhava ao longo da estação de Leicester Square quando um homem a empurrou para os carris. O atacante foi imediatamente perseguido por um jovem, que pelo que a estação televisiva BBC apurou, era namorado da vítima".

Este é um jornalismo preguiçoso e perigoso. Preguiçoso, pois basta analisar com alguma atenção as imagens para facilmente se perceber que as palavras "sem razão aparente" e "caminhava ao longo da estação" não são verdadeiras. E perigoso, pois dá a sensação de que existe, no metro de Londres, um louco que, sem qualquer explicação, anda a atirar para a linha do metro pessoas inocentes e completamente absorvidas nos pensamentos do dia-a-dia.
E isso, como se pode ver, não é verdade...

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20120204

Viva Andalucia! Eis o que cantam os poetas da Andaluzia nos dias de hoje! Caray!

Atenção, aquilo que vão ver a seguir é uma comparsa do Carnaval de Cádiz, há dias, aqui ao lado, em Espanha. No ano passado, este grupo actuou vestido de "travestis" e, este ano, arriscou apresentar-se vestidos de cinzento da cabeça aos pés. A simbolizar o "Cidadão Zero". Aliando a arte da cantiga à crítica social, acertaram em cheio. Formidável! Escutem todo o vídeo até ao fim. Arranjem 26 minutos e 15 segundos da vossa vida, chamem amigos para perto do computador, coloquem o som no máximo e ouçam, e vejam e pensem e, depois, partilhem, partilhem, partilhem. Isto passa-se no Carnaval aqui ao lado. Não nos queixemos que não temos feriados no Carnaval. Há feriados todos os dias desde que tiremos tempo para pensar e criar arte contra aquilo que nos oprime e, vejam, na canção final, a da marioneta, quem nos oprime e porquê. E libertem-se com este exemplo. Que tal um grupo de cantares alentejanos à porta do primeiro-ministro a cantar que não podemos mais? É mais eficaz do que greves e bandeiras vermelhas... Combatam a opressão com inteligência e arte, caramba!



"Diário de Cádiz".

Cadizbook.es.

Com um agradecimento ao Rafa Pal.

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20120202

Como fazer uma reportagem para televisão

20120118

Acreditar em quê ou em quem?

O jornalismo não é uma ciência exacta. Sabe-se que existem regras bem definidas como, por exemplo, confrontar mais do que uma fonte para obter diferentes versões dos acontecimentos. Há imperativos éticos que defendem que um jornalista não deve noticiar factos que lhe digam respeito pessoalmente ou politicamente. E não se deve mentir descaradamente. Depois, há a realidade: os jornalistas nem sempre têm tempo para ouvir as várias versões dos acontecimentos, nem sempre querem ouvir as várias versões porque isso não convém aos seus interesses pessoais ou políticos e confundem ética com necessidade, o que acaba sempre por dar uma grande confusão, onde uns safam-se e outros tramam-se. E ainda temos de contar com os que, não mentido descaradamente, são os mestres da omissão de factos. E os leitores, como não conhecem todos os factos, nem sequer sabem o que foi omitido. Vem isto a propósito da recente troca de acusações entre dois jornalistas: "Luís Miguel Viana ameaça processar José Manuel Fernandes por difamação". Luís Miguel Viana chama a atenção para o facto de o ex-editor de política da Lusa, Rui Baptista, que ele próprio escolheu, ser agora o assessor de Imprensa do primeiro-ministro social-democrata Pedro Passos Coelho, fazendo assim cair por terra o argumento de José Manuel Fernandes de que a Lusa estava ao serviço do ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates nas eleições de 2009. Pode parecer um argumento infalível de Luís Miguel para demonstrar a independência da Lusa face aos poderes políticos, mas o meu "jornalismo científico" coloca agora uma hipótese: será justo assumirmos que a vitória de José Sócrates foi obra de um Rui Baptista que, na editoria de política da Lusa durante as eleições de 2009, não permitiu uma cobertura mais justa à campanha da então líder social-democrata Manuela Ferreira Leite - que, recorde-se, não convidara Passos Coelho a integrar as listas de candidato a deputado - perdendo assim uma corrida contra um José Sócrates que já começara a dar evidentes sinais de fim de regime? A hipótese é terrível, mas os factos estão à vista para a colocar. Afinal, as tácticas de manipulação das contratações nas redacções e as técnicas de manipulação dos títulos das peças jornalísticas são tão antigas como no tempo da ditadura como no tempo da nossa Democracia. Para um exemplo prático desta velha luta, basta ler o seguinte texto, datado de Maio de 1979 e publicado no "Diário de Lisboa"...

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