20121017

Que da noite se faça o dia

Vamos lá ver se nos entendemos. Há jornalistas em risco de desemprego na agência Lusa, há despedimentos anunciados no diário Público, revistas que fecham e outras que cortam nas colaborações dos jornalistas externos. Não há “cheta”, diz-se. A crise não justifica tudo, mas ajuda. Pois, numa altura destas, em que tudo parece desmoronar-se, vejo aqui a melhor oportunidade para se construir algo sólido. No entanto, para tal, é necessário perceber como é que se chegou ao jornalismo que se produz nos dias de hoje. E perceber o que se quer. É que parece que ainda há quem não tenha percebido. Por exemplo, o Sindicato dos Jornalistas ainda não percebeu, pois acabou de me informar que, no dia 18, pelas 11 da manhã, vai haver uma vigília de jornalistas em frente à Presidência do Conselho de Ministros, como se isso fosse mudar algo. É que não vai, não. E vou explicar porquê. Vou fazê-lo através de uma peça de teatro. Chama-se “A Noite”, estreou em Maio de 1979, e foi representada pela primeira vez pelo Grupo de Teatro de Campolide. Foi escrita por José Saramago. O prémio Nobel da Literatura de 1998. A noite é a noite de 24 para 25 de Abril, no ano de 1974.
A acção passa-se na redacção de um jornal não identificado. Há um administrador, dois contínuos, um director, um chefe de redacção, a secretária de redacção, redactores de “Província”, “Parlamentar”, “Estrangeiro”, “Cidade” e “Desportivo”, mais dois redactores não especificados, um fotógrafo e uma estagiária. Depois, temos ainda o chefe de tipografia, um linotipista e um compositor manual. Estes três últimos são os principais motores da acção e proporcionam alguns diálogos bastante críticos. Quando, por exemplo, o chefe de tipografia, Jerónimo (Valdemar de Sousa), enfrenta o chefe de redacção, Abílio Tavares (António Assunção) por causa de uma notícia da Guarda, preparada pelo redactor da secção “Província”, Torres (Luís Alberto), dá-se o seguinte diálogo: ++++ - VALADARES (Levantando-se) Você não me vem ensinar o direito que eu tenho. Nesta Redacção quem manda sou eu. Eu é que resolvo o que se publica ou não se publica. A notícia da Guarda não tem interesse para o jornal, já há pouco me tinha querido parecer e agora confirmei. Precisa de mais explicações? (Para Jerónimo.) Pode ir. Daqui a pouco lhe mando o artigo do director. - JERÓNIMO (Ao afastar-se, bate no ombro de Torres) Deixa lá, não te rales tanto. O verbo é sempre o mesmo: eu obedeço, tu obedeces, ele manda. E para quê? Para fazer uma coisa que de jornal só tem o nome e o papel... (Encaminha Torres para o seu lugar.) - VALADARES O senhor Jerónimo far-me-á o favor de não vir para aqui indisciplinar a Redacção. Guarde esses entendimentos lá para fora. Aqui não admito. Para cumprir a sua obrigação profissional, só tem que falar comigo ou com os redactores que eu designar para o efeito. Percebeu? - JERÓNIMO (Volta a Valadares) Ouça, senhor chefe da Redacção, estou pouco interessado em discutir consigo, nada interessado até, mas uma vez que me pediu por favor que não indisciplinasse a Redacção, não lhe vou ficar atrás em delicadeza. Portanto, faça por sua vez o favor de admitir que eu, como trabalhador deste jornal, ou prefere que diga funcionário?, tenho tanto direito como o senhor a dar opiniões sobre o que neste jornal se passa e o que este jornal faz. E se o senhor é o chefe da Redacção e está a dizer-me que me lembre disso, lembro-lhe eu que sou o chefe da Oficina... - VALADARES Da Oficina, não. Do turno da noite. - JERÓNIMO Coitado de você, se não fosse o turno da noite, coitado do seu lindo jornal, se não fosse o turno da noite. (Para Torres.) Não faças caso. (Vai dirigir-se para a porta da tipografia, mas volta atrás subitamente.) Apesar de tudo, também sou leitor deste jornal. (Sorri.) ++++ Nesta altura da noite ainda não se sabia que estava uma revolução na rua. Quando se começou a falar de movimentações de tropas, entram na redacção Jerónimo, acompanhado por Afonso, o linotipista e Damião, da composição manual. E diz Valadares: - Que se passa? Há algum problema? Três já fazem comissão… - JERÓNIMO (Com serenidade que cobre uma exaltação profunda) Está uma revolução na rua. O que é que o jornal vai fazer? Quando começam a ir originais para dentro? ++++ Como se vê através do diálogo, em 1974, na altura da última revolução conhecida em Portugal, os jornais eram uma máquina com vários elementos que se completavam. Os jornalistas trabalhavam com a matéria-prima que o dia-a-dia lhe proporcionava e tinham de produzir notícias que, antes de chegarem aos leitores, eram entregues aos tipógrafos. Estes, por sua vez, pegavam nas notícias como matéria-prima do seu trabalho, e passavam depois para a composição e impressão. Um trabalho de equipa. Neste ritmo de trabalho, no entanto, havia um claro jogo de poderes. Note-se no momento da noite em que Valadares pergunta a Jerónimo como é que soubera que havia uma revolução na rua. E o chefe da Oficina esclareceu: - Não tenho nada que responder. Digo que está uma revolução na rua, e, como chefe da Oficina, venho perguntar que é que o jornal faz. O resto é com os senhores jornalistas. Eles é que são pagos para saber as notícias. ++++ E, mais à frente no diálogo, quando se tenta perceber se o golpe é de direita ou esquerda, Jerónimo dita condições: - Se o golpe for de direita, ainda mais de direita, temos de estar preparados. Se for da esquerda… (Interrompe-se, quebra pela primeira vez a sua aparente impassibilidade, apoia-se nos ombros dos companheiros) Se for de esquerda, será a noite da nossa festa, e isto de festas, o melhor é começá-las o mais cedo possível. (Outro tom) Dou-lhe um quarto de hora para nos dizer o que pensa fazer. O jornal tem de começar a andar, e não há notícias na tipografia, nem vejo que as estejam a preparar aqui. Um quarto de hora. ++++ O poder dos tipógrafos era tremendo. Eles podiam condicionar o trabalho dos jornalistas e funcionavam como uma sociedade à parte. Os empregos nas tipografias passavam de pais para filhos. Para que houvesse um bom produto final, era necessário conciliar a harmonia entre a redacção e a tipografia. Mas, na hora do balanço final, eram os tipógrafos que tinham mais força. Quando os jornalistas faziam greve para reivindicar os seus direitos, tinham de contar com o apoio solidário dos tipógrafos, senão a greve falhava. Afinal, os tipógrafos eram os únicos que detinham o poder de evitar que uma edição feita apenas por um director, chefe de redacção e um estagiário. Se não pudesse ser impressa, não chegava à rua. Se os tipógrafos fizessem greve, não precisavam da solidariedade dos jornalistas. Estes podiam escrever as notícias que quisessem, mas não seriam depois impressas e distribuídas. E isso durava o tempo que os tipógrafos quisessem. Dez anos mais tarde, em Inglaterra, um australiano chamado Rupert Murdoch acabou com isso tudo. De um dia para o outro, aproveitando as novas tecnologias, conseguiu despedir de uma assentada, 2500 tipógrafos. E os que fizeram os jornalistas? Foram solidários com os camaradas trabalhadores do seu jornal? Não. Gostaram da ideia de já não dependerem da influência dos tipógrafos e continuaram a trabalhar.
Hoje, os jornalistas são as vítimas dessa falta de solidariedade. Não adianta andarem a fazer greves, pois não há a solidariedade dos tipógrafos. Não há a solidariedade de ninguém. Os jornais vão ser impressos na mesma. Não contem, por isso, com a solidariedade dos leitores. Esses têm mais em que pensar e estão-se a marimbar para os jornalistas. Querem é um produto final que lhes agrade. Se encontrarem, compram. Se não encontrarem, vão à procura em publicações estrangeiras. O Sindicato dos Jornalistas já não representa quase ninguém, pois não há jornalistas nas redacções: existem para lá uns tipos que alinham uns comunicados, fazem uns telefonemas para amigos e tentam ganhar a vida a produzir umas coisas para encher a tempo a internet e para ser impresso numa folha de papel de acordo apenas com o único critério daquilo que eles acham que é importante e, no fundo, reproduz apenas o gosto do seu umbigo. Um sindicato que queira fazer qualquer coisa para mudar isso, deveria olhar para as condições em que muitas redacções se “alimentam” para produzirem notícias. Quem são os profissionais, quais os seus salários e quais as condições de trabalho. Qual o fosso salarial entre quem manda e quem obedece? E, depois, como são divulgadas para os leitores, por que meios? Nessa altura, vão perceber que não há jornalistas. Há apenas órgãos de Comunicação Social. Sem jornalistas, pois é preciso abdicar da qualidade de ser jornalista para poder sobreviver àquilo que hoje se faz. E é por isso que eu digo que esta é uma época radiosa para quem quiser ser jornalista. A edição em livro da peça de teatro de José Saramago tem uma frase introdutória. É uma frase que eu já dizia há muito tempo, ainda antes de a conhecer nesta obra. Diz assim: “Todos faremos jornais um dia”. E é verdade. Que da noite se faça o dia.

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20100621

O génio da banalidade não se despediu do Prémio Nobel

Sabemos que Saramago não era grande apreciador de Cavaco Silva...



Qualquer um compreenderia, portanto, que o cidadão Cavaco Silva não quisesse estar presente na cerimónia fúnebre dedicada ao cidadão José Saramago. Agora, é ridículo o alegado presidente "de todos os portugueses" justificar a sua ausência física no funeral do único Prémio Nobel da Literatura português que ainda estava vivo alegando que é "diferente daquilo que deve ser feito pelos amigos ou pelos conhecidos. Devo dizer que nunca tive o privilégio na minha vida, se me recordo, de alguma vez conhecer ou encontrar José Saramago" e que emitiu "uma nota oficial prestando homenagem à obra literária de José Saramago e ao seu contributo para a projecção da cultura portuguesa no mundo, enviou uma coroa de flores e promulgou o decreto de declaração de dois dias de luto nacional. Hoje [ontem] de manhã, o meu chefe da Casa Civil e o meu chefe da Casa Militar apresentaram sentidas condolências aos familiares de José Saramago". Esclarecendo igualmente que "todos os portugueses sabem que desde quinta-feira à noite estou nos Açores, em S. Miguel, cumprindo uma promessa que fiz há muito tempo a toda a minha família, filhos e netos, de lhes mostrar as belezas desta região".
Acrescento ainda que, para além dos líderes do PCP e BE, o outro líder de um partido político português que esteve presente na cerimónia privada foi Paulo Estêvão, presidente do PPM, e que é dos... Açores.

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20100619

Saramago no céu de Lisboa

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20100618

O dia e o ano da morte de José Saramago

20100213

Em defesa do juiz Mau

Tenho evitado comentar o actual estado de espírito da Nação. Já vi este filme e sei qual é o objectivo que se pretende atingir: eleições antecipadas. Tenho pena da manipulação pública que está a ser feita em nome da "Liberdade de Expressão" e o desrespeito da palavra "Justiça", cujo conceito é cada vez mais difícil de entender. O nosso Nobel da Literatura, José Saramago, a propósito de um texto em defesa do juiz Baltasar Garzón, hoje publicado no diário espanhol "El País", lembrou a pintura que existe na aldeia alentejana de Monsaraz onde estão representados o juiz Bom e o juiz Mau. O "Bom" é imaculado, o "Mau" tem duas faces. São esses seres de duas faces que me incomodam, mas é com eles que temos de conviver. Não acredito que existam pessoas genuinamente boas, mas também não creio que haja pessoas genuinamente más. Acredito que Armando Vara e José Sócrates, e até mesmo o empresário Joaquim Oliveira, em privado, são seres humanos com compaixão, emocionam-se e, conscientes do poder social que têm, devem mesmo querer melhorar a vida de muitos dos seus concidadãos anónimos. Também acredito que outros políticos defensores dos direitos dos trabalhadores e dos oprimidos, quando podem, comem caviar e mandam entregar em casa compras pagas com cartões de crédito dourados, benefícios pessoais que urge manter a todo custo. Mesmo à custa daqueles que dizem defender. Já tenho idade suficiente para saber que ninguém se vai atravessar por mim quando estiver na penúria por não ter mais nenhum espaço onde escrever e ganhar a vida como jornalista. Sei que só dependo de mim mesmo e daquilo que conseguir fazer. Já não sou um "jornalista novo", no entanto também não sou conhecido por fazer "fretes". Posso ser, contudo, como o "juiz Mau" e ter duas caras. Mas, pelo menos, uma delas é capaz de ser boa. Agora, imaculado, ninguém pode dizer em consciência que o é. E assumir isto, é um bom ponto de partida para melhorar muita coisa.

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20091030

Migalhas

Os livros de Saramago nunca me arrebataram completamente, pois grande parte do meu imaginário está, felizmente, “contaminado” pela boa Banda Desenhada que sempre li. Assim, as parábolas de uma Península Ibérica que se separa do resto da Europa como um jangada de pedra ou aquela da população que fica cega de um dia para outro, são universos que, para mim, têm paralelo em BDs editadas muito antes de Saramago ter escrito os seus livros. Aliás, já aqui tinha falado disso. A mais recente “provocação” do escritor com a obra “Caim” teve em mim o mesmo efeito, pois todas as palavras que ouvi sobre o velho testamento já soavam a desfasadas, sobretudo aquelas onde Saramago diz que o Deus do Velho Testamento é um tipo com mau carácter. Agora, para confirmar esta ideia, anuncio a recente publicação da adaptação do Velho Testamento em Banda Desenhada feita pelo veteraníssimo, polémico e genial autor norte-americano Robert Crumb. E este trabalho, ao contrário do despudor com que foi anunciado o facto de Saramago ter demorado apenas 4 meses a escrever "Caim", custou a Crumb cinco anos da sua vida.

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20091021

Deus acredita em Saramago

Acho que Saramago ainda vai muito a tempo de um dia poder vir a conhecer Deus...

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20081219

Nada se cria

20080609

Saramago atirado ao chão

Certamente que se recordam do singelo esclarecimento sobre as circunstâncias da afirmação de António Lobo Antunes, na entrevista com Carlos Vaz Marques à renascida revista Ler, de que José Saramago teria atirado ao chão um livro dele.
Agora, no segundo número da nova fase da revista (o nº70), o mesmo Carlos Vaz Marques foi falar com José Saramago, em Lanzarote...



... e a dada altura da entrevista abordou o assunto do livro de Lobo Antunes, alegadamente atirado ao chão pelo nosso Nobel...




Deduzo que a entrevista de Carlos Vaz Marques terá sido realizada antes do esclarecimento - que, aliás, foi devidamente registado no blog da revista. Espero que, pelo menos no próximo número da Ler, alguém explique a história aos leitores da edição impressa... É que eles também têm direito a serem informados.

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20080429

Pequeno esclarecimento e singelo contributo para a História da grande Literatura em Portugal...

Estava a ler a entrevista de Carlos Vaz Marques ao escritor António Lobo Antunes na retornada revista "Ler"...



... quando tive de parar neste diálogo sobre a rivalidade entre o entrevistado e o Nobel da Literatura, José Saramago...



A afirmação de que houve um livro de Lobo Antunes atirado ao chão por José Saramago - acto do qual Lobo Antunes garante ter visto registo fotográfico - creio que só poderá dizer respeito a um trabalho que fiz - juntamente com a Carla Pernes e o António Nascimento -, em 1998, no entretanto extinto semanário "Tal&Qual" (que espera também pelo dia em que "retornará").
No Natal daquele ano, vesti-me de Pai Natal e fui oferecer prendas a algumas personalidades públicas. Eram prendas obviamente provocantes, muito ao estilo da filosofia do jornal. Assim, por exemplo, demos um livro de discursos de Mário Soares ao Presidente Jorge Sampaio - que nos agradeceu tendo enviado um livro devidamente autografado com discursos seus para a nossa redacção... -, demos uma foto de Pinto da Costa ao então presidente do Benfica, Vale e Azevedo, uma tampa de sanita para o ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, e sapatos de salto alto para a ministra da Saúde, Maria de Belém.



Na parte final da reportagem, soubemos que José Saramago, acabado de regressar de Estocolmo onde fora receber o Nobel da Literatura, estava num hotel de Lisboa perto da nossa redacção, então situada no Marquês de Pombal. Decidimos oferecer-lhe um livro de António Lobo Antunes. Na livraria Buchholz, nessa tarde, escolhi o "Livro de Crónicas", editado um mês antes. Vesti-me de Pai Natal e fui com o repórter fotográfico, o José Carlos Pratas, para o hotel.
Nunca soube a razão da zanga entre ambos e pensava até que seria algo exagerada. Acreditava, ingenuamente, que a minha prenda iria ser recebida com algum desportivismo, como aliás todas as outras que oferecera - até à altura, apenas o então primeiro-ministro António Guterres se recusara a receber e abrir a sua prenda, mas isso é uma outra história que um dia também vai ser explicada...
Saramago apareceu no lobby do hotel e fiz a rábula: "Olá, sou o Pai Natal do 'Tal&Qual' e tenho aqui uma prenda que espero que não leve a mal".
O escritor parecia um menino quando lhe passei o embrulho para as mãos. Os olhos brilhavam e perguntava à medida que rasgava o papel à minha frente com um sorriso: "Ah, mas o que será?". Naquele momento, por uns segundos, fiquei suspenso a aguardar a reacção. Assim que topou o nome do escritor rival bem visível e impresso com letras encarnadas, os olhos do Nobel da Literatura fulminaram-me. Fiquei sem reacção, apenas de boca aberta e só consegui estender a mão para receber de volta o livro. Saramago ainda me disse: "Tome, não aceito e considero isto uma provocação"...



José Saramago não atirou nenhum livro de António Lobo Antunes para o chão. Pelo menos do ponto de vista literal do termo. Do ponto de vista literário, o nosso título acabou por ser um jogo de palavras com o nome do livro do Nobel, "Levantado do Chão"*. Contudo, o acto em si foi pior do que atirar o livro de Lobo Antunes para o chão, conforme demonstra a sequência do que se passou, sagazmente captada pela lente do Pratas. Saramago foi de uma frieza tal que nunca consegui compreender.
Aqui fica o esclarecimento sobre algo que acredito ser o que Lobo Antunes referiu na entrevista à "Ler". Espero assim que, um dia, daqui a muitos anos, quando alguém se debruçar sobre o assunto e recolher aquela afirmação de Lobo Antunes e procure verificar a situação, encontre aqui a explicação. Para que a afirmação de Lobo Antunes não seja descontextualizada e se transforme em mais uma certeza errada.
Quanto ao "Livro de Crónicas" que José Saramago me deu para a mão, está aqui, em minha casa, bem guardadinho, lido e relido...



*"Portanto, o livro chama-se Levantado do Chão porque, no fundo, levantam-se os homens do chão, levantam-se as searas, é no chão que semeamos, é nos chão que nascem as árvores e até do chão se pode levantar um livro". (Palavra de José Saramago)

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