20120711

Mais flores do meu jardim

20120606

Como fazer uma investigação secreta...

Em 2003, o então director do "Expresso", José António Saraiva, actual director do "Sol", publicou este livro de memórias... Na página 203, divulgou como e quando Pinto Balsemão conheceu Emídio Rangel, o futuro director da sua televisão privada, SIC. Saraiva, apesar de não mencionar a data em concreto em que esta história se terá passado, forneceu, no entanto, informações necessárias para establecer com exactidão o dia da semana, mês, ano e até as horas em que tudo aconteceu. Repare-se como é extremamente fácil lá chegar: "Em fins de 1988", começou por dizer, establecendo um período de tempo que podemos calcular como sendo aproximado entre os meses de Outubro a Dezembro. Depois, acrescentou o detalhe que foi durante a "segunda edição do 'Prémio Pessoa'", o que acabou por limitar a data para o mês de Novembro de 1988, altura em que o poeta António Ramos Rosa ganhou o "Prémio Pessoa". Afirma Saraiva que esteve no jantar que antecede a reunião do júri e que "se realiza sempre na noite de quarta-feira, reunindo o júri já durante todo o dia de quinta". Através de uma consulta aos arquivos do "Expresso" - em consulta livre na Hemeroteca de Lisboa - podemos comprovar que o "Prémio Pessoa" de 1988 foi anunciado na manhã de sexta-feira, dia 11 de Novembro de 1988, cuja notícia seria publicada no "Expresso" do dia seguinte, sábado, 12 de Novembro... Portanto, qualquer pessoa poderá ser perfeitamente capaz de establecer, de uma forma legal, que, na noite de quarta-feira, dia 9 de Novembro de 1988, durante um jantar em Seteais, Pinto Balsemão terá pedido ao director do "Expresso" que evitasse a publicação de uma notícia sobre si no "Tal&Qual" dessa semana. No dia seguinte a este pedido, na quinta-feira, dia 10 de Novembro de 1988, o grande arquitecto Saraiva reuniu-se com Emídio Rangel, à hora do almoço, no restaurante "Pabe", ao lado da então sede do "Expresso", na rua Duque de Palmela. Depois dessa reunião, Emídio Rangel terá contactado a direcção do "Tal&Qual" que, em Novembro de 1988, funcionava ali perto, na rua Rodrigo da Fonseca, conforme está registado na ficha técnica da edição publicada no dia seguinte, sexta-feira, 11 de Novembro de 1988... E, depois de ler toda a edição, confirmo que o nome de Pinto Balsemão não foi publicado em nenhuma notícia.

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20120110

Pequeno contributo para a história da maçonaria em Portugal - "Tal&Qual", 1995





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20090709



Já saiu o número 2 do "Semanário Privado"... E a julgar pelas histórias, é cada vez mais o novo "Tal&Qual".
Bravo!

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20090313

Do álbum de glórias do "Tal&Qual"





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20090312

O "Tal&Qual" não fazia "pactos de silêncio"...

Na continuação da denúncia sobre a falta de liberdade no jornalismo, Carlos Narciso lembrou a crónica "Pactos de Silêncio", escrita por Mário Crespo no "Jornal de Notícias" de 29 de Setembro do ano passado. O texto era sobre o escândalo das casas da Câmara de Lisboa. Recorde-se que, por exemplo, a vereadora do PS responsável pela Acção Social da Câmara de Lisboa, Ana Sara Brito, apesar de ter uma reforma de 3350 euros "pagava 146 euros de renda à autarquia por uma casa de duas assoalhadas no centro da cidade, na Rua do Salitre"...
Mário Crespo lembrou que o caso não era novidade. Ele próprio levantara a questão em finais de 1989, quando moderou o debate televisivo entre os candidatos à Câmara de Lisboa. Os candidatos, para quem não sabe, eram Jorge Sampaio (agora ex-Presidente da República), Marcelo Rebelo de Sousa (ex-líder do PSD e agora putativo candidato a Presidente da República) e Hermínio Martinho (ex-líder do PRD, partido fundado por inspiração do ex-Presidente da República Ramalho Eanes e que agora é o partido de extrema-direita PNR).
Mário Crespo lembrou na crónica que "havia advogados, arquitectos, engenheiros, médicos, muitos políticos e jornalistas. Aqui aparecia o nome de personagem proeminente na altura que era chefe de redacção na RTP. A lista discriminava os montantes irrisórios que pagavam pelo arrendamento dos apartamentos topo de gama na Quinta do Lambert". E destacou ainda que "confrontados com esta prova de ilicitude, os candidatos às autárquicas de 1989 prometeram, todos, pôr fim ao abuso". E, já agora, lembre-se que quem então ganhou as eleições foi o ex-Presidente da República Jorge Sampaio.
Escreveu ainda Mário Crespo na sua crónica de 29 de Setembro de 2008: "O desaparecido semanário Tal e Qual foi o único órgão de comunicação que deu seguimento à notícia. Identificou moradores, fotografou o prédio e referiu outras situações de cedência questionável de património camarário a indivíduos que não configuravam nenhum perfil de carência especial. E durante vinte anos não houve consequência desta denúncia pública"...
Peço desculpa aos meu leitores pelo atraso, mas aqui está a cópia do artigo de duas páginas do desaparecido "Tal&Qual" - em cuja redacção aprendi muito durante os oito anos em que lá estive. E, sim, para vergonha da República, já lá então estava a história da vereadora Ana Sara Brito, a 15 de Dezembro de 1989...

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20080703

As coisas que ele sabe

O meu antigo director no "Tal&Qual", José Paulo Fafe, criou um blogue. Se sou um jornalista "mui" atento a certos detalhes, tal como ele o diz, que se saiba então que muito do que aprendi sobre o que está por detrás de algumas notícias, ao Zé Paulo o devo. Portanto, um blogue a visitar regularmente, cujo "link" vai directamente para a coluna aqui do lado.

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20080429

As outras prendas do Pai Natal do "Tal&Qual"









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Pequeno esclarecimento e singelo contributo para a História da grande Literatura em Portugal...

Estava a ler a entrevista de Carlos Vaz Marques ao escritor António Lobo Antunes na retornada revista "Ler"...



... quando tive de parar neste diálogo sobre a rivalidade entre o entrevistado e o Nobel da Literatura, José Saramago...



A afirmação de que houve um livro de Lobo Antunes atirado ao chão por José Saramago - acto do qual Lobo Antunes garante ter visto registo fotográfico - creio que só poderá dizer respeito a um trabalho que fiz - juntamente com a Carla Pernes e o António Nascimento -, em 1998, no entretanto extinto semanário "Tal&Qual" (que espera também pelo dia em que "retornará").
No Natal daquele ano, vesti-me de Pai Natal e fui oferecer prendas a algumas personalidades públicas. Eram prendas obviamente provocantes, muito ao estilo da filosofia do jornal. Assim, por exemplo, demos um livro de discursos de Mário Soares ao Presidente Jorge Sampaio - que nos agradeceu tendo enviado um livro devidamente autografado com discursos seus para a nossa redacção... -, demos uma foto de Pinto da Costa ao então presidente do Benfica, Vale e Azevedo, uma tampa de sanita para o ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, e sapatos de salto alto para a ministra da Saúde, Maria de Belém.



Na parte final da reportagem, soubemos que José Saramago, acabado de regressar de Estocolmo onde fora receber o Nobel da Literatura, estava num hotel de Lisboa perto da nossa redacção, então situada no Marquês de Pombal. Decidimos oferecer-lhe um livro de António Lobo Antunes. Na livraria Buchholz, nessa tarde, escolhi o "Livro de Crónicas", editado um mês antes. Vesti-me de Pai Natal e fui com o repórter fotográfico, o José Carlos Pratas, para o hotel.
Nunca soube a razão da zanga entre ambos e pensava até que seria algo exagerada. Acreditava, ingenuamente, que a minha prenda iria ser recebida com algum desportivismo, como aliás todas as outras que oferecera - até à altura, apenas o então primeiro-ministro António Guterres se recusara a receber e abrir a sua prenda, mas isso é uma outra história que um dia também vai ser explicada...
Saramago apareceu no lobby do hotel e fiz a rábula: "Olá, sou o Pai Natal do 'Tal&Qual' e tenho aqui uma prenda que espero que não leve a mal".
O escritor parecia um menino quando lhe passei o embrulho para as mãos. Os olhos brilhavam e perguntava à medida que rasgava o papel à minha frente com um sorriso: "Ah, mas o que será?". Naquele momento, por uns segundos, fiquei suspenso a aguardar a reacção. Assim que topou o nome do escritor rival bem visível e impresso com letras encarnadas, os olhos do Nobel da Literatura fulminaram-me. Fiquei sem reacção, apenas de boca aberta e só consegui estender a mão para receber de volta o livro. Saramago ainda me disse: "Tome, não aceito e considero isto uma provocação"...



José Saramago não atirou nenhum livro de António Lobo Antunes para o chão. Pelo menos do ponto de vista literal do termo. Do ponto de vista literário, o nosso título acabou por ser um jogo de palavras com o nome do livro do Nobel, "Levantado do Chão"*. Contudo, o acto em si foi pior do que atirar o livro de Lobo Antunes para o chão, conforme demonstra a sequência do que se passou, sagazmente captada pela lente do Pratas. Saramago foi de uma frieza tal que nunca consegui compreender.
Aqui fica o esclarecimento sobre algo que acredito ser o que Lobo Antunes referiu na entrevista à "Ler". Espero assim que, um dia, daqui a muitos anos, quando alguém se debruçar sobre o assunto e recolher aquela afirmação de Lobo Antunes e procure verificar a situação, encontre aqui a explicação. Para que a afirmação de Lobo Antunes não seja descontextualizada e se transforme em mais uma certeza errada.
Quanto ao "Livro de Crónicas" que José Saramago me deu para a mão, está aqui, em minha casa, bem guardadinho, lido e relido...



*"Portanto, o livro chama-se Levantado do Chão porque, no fundo, levantam-se os homens do chão, levantam-se as searas, é no chão que semeamos, é nos chão que nascem as árvores e até do chão se pode levantar um livro". (Palavra de José Saramago)

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20071014

Como mataram o Tal&Qual

Um dos passos para a morte do "Tal&Qual" foi dado há cinco anos.



Aliás, abordei este episódio num Conto de Natal.

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Manchetes Tal&Qual 6





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