20090504

Por que não te calas?


Diário Económico

Jorge Sampaio, o ex-advogado ex-secretário-geral do PS, ex-Presidente da Câmara de Lisboa, ex-Presidente da República e actual inquilino do antigo estúdio e pintura da Rainha D. Amélia, acha-se novamente ungido para dizer o que lhe apetece sobre a governabilidade do País: "A crise e os desafios com que o nosso país se confronta exigem alguns consensos transversais inter-partidários sob pena de Portugal se tornar ingovernável", disse. Ele, que ficará para a história como "Sampaio I, o Fazedor de Maiorias para os Amigos", tem ainda o topete de chamar a atenção para o exemplo da Democracia no Reino de Espanha: "O antigo presidente da República criticou ainda os que afirmam 'que as maiorias relativas são óptimas', lembrando que acordos pré e pós eleitorais são comuns em Espanha". Sabe, señor ex-Presidente da República, qual a diferença entre Portugal e Espanha? É que em Espanha não há uma divisão de poderes entre Presidente da República e primeiro-ministro. Existe lá um Chefe de Estado que reina, para os que os governos eleitos pelo povo tenham todas as condições de fazerem governos que governem. E isto sem a necessidade de haver constantemente um "paizinho" que lhes diga como é que o devem fazer. Por isso, por que não te calas, pá?

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20090326

E o que fizeste tu, caramba?

O ex-secretário-geral do PS, ex-presidente da Câmara de Lisboa e ex-Presidente da República, Jorge Sampaio, anda pelo Brasil a queixar-se da fraca qualidade das discussões políticas em Portugal: "A Assembleia da República que é um órgão fundamental no país, de soberania, sede da representação popular tem de arrumar estes assuntos e andar para a frente. Bons inquéritos, boas interpelações, boas respostas do Governo, criar um bom ambiente de confronto político útil e não estas coisas que a meu ver me parecem muito periféricas. As notícias que tive de Portugal nestes dias foi o penalti que foi marcado contra o Sporting e o provedor de justiça. Convirá que é pouco".
Explique-se a Jorge Sampaio que tudo isto é uma questão de exemplo político que deve partir sempre das instituições superiores.
Jorge Sampaio deveria ter feito um exame de consciência quando, no dia em que fez o anúncio da sua recandidatura a Belém, a principal notícia do dia foi o pontapé do Marco dentro da casa do "Big Brother". Mas, o seu então assessor de Imprensa (actual porta-voz do Benfica) andara por terras de Espanha a convencer Luís Figo a dar o apoio à recandidatura.
Se Jorge Sampaio também não tivesse reconduzido um governo de direita para depois o demitir quando o seu partido resolvera a questão de liderança, então também teríamos uma democracia diferente.
Diz-se ainda que "o ex-presidente da República espera por isso que a democracia portuguesa siga um outro caminho". Pois, eu também!

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20090312

O "Tal&Qual" não fazia "pactos de silêncio"...

Na continuação da denúncia sobre a falta de liberdade no jornalismo, Carlos Narciso lembrou a crónica "Pactos de Silêncio", escrita por Mário Crespo no "Jornal de Notícias" de 29 de Setembro do ano passado. O texto era sobre o escândalo das casas da Câmara de Lisboa. Recorde-se que, por exemplo, a vereadora do PS responsável pela Acção Social da Câmara de Lisboa, Ana Sara Brito, apesar de ter uma reforma de 3350 euros "pagava 146 euros de renda à autarquia por uma casa de duas assoalhadas no centro da cidade, na Rua do Salitre"...
Mário Crespo lembrou que o caso não era novidade. Ele próprio levantara a questão em finais de 1989, quando moderou o debate televisivo entre os candidatos à Câmara de Lisboa. Os candidatos, para quem não sabe, eram Jorge Sampaio (agora ex-Presidente da República), Marcelo Rebelo de Sousa (ex-líder do PSD e agora putativo candidato a Presidente da República) e Hermínio Martinho (ex-líder do PRD, partido fundado por inspiração do ex-Presidente da República Ramalho Eanes e que agora é o partido de extrema-direita PNR).
Mário Crespo lembrou na crónica que "havia advogados, arquitectos, engenheiros, médicos, muitos políticos e jornalistas. Aqui aparecia o nome de personagem proeminente na altura que era chefe de redacção na RTP. A lista discriminava os montantes irrisórios que pagavam pelo arrendamento dos apartamentos topo de gama na Quinta do Lambert". E destacou ainda que "confrontados com esta prova de ilicitude, os candidatos às autárquicas de 1989 prometeram, todos, pôr fim ao abuso". E, já agora, lembre-se que quem então ganhou as eleições foi o ex-Presidente da República Jorge Sampaio.
Escreveu ainda Mário Crespo na sua crónica de 29 de Setembro de 2008: "O desaparecido semanário Tal e Qual foi o único órgão de comunicação que deu seguimento à notícia. Identificou moradores, fotografou o prédio e referiu outras situações de cedência questionável de património camarário a indivíduos que não configuravam nenhum perfil de carência especial. E durante vinte anos não houve consequência desta denúncia pública"...
Peço desculpa aos meu leitores pelo atraso, mas aqui está a cópia do artigo de duas páginas do desaparecido "Tal&Qual" - em cuja redacção aprendi muito durante os oito anos em que lá estive. E, sim, para vergonha da República, já lá então estava a história da vereadora Ana Sara Brito, a 15 de Dezembro de 1989...

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20090108

Sexo, drogas e Portugal

20081217

Ética Republicana? Ou vontade de regressar à Ditadura?

"Sampaio disse ainda que, hoje, 'as democracias estão sobre enorme pressão' e que 'quatro anos podem não chegar para uma boa governação'.

Também Marcelo Rebelo de Sousa admitiu 'querer mais' da democracia. O comentador identificou 'a partidarização da Administração Pública', 'a fraqueza da sociedade civil', 'os vícios do poder local' e a 'educação' como os principais cancros da democracia. Num encontro em que se falou muito de 'liberdade' Marcelo criticou a ERC dizendo que agora, por imposição, está 'habituado a falar 20 minutos'.

As conclusões do debate, ficaram a cargo de Marques Mendes, mas, tal como foi dito pelos presentes, resumem-se na citação de Churchill: 'A democracia é o pior de todos os sistemas, à excepção de todos os outros'


Comentários:

Quando Jorge Sampaio, ex-Presidente da República, se queixa de que "quatro anos podem não chegar para uma boa governação", está a pedir mais do que Manuela Ferreira Leite. É que ela , ao menos, contentava-se com apenas seis meses de ditadura.

Quando o comentador Marcelo Rebelo de Sousa se queixa de que agora só pode falar durante 20 minutos, diga-se-lhe há muitos portugueses que gostariam de ter a oportunidade de, pelo menos uma vez na sua vida, ter um minuto na televisão do Estado para poder dizer ao país o que pensa em vez da ditadura das conversas de família de Marcelo.

Quanto às conclusões de Marques Mendes, acrescente-se que as mesmas são apenas naturais num país onde ainda não há liberdade para se fazer cumprir a democracia.

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20080214

Se fosse cá...

O vídeo com as últimas palavras gravadas por Alfredo Reinado que a Focus colocou no You Tube já circulava há um mês, mas a revista teve acesso a uma cópia vinda directamente de Timor com partes em tétum e fez o tratamento jornalística das mesmas no artigo depois publicado. Quando Reinado foi morto era importante explicar os pensamentos do homem que esteve por detrás dos acontecimentos que, em 2006, levaram à demissão do primeiro-ministro Mari Alkatiri. Para que compreendam melhor a indignação de Alfredo Reinado, pensem no que sentiriam se, depois de terem ajudado o Presidente Jorge Sampaio a conspirar contra Santana Lopes, ele deixava-os "cair" e ocupava o cargo de primeiro-ministro apesar do PS até ter ficado atrás do PSD nas eleições legislativas... Mas, lá está, cá não há petróleo.

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20080125

O discurso da incubadora...

Por menos, já um Presidente da República fez rolar a cabeça de um primeiro-ministro...



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