20120118

À Glória do Grande Arquitecto do Universo

O semanário com nome de astro solar e dirigido por um Arquitecto, publicou a carta do Grão-Mestre da GLLP, José Moreno, onde este "convida maçons da Loja Mozart a sair". O texto é ilustrado com uma fotografia de José Moreno. Julgo perceber que será no Terreiro do Paço, muito provavelmente no restaurante "Martinho da Arcada", normalmente frequentado por Fernando Pessoa...



Sabe-se como facto histórico que Fernando Pessoa, a 4 de Fevereiro de 1935, assinou um texto em defesa da maçonaria nas páginas do "Diário de Lisboa"...





O que provavelmente muitos "irmãos" desconhecem é que nesse mesmo número do "Diário de Lisboa", o Grande Arquitecto já apontava para o "Requiem de Mozart"...



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Acreditar em quê ou em quem?

O jornalismo não é uma ciência exacta. Sabe-se que existem regras bem definidas como, por exemplo, confrontar mais do que uma fonte para obter diferentes versões dos acontecimentos. Há imperativos éticos que defendem que um jornalista não deve noticiar factos que lhe digam respeito pessoalmente ou politicamente. E não se deve mentir descaradamente. Depois, há a realidade: os jornalistas nem sempre têm tempo para ouvir as várias versões dos acontecimentos, nem sempre querem ouvir as várias versões porque isso não convém aos seus interesses pessoais ou políticos e confundem ética com necessidade, o que acaba sempre por dar uma grande confusão, onde uns safam-se e outros tramam-se. E ainda temos de contar com os que, não mentido descaradamente, são os mestres da omissão de factos. E os leitores, como não conhecem todos os factos, nem sequer sabem o que foi omitido. Vem isto a propósito da recente troca de acusações entre dois jornalistas: "Luís Miguel Viana ameaça processar José Manuel Fernandes por difamação". Luís Miguel Viana chama a atenção para o facto de o ex-editor de política da Lusa, Rui Baptista, que ele próprio escolheu, ser agora o assessor de Imprensa do primeiro-ministro social-democrata Pedro Passos Coelho, fazendo assim cair por terra o argumento de José Manuel Fernandes de que a Lusa estava ao serviço do ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates nas eleições de 2009. Pode parecer um argumento infalível de Luís Miguel para demonstrar a independência da Lusa face aos poderes políticos, mas o meu "jornalismo científico" coloca agora uma hipótese: será justo assumirmos que a vitória de José Sócrates foi obra de um Rui Baptista que, na editoria de política da Lusa durante as eleições de 2009, não permitiu uma cobertura mais justa à campanha da então líder social-democrata Manuela Ferreira Leite - que, recorde-se, não convidara Passos Coelho a integrar as listas de candidato a deputado - perdendo assim uma corrida contra um José Sócrates que já começara a dar evidentes sinais de fim de regime? A hipótese é terrível, mas os factos estão à vista para a colocar. Afinal, as tácticas de manipulação das contratações nas redacções e as técnicas de manipulação dos títulos das peças jornalísticas são tão antigas como no tempo da ditadura como no tempo da nossa Democracia. Para um exemplo prático desta velha luta, basta ler o seguinte texto, datado de Maio de 1979 e publicado no "Diário de Lisboa"...

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20100531

"Olhe que não! Olhe que não!"

Na noite de quinta-feira, 6 de Novembro de 1975, Mário Soares e Álvaro Cunhal protagonizaram o mais intenso e histórico debate televisivo que há memória em Portugal. Foram quase quatro horas de troca de argumentos em directo. Hoje, o que retemos na memória colectiva é Álvaro Cunhal a garantir a Mário Soares que o PCP não iria lutar por uma ditadura de esquerda - "Olhe que não! Olhe que não!" -, mas o debate foi muito mais do que isso. Existem algumas imagens desse confronto no "You Tube", mas uma versão integral - a edição de um DVD comemorativo, no melhor exemplo da entrevista "Frost-Nixon" original - não parece estar estar nos planos da TV pública. Felizmente, o extinto "Diário de Lisboa", consciente de que aquele fora um momento histórico, publicou dias depois, a 8 de Novembro, a transcrição do confronto político. É um documento único da nossa história contemporânea. Numa altura em que se discutia a união entre o PS e PCP, a dias da independência da última colónia portuguesa, Angola, o país vivia uma instabilidade social única. Escassos vinte dias após o debate acontecia o 25 de Novembro. E o país "entrava nos eixos"... Hoje, precisamos de novos heróis políticos...

















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