20120118

Acreditar em quê ou em quem?

O jornalismo não é uma ciência exacta. Sabe-se que existem regras bem definidas como, por exemplo, confrontar mais do que uma fonte para obter diferentes versões dos acontecimentos. Há imperativos éticos que defendem que um jornalista não deve noticiar factos que lhe digam respeito pessoalmente ou politicamente. E não se deve mentir descaradamente. Depois, há a realidade: os jornalistas nem sempre têm tempo para ouvir as várias versões dos acontecimentos, nem sempre querem ouvir as várias versões porque isso não convém aos seus interesses pessoais ou políticos e confundem ética com necessidade, o que acaba sempre por dar uma grande confusão, onde uns safam-se e outros tramam-se. E ainda temos de contar com os que, não mentido descaradamente, são os mestres da omissão de factos. E os leitores, como não conhecem todos os factos, nem sequer sabem o que foi omitido. Vem isto a propósito da recente troca de acusações entre dois jornalistas: "Luís Miguel Viana ameaça processar José Manuel Fernandes por difamação". Luís Miguel Viana chama a atenção para o facto de o ex-editor de política da Lusa, Rui Baptista, que ele próprio escolheu, ser agora o assessor de Imprensa do primeiro-ministro social-democrata Pedro Passos Coelho, fazendo assim cair por terra o argumento de José Manuel Fernandes de que a Lusa estava ao serviço do ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates nas eleições de 2009. Pode parecer um argumento infalível de Luís Miguel para demonstrar a independência da Lusa face aos poderes políticos, mas o meu "jornalismo científico" coloca agora uma hipótese: será justo assumirmos que a vitória de José Sócrates foi obra de um Rui Baptista que, na editoria de política da Lusa durante as eleições de 2009, não permitiu uma cobertura mais justa à campanha da então líder social-democrata Manuela Ferreira Leite - que, recorde-se, não convidara Passos Coelho a integrar as listas de candidato a deputado - perdendo assim uma corrida contra um José Sócrates que já começara a dar evidentes sinais de fim de regime? A hipótese é terrível, mas os factos estão à vista para a colocar. Afinal, as tácticas de manipulação das contratações nas redacções e as técnicas de manipulação dos títulos das peças jornalísticas são tão antigas como no tempo da ditadura como no tempo da nossa Democracia. Para um exemplo prático desta velha luta, basta ler o seguinte texto, datado de Maio de 1979 e publicado no "Diário de Lisboa"...

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