20130524

Feira do Livro - Lisboa

Se puderem, apareçam no domingo, dia 26, na Feira do Livro de Lisboa, a partir das 16 horas, onde estarei no pavilhão da Planeta a autografar a obra "Camarate - Sá Carneiro e as armas para o Irão". 



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20130507

Camarate à porta fechada

Fernando Farinha Simões esteve hoje de manhã na Assembleia da República para testemunhar sobre Camarate. Mas, segundo me informou há pouco num telefonema, via o seu advogado, desde a prisão de Vale de Judeus, recusou-se a acrescentar dados para além daqueles publicados há um ano na carta colocada no YouTube. E explicou porquê: a sessão foi à porta fechada, contra a sua vontade. Os deputados quiseram que a sessão fosse à porta fechada, mas Fernando Farinha Simões não se sente protegido para avançar com mais dados sobre a morte do primeiro-ministro Sá Carneiro e do ministro da Defesa, Amaro da Costa, caso não possa falar livremente em público para o maior número possível de testemunhas. Daí exigir que a AR, como casa de Democracia e de transparência, o deixe falar à porta aberta. Acrescentou ainda que, quando um deputado do PSD o confrontou com o facto de ele ser o "assassino" de Sá Carneiro, Farinha Simões respondeu-lhe: "Assassinos são vocês, que andam a matar o povo à fome". Assim, 30 anos depois de Camarate, ainda há medo em conhecer a verdade. Mas, esse medo já não parte dos autores do caso. Parte agora dos deputados e, ainda, dos jornalistas. Estive presente esta manhã na AR para poder ouvir o testemunho de Fernando Farinha Simões. Falei com o presidente da comissão, o deputado Matos Rosa, e disse-lhe que estaria na sala não como jornalista, mas como autor de um livro sobre o caso e antiga testemunha da mesma comissão. Ele compreendeu o pedido, mas não podia autorizar, pois corria o risco de estar a abrir uma excepção. Não vi por ali nenhum jornalista e, à saída do edifício, reparei num carro da RTP estacionado no parque reservado aos órgãos de Comunicação Social. Não creio que a equipa da televisão do Estado estivesse lá para acompanhar os trabalhos da comissão que anda a investigar a morte do primeiro-ministro e ministro da Defesa, mas sei que, na RTP, há um ano que existem entrevistas que Farinha Simões e José Esteves deram à jornalista Sandra Felgueiras e que continuam inéditas. Talvez hoje, dia em que a Democracia funcionou à porta fechada, a RTP pudesse fazer jornalismo e fosse buscar essas entrevistas e explicasse ao povo português aquilo que anda a ser escondido. Mas isto, claro, seria pedir muito aos jornalistas do canal público.

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20130418

Camarate - Debate Frederico Duarte Carvalho/Barata-Feyo, na RDP Internacional

Frederico D. Carvalho speaking about the international importance of Camarate

20130416

Com Inspiração - Cavaco Silva e o BPN

20130415

Louçã sabe que eu sei

Francisco Louçã, agora que deixou de ser deputado, começou a dizer coisas que não dizia. Agora, diz o que realmente sabe e pensa ou, em alternativa, tornou-se numa pessoa "irresponsável", adepta de "teorias da conspiração". Explique-se: a minha mais recente obra fala sobre a morte de Sá Carneiro, onde aponto o tráfico de armas para o Irão como o provável móbil para um atentado. Isso está a ser investigado na Assembleia da República, onde fui testemunhar há cerca de um mês. Fiz ver aos deputados da Nação que, em 1980, era proibido vender armas para o Irão, pois havia um embargo internacional devido à crise dos reféns de Teerão. Ainda hoje se suspeita, nos EUA, que o então ex-director da CIA e candidato a vice-Presidente dos EUA, George Bush (pai), teria negociado secretamente, em Paris, durante o fim-de-semana de 18 e 19 de Outubro de 1980, o envio de armas para o Irão de modo a que os iranianos pudessem combater contra o Iraque de Saddam Hussein. A guerra Irão-Iraque começara um mês antes e viria a prolongar-se até 1989. Em troca, os iranianos atrasariam a libertação dos reféns até ao dia das eleições presidenciais nos EUA, que teriam lugar daí a um mês, a 4 de Novembro de 1980. Foi assim que Jimmy Carter não conseguiu ser reeleito e George Bush tornou-se vice-Presidente, depois Presidente e, mais tarde, pai de Presidente (ainda poderá vir a ser avô de Presidente...). Frisei que a morte de Sá Carneiro, a 4 de Dezembro de 1980, ocorreu depois das eleições, mas também antes da libertação dos reféns de Teerão, facto que só veio a acontecer no dia da tomada de posse de Reagan como Presidente, ou seja, no dia 20 de Janeiro de 1981. Falei ainda do negócio do tráfico de armas durante os anos Reagan/Bush e que deram origem ao chamado escândalo "Irangate", que teve ramificações em Portugal. Fiz ainda notar aos deputados da Xª Comissão de Camarate para o facto de George Bush ser muito amigo do actual Presidente da República de Portugal, Cavaco Silva, a ponto de ter sido um dos convidados de honra da tomada de posse de Cavaco em 2006. Era ainda uma amizade que remontava ao ano de 1986, altura do tráfico de armas por Portugal. São factos que mereciam ser debatidos muitos antes de eu ter sido obrigado a escrever o meu livro. Mas, por exemplo, nunca ouvi nada da parte do Bloco de Esquerda sobre estes factos. Se calhar não sabiam de nada. Nunca vi nada escrito por Francisco Louçã sobre estes factos - e, se o fez, lamento mas nunca os vi. Se, entretanto, alguém quiser elucidar-me ou desmentir qualquer acusação de deslealdade intelectual da minha parte, por favor, diga-me e reconhecerei humildemente o erro. Agora, vi que o ex-deputado Francisco Louçã é autor de um livro "Isto é um Assalto" , feito em conjunto com Mariana Mortágua e com ilustrações de Nuno Saraiva. Depois de ter lida uma das Bandas Desenhadas que está na obra, considero que Francisco Louçã, afinal, já sabia tudo aquilo que fui dizer. Porquê? Porque agora eu tenho a certeza que ele sabe o que eu também sei. Ele sabe que Bush pai foi chefe da CIA. Ele sabe que Sá Carneiro morreu em 1980. Ele sabe que havia tráfico de armas para o Irão e que isso passou por Portugal. Ele sabe qual era o banco que servia para esses negócios. E ele sabe que Bush esteve na tomada de posse de Cavaco. Ele sabe isso e muito mais. Mas nunca o disse como deputado. Prefere "esconder" aquilo que sabe numa Banda Desenhada. Nunca se comprometeu, enquanto deputado, pela denúncia ou pela divulgação pública destes factos. Para mim, a BD é uma arte nobre, muito importante do ponto de vista da Comunicação. Mas, para Francisco Louçã, parece ser uma coisa menor, para crianças, onde, aparentemente, pode dizer o que quiser sem risco de dissabores. Pode dizer o que nunca disse no Parlamento. Mas, agora fica aqui o registo que eu sei que ele sabe...











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20130326

Camarate - Audição de Frederico Duarte Carvalho


20130323

Com Inspiração - Rui Rio e António Costa, os candidatos de Bilderberg

20130322

Dez anos depois

Passei ontem na FNAC do Chiado e estive a assistir ao lançamento do livro de Bernardo Pires de Lima sobre a cimeira das Lajes de há 10 anos, antes da invasão do Iraque. Durante os discursos, o especialista em questões internacionais, Miguel Monjardino, disse que a questão do Iraque passou por cinco administrações norte-americanas: Ronald Reagan, George Bush, Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama. No fim, abordei este especialista e perguntei por que motivo continuam os "especialistas" a ignorar que a guerra entre o Iraque e o Irão começou em Setembro de 1980, ainda durante a administração de Jimmy Carter? Ele ficou visivelmente embaraçado. Perguntei-lhe depois por que motivo se continua a tentar esconder que o tráfico de armas para o Médio Oriente em Portugal começou ainda antes da chegada de Reagan ao poder e que o caso Irangate não começou em 1982, mas sim alguns meses antes de Camarate? Ele sorriu e disse que isso daria um bom debate. Enfim, são coisas que aprendi há 10 anos, quando desci a Avenida da Liberdade - a da "suposta" Liberdade para ser mais exacto - para marcar a minha posição contra a invasão do Iraque, e vi o ex-primeiro-ministro e ex-Presidente da República, Mário Soares, a lanchar no Rossio depois dos discursos. Daí nasceu a ideia para o livro "Eu Sei Que Você Sabe", publicado em Novembro de 2003. Entretanto, Pires de Lima disse que está a pensar escrever um livro sobre Durão Barroso. E, de forma algo misteriosa, deixou a indicação de que a preparação da ida de Durão Barroso para a Comissão Europeia, e que aconteceu no rescaldo do Euro2004, afinal terá sido planeada na altura em que Guterres se demitiu em Dezembro de 2001. Achei piada a isso, pois já abordei essa questão num outro livro que escrevi há três anos. Chama-se "Estado de Segredos" e nessa obra lembrei uma notícia do "Público", de 18 de Dezembro de 2001, com o título "Guterres poderá ter falhado por 24 horas uma carreira europeia oferecida de bandeja". Essa carreira era, naquela altura, ser presidente da convenção para a reflexão do futuro da Europa. Só que Guterres era primeiro-ministro e, para aceitar o cargo, teria de se demitir a meio do mandato. A questão fora analisada na reunião de líderes europeus na sexta-feira, dia 14 de Dezembro de 2001. Guterres não aceitou demitir-se para seguir para a Europa. Mas, dois dias depois, na noite de 16 de Dezembro, demitiu-se quando o seu PS perdeu as câmaras municipais de Lisboa e Porto na eleições autárquicas. E, ao contrário do protocolo, anunciou a demissão antes das declarações de Paulo Portas, o líder do CDS/PP que estava a ser pressionado também para se demitir depois de não ter conseguido fazer a diferença na eleição em Lisboa (era ele o cabeça-de-lista). Se Guterres tivesse falado no fim da noite, após todos os outros, como qualquer grande líder, Portas teria de falar sem conhecimento da decisão de Guterres. Mas, depois do anúncio da demissão do primeiro-ministro do PS, quando Portas apareceu perante as câmaras nessa noite, já não o fez como o candidato derrotado contra Santana Lopes, mas sim como o líder de um partido que, de acordo com as sondagens da altura, poderia ser governo em coligação com o PSD de Durão Barroso caso houvesse eleições antecipadas. E foi isso o que Guterres "ofereceu" ao País naquela noite de 2001. Deu-nos o pântano, deu-nos um Durão Barroso que, dois anos depois, em plena euforia do Euro2004, não hesitou em demitir-se a meio do mandato e a ir "jogar" para a Europa. E foi assim, com Santana pelo meio, com a demissão de Ferro "Casa Pia" Rodrigues, apareceu José Sócrates. E foi assim que viemos parar a este "pântano". Sim Bernardo, escreve lá o livro que bem nos faz falta...

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20130321

Comissão cumprida

Foram três horas. Entre as 19 e as 22 horas de ontem estive a responder a todas as perguntas dos deputados na Xª Comissão Parlamentar de Inquérito de Camarate. No fim ficou a sensação do dever cumprido, como jornalista e cidadão. Foi o culminar de mais de 10 anos de trabalho com muitos riscos profissionais, foram mais de 30 anos de vontade em querer saber a verdade. Como disse ontem aos deputados, era por ali que tudo deveria ter começado quando, a 4 de Dezembro de 1980, caiu o avião com o primeiro-ministro e ministro da Defesa a bordo. Qual o "nexo de causalidade" entre a morte de Sá Carneiro e o tráfico de armas para o Irão, foi a primeira pergunta, feita pela deputada Isabel Oneto, do PS. Estava dado o mote de partida. A reportagem da agência Lusa destacou para título essa primeira pergunta entre as muitas que depois se seguiram durante as três horas. E ainda bem, pois foi uma atitude inteligente de quem fez a pergunta e da jornalista que a registou (creio que era uma jornalista, pois só havia uma pessoa presente no local habitualmente ocupado pela Comunicação Social e era mulher). Respondi que também eu queria saber isso. Destaquei então a capa do meu livro, que pelo grafismo, reproduz jornais da época e disse que, na realidade, Camarate só ontem é que começava a ser investigado. Os jornalistas da época podiam ter começado a investigar o caso dos reféns de Teerão e a possibilidade de haver ou não um "nexo de causalidade" com a morte do primeiro-ministro. E davam assim seguimento ao artigo do jornal "Portugal Hoje", de 11 de Novembro de 1980, semanas antes da queda do avião Cessna, onde era mencionado esse tráfico. Um jornal onde estagiou a deputada socialista que ainda não conhece o "nexo de causalidade". Outro dado muito inteligente registado pela reportagem da Lusa foi a lista dos nomes das pessoas que sugeri que deviam ser ouvidas precisamente para procurar esclarecer o tal "nexo de causalidade". Escreveram que sugeri Frank Carlucci, que fora o embaixador dos EUA em Lisboa e era o número dois da CIA na altura da morte do primeiro-ministro português, o ex-Presidente da República e amigo pessoal de Carlucci, Mário Soares, e o ministro dos negócios Estrangeiros de 1977, Medeiros Ferreira. Eram os nomes que, devido aos cargos que então ocupavam, estavam envolvidos num caso de tráfico de armas em Portugal em Julho de 1977. No entanto, a minha lista era mais completa. Também sugeri Alpoim Calvão, responsável pela empresa Explosivos da Trafaria, José Garnel, da empresa Defex, Henry Kissinger, Vasco Abecassis (ex-marido de Snu e que teria telefonado para Donald Rumsfeld para saber se Sá Carneiro era "perseguido" pela CIA), Cavaco Silva, Rui Carp, Jim Hunt (sobrinho de Frank Sturgis, o suposto autor do atentado, pessoa que terá apertado o botão do controlo remoto que fez explodir a bomba a bordo do avião), para além de José Esteves e Farinha Simões. Sugeri ainda que a Assembleia da República pedisse à CIA que esclarecesse os factos descritos no meu livro sobre o tráfico de armas por Portugal durante a crise dos reféns do Irão e as suspeitas de Sá Carneiro. Mas, de igual modo, alertei os deputados para o perigo que este caso, ainda hoje, representa para a estabilidade do regime dos EUA e do Irão. Frisei que Camarate era uma questão que envolvia a nossa soberania. Foi por termos perdido essa soberania ao longo dos anos em que não se investigou o tráfico de armas por Portugal que permitimos o actual domínio da Troika. Mencionei o facto de que, desde 1975, a nossa Democracia, construída na base de atentados à bomba e de contra-informação, ainda hoje não permite a plenitude do jogo democrático com uma aliança PS-PCP. Mas que, ainda assim, investigar Camarate, era um sinal para o resto do mundo de que tínhamos a coragem de arrumar a nossa casa e dizer depois aos outros países que fizessem o mesmo.
Eu cumpri.
Agora, outros que cumpram também o seu dever.

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20130318

Com Inspiração - Camarate

20130312

Com Inspiração - O novo Papa

O próximo Papa poderá ser o italiano Angelo Scola. Essa seria a escolha mais acertada para que não se cumprisse a profecia de S. Malaquias. O próximo Papa

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20130311

Mais um passo...



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20130308

Então, foi assim...

Estive hoje na Assembleia da República a assistir ao lançamento do livro sobre Camarate, "O Grande Embuste", do jornalista José Manuel Barata-Feyo. Comprei a obra à entrada e tive tempo para ler algumas passagens antes do início da apresentação. Foi o suficiente para comprovar que um livro sobre Camarate que, na capa, tem uma citação do jornalista Miguel Sousa Tavares a garantir que se trata da "primeira investigação séria, isenta e completa, até hoje feita, de um caso que assola Portugal há mais de trinta anos", não abordou o tráfico de armas para o Irão que Sá Carneiro andava a investigar. Durante a apresentação, Barata-Feyo explicou que o "embuste" é o facto da Assembleia da República estar hoje a investigar algo que os dados científicos não conseguiram provar, ou seja, o atentado. Logo, se não houve crime, não pode haver um móbil do crime, o que, como argumento, pareceu-me bastante lógico. Mas, como argumento jornalístico parece muito fraco, pois é sabido pelos jornais da época - eu tinha então 8 anos, mas Barata-Feyo já era jornalista e deve saber isso melhor do que eu - o tráfico de armas para o Irão estava na ordem do dia, tal como a investigação ao Fundo de Defesa Militar de Ultramar. E isso "morreu" em Camarate. Assim, no fim da cerimónia, e como não houve direito a perguntas, esperei na fila dos autógrafos para pedir uma assinatura ao autor. Apresentei-me e contei-lhe que, se ele ainda não o sabia, eu também tinha escrito um livro sobre o caso. O jornalista admitiu que tinha "ouvido falar" de um livro sobre o tráfico de armas. E depois queixou-se que era difícil conseguir uma cópia do mesmo na "província", ou seja, em Castelo Branco. Então informei-o que teria todo o prazer em pedir à minha editora que mandasse um exemplar para a sua editora, em Lisboa, que depois poderia expedir-lhe, via correio, para a sua morada pessoal. Ainda acrescentei uns detalhes sobre o meu trabalho e agradeci-lhe por ter escrito o livro, pois iria ser muito importante para continuar com a minha investigação. E apertámos a mãos.
Pronto, foi assim.
Sobre o livro de Barata-Feyo, não tenho muito a dizer. Para mim, é inútil perder tempo a discutir se houve ou não atentado. Havia muitas razões para matar Sá Carneiro. E, qualquer investigação jornalística séria iria descobrir coisas que, ainda hoje, nem o jornalista que fez "a primeira investigação séria, isenta e completa", menciona.

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20130307

Camarate, um ano depois, visto por Francisco Sousa Tavares

20130305

"O Grande Embuste"

O jornalista José Manuel Barata-Feyo vai apresentar na próxima quinta-feira, dia 7, pelas 18h30, no auditório da Assembleia da República, o livro sobre Camarate intitulado “O Grande Embuste”. Hoje vem um artigo sobre a obra no “Diário de Notícias” e que permite antecipar o seu conteúdo. Afirma Barata-Feyo, que é apresentado como “jornalista autor da primeira investigação à morte em 1980 de Sá Carneiro”, que “é impossível concluir que houve atentado na queda do Cessna” que, a 4 de Dezembro de 1980, causou a morte, entre outros, ao primeiro-ministro Sá Carneiro e ministro da Defesa, Amaro da Costa. Sem querer discutir quem foi “o primeiro jornalista”, apenas registo que, por exemplo, Augusto Cid, então a trabalhar no semanário “O Diabo”, foi dos primeiros a chamar a atenção para algumas das discrepâncias entre a versão oficial e os factos. Pouco depois de Camarate, Augusto Cid percebeu que a versão oficial defendia que os cadáveres estavam com os ossos partidos, o que significava que as vítimas se encontravam vivas no momento do impacto, enquanto a autópsia indicava o contrário: os ossos estavam inteiros, logo as vítimas deveriam estar inconscientes no momento do impacto. A suspeita de que teria havido um atentado adensava-se, tanto mais que o próprio semanário tinha mencionado a possibilidade de uma explosão a bordo num artigo publicado no dia 10 de Dezembro de 1980, ou seja, apenas uma semana depois da queda do Cessna. Augusto Cid falou depois do rastro de detritos do avião encontrado no fim da pista, ainda dentro do aeroporto, indiciando que o aparelho estaria a arder no ar antes de cair no bairro de Camarate. Durante anos discutiu-se o chamado “efeito chaminé”, ou seja, o rastro teria sido provocado pelo incêndio do avião no local da queda, facto que fez elevar os detritos tendo sido depois espalhados na pista do aeroporto por acção do vento. No entretanto, as várias testemunhas que viram o avião explodir no ar, como foi o caso do chefe de segurança de Sá Carneiro, seriam sempre desprezadas pela investigação policial com a apresentação de uma explicação alternativa e a favor da tese do acidente. É verdade que Barata-Feyo andou muito empenhado em investigar Camarate, juntamente com Artur Albarran, para um programa da RTP da saudosa rubrica “Grande Reportagem”, exibido no início de 1983. Eu não sei o que se passou em Camarate, pois na altura tinha apenas 8 anos. Mas, cresci a admirar jornalistas como Barata-Feyo e também Miguel Sousa Tavares, outro dos jornalistas de “Grande Reportagem”. Lembro-me da revista com o mesmo nome, que comprei pela primeira vez em 1990, ainda antes de entrar na Escola Superior de Jornalismo. Era dirigida por Barata-Feyo e, logo depois, por Miguel Sousa Tavares. Estes eram dois nomes do jornalismo português que eu respeitava e cujo exemplo de investigação e capacidade de fazer perguntas incómodas ao poder nortearem a minha vontade em querer ser jornalista. E, frise-se, era essa também a referência de muitos outros jovens como eu. E Camarate sempre foi um grande mistério que, de vez em quando, era comentado por estes dois grandes nomes do jornalismo nacional. Por isso, para seguir as pisadas de Barata-Feyo e Miguel Sousa Tavares, também investiguei Camarate. Afinal, eu até tinha uma história pessoal sobre aquele dia: conhecia o piloto de um segundo avião que deveria ter levado Sá Carneiro de Lisboa ao Porto e que, no fim do comício no Coliseu, deveria ter transportado o primeiro-ministro de volta a Lisboa. Era o pai de um amigo meu. Esse era o avião da RAR. Tal como Barata-Feyo não consegui provar que era acidente. Aliás, um acidente não se prova, confirma-se apenas. Aqui, o que havia a provar era o atentado. E, nesse caso, há indícios fortes de atentado. Demasiados. Podem não ter hoje valor do ponto de vista jurídico, mas têm do ponto de vista jornalístico. Ainda não li o livro “O Grande Embuste” e não sei qual o conteúdo exacto, mas espero que Barata-Feyo, apesar de desafiar a verdade política – e ainda bem que o faz, pois é sempre de salutar o contraditório -, reconheça que, independentemente de Camarate ter sido acidente ou atentado, havia investigações polémicas que Sá Carneiro tinha em mãos e que também “morreram” com ele em Camarate. Só hoje, mais de 30 anos volvidos, e graças aos trabalhos da mesma Assembleia da República onde Barata-Feyo vai apresentar o seu “embuste”, estamos finalmente a descobrir a verdadeira dimensão do Fundo de Defesa Militar de Ultramar e as implicações suficientemente sérias para provocar um atentado contra o primeiro-ministro como era o tráfico das armas para o Irão. E isso não era nenhum segredo, pois até estava na primeira página dos jornais publicados um mês antes de Camarate. Mas, Barata-Feyo e Miguel Sousa Tavares, enquanto discutiam se era atentado ou acidente, nunca foram mais à frente e nunca seguiram a pista do tráfico de armas. Tive se ser eu, mais tarde, a fazer essa investigação e a contar o que descobri. E hoje, apesar das críticas, pelo menos posso andar de cabeça erguida na sociedade em que estou inserido e com o prazer acrescido do dever cumprido e, sobretudo, com a certeza de que não sou um embusteiro.

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20130226

Com Inspiração - AE911


20130218

Quem te avisa...

20130210

O que a SIC não disse sobre o BPN - II

Para que não fiquem dúvidas sobre o que foi dito na reportagem da SIC sobre o BPN e que ficou por dizer sobre a realidade das datas e dos factos...


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20130209

O que a SIC não disse sobre o BPN...

Um desenho...





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20130124

À Volta dos Livros de 24 Jan 2013 - RTP Play - RTP

A mensagem de Artur

20130103

Finalmente...

20121219

"Camarate - Sá Carneiro e as Armas para o Irão" na RDP Internacional


20121218

"Camarate - Sá Carneiro e as Armas para o Irão" na RDP Internacional, amanhã


20121211

Lançamento "Camarate - Sá Carneiro e as Armas para o Irão" - A Bola TV

Camarate - Sons de 4 de Dezembro de 1980


O dia em que o avião de Sá Carneiro "estourou no ar"...

20121206

Camarate - Porto Canal

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Camarate - Discurso Directo TVI24

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20121205

Camarate em Coimbra

Antena 1 - Entrevista a Frederico Duarte Carvalho

20121127

Camarate vai chegar ao Porto

No dia 4 de Dezembro irei ao Porto dizer o que Sá Carneiro sabia... Apareçam...

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"Camarate - Sá Carneiro e as Armas para o Irão" no "Inferno"

A partir do minuto 12...

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"Camarate - Sá Carneiro e as Armas para o Irão" na SIC Notícias

20121114

Convite aberto a todos leitores...

Apareçam sem medos...

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20121108

"Camarate - Sá Carneiro e as Armas para o Irão"

"Camarate - Sá Carneiro e as Armas para o Irão" (Completo)

20121030

De "Argo" a "Camarate"

Vai estrear no próximo dia 8 o mais recente filme realizado e protagonizado por Ben Aflleck, “Argo”. É um filme baseado num artigo da revista “Wired” e produzido por George Clooney. A sinopse diz-nos o seguinte: “Baseado numa história verídica, ‘Argo’, um thriller dramático da Warner Bros. Pictures e GK Films narra a história da operação de risco para resgatar seis Americanos na crise dos reféns no Irão – uma verdade escondida do público durante décadas. Ben Affleck realiza e actua no filme, que está a ser produzido por George Clooney, Grant Heslov e Affleck. A 4 de Novembro de 1979, quando a revolução iraniana atinge o seu ponto de ebulição, militantes invadem a Embaixada dos Estados Unidos da América no Teerão e fazem reféns 52 Americanos. Mas, no meio do caos, seis Americanos conseguem escapar e encontrar refúgio na casa do Embaixador Canadiano. Sabendo que é só uma questão de tempo até os seis serem encontrados e provavelmente mortos, um especialista da CIA chamado Tony Mendez (Affleck) surge com um plano arriscado para fazê-los sair do país em segurança. Um plano tão incrível, digno de um filme”. É com agrado que vejo estrear este filme, pois há ainda uma outra história que o filme não conta e que, para mim, é bem mais interessante. Afinal, e como é que foram depois libertados os 52 reféns? O filme só fala de seis… Ora, essa história ainda está por contar e não acredito que, tão depressa, Hollywood vá fazer um filme sobre o caso. Teria de ser um filme onde iriam falar de um presidente dos EUA, Jimmy Carter, que tentava negociar a libertação dos reféns com os radicais islâmicos do Irão antes das eleições presidenciais, que iriam ter lugar a 4 de Novembro de 1980, ou seja, exactamente um ano após o ataque à embaixada e início da crise dos reféns. O filme teria de falar do problema que Jimmy Carter enfrentava, pois tentava libertar os reféns antes das eleições e garantir a reeleição. Mas, do lado dos Republicanos, estavam o ex-actor e ex-governador da Califórnia, Ronald Reagan e ainda um ex-chefe da CIA, George Bush. E houve encontros secretos em Madrid e Paris, entre membros da campanha Reagan/Bush e iranianos para negociarem a não libertação dos reféns antes da ida dos americanos às mesas de voto, pois assim iriam conseguir evitar que Jimmy Carter pudesse ter a sua “Surpresa de Outubro” e vencer as eleições. E, para garantir essa não libertação, os iranianos receberam armas de forma ilegal, furando o embargo internacional. Armas que teriam passado por Portugal, num negócio perigoso e que esteve na origem da morte do primeiro-ministro português e do ministro da Defesa, a 4 de Dezembro de 1980, num atentado contra o avião onde ambos seguiam e que ficou conhecido como Camarate. E, finalmente, a 20 de Janeiro de 1981, após a tomada de posse de Reagan e ao fim de 444 dias de cativeiro, os reféns de Teerão foram libertados. E o mundo nunca mais foi o mesmo… Mas, esta história Hollywood não conta. Talvez agora, graças ao filme, os jornalistas se lembrem dela…

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20121022

Jornalismo no ano 2000

2º Congresso dos Jornalistas Portugueses, 12 a 15 de Novembro de 1986...

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