20120217

Suicídios na prisão

20120212

Para Whitney

Hoje sinto-me Patrick Bateman...

Patrick Bateman: Did you know that Whitney Houston's debut LP, called simply Whitney Houston had 4 number one singles on it? Did you know that, Christie?

Elizabeth: [laughing] You actually listen to Whitney Houston? You own a Whitney Houston CD? More than one?

Patrick Bateman: It's hard to choose a favorite among so many great tracks, but "The Greatest Love of All" is one of the best, most powerful songs ever written about self-preservation, dignity. Its universal message crosses all boundaries and instills one with the hope that it's not too late to better ourselves. Since, Elizabeth, it's impossible in this world we live in to empathize with others, we can always empathize with ourselves. It's an important message, crucial really. And it's beautifully stated on the album

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20120209

Defendam o Cais do Sodré!

20120208

A Dama era de ferro

A propósito da estreia do filme sobre a ex-primeira-ministra do Reino Unido, Margareth Thatcher, deixo aqui três momentos únicos: a sua chegada ao nº10 de Downing Street, em 1979, a defesa da libra dias antes de se demitir, em 1990, e, por fim, a saída...





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20120204

Viva Andalucia! Eis o que cantam os poetas da Andaluzia nos dias de hoje! Caray!

Atenção, aquilo que vão ver a seguir é uma comparsa do Carnaval de Cádiz, há dias, aqui ao lado, em Espanha. No ano passado, este grupo actuou vestido de "travestis" e, este ano, arriscou apresentar-se vestidos de cinzento da cabeça aos pés. A simbolizar o "Cidadão Zero". Aliando a arte da cantiga à crítica social, acertaram em cheio. Formidável! Escutem todo o vídeo até ao fim. Arranjem 26 minutos e 15 segundos da vossa vida, chamem amigos para perto do computador, coloquem o som no máximo e ouçam, e vejam e pensem e, depois, partilhem, partilhem, partilhem. Isto passa-se no Carnaval aqui ao lado. Não nos queixemos que não temos feriados no Carnaval. Há feriados todos os dias desde que tiremos tempo para pensar e criar arte contra aquilo que nos oprime e, vejam, na canção final, a da marioneta, quem nos oprime e porquê. E libertem-se com este exemplo. Que tal um grupo de cantares alentejanos à porta do primeiro-ministro a cantar que não podemos mais? É mais eficaz do que greves e bandeiras vermelhas... Combatam a opressão com inteligência e arte, caramba!



"Diário de Cádiz".

Cadizbook.es.

Com um agradecimento ao Rafa Pal.

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20120202

Como fazer uma reportagem para televisão

20120129

Recordações de 1919

A propósito da polémica sobre as "secretas" em Portugal, aconselho uma "visita" à história do fundador do FBI, J. Edgar Hoover. A carreira deste homem teve um início "explosivo" quando, a 2 de Junho de 1919, rebentaram várias bombas nos EUA, num acto então atribuído a comunistas. Uma dessas bombas explodiu na casa do procurador-geral norte-americano, Alexander Mitchell Palmer...



Cinco meses após os atentados nos EUA e no dia em que se comemorava o segundo aniversário da revolução russa, as autoridades norte-americanas prenderam várias centenas dos seus cidadãos, acusados de serem comunistas. Não conseguiriam a deportação de todos, mas foi o início de um processo de recolha de informações sobre indivíduos que haveriam de consolidar o poder de um só homem...




Com o passar dos anos - 48 anos, até à sua morte, em 1972 - J. Edgar Hoover tornou-se no homem mais poderoso da América, pois as escutas ilegais não captavam apenas as vozes dos criminosos, mas sim a de Presidentes dos EUA e suas amantes. Hoover usava a chantagem para garantir cada vez mais poderes e, assim, com a negociação de segredos com mais segredos, a noção de transparência e Democracia perdeu-se nos EUA.

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20120123

Não sou anónimo nem me chamo Alcides

Fui informado, por altura do Natal, da existência de um blogue chamado "Bar do Alcides" que se apresentava da seguinte forma: "O Bar do Alcides é o ponto de encontro de todos aqueles que estão insatisfeitos com o actual 'ESTADO DA NAÇÃO PORTUGUESA' e que querem desabafar enquanto bebem um copo. O Bar do Alcides é feito e editado por portugueses não-maçons que estão exilados no Rio de Janeiro e em São Paulo no Brasil. Aqui a MAÇONARIA não é de todo BENVINDA!".
Achei interessante a iniciativa e fiquei atento, tanto mais que anunciavam, para a noite de Natal, a publicação de um livro a revelar como o primeiro-ministro Sá Carneiro fora assassinado pela maçonaria. Dias antes da data prevista, contactei os responsáveis do blogue através de uma mensagem via "Facebook", mostrando-me interessado em adquirir a obra e até em partilhar informações, já que estou a escrever um livro sobre o que aconteceu em Camarate a 4 de Dezembro de 1980. Como prova da vontade em querer partilhar informações, enviei-lhes a cópia de um artigo do jornal espanhol "La Vanguardia", datado do dia 4 de Dezembro de 1980, onde se falava da maçonaria - nomeadamente o GOL -, e como esta organização estava contra Sá Carneiro, apoiando o candidato presidencial Ramalho Eanes...



Era e ainda acredito que continua a ser um texto pouco conhecido em Portugal. Posso dizer que era um documento relativamente importante para a minha investigação e fora fruto de uma daquelas sortes jornalísticas, que se encontram com alguma paciência em arquivos da Internet, e não numa qualquer busca do "Google". Mas, da mesma forma que tinha lá chegado, também um qualquer indivíduo mais interessado no assunto poderia lá chegar. Na resposta, os autores do "Bar do Alcides" não fizeram qualquer comentário ao artigo que lhes enviei e disseram-me apenas para esperar pela publicação para a data e hora marcada. E esperei. Vi depois no longo texto que publicaram, que o único dado inédito face ao que já conhecia fora precisamente a junção daquele artigo do "La Vanguardia".
Agora, devido à polémica em torno das declarações sobre a pensão de Cavaco Silva, os responsáveis do blogue surgiram num grupo de discussão do "Facebook" para o qual fui adicionado sem ter pedido - mas, pronto, vá lá. Ao ler os comentários, desabafei que, para mim, Cavaco Silva ainda tinha ainda de responder sobre o conteúdo da última reunião que teve com Sá Carneiro e Amaro da Costa, no dia 4 de Dezembro de 1980, onde estiveram a falar sobre o orçamento das Forças Armadas. E perguntava: Sabendo ainda que Cavaco Silva tinha a incumbência de investigar o Fundo de Despesa de Ultramar, a pedido de Sá Carneiro, por que motivo essa investigação nunca avançou? Face a esta questão, qual foi a conclusão dos responsáveis do "Bar do Alcides"? Escreveram isto: "Aníbal Cavaco Silva ENVOLVIDO no assassinato do Dr. Francisco Sá Carneiro". Ora, a meu ver, este é um título exagerado ao qual não posso estar associado, pois parece que Cavaco Silva participou, conscientemente, na morte do fundador do PSD. A minha observação, que não é nada inocente - reconheço -, ainda assim foi feita de cara descoberta e é fruto de muito trabalho jornalístico, pois há mais informações que precisam de ser investigadas. Por isso é que, a 7 de Dezembro de 2010, assinei um texto no semanário "O Diabo" a chamar precisamente a atenção para o facto de que Cavaco Silva teria de depor sobre Camarate...



Mais grave ainda, é que o referido texto do "Bar do Alcides" apresenta a reprodução de um texto de minha autoria e publicado em Novembro de 2006 na revista "Focus", aquando da entrevista que fiz a José Esteves, o suposto autor da bomba de Camarate...



Quero aqui dizer aos leitores do "Para Mim Tanto Faz" que não sou o autor do "Bar do Alcides", não conheço pessoalmente nenhum dos envolvidos nem tenho qualquer controlo naquilo que eles escrevem. Muitos dos problemas em Portugal não são os segredos ou as sociedades dos aventais e espadas. São, isso sim, factos que todos nós sabemos, mas, passados uns tempos, ficam esquecidos por jornalistas sem memória ou sem capacidade de fazerem perguntas em Liberdade. Como ainda vou tendo alguma memória e mantenho a custo a Liberdade de fazer perguntas, escrevo os meus textos sem medo de mostrar a cara.
Chamo-me Frederico Duarte Carvalho e sou jornalista.

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20120120

Minuto 15

20120119

Onde é que já vi isto?

Esta é a mais recente publicidade ao lançamento da revista "Maxim"... Mas, onde é que já vi aquele desenho?...



Ah! Foi aqui...


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20120118

À Glória do Grande Arquitecto do Universo

O semanário com nome de astro solar e dirigido por um Arquitecto, publicou a carta do Grão-Mestre da GLLP, José Moreno, onde este "convida maçons da Loja Mozart a sair". O texto é ilustrado com uma fotografia de José Moreno. Julgo perceber que será no Terreiro do Paço, muito provavelmente no restaurante "Martinho da Arcada", normalmente frequentado por Fernando Pessoa...



Sabe-se como facto histórico que Fernando Pessoa, a 4 de Fevereiro de 1935, assinou um texto em defesa da maçonaria nas páginas do "Diário de Lisboa"...





O que provavelmente muitos "irmãos" desconhecem é que nesse mesmo número do "Diário de Lisboa", o Grande Arquitecto já apontava para o "Requiem de Mozart"...



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Acreditar em quê ou em quem?

O jornalismo não é uma ciência exacta. Sabe-se que existem regras bem definidas como, por exemplo, confrontar mais do que uma fonte para obter diferentes versões dos acontecimentos. Há imperativos éticos que defendem que um jornalista não deve noticiar factos que lhe digam respeito pessoalmente ou politicamente. E não se deve mentir descaradamente. Depois, há a realidade: os jornalistas nem sempre têm tempo para ouvir as várias versões dos acontecimentos, nem sempre querem ouvir as várias versões porque isso não convém aos seus interesses pessoais ou políticos e confundem ética com necessidade, o que acaba sempre por dar uma grande confusão, onde uns safam-se e outros tramam-se. E ainda temos de contar com os que, não mentido descaradamente, são os mestres da omissão de factos. E os leitores, como não conhecem todos os factos, nem sequer sabem o que foi omitido. Vem isto a propósito da recente troca de acusações entre dois jornalistas: "Luís Miguel Viana ameaça processar José Manuel Fernandes por difamação". Luís Miguel Viana chama a atenção para o facto de o ex-editor de política da Lusa, Rui Baptista, que ele próprio escolheu, ser agora o assessor de Imprensa do primeiro-ministro social-democrata Pedro Passos Coelho, fazendo assim cair por terra o argumento de José Manuel Fernandes de que a Lusa estava ao serviço do ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates nas eleições de 2009. Pode parecer um argumento infalível de Luís Miguel para demonstrar a independência da Lusa face aos poderes políticos, mas o meu "jornalismo científico" coloca agora uma hipótese: será justo assumirmos que a vitória de José Sócrates foi obra de um Rui Baptista que, na editoria de política da Lusa durante as eleições de 2009, não permitiu uma cobertura mais justa à campanha da então líder social-democrata Manuela Ferreira Leite - que, recorde-se, não convidara Passos Coelho a integrar as listas de candidato a deputado - perdendo assim uma corrida contra um José Sócrates que já começara a dar evidentes sinais de fim de regime? A hipótese é terrível, mas os factos estão à vista para a colocar. Afinal, as tácticas de manipulação das contratações nas redacções e as técnicas de manipulação dos títulos das peças jornalísticas são tão antigas como no tempo da ditadura como no tempo da nossa Democracia. Para um exemplo prático desta velha luta, basta ler o seguinte texto, datado de Maio de 1979 e publicado no "Diário de Lisboa"...

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20120117

O homem que não estava lá

É na página 383 da sua autobiografia política que Mário Soares não fala de Rui Mateus...



Para mim, que tanto faz, penso que Rui Mateus deve ter sido um pouco mais daquilo do que Mário Soares quer dar a entender...





Assim, o que me separa de Mário Soares não é a Democracia, mas sim o "tique" estalinista de tirar pessoas da fotografia...

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20120112

Obama e os telemóveis

O POTUS gosta de transmitir a imagem de pessoa activa e moderna. Por isso, contra todas as regras de segurança, fala muito ao telemóvel...





E, agora, acabei de ler esta frase: "Some Presidents like to ride around Dallas in open top limos, other are addicted to their cell phones... neither tend to remain in office too long".

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20120111

Funileiro, alfaiate, soldado, espião.

A recente adaptação do romance de espionagem de John Le Carré vale bem a pena ser vista...



Há que realçar no filme o trabalho magistral que permite incluir numa obra densa de espionagem momentos com a canção "The Second Best Secret Agent in the Whole Wide World", de Sammy Davis Jr. ...



e ainda aquele de criar uma cena final, que ficará certamente na história do cinema por ser uma sequência brutal e emotiva, feita ao som da canção "La Mer" interpretada por Julio Iglesias! Muito bom...

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Fernando Pessoa e a maçonaria


Sim, caros leitores, não tenham medo e sigam para esta página do GOL. TAF.

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20120110

O último repórter

O filme é de 1976. Antonioni a realizar e Jack Nicholson no papel principal. Locke é um jornalista inglês envolvido num caso de tráfico de armas. Há perigo, perseguições. E uma mulher, interpretada por Maria Schneider. Na cena final, Locke é abatido no quarto de uma pensão algures em Espanha. É uma filmagem magistral, uma lição de cinema. O jornalista deita-se na cama e a câmara fixa-se na janela térrea, protegida com grades. Esta avança lentamente e regista o que se passa do lado de fora do quarto, como uma peça de teatro sem diálogos, apenas com sons. Parece um bailado. Não há um único corte e, através de um engenhoso estratagema técnico, a câmara sai do quarto e prossegue a filmagem do drama cá fora. No fim, o repórter jaz morto no seu quarto. São oito minutos do melhor cinema. Maior do que a vida.

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Pequeno contributo para a história da maçonaria em Portugal - "Tal&Qual", 1995





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20120109

Benazir Bhutto, a primeira-ministra

Já é a segunda vez que os jornalistas portugueses insistem em trocar o sexo à antiga primeira-ministra do Paquistão: Mas Musharraf poderá ter de procurar evitar ser preso aquando da sua chegada ao Paquistão, pois no sábado os procuradores anunciaram estar a planear a sua detenção sob alegadas falhas de segurança do primeiro-ministro Benazir Bhutto, morto em 2008.

Aqui fica uma foto para que percebam de uma vez por todas que Benazir Bhutto era uma mulher e não um homem! (A não ser que os jornalistas portugueses sejam os únicos que saibam algo que o resto do mundo ignora)...





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20120105

José Esteves confessa Camarate

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20120104

Flauta Mágica

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20111230

EDP chinesa



A música combina tão bem com as imagens que até se coloca a questão se não estaria o negócio decidido quando a campanha publicitária foi encomendada...

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20111227

Assim se vê a qualidade do nosso jornalismo...

É nestes pequenos detalhes que se constata como o nosso jornalismo está pobre: enquanto os brasileiros sabem que Benazir Bhutto foi primeira-ministra do Paquistão, aqui, em Portugal, acham que foi um "primeiro-ministro"... E, ainda por cima, copiam-se...


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20111221

Postalinho

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20111220

Portas apanhado!

A agência noticiosa Reuter escolheu as 100 melhores fotos de 2011, onde figura um instantâneo do líder do CDS e actual ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, da autoria de Rafael Marchante...



A juntar a esta imagem não resisto ainda a apresentar um texto do semanário "Tempo", em 1980, onde o então jornalista Paulo Portas apresentava aos leitores a deputada Helena Roseta. Um mimo!...

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20111219

Ainda há quem ame a rádio... Ga Ga!

20111215

Jornalismo cibernético à moda da "Sábado"

A edição "on-line" da revista "Sábado" publicou ao início da tarde de hoje, quinta-feira, uma notícia na secção "Obrigatório ler" sobre uma jovem e promissora actriz inglesa, Lucy Gordon, que fora encontrada morta no seu apartamento de Paris, suspeitando-se de suicídio...



Só que a notícia acabaria por ser retirada minutos depois, quando, nas redes sociais, os leitores reagiram e fizeram notar que a "Sábado" estava a colocar em destaque uma notícia com mais de dois anos de atraso, pois Lucy Gordon morrera a... 20 de Maio de 2009! A "Sábado", no entanto, não teve depois a decência de explicar aos leitores o que se passara e não creio que tenha publicado uma nota de desculpa com a explicação lógica daquele engano. Procurei tentar perceber como é que aquilo aconteceu. Em conversa, percebi que essa coisa maravilhosa que serve de comunicação entre muitos seres humanos, e que dá pelo nome de "Facebook", tem uma aplicação que regista os artigos que uma pessoa consulta na Internet. Assim, se eu consultar um artigo, os meus "amigos" vão saber que o fiz. E, alguns deles, terão a curiosidade de espreitarem o que estive a ler. Por sua vez, os "amigos" dos meus "amigos", acabam por fazer o mesmo, pelo que, passado um bocado, esse artigo torna-se num dos mais consultados da Internet. Muito provavelmente, o artigo até pode não interessar a ninguém, excepto a mim, que fui o primeiro que o consultou. Entretanto, se um desses "amigos" calhar ser jornalista, irá analisar o interesse público do conteúdo e decidir se o mesmo merece ou não ser noticiado. Ora, soube que, horas antes do texto da "Sábado" ter sido publicado, andava a circular um artigo do jornal inglês "The Independent" com o título British actress found dead in Paris flat. Era a notícia da morte da actriz Lucy Gordon, datado de 22 de Maio de 2009. Vendo depois o texto da "Sábado", facilmente se constata que se trata de uma mera tradução e adaptação das informações do artigo inglês. Ou seja, quem escreveu o texto na "Sábado" nem sequer fez uma simples busca "on-line" sobre a actriz no sentido de acrescentar "mais-valia" à informação da fonte original. Se o tivesse feito, notaria logo que havia algo de errado na data da morte. Assim, limitou-se a pegar naquele texto em inglês, traduziu-o, adaptou-o e... publicou-o. Isto não é jornalismo. É algo muito mais preocupante: uma revista que ainda há tempos denunciava a ignorância dos universitários, revela ser ela própria uma fonte de ignorância.

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República





20111210

O iPad do PM

O "Expresso" garante hoje que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, ficou sem o seu iPad, há 15 dias, quando foi a Luanda e que ainda não o recuperou...



Sabendo com antecedência o facto de que o "Expresso" iria publicar essa informação, Pedro Passos Coelho, na quinta-feira, no momento em saiu do carro à entrada da cimeira europeia, em Bruxelas, exibiu ostensivamente para as câmaras um iPad...



Será este o iPad perdido e que, entretanto, foi recuperado, ou um outro? E, em relação ao iPad que, alegadamente, esteve perdido, será que alguém teve acesso não autorizado aos e-mails do PM de Portugal? Estaremos perante um caso semelhante ao do desaparecimento do BlackBerry de DSK?

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20111201

Mário Soares e o risco de reescrever a História

Mário Soares não está gagá, mas sente-se impune e, pela frente, encontra jornalistas sem memória e um povo adormecido. Por isso engana-se e ninguém dá por isso. A recente obra autobiográfica - "Um político assume-se – ensaio autobiográfico político e ideológico" contém um pequeno mas determinante erro histórico. Diz Mário Soares, na página 221, que, a 17 de Agosto de 1974, na altura em que o director-adjunto da CIA, Vernon Walters, visitou Portugal, encontrou-se com o "Presidente Costa Gomes"...



No entanto, nessa data, o Presidente da República ainda era o general António de Spínola, autor do livro "Portugal e o Futuro", editado em Fevereiro desse mesmo ano e que legitimara o general do monóculo para surgir no dia 25 de Abril como a pessoa que receberia o poder das mãos de Marcello Caetano. Spínola só deixou de ser Presidente da República cerca de um mês depois da visita do homem-forte da CIA, na sequência do fracasso da manifestação da "Maioria Silenciosa", a 28 de Setembro. Mário Soares, que era ministro dos Negócios Estrangeiros, não deveria ter deixado passar numa obra autobiográfica um erro tão óbvio, tanto mais que, poucas páginas mais à frente, menciona precisamente a demissão de Spínola. O engano, pelos vistos, também passou despercebido aos revisores da obra que, sendo assim, terão de alterar esta informação numa próxima reedição.
O maior problema do erro de Mário Soares, no entanto, é o de lançar ainda mais dúvidas em relação ao papel da CIA na Revolução portuguesa de 1974. António Spínola, que era um defensor da ideia da criação de uma Federação Lusitana com as ex-colónias, não agradava à política de independência defendida pelos EUA. Sendo assim, Costa Gomes seria o preferido dos norte-americanos. Daí que o "erro" de Soares não se trata de um "engano" da sua cabeça, pois, para a CIA e para Mário Soares, o verdadeiro "Presidente" já era Costa Gomes e não Spínola...
Foi ainda na sequência dessa visita de Vernon Walters a Portugal que ficou combinado que o embaixador dos EUA iria ser substituído. No regresso aos EUA, o chefe da CIA sugeriu ao secretário de Estado Henry Kissinger um nome para lidar com o problema português: Frank Carlucci. E foi a amizade entre Frank CarlucCIA e Mário Soares que permitiu ao líder do PS destacar-se durante o Verão Quente de 1975. Uma amizade que perdura e, exemplo disso, foi o recente encontro entre ambos, logo após as eleições legislativas, na antiga lavandaria da residência do embaixador norte-americano em Lisboa, à Lapa...



Resulta por isso estranho que Mário Soares não tenha incluído qualquer referência ao nome do "amigo americano" - Carlucci, Frank - nesta sua grossa obra autobiográfica...



E, recorde-se como facto, Frank Carlucci, depois de ter sido embaixador em Portugal, em 1978, foi nomeado director-adjunto da CIA, afinal o mesmo cargo que Vernon Walters ocupava quando visitou Portugal e, segundo e "evangelho" de Soares, encontrou-se com o "Presidente" Costa Gomes.

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20111128

Aguiar Mota

Um mês antes das eleições, encontrei e estive a falar com Pedro Mota Soares no metro. Depois das eleições, vi-o na televisão a andar de Vespa.



Agora soube que Mota Soares troca Vespa por carro de luxo. Não vou criticar as razões mas, pergunto, e não seria possível trocar o valor do contrato de aluguer do carro por cupões/refeição para a Santa Casa?

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20111127

O BlackBerry de DSK

Onde está o BlackBerry de serviço do anterior chefe do FMI? Por que motivo desapareceu o aparelho no mesmo dia em que DSK teve a relação sexual com a criada de um hotel francês em Nova Iorque? E será mesmo verdade que o BlackBerry estava a ser interceptado por pessoas ligadas ao presidente da França? O jornalista norte-americano que levanta estas questões, Edward Jay Epstein, não é um novato qualquer. O artigo que escreveu para o "The New York Review of Books" está já a dar a volta ao mundo.




Para acrescentar outros detalhes a este mistério, recordo o que foi dito poucos dias após a detenção do então chefe do FMI e putativo candidato socialista com mais hipóteses de suceder a Sarkozy: A new report prepared for Prime Minister Putin by the Federal Security Service (FSB) says that former International Monetary Fund (IMF) Chief Dominique Strauss-Kahn [photo with Putin top left] was charged and jailed in the US for sex crimes on May 14th after his discovery that all of the gold held in the United States Bullion Depository located at Fort Knox [photo 2nd left] was 'missing and/or unaccounted' for.

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20111123

Saif al-Islam e... Abdullah Senussi. E se eles contam o que sabem sobre Lockerbie?

Manual de Instruções para Golpes de Estado (2)

Mário Soares, fundador do PS (1973), ministro dos Negócios Estrangeiros (1974-1975), primeiro-ministro por duas vezes (1976-1978 e 1983-1985), Presidente da República por duas vezes (1986-1996), eurodeputado (1999-2004), candidato derrotado a um terceiro mandato a Belém (2006) e presidente da fundação com o seu nome, resolveu agora encabeçar um manifesto onde defende que "é o momento de mobilizar os cidadãos de esquerda que se reveem na justiça social e no aprofundamento democrático como forma de combater a crise". No dia 6 de Novembro de 1975, naquele que foi um dos mais importantes debates políticos em Portugal após o 25 de Abril de 1974, o líder comunista, Álvaro Cunhal, olhou Mário Soares nos olhos e explicou-lhe o que era uma revolução: "Uma revolução faz-se por alguém e, naturalmente, contra alguém". E Cunhal concluiu a ideia ao esclarecer que "não se pode fazer uma revolução se os órgãos de poder têm representantes desse alguém contra quem é feita essa revolução". Mário Soares, como bom democrata que é, também fitou o líder dos comunistas nos olhos e retorquiu que Álvaro Cunhal não podia excluir a vontade majoritária da população que votara a 25 de Abril de 1975 para a Assembleia Constituinte e dera apenas 15 por cento aos comunistas, enquanto o PPD de Sá Carneiro - que Cunhal queria excluir da governação - tivera mais de 20 por cento. E o líder do PC respondeu com o exemplo das perseguições aos membros do seu partido nos Açores: "Naturalmente, nestas condições, temos uma fantochada eleitoral nos Açores e depois apresenta-se o resultado majoritário daqueles que recebem os votos. Nós queremos eleições, mas não queremos essas eleições". Nos Açores, nessa mesma noite, fora assaltada, pela primeira vez, uma sede do PS, ao que o líder dos comunistas, sempre arguto, comentou: "O PS soprou bastante fogo anticomunista que ateou um pouco as chamas em que arderam as sedes do PCP, mas, enfim, talvez com a direita reaccionária fascista, dos ELP ao MDLP, de outros sectores, enfim, com a ultradireita, chegue o dia em que os próprios socialistas, que, no momento, parecem inclinar-se, na prática, objectivamente, para uma aliança com as forças da direita, acabem por ser vítimas dessas forças de direita". Álvaro Cunhal sabia que os atentados à bomba vinham da direita. Nessa noite, na Rua da Emenda, José Esteves - o presumível autor da bomba que, cinco anos mais tarde, mataria Sá Carneiro - lançou uma granada chinesa contra a sede do PS enquanto decorria o debate. "Foi Mário Soares quem pediu que fosse atacada a sede do PS", contou-me há dias o autor da façanha. O mesmo José Esteves fora um dos fundadores de uma organização terrorista que ficaria conhecida como CODECO e actuava como braço armado do CDS. José Esteves, quando foi preso pela GNR, a 18 de Novembro de 1975, era motorista de Freitas do Amaral (que esteve coligado com Mário Soares entre 1977 e 1978 e foi depois ministro dos Negócios Estrangeiros do "socialista" José Sócrates). Dias depois da eleição do actual governo de Passos Coelho, Mário Soares encontrou-se com um velho amigo: o ex-embaixador da CIA em Portugal, Frank Carlucci. Responderam com imensos sorrisos aos jornalistas embebecidos que não havia problemas neste nosso jardim, pois a democracia delineada nas águas-furtadas da residência norte-americana à Lapa, em 1975, ainda estava a funcionar. Apesar da subida do PC nas eleições e a descida do PS, o PSD - agora sem o incómodo Sá Carneiro - e o CDS (liderado por um ex-militante social-democrata), assumiam a matemática e previsível alternância "democrática". O 1089. Sendo assim, a próxima revolução não pode contar com Mário Soares, pois é precisamente contra Mário Soares e seus amigos "republicanos" e "democratas" que esta terá de ser feita.

Ver aqui o debate Soares-Cunhal, a 6 de Novembro de 1975.

Reportagem de Mário Crespo, da SIC, sobre o reencontro de Soares com Carlucci...

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20111122

Manual de Instruções para Golpes de Estado

Um golpe de Estado não se anuncia. Faz-se. E, de preferência, a uma terça, quarta ou quinta-feira. Porquê? Para haver tropa. Esta indicação foi-me dada por alguém que já fez um golpe de Estado, Otelo Saraiva de Carvalho. O 25 de Abril de 1974 foi a uma quinta-feira, enquanto a intentona do 16 de Março, nas Caldas da Rainha, foi de sexta para sábado. Por isso falhou. Salgueiro Maia, certa vez, quando Cavaco Silva era primeiro-ministro, foi apresentado ao chefe do Governo durante uma cerimónia militar: "Sr. primeiro-ministro, este é Salgueiro Maia, o homem que prendeu o chefe do Conselho, Marcello Caetano". Maia sorriu e disse a Cavaco: "Prendi sim senhor, e prenderei outro se tal for necessário". Cavaco engoliu em seco, Maia já não está entre nós, morreu de cancro. Cavaco, antigo líder social-democrata, está agora em Belém, na cadeira que foi de Américo Tomaz. O actual chefe do Governo é um ex-dirigente da juventude social-democrata. O ministro dos Negócios Estrangeiros é um antigo membro da juventude social-democrata e o anterior primeiro-ministro, apesar de ser "socialista", ainda chegou a militar na juventude social-democrata. O actual presidente da comissão europeia, o português Barroso, passou pela juventude de um partido marxista e chegou depois a líder do partido social-democrata. A alternância dita "democrática" que hoje temos não é fruto de uma revolução feita a 25 de Abril de 1974, pois temos ainda de recordar outras datas que não são feriados: 28 de Setembro de 1974, 11 de Março de 1975, 25 de Novembro de 1975 e 4 de Dezembro de 1980. Feriados como o 25 de Abril, 10 de Junho, 1 de Dezembro, não parecem fazer sentido nos dias de hoje. Penso que deve-se manter o 5 de Outubro, mas exaltado como data do Tratado de Zamora de 1143 - e que Portugal seja um País onde, finalmente, se celebra a data da sua criação!. E, por fim, que se comece desde já a trabalhar para criar um novo feriado.

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20111107

Crime com castigo é o crime perfeito

O médico de Michael Jackson, Conrad Murray, foi considerado culpado da morte do cantor e pode ser condenado a quatro anos de prisão. Lembro que Michael Jackson, na altura da sua morte, estava a preparar o espectáculo "This Is It" que iria apresentar na Arena O2, em Londres. Não era um contrato qualquer, pois estavam previstos cerca de 50 espectáculos. Sim: cinquenta (50). O artista norte-americano, ao que parece, não tinha condições físicas e psicológicas para fazer um espectáculo decente. Esse era precisamente o teor do artigo que a revista inglesa especializada em música, "Q", apresentou na capa da edição de Agosto de 2009 e que saiu para as bancas poucas horas antes da morte de Michael Jackson...



"The feature, 'Michael Jackson Unmasked' was written by Cole Moreton. It is a warts-and-all story of how Jackson was lured back to the stage that begins: 'Will he turn up? Will he sing more than a few lines? Can Michael Jackson really survive 50 shows or will his body or mind, both seemingly so fragile, disintegrate under the pressure of it all?'"

Não sei se Michael Jackson foi ou não morto de propósito - assassinado, portanto - para evitar os elevados prejuízos que iriam surgir com o candelamento dos 50 espectáculos por motivos de saúde (creio que com a sua morte, só foram devolvidos os bilhetes de uns poucos que não os quiseram guardar como recordação). Sei contudo, e disse-o logo pouco depois de ter morrido, que Michael Jackson "vale mais morto do que vivo" . Por isso, agora, com esta decisão de culpar o médico de negligência e ter previsto como condenação máxima "apenas" quatro anos, poderemos estar muito bem a assistir ao desfecho do crime perfeito...

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