20141004

Open letter to Mr. Oliver Stone who recently visited Portugal and didn’t had the chance to know the following facts about the common history of Portugal and the US

Dear Mr. Oliver Stone, I’ve just read the story about your recent visit to Portugal published in the “Expresso” magazine. Knowing your work “The Untold History of the United States” I thought how ironic it was that your only interview in Portugal was to television SIC and newspaper “Expresso” – both of the same communication group – because they are the best exemple of what’s not told to the Portuguese public about their past and contemporary history.
"Expresso" said that you’ve visited Mário Soares at his home in Vau, Algarve. And you did that because you asked first who the President of Portugal was during the first Gulf War (1990-1991). Well, I don’t know if you were previously informed that a Portuguese President doesn’t have the same executive power as the US President. The power to decide the Government foreign policy and Defense strategy are in the hands of the prime-minister. If you were told that in 1990-1991 the prime-minister was the actual President, Aníbal Cavaco Silva, you bet you could have film material!
Aníbal Cavaco Silva was the Finance minister present on the last meeting with the Portuguese prime-minister Sá Carneiro and Defense minister Amaro da Costa, on December 4, 1980, the day these last two died on a plane crash.
A plane crash that was caused by an explosion on board – a fact only given as proven in 2004.
Nowadays, the Portuguese Parliament is investigating a possible link between their death and an investigation commanded by Sá Carneiro to an ilegal guns deal to Iran before the Reagan/Bush 1980 election. The 1980 “October Surprise” deal. Cavaco Silva had been ordered by Sá Carneiro to investigate a financial flow of ilegal money among the militar in Portugal, but he never carried out the investigation. Instead, after the death of Sá Carneiro he became prime-minister in 1985 and, like Mário Soares, who also was prime-minister before him, Cavaco Silva was submissive to the power in Washington.
That’s why you can find Portugal and the Lisbon airport mentioned as a third country in the Iran-Contra affair. Cavaco Silva is a personal friend of Bush senior, the former CIA director. As a matter of fact, Bush senior was present in the inauguration ceremony of Cavaco Silva as President of Portugal in 2006.
So, the name of the person who was in control of the Portuguese policy during the first Gulf War and who’s also a close friend of Bush senior was then the prime-minister Aníbal Cavaco Silva, now the President of Portugal.
I hope you can come a second time to Portugal. There’s a lot more of an “Untold” history that you would really like to know. Because it’s also your history that’s hidden here, in Portugal. All the best.

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20140906

A pluma de Bilderberg

Clara Ferreira Alves assina hoje uma crónica no "Expresso" intitulada “Por um exército europeu”. Defende que a Europa “precisa de uma força militar. Um exército europeu, exactamente. Precisa de Forças Especiais europeias em vez de nacionais”. A cronista da “Pluma caprichosa”, que não precisa de ter carteira profissional de jornalista para assinar entrevistas no mesmo “Expresso” – como as que fez a José Sócrates, Carlos Cruz e a que faz hoje a Fernando Ulrich – ou reportagens – como a aquela recente em Detroit, (não é verdade, Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas?) – foi uma das convidadas dos encontros do Grupo Bilderberg (2011, na Suíça). É importante referir isto para perceber os argumentos usados pela pluma da cronista. “Henry Kissinger, o velho sapo, emergiu das brumas para dar opinião sobre a ordem mundial”, é assim que começa a crónica. Os caprichos desta vida levam-nos assim a constatar que as reuniões do Grupo Bilderberg são assistidas e promovidas pelo “velho sapo” e por alguns dos seus amigos, entre os quais se encontra o Dr. Balsemão, o homem que é dono do "Expresso", convidou Clara Ferreira Alves para o encontro na Suíça e paga-lhe as crónicas, entrevistas e reportagens – sem esquecer a presença semanal no programa “Eixo do Mal”, na SIC. Então, essa mesma Clara Ferreira Alves que nunca escreveu uma linha sobre o encontro de Bilderberg onde supostamente esteve com Henry Kissinger, o que nos diz ainda sobre o amigo do patrão? Mimoseia-o apenas como aquela do “velho sapo” e fica-se por aí? Não. Vai mais longe. Muito mais longe. Escreveu: “Quando o velho sapo fala fico arrepiada, mesmo que lhe aprecie a inteligência e a lucidez. O velho sapo tem um passado terrível, como o grande Christopher Hitchens escreveu em ‘The Trial of Henry Kissinger’. Kissinger é, para todos os efeitos, um criminoso de guerra. Daqueles que nunca se sentarão nos bancos de Haia”. Não podia concordar mais com Clara Ferreira Alves. Conheci Christopher Hitchens pouco tempo antes de ele descobrir que tinha cancro. Falámos na Casa Fernando Pessoa, onde lhe expliquei como o suposto caso do tráfico de armas norte-americanas para o Irão, em 1980, que impediu a libertação dos diplomatas reféns em Teerão e a reeleição de Jimmy Carter, passara por Lisboa, com Kissinger envolvido na história. Sim, eu sei que Hitchens sabia de Kissinger nesse negócio em Lisboa. Mas, Hitchens já morreu e, por muito plumitiva que seja a caprichosa, há coisas que se topam à distância. Bem que pode ela citar o nome de um “grande” para esconder a sua pequenez, pois muito que critique o “velho sapo”, sabemos bem o que pretende. E isso é claro ao defender a criação de um exército europeu: ser cúmplice do tal “criminoso de guerra”.

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20140901

Obrigado, Millás!

Juan José Millás escreveu um livro do caraças. Está correcta esta frase? Se a construção gramatical ficou bem estruturada, com substantivos e verbos e concordância de género devidamente colocados, então sim, está correcta. E é verdadeira, pois ele escreveu mesmo um livro do caraças. Passei dois dias de prazer com “A Mulher Louca” do jornalista e escritor espanhol - edição da Planeta. Um livro substantivo, de facto. Obrigado, Millás! Não sei bem a qual dos Millás devo agradecer pela história de Júlia, Roberto, Serafín, Emérita e Micaela. Desconheço a qual dos Millás devo estar grato pela história da peixeira, com olhar de louca, que vê e fala com as palavras porque está apaixonada por um filólogo, o seu chefe no supermercado - sim, quando a crise económica atinge uma sociedade, o primeiro que as pessoas dispensam é o marisco e os filólogos. Existe o Millás, que é jornalista no El País e que entra como protagonista na história para fazer um artigo sobre a eutanásia e conhece Emérita, mulher de Serafín, em cuja casa Júlia alugou um quarto. É o mesmo apartamento onde é dito pelo outro Millás, aquele que nos narra a história, que Millás, antes ser jornalista, também habitou aquele mesmo local. Qual destes dois Millás é depois o que se senta na cadeira do consultório de Micaela, a psicanalista? E o que dizer do terceiro Millás, o que assina o romance chamado “A Mulher Louca”? Será este um romance falso sobre uma reportagem verdadeira ou uma reportagem falsa sobre um romance verdadeiro? O jornalista e escritor Juan José Millás será Júlia quando esta recebe a visita das palavras, cura-as, vê-as a copular uma com outras, faz-lhes psicanálise e analisa-se? Ou o terceiro Millás veste a pele de um hábil manipulador de palavras, que usa o “álibi” do segundo Millás para, através do primeiro Millás, desviar a atenção das outras personagens e levar o leitor a ser analisado através desta reportagem verdadeira de um falso romance? É uma obra de quase 200 páginas, mas cujo efeito curativo tem duração prolongada. Devolve-nos a fé no poder das palavras, no poder da leitura e da literatura. No poder do jornalismo como ele era e devia ser. Seja tudo muito ou quase nada falso ou totalmente verdadeiro, em qualquer dos casos são as palavras que ficam sempre. Obrigado Millás por esta história. Qual um deles que tu sejas...

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20140828

Eduardo Campos. Quem beneficia com o atentado?

Estranho quando, aparentemente, o beneficiário de um crime é aquele que, em princípio, seria a principal vítima, não? Os defensores da tese do atentado contra o avião Cessna do candidato presidencial brasileiro, Eduardo Campos, lançaram suspeitas na direcção do partido no poder, mas as sondagens insistem em indicar que o atentado foi a melhor coisa que aconteceu ao partido da vítima. Isto é uma leitura factual, vista à distância de um Oceano, a frio, sem acusar ou defender qualquer parte. Não voto nas eleições no Brasil, ainda sei muito pouco sobre o momento que vivem os irmãos brasileiros, mas estou cada vez mais interessado. Como já disse num texto anterior, através da minha experiência como jornalista que investigou a morte do primeiro-ministro de Portugal e ministro da Defesa na queda de um avião Cessna nos arredores do aeroporto de Lisboa, a 4 de Dezembro de 1980, foi necessário esperar quase 30 anos até que a tese de atentado fosse dada como sendo a mais certa. Só que ao fim deste tempo, a sociedade portuguesa ainda tem dúvidas e está demasiado distante dos factos para avaliar a importância daquilo que se concluiu. Pior ainda, Portugal vive mergulhado nos problemas criados pelos efeitos daquelas mortes, pelo que nem sequer tem tempo para parar e pensar nas implicações que, ainda hoje, a confirmação de atentado poderia provocar no panorama político e económico. Temo que o mesmo possa vir a acontecer no Brasil. Pelo pouco que vou tendo acesso via Internet, vejo que no Brasil estão a cometer os mesmos erros de investigação e que, muito provavelmente, só daqui a 30 anos vão concluir aquilo que hoje muitos avisam que pode ser verdade. E para o esclarecer, é urgente seguir alguns procedimentos de investigação. Sei, por exemplo, que os corpos das vítimas já foram enterrados. Mas, houve tempo para serem feitas análises por raio-x aos seus ossos? Em Portugal, os corpos das vítimas tiveram de ser exumados e descobriram-se vestígios de estilhaços nos ossos. E que isso era compatível com a suspeita da explosão de uma bomba a bordo. Dizem-me que no Brasil há quem sustente a hipótese de terem ocorrido duas explosões no avião. Uma primeira, no interior do aparelho, ainda no ar, e outra na queda - a pique e que abriu uma cratera no chão. Os corpos terão ficado despedaçados e não sei, do ponto de vista forense, até quanto um análise poderia ser indicativa de uma explosão criminosa. No entanto, reforço a minha dúvida: foram ou não feitos exames aos corpos no sentido de esclarecer uma eventual explosão criminosa do Cessna? Depois, os vestígios do avião. Foram ou não feitos exames destinados a detectar a existência de explosivos na estrutura do aparelho? Há ainda a questão das gravações das caixas pretas – caixas negras como nós dizemos deste lado do Oceano. Não são conclusivas, dizem-me. Um facto que aumenta a probabilidade de ter havido crime, tal como em Portugal, em 1980, quando o avião Cessna caiu no bairro chamado de Camarate sem que tenha sido registado qualquer comunicação de emergência por parte do piloto antes da queda. Entretanto, temos que considerar também factores tecnológicos que, em 1980, ainda não estavam tão presentes como hoje. Haverá assim a possibilidade do aparelho do candidato presidencial brasileiro ter sido sujeito a uma controlo remoto exterior que o conduziu para a queda? Será esta hipótese demasiado fantasiosa nos dias de hoje? Não me parece... Eduardo Campos seguia em terceiro lugar nas sondagens e, após a sua morte, o panorama político mudou. Agora, aquela que era candidata a vice-presidente, subiu para a cabeça da candidatura e ameaça derrotar a actual Presidenta na segunda volta das eleições. Quero acreditar que a morte de Eduardo Campos foi um golpe do destino, um acidente. Mas, este acidente tem tudo para ser apontado como tendo sido provocado por mão humana do que pela mão do destino. Claro que o destino guia a mão dos homens, mas dita-me também a experiência que isso acontece nos pequenos momentos da vida em que temos de tomar uma decisão e recebemos um sinal, dito divino, que nos ajuda a decidir por um lado e não pelo outro. Quando o homem está decidido a desafiar o destino e decide antecipar o fim da vida dos outros, não há maneira de ser parado pelo divino. Divino é depois o que acontece com as ondas de acção iniciadas por uma acção criminosa. E, para já, tudo aponta que uma possível acção criminosa vai colocar no Planalto uma pessoa que, antes da morte de Eduardo Campos, não era suposto lá chegar.

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20140816

Caso Boqueirão

Para os meus leitores no Brasil: Queridos irmãos brasileiros, compartilho a dor que sentem com o trágico desaparecimento de Eduardo Campos, um político carismático e que resultou de um alegado acidente aéreo. Digo "alegado", pois vejo que no vossa imprensa já se começa a falar da possibilidade de atentado. Quero então dizer-vos que o que aconteceu com Eduardo Campos tem semelhanças assustadoras com algo que também já aconteceu com um político português e que teve lugar há mais de 30 anos! Um avião Cessna caiu numa zona habitacional nos arredores de um aeroporto, causando a morte de todos os sete ocupantes. Isso teve lugar em plena campanha de eleição presidencial e testemunhas falam de "bola de fogo" "bola de fogo" no ar e de um avião que vinha já a arder antes de embater no solo. As gravações das comunicações entre piloto e torre de controlo são inconclusivas e não há o registo de qualquer pedido de auxílio - o usual "Mayday" - da parte do piloto antes do embate fatal. Onde é que isto tudo aconteceu? Aconteceu em Lisboa, na noite de 4 de Dezembro de 1980, quando o avião Cessna que transportava o primeiro-ministro de Portugal, Francisco Sá Carneiro, despenhou-se pouco depois de ter descolado do aeroporto de Lisboa. Ia a caminho do Porto, onde era esperado para discursar numa acção de campanha de apoio ao seu candidato a Presidente da República, Soares Carneiro. O avião caiu no bairro de Camarate, sendo que, desde então, esta queda ficou conhecido em Portugal como o "Caso Camarate". E esse é hoje, caros irmão brasileiros, o vosso "Caso Boqueirão". Juntamente com o primeiro-ministro, figura bastante carismática entre os portugueses, morreram ainda o ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, e o chefe de gabinete do primeiro-ministro, António Patrício Gouveia. Faleceram igualmente as esposas dos governantes, Snu e Manuela, e os dois pilotos do aparelho, Jorge Albuquerque e Alfredo Sousa. Ao fim de mais de 30 anos de investigação, a justiça portuguesa encerrou o caso sem que tivesse encontrado uma explicação lógica para o que teria levado à queda do aparelho. Entretanto, face às dúvidas de acidente ou atentado, o Parlamento português realizou várias comissões parlamentares de inquérito. Em 2004, a oitava comissão concluiu que houve uma explosão a bordo, provocada por um engenho colocado na parte dianteira da aeronave, supostamente junto ao trem de aterragem. Em 2012 escrevi um livro intitulado "Camarate - Sá Carneiro e as Armas para o Irão", onde explico que o móbil do atentando poderia estar relacionado com o facto de haver um negócio secreto de tráfico de armas dos EUA para o Irão, usando o território português como plataforma giratória para esse negócio. Sá Carneiro teria mandado investigar e isso levou à sua morte. Por outro lado, ele era uma pessoa que não hesitava em enfrentar poderes muito acima da força internacional de Portugal, pelo que a sua substituição no panorama político nacional levou depois a uma espécie de "harmonização" da vida política e que perdura até hoje. Estive no ano passado no Parlamento português a testemunhar na décima comissão parlamentar de inquérito, que tem agora a tarefa de confirmar se a tese do móbil da rede internacional que levou ao atentado tem sustentabilidade ou não. Vou lendo o que me chega do Brasil e chamo a vossa atenção para a possibilidade de surgir muita desinformação. Vão ser dias difíceis, os próximos, pelo que estejam atentos a tudo o que vos parecer informação credível e que, com o tempo, poderá desaparecer da rede. Como, por exemplo, os primeiros testemunhos que falam de uma explosão do avião no ar e que vinha a arder antes de embater no solo. Há 30 anos, não havia ainda Internet e só existia um único canal de televisão em Portugal e que era controlado pelo Estado. Hoje, com a profusão de canais de informação, podemos pensar que estamos melhor informados. É mentira. Existe é cada vez mais uma grande dispersão da informação e aquela que acaba depois por ficar é somente a que querem que seja a oficial. Por isso, mantenham a memória destes dias, pois sabe-se lá se daqui a 30 anos ainda vamos estar a discutir detalhes do que aconteceu na semana passada.

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20140807

Coisas novas

Fez ontem 11 anos que comecei este blogue. Como "prenda" atrasada para os leitores deixo-vos um fotografia que explica muito sobre a recente solução que o Governo e o Banco de Portugal encontraram para o caso BES. É uma foto da última reunião do Conselho de Estado, que teve lugar no dia 3 do passado mês de Julho. O tema da reunião foi "Situação económica, social e política, face à conclusão do Programa de Ajustamento e ao Acordo de Parceria 2014-2020 entre Portugal e a União Europeia para os Fundos Estruturais" e cuja conclusão foi:"Face à seriedade das exigências que o País enfrenta, o Conselho de Estado exorta todas as forças políticas e sociais, no quadro da diversidade e pluralidade democrática, a que preservem entre si as pontes de diálogo construtivo e a que empenhem os seus melhores esforços na obtenção de entendimentos quanto aos objetivos nacionais permanentes, fator decisivo da confiança e da esperança dos portugueses". Atente-se então ao que a fotografia nos permite registar. Está ali, no lado esquerdo da foto, um conselheiro de Estado que foi amigo pessoal do dono do banco. Zangaram-se há uns anos, quando o banco diminuiu o investimento publicitário no grupo de Comunicação Social desse conselheiro de Estado. No seu lado direito, senta-se um conselheiro que é comentador regular na televisão propriedade desse conselheiro de Estado. E foi nessa televisão que o comentador avançou publicamente com as medidas que o Banco de Portugal estava a preparar para a criação de um "novo banco" antes do Banco de Portugal anunciar, no domingo à noite, dia 3 de Agosto, a criação do "Novo Banco". À esquerda do conselheiro de Estado dono da televisão está sentado o conselheiro que, no dia seguinte a este conselho de Estado, deixou este posto para ocupar o cargo de presidente do BES. No lado esquerdo deste último está outro conselheiro de Estado que também faz comentários na televisão, é companheiro de uma administradora do BES e confesso amigo pessoal do antigo presidente do banco. Na foto estão ainda a Presidente da Assembleia da República, primeiro-ministro e secretário-geral do segundo partido mais votado nas últimas eleições legislativas. À cabeceira da mesa está a pessoa que, por fim, no domingo, assinou a lei que permitiu que tudo fosse possível.

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20140728

Há vítimas portuguesas

20140704

Os dinheiros da CIA para o PS

Chamaram-me há dias a atenção para uma reportagem da televisão holandesa, feita no anos passado, sobre o financiamento do PS por parte da CIA no pós-25 de Abril. Não é que o tema seja novidade ou segredo, mas esta reportagem tem testemunhos inéditos que confirmam aquilo que, até hoje, se falava como uma mera hipótese sem grande importância. Não. Foi uma coisa em grande. Há um holandês, Harry van der Bergh, que confirma ter servido de "correio" desse dinheiro e ainda uma alta individualidade norte-americana, Arthur Hartman, que afirma que o dinheiro era mesmo da CIA e está convencido de que Mário Soares sabia de onde vinha o dinheiro e houve ainda a preocupação de não o envolver directamente no esquema. Aliás, o nosso ex-Presidente da República e antigo líder do PS é também entrevistado para a reportagem da tv da Holanda. E diz: "No meio de uma revolução, quem quer saber se o dinheiro que recebe de fora é legal ou ilegal?". Pois, é verdade, quem quer saber? Por isso é que ninguém nos leva a sério no resto da Europa e mundo. A reportagem está, obviamente, na sua maior parte, em holandês. Aliás, se alguém puder dar-se ao trabalho de traduzir as declarações do "correio" holandês para português e depois partilhar aqui, ficaria imensamente grato. Há ainda uma testemunha alemã, que não compreendo tudo o que diz e, de igual modo, gostaria de ler uma tradução fiel. O que está em inglês e francês é mais acessível. Não esquecer ainda que esta reportagem confirma muito do que se disse aqui. Para ver a reportagem, ir aqui.

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20140603

Bilderberg 2014 - Álbum de recordações

20140424

Sim, houve mortos no 25 de Abril de 1974





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20140218

E nesta quinta-feira... Figueira da Foz...

20140211

Hotel Bilderberg, reunião aberta ao público

Apareçam.


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20140122

Recordações de Sitges

Foi em Junho de 2010, mais precisamente, no domingo, 6 de Junho de 2010, que o então ministro das Finanças de Portugal, Teixeira dos Santos, foi fotografado à saída do hotel Dulce, em Sitges, cidade balnear a poucos quilómetros de Barcelona, Espanha.
O ministro estava no hotel desde sexta-feira à noite - faltou inclusive a um debate na Assembleia da República para ir para Espanha. Não foi passar nenhum fim-de-semana romântico em escapadinha privada. Não. Estava lá na qualidade de ministro das Finanças, ao serviço do povo de Portugal para participar no encontro anual do Grupo Bilderberg, aqueles que reúnem os "Donos do Mundo" com os políticos preferidos e depois não permitem que os convidados falem das discussões com a Imprensa. E a Imprensa acha isso "normal" e até "folclórico". Na reunião do ano passado estiveram, por exemplo, António José Seguro e Paulo Portas. Este último, antes da demissão "irrevogável", antes de ser feito vice-primeiro-ministro... Recordo agora a viagem de Teixeira dos Santos porque a mesma aconteceu no mesmo mês em que, soube-se recentemente, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, o finlandês Olli Rehn, rejeitou a ideia de que a Europa reagiu tarde no apoio a Portugal e defendeu que houve uma "reacção nacional tardia", pois o Governo de Sócrates só agiu quando já estava "encostado à parede". E contou que chegou a discutir esse programa com o nosso ministro em... Junho de 2010. Ou seja, depois da estadia de Teixeira dos Santos em Sitges. De acordo com as notícias dessa altura, vemos que, a 16 de Junho de 2010, dez dias após a reunião do Grupo Bilderberg, Olli Rehn é citado a dizer o seguinte sobre Portugal: "Os objectivos orçamentais actuais, incluindo os objectivos revistos de Espanha e de Portugal, parecem garantir uma posição global orçamental adequada para a UE, mas há uma evidente necessidade de avançar com mais força com a agenda estrutural". Portugal resistia a pedir ajuda económica, facto que só veio a acontecer, finalmente, a 6 de Abril de 2011, quando Teixeira dos Santos reconheceu que Portugal deveria pedir ajuda externa. aliás, vale a pena recordar esse dia nas palavras dos jornalistas que serviram de "pombo-correio" ao ministro: ver aqui o vídeo. Em resposta, Teixeira dos Santos veio agora dizer que Olli Rhen, que, por acaso também é um dos políticos que já esteve numa das reuniões do Grupo Bilderberg (Turquia, 2007), está agora a "defender a sua dama". São todos bons rapazes, mas, no entretanto, houve aqui alguém que fez muito dinheiro. A conta de hotel daquele fim-de-semana em Sitges não deve ter sido nada barata para o bolso dos portugueses. E hoje, o Nuno Carregueiro, no "Jornal de Negócios", escreveu isto: "Quem investiu na dívida portuguesa no final de 2011 e manteve até hoje os títulos em carteira, só pode estar bastante satisfeito com a aposta (de risco) que efectuou. Em 2012, tendo em conta todos os mercados mundiais desenvolvidos, as obrigações soberanas portuguesas foram as que deram maior retorno aos investidores". Deve ser esse o preço do fim-de-semana de Teixeira dos Santos na reunião de Bilderberg de 2010.

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20140113

Sócrates e as críticas ao Goldman Sachs

Para também não virem depois dizer que só me "preocupo" em "atacar" José Sócrates com esta coisa sem importância do jogo Portugal-Coreia do Norte - e é verdade que não tem importância o caso em si, pois o que sempre me interessou foi realçar como um exemplo prático, fácil de apreender, e que serve para demonstrar o que não acontece em outros casos bem mais graves e importantes que nem sequer chegam a ser conhecidos devido à falência do jornalismo -, destaco outras palavras de Sócrates, ontem à noite, na RTP. Ele criticou a Goldman Sachs. Sim, é algo que um homem de esquerda faria naturalmente. Mas, agora, quando ouvirem as suas palavras, tenham em mente algo que a jornalista Cristina Esteves provavelmente não sabia: Em 2004, há 10 anos apenas, José Sócrates, quando era um simples deputado socialista, foi convidado por Balsemão para participar no encontro anual do Clube Bilderberg. Entre outros, estavam lá também o então o comissário europeu Mario Monti, pessoa que José Luís Arnaut vai substituir na Goldman Sachs. E estava ainda o actual presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que era nessa altura vice-presidente da... Goldman Sachs. Pensem nisso e agora ouçam e digam lá se isto não um Portugal-Coreia do Norte outra vez... http://youtu.be/3fHMp_ph9Oc

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Sócrates e a falência do jornalismo

Fui criticado por "atacar" o ex-primeiro-ministro José Sócrates ao apontar um alegado engano da sua parte quando, na semana passada, relatou no espaço semanal da RTP uma memória de infância relacionada com o jogo do Mundial de 1966, Portugal-Coreia do Norte. Disse ele então que saiu de casa quando Portugal perdia por 3-0 e, acaminho da escola, ia ouvindo pelas ruas da Covilhã os golos até que, quando chegou à escola, foi uma explosão de alegria com a vitória de Portugal. Apontei então o facto do jogo ter sido num sábado e que que poderia dar-se o caso de não haver aulas. Muitas críticas vieram reclamar que ao sábado havia aulas - embora o jogo tivesse começado às 15 horas e, mesmo com aulas ao sábado, estas, normalmente, acabavam à hora do almoço - havendo ainda o facto de ser férias de Verão: o jogo foi a 23 de Julho. Enfim, ontem à noite, novamente na RTP, Sócrates garantiu que disse que ia para a escola para jogar futebol com os amigos. E a jornalista Cristina Esteves não o interpelou e não disse que isso era um engano - para não dizer mentira - já que, nas declarações que estão gravadas, o ex-primeiro-ministro nunca explica o que o levou a ter de ir para a escola naquele sábado, a meio do jogo. É verdade que ele também nunca disse que ia para a escola porque tinha de ir para as aulas. Mas, se teve de sair de casa a meio de um jogo onde Portugal estava a perder, então isso deveu-se ao facto de que era obrigado a ter de sair de casa para ir para a escola - pelo que a possibilidade de ter aulas era a mais óbvia - ou então não acreditava na reviravolta de Portugal e foi jogar à bola. E não o quis dizer ou esqueceu-se de dizer que era para jogar à bola. Mas, se há uma semana houve um lapso de memória com quase 50 anos de distância, esta semana houve um segundo lapso de memória com apenas uma semana de distância. No entanto, a culpa nem é de Sócrates: é dos jornalistas que o deixam enganar-se ao vivo e, depois, somos nós todos, asociedade, que acaba vítima dos enganos pelos políticos que os jornalistas deixam passar.

O vídeo do engano de ontem que a jornalista deixou passar... http://youtu.be/g7JYZe5xMiA

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20140109

Foi à escola, sem sacola

Afinal, não havia aulas ao sábado. Mas Sócrates foi à escola, sem a sacola, pois foi jogar à bola. Quem o diz, é Jorge Patrão, pessoa que, mais tarde, levou Sócrates para o PS. Tudo na mesma escola, portanto. Sim. E eu sou um jornalista muito mau...


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20140107

Eusébio e Sócrates

Que Eusébio não fosse um pensador, como disse esse pensador Mário Soares, é uma opinião. Agora, em relação aos factos, temos um problema quando ouvimos Sócrates, outro pensador. Ele diz que se lembra de caminhar para a escola a ouvir os golos de Eusébio. E diz que isto foi num  momento muito específico: durante o célebre jogo do Mundial de 1966 contra a Coreia do Norte. Ora, várias questões se levantam quando um político fala e pensa. Daí que o trabalho dos jornalistas seja o de verificar a veracidade dos factos. Não é dizer que ele mente ou que se engana nos factos. Mas, trata-se de pensar naquilo que ele diz. Assim, Sócrates diz, por outras palavras, que, no sábado, dia 23 de Julho de 1966, pelas 15 horas - data e hora do jogo entre Portugal e a Coreia do Norte -, ele foi à escola. E era Verão, quando muita gente já estaria de férias. Ele tinha então 8 anos, portanto, é possível que a memória não seja bem esta. Mas, agora, pensem noutras coisas que um político diz e garante serem verdade. Por isso, olhem e observem - não basta olhar apenas - para os movimentos do corpo e as palavras... http://youtu.be/rbPamN_o1F0

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20131224

Feliz Natal! Lembrem-se de Jesus...

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20131211

"O Terceiro Bispo", sexta-feira, no Porto

Espero-vos. Obrigado.


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20131204

Porque hoje é 4 de Dezembro

Vamos lá ver se nos entendemos de uma vez por todas, pois mais vale 33 anos de atraso do que nunca. O primeiro-ministro Sá Carneiro não desistiu à última hora das reservas do voo da TAP, como veio na primeira página do semanário "O Jornal" no dia seguinte a Camarate. Estas reservas existiam sim, mas apenas como cautela caso o mau tempo de Dezembro não permitisse que o avião privado Cessna pudesse descolar. Logo, é falsa a informação na primeira página daquele jornal. Não que os jornalistas de então tenham mentido de propósito, mas foram induzidos em erro. Conceição Monteiro, assessora de Sá Carneiro ajudou a propagandear esta informação como sendo a maneira mais correcta de interpretar algo que, não sendo propriamente uma mentira, também não era exactamente a verdade que depois se construiu. Da mesma forma, uma semana depois, quando o semanário "Expresso" revelou que, pouco antes do Cessna fatídico descolar, Sá Carneiro perguntou pelas reservas na TAP, este é um facto verdadeiro, mas esconde um outro dado que ficou de fora e dá igualmente uma imagem diferente. Sim, Sá Carneiro perguntou pelo avião da TAP, mas porque desconhecia que, ao lado do Cessna, estava um outro aparelho Cessna, propriedade da empresa Refinarias de Açúcar Reunidas - RAR - que tinha voado do Porto para Lisboa, de propósito, nessa manhã, para o transportar ao comício extra no Porto. Recentemente, na Xª Comissão de Camarate, foi ouvida pela primeira vez a secretária de Sá Carneiro, Isabel Veiga Macedo, que confirmou estes factos e acrescentou que Pinto Balsemão, o homem que estava no Porto há 33 anos à espera de Sá Carneiro, foi informada por ela, à hora do almoço, que o primeiro-ministro iria no avião de campanha, com Adelino Amaro da Costa, e não viajaria no avião da RAR, pelo que não era necessário mandar ir este aparelho do Porto para Lisboa. Balsemão, se calhar, não sabia que o avião já estava em Lisboa, pois não o transmitiu à secretária. E, se depois o soube, não terá conseguido avisar Sá Carneiro a tempo de ele poder ter a hipótese de trocar o avião fatídico pelo avião da RAR. O avião da TAP é que, ao fim destes anos todos, continua a surgir como sendo aquele que foi trocado. Não. Não e não. Foi o avião da RAR. E 33 anos depois, basta de mentiras. Por favor, basta.




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20131203

"Seguro de vida do Papa Francisco"

Depois da ida ao "Inferno", agora é a vez de "O Diabo". Sim, faz cada vez mais sentido...



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Lançamento de "O Terceiro Bispo", em Lisboa

Obrigado a todos os amigos e desconhecidos presentes. Obrigado aos apresentadores, Hernâni Carvalho e João Vasco Almeida. Obrigado a todos na editora Planeta. Agora, "O Terceiro Bispo" é para todos...



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20131129

Já está à venda


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20131128

Capitalismo selvagem




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20131127

No "Inferno"

A partir do minuto 17...


http://videos.sapo.pt/zjUtlz7hZUdl6tbzi9ZE



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O Terceiro Segredo em exposição


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20131125

Metro dos Olivais


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20131120

A coluna de Salazar


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O Segredo de Amélia...


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20131118

O segredo do 13




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O teólogo


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20131117

O Papa de uma "terra distante"






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20131114

Convite "O Terceiro Bispo" para o Porto


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20131113

Convite "O Terceiro Bispo"

Apareçam...



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20131112

Passatempo "O Terceiro Bispo"

À semelhança com livros anteriores, faço um pequeno passatempo para os meus leitores, cujo prémio será um exemplar do meu próximo livro. Irei fazer aqui uma pergunta e aquele que colocar a resposta correcta em primeiro lugar nos comentários terá direito a receber o seu exemplar no dia do lançamento da obra - em data e local a anunciar em breve. Se não puder ir pessoalmente, poderá enviar alguém em sua substituição. Assim, para introdução à pergunta, digo que Joaquim Barata, a personagem principal do livro "O Terceiro Bispo", foi jornalista no extinto vespertino Diário de Lisboa. A colecção completa desse jornal pode hoje ser consultada "on-line" através da Fundação Mário Soares: http://www.fmsoares.pt/diario_de_lisboa/ano Assim, a pergunta cuja resposta correcta vale um exemplar de "O Terceiro Bispo" é: Em que data e em que página é que o Diário de Lisboa publicou esta ligação entre a morte do papa João Paulo I e a CIA?


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20131111

Em breve... O Terceiro Bispo


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