20120429
20120427
Camarate - Um apelo aos deputados
Etiquetas: Aníbal Cavaco Silva, Camarate, CIA, Eu Sei Que Você Sabe, jornalistas sem memória, O Fim da Democracia, povo desgraçado sem conhecer a causa histórica de isto tudo andar assim
20120319
O tesouro de Guimarães


Etiquetas: Alpoim Calvão, Guimarães Capital da Cultura 2012, jornalistas sem memória, Paradela de Abreu, Sol, Tesouro de Guimarães
20111007
Sobre a memória e a memória dos jornalistas
Devo dizer que, seguindo o conselho de Granado, também eu nunca confiei na memória e nunca quis guardar nada na memória. Pode parecer contraditório, pois o meu trabalho jornalístico é precisamente o de avivar a memória e queixo-me sempre que a memória está afastada das actuais redacções. Ora, o que parece uma contradição, é de facto a confirmação de que não guardo nada na memória. Confusos? Eis uma explicação prática: não me lembrava deste engano do "Público", nem sequer me recordava da queda daquele avião. Mas, assim que li o texto de António Granado, fiquei com curiosidade em querer saber mais sobre o caso.

Afinal, por que razão caiu aquele avião? Teria sido mesmo um atentado terrorista poucos dias depois do 11 de Setembro de 2001? Como António Granado não mencionou o "follow-up" da história, fiz uma busca na memória da... Internet. Acabei por ir parar ao site do Aviation Safety Network que me informou que ""flight 1812 had departed Tel Aviv for a flight to Novosibirsk. It proceeded at an altitude of FL360 on airway B-145 over the Black Sea. At the same time the Ukraine defence forces were doing an exercise near the coastal city of Theodosii in the Crimea region. Missiles were fired from an S-200V missile battery. A 5V28 missile missed the drone and homed in on the Tupolev. The missile exploded some 15 meters above the plane. The aircraft sustained serious damage, resulting in a decompression of the passenger cabin and a fire. The aircraft entered an uncontrolled descent, crashed into the sea and sank to a depth of 2000 m".
Ora, ao ler isto, recordei-me de uma notícia sobre a queda de um outro avião, este nos EUA, anos antes, e que sempre se suspeitou que teria sido abatido por um míssil, embora isso nunca tenha sido provado. É um caso que ficou conhecido como TWA 800...

Será isto fruto da memória? Não. Para mim, que tanto faz, é apenas trabalho jornalístico.
Etiquetas: António Granado, jornalistas sem memória, TWA 800, Voo 1812
20101213
Vejam só este belo exemplo...
O artigo do "El País" citou então a seguinte informação que consta daquela comunicação diplomática dos EUA: "Early last year, the Iranian Embassy in Lisbon contacted Ferreira, who had previous contact with that embassy while serving as Chairman of the Board of Directors of Oeiras Foundation (1987-1989), a state entity that he says sold munitions to Iran more than 20 years ago"...
O jornalista espanhol do "El País" que assina o artigo, Francesc Relea, fez depois a "recolocação de factos" e informou os seus leitores que "el detalle no puede pasar desapercibido si se tiene en cuenta que la venta de armas lusas a Irán, antes y durante la guerra de aquel país islámico contra Irak (1980-88), levantó durante años gran polvareda en Portugal y sigue siendo un asunto con abundantes interrogantes. El hilo de aquellos suministros militares llega hasta la muerte del ex primer ministro portugués Francisco Sá Carneiro, el 4 de diciembre de 1980, conocida como el caso Camarate".
Comparem este artigo espanhol com o que escreveram sobre o mesmo assunto os jornalistas do "Público" e do "DN". Digam-me agora se ainda acham que vivem num país onde os jornalistas fazem o seu trabalho ou se, pelo contrário, estão a esconder debaixo do tapete a nossa História recente...
Etiquetas: "DN", "El País", "Público", Camarate, Flat Earth News, jornalistas sem memória, O Fim da Democracia
20100125
20081023
Jornalismo de Investigação


Há cerca de três anos frequentei um curso de Verão sobre jornalismo de investigação da Universidade Rey Juan Carlos, em Aranjuez. A conclusão a que se chegou foi a de que, hoje em dia, há cada vez menos espaço e dinheiro para investir na investigação jornalística. E Portugal, como é um país pequeno, cada vez que um jornalista começa a investigar corre o sério risco de ir mexer na trampa dos amigos do patrão ou até do próprio...
Por isso, mais vale quietinho...
Consolida, consolida...
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20080911
O ministro que gosta de teorias da conspiração
Isso só é possível em Portugal porque os jornalistas, depois de terem ouvido as declarações do ministro, não fizeram uma pergunta cuja resposta pode ser facilmente encontrado na Internet: "Mas, afinal, e o que foi que aconteceu ao gajo que matou lá o tipo Osvaldo?"...
E, já que estamos em dia 11 de Setembro, aqui fica mais uma memória conspirativa para explicar que, afinal, a culpa começou por ser mesmo da polícia, que facilitou a missão àqueles que mataram o presidente JFK e depois deixaram matar o homem que diziam que matara JFK...
Etiquetas: Jack Ruby, JFK, jornalistas sem memória, Lee Harvey Oswald, Rui Pereira, Teoria da Conspiração
20080329
Dos jornalistas que vos dizem que a terra é plana

"(...) à semelhança das suas fontes, os próprios jornalistas não conheciam a verdade - apesar de a verdade ser o objectivo principal. E isto é um lugar comum. A ignorância está na origem do falhanço dos meios de Comunicação Social. Na maioria das vezes, a maior parte dos jornalistas não sabem do que estão a falar. As histórias podem estar certas ou erradas: eles não sabem".
"Não digo isto como um insulto dirigido a eles (bem, à maioria deles). No geral, os jornalistas, tal como muitos profissionais, preferem fazer bem o seu trabalho. Digo-o porque esta profissão estragou-se até ao ponto em que, na maior parte das vezes, a maioria dos seus membros não conseguem fazer o seu trabalho".

"Trabalham em estruturas que positivamente impedem-os de descobrirem a verdade. Historicamente, sempre houve um elemento de ignorância no jornalismo, apenas porque tenta registar a verdade à medida que esta acontece. Agora, isso é ainda pior. É endémico. A ética da honestidade foi ultrapassada pela produção massiva de ignorância".

"A história do falhanço dos meios de Comunicação Social é complicada e súbtil. Envolve todo o tipo de manipulação, conspiração ocasional, mentiras, batotas, estupidez, cupidez, culpabilidade, um colapso das capacidades e uma nova vaga de propaganda deliberada. Mas a história começa com jornalistas que vos dizem que a terra é plana, porque pensem genuinamente que esta até poderá ser. A escala de quem assim pensa é aterradora".
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20080305
Pacheco Pereira, o director
"Quero tudo sobre a história do Casino! Todos os documentos que for possível encontrar!" Agora, Pacheco Pereira é director. Está na reunião matinal de editores. "Temos de usar os arquivos. Vamos fazer a anatomia de um processo de decisão". É a proposta para o Destaque.
A editora de Portugal põe objecções. "Um processo de decisão não é uma notícia". Para o novo director, é. Ele não é jornalista. É historiador, só pensa no futuro.
"Cada vez mais, o Estado negoceia com os privados, e isso não é escrutinado", explica ele. "Os jornalistas têm de o fazer. Todos temos de o fazer".
Aparentemente, não há nenhum dado novo sobre o caso de Telmo Correia e o casino de Lisboa. Logo, não há notícia. Ou há? A sugestão de Pacheco Pereira: fazer uma cronologia relacional, exaustiva de todo o processo. Reunir todos os documentos, todas as datas, todas as declarações, todas as notícias dos jornais, e com isso desenhar um gráfico, um mapa. Depois procurar as falhas, os espaços em branco, os dados contraditórios. No fim, extrair conclusões. Verdades até então ocultas: notícias.
É um método da ciência histórica
Quando li estas linhas fiquei abismado. Teve de ser o Pacheco Pereira a explicar o óbvio... Imaginei o choque de Pacheco Pereira quando a editora lhe disse que aquilo não era notícia. Naquela altura, deve-lhe ter passado pelos olhos toda a vida e, finalmente, compreendeu a razão pela qual muitos leitores se estão a afastar dos jornais. Quantas vezes não falei eu já aqui da necessidade do "jornalismo científico"?
Mas a coisa não se ficou por aqui:
O Ricardo Felner está todo o dia a recolher documentos, em arquivos, em bases de dados, no Diário da República. Despachos, decretos-lei, mais de sete mil recortes de imprensa. Ele, que segue o caso desde o início, já tinha visto tudo aquilo. Mas não tudo aquilo junto. Aquele parecer de Telmo Correia, por exemplo. Só agora, que o compara com as datas das mensagens telefónicas, percebe que não bate certo. Não pode ter sido assinado naquela altura...
Uau! Uma reportagem a sério feita na base do cruzamento de dados de arquivos! Ena pá... Olha outra coisa que já poucos fazem...
Mas, há mais:
Por exemplo, o acidente com o Ferrari, no Porto. "Isto não tem nada a ver com os crimes no resto do país. No Porto, a criminalidade está relacionada com um determinado ambiente..."
Na reunião da tarde, chega a informação de que, afinal, foi mesmo um acidente. O director não diz nada. Parece decepcionado, mas conforma-se. A realidade não confirma a hipótese, paciência: era um simples facto avulso. E continua a busca. A busca de sentido. "A manchete é o casino!"
Surgem dúvidas: "Terá ele informação privilegiada? Mandou fazer o gráfico do casino porque já sabia que se ia encontrar qualquer coisa?"
Se for o caso, terá interferido na História. Terá mudado o passado: a tentação do historiador. Mas esta notícia tem futuro. A do Porto, talvez não, mas ainda assim é uma história: "Faz-se um perfil do homem do Ferrari. As pessoas gostam de ler essas coisas".
Meus senhores, o Pacheco Pereira é homem do Porto - embora a irmã Beatriz diga que às vezes ele esquece-se (isso virá na Focus da próxima semana) -, por isso sabe bem do que aquela gente é capaz. Ele também não é parvo e sabe que houve ali marosca, mas se a PJ garante que foi acidente... para já espera-se. É que a PJ também está a considerar a hipótese da morte de um segurança do Centro Comercial Colombo com três facadas de ponta e mola no peito poderá ter sido suicídio*, por isso... tá quieto ò menino! Agora, insinuar que tinha informações privilegiadas para a reportagem do Casino quando o que ele pediu que se fizesse foi algo tão natural do ponto de vista jornalístico, é mesmo de baixo nível. Mas eu entendo, pois ainda há alguns jornalistas com carteira que fazem precisamente o contrário: ocultam informações privilegiadas por conveniência. E que só falam quando lhes interessa...
Pacheco Pereira, num único dia, mostrou o que pode fazer um bom director quando se cumprem regras básicas do jornalismo. Ele hoje salvou o emprego a muitos dos jornalistas do "Público".
Por mim, não me importava nada de o ter como próximo director da Focus.
*"Três golpes de faca no peito terão provocado a morte ao homem de 35 anos que trabalhava para a empresa de segurança Charon. A Polícia Judiciária já está a investigar este caso, não sabendo ainda esclarecer se terá sido suicídio ou homicídio. De acordo com fonte policial, a faca foi encontrada junto ao corpo da vítima".
Etiquetas: Bruno Pidá, desta vez o "Público" não errou, dúvida metódica para o jornalismo científico, Focus, jornalistas, jornalistas sem memória, jornalistas sentados no seu Monte Olimpo, PJ
20080218
Lembrete: tenho de ler este livro...

"Costs are being cut and standards eroded by greedy proprietors. Hidden persuaders are manipulating truth. At its worst, the modern newsroom is a place of bungs and bribes, whose occupants forage illicitly for scoops in databases and dustbins. Newspapers hold others to account while hushing up their own unsavoury methods".
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20080213
"Sócrates viola regras básicas do Estado de direito"



in, "Expresso", Dezembro de 2000
Etiquetas: Expresso, Isaltino Morais, isto anda tudo ligado, isto vai ter de mudar um dia, jornalistas sem memória, José Sócrates, Ministro do Ambiente
20070730
A memória...
"- Qual é afinal a 'nova censura' de que fala no seu livro?
- A censura, como a conhecíamos no passado, desapareceu. A censura brutal, se ainda existe, acaba sempre por ser contraproducente, porque hoje tudo acaba por ser divulgado, mas não se imprime na memória, e é exactamente aí que vai incidir o controlo da informação, no controlo da memória. Todo o trabalho dos gabinetes de relações públicas, dos conselheiros de comunicação, é um trabalho de gestão do que vai ficar retido na memória, e de gestão da emoção pública, porque sabemos que o mundo muda cada vez que a emoção pública ultrapassa um certo nível".
Ao que posso acrescentar esta opinião sobre o mesmo livro:
"So Moreira is the first to reject ‘Big Brother’-like worldwide conspiracy theories. Although his book seems to only portend to manipulations led by huge corporations or States, he explains he had to base it on specific investigations and concrete examples. Truth is, 'there is a myriad of interests that construct these firewalls,' he says, and these censorships are driven by 'industrial projects' rather than ideology – the stakes are often tragically banal, such as money or the dissimulation of legal mishaps".
Tudo isto faz-me lembrar a frase do "1984" de Gorge Orwell, que usei na abertura do meu livro "Eu Sei Que Você Sabe": "Quem controla o passado controla o futuro, quem controla o presente controla o passado".
Etiquetas: Censura, Eu Sei Que Você Sabe, George Orwell, jornalistas sem memória, Paul Moreira
20070322
O "Público" errou e de que maneira!...
"Quem permitiu a realização da Cimeira das Lajes, de onde em Fevereiro de 2003 saiu um ultimato a Saddam Hussein", assim começa o texto que, mais à frente, reafirma: "Na cimeira, um mês antes da invasão".
É pena que, apenas quatro anos volvidos, a memória histórica e factual dos acontecimentos esteja já apagada da mente de alguns jornalistas e de quem tem responsabilidades acima deles.

Veja aqui como é que tudo se passou há apenas quatro anos...
Etiquetas: Barroso, Bush, Cimeira das Lajes, Guerra do Iraque, irresponsabilidade, jornalistas sem memória, perigo para a democracia, Público errou
