20070730

A memória...

Entrevista de José Miguel Sardo ao jornalista francês Paul Moreira, luso-descendente, publicada hoje no DN por ocasião do lançamento em França do livro "Les Nouvelles Censures":

"- Qual é afinal a 'nova censura' de que fala no seu livro?
- A censura, como a conhecíamos no passado, desapareceu. A censura brutal, se ainda existe, acaba sempre por ser contraproducente, porque hoje tudo acaba por ser divulgado, mas não se imprime na memória, e é exactamente aí que vai incidir o controlo da informação, no controlo da memória. Todo o trabalho dos gabinetes de relações públicas, dos conselheiros de comunicação, é um trabalho de gestão do que vai ficar retido na memória, e de gestão da emoção pública, porque sabemos que o mundo muda cada vez que a emoção pública ultrapassa um certo nível".

Ao que posso acrescentar esta opinião sobre o mesmo livro:

"So Moreira is the first to reject ‘Big Brother’-like worldwide conspiracy theories. Although his book seems to only portend to manipulations led by huge corporations or States, he explains he had to base it on specific investigations and concrete examples. Truth is, 'there is a myriad of interests that construct these firewalls,' he says, and these censorships are driven by 'industrial projects' rather than ideology – the stakes are often tragically banal, such as money or the dissimulation of legal mishaps".

Tudo isto faz-me lembrar a frase do "1984" de Gorge Orwell, que usei na abertura do meu livro "Eu Sei Que Você Sabe": "Quem controla o passado controla o futuro, quem controla o presente controla o passado".

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