20101213

Vejam só este belo exemplo...

O diário espanhol "El País", publicou hoje nas páginas de abertura (2 e 3) um artigo sobre o telegrama diplomático norte-americano que refere a ligação do BCP ao Irão...



O artigo do "El País" citou então a seguinte informação que consta daquela comunicação diplomática dos EUA: "Early last year, the Iranian Embassy in Lisbon contacted Ferreira, who had previous contact with that embassy while serving as Chairman of the Board of Directors of Oeiras Foundation (1987-1989), a state entity that he says sold munitions to Iran more than 20 years ago"...



O jornalista espanhol do "El País" que assina o artigo, Francesc Relea, fez depois a "recolocação de factos" e informou os seus leitores que "el detalle no puede pasar desapercibido si se tiene en cuenta que la venta de armas lusas a Irán, antes y durante la guerra de aquel país islámico contra Irak (1980-88), levantó durante años gran polvareda en Portugal y sigue siendo un asunto con abundantes interrogantes. El hilo de aquellos suministros militares llega hasta la muerte del ex primer ministro portugués Francisco Sá Carneiro, el 4 de diciembre de 1980, conocida como el caso Camarate".
Comparem este artigo espanhol com o que escreveram sobre o mesmo assunto os jornalistas do "Público" e do "DN". Digam-me agora se ainda acham que vivem num país onde os jornalistas fazem o seu trabalho ou se, pelo contrário, estão a esconder debaixo do tapete a nossa História recente...

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20090919

A comenda

Concordo em absoluto com o camarada Enes no que ele diz sobre "A 'encomenda'".

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20090918

O e-mail dos jornalistas do "Público" é falso! (e explico porquê com todos os detalhes)

Estive a ler a transcrição do alegado e-mail dos jornalistas do "Público" que o "DN" tornou hoje "público". Cheguei à conclusão de que aquele e-mail é completamente falso, fabricado por alguém totalmente alheio ao ofício de jornalista. Deixo aqui a cópia da transcrição com os comentários que explicam a razão de tal conclusão(comentários a negro):

De: Luciano Alvarez
Enviado: quarta-feira, 23 de Abril de 2008 14:18 (Dia 23 de Abril de 2008, uma quarta-feira, dois dias antes do feriado do 25 de Abril, data em que Cavaco Silva discursou na AR e apresentou um inquérito encomendado por Belém sobre os jovens não ligarem nada à política. Logo, o assessor tinha mais do que fazer. Diga-se também que nenhum jornalista que se preze está numa redacção a esta hora, pois estão ainda a almoçar. Muitos deles com assessores...)

Para: José Tolentino Nóbrega

Assunto: Lê (O assunto... "Lê" é uma ordem, um comando. Deveria ser acompanhada, no mínimo, por um "S.F.F.")

Caro Tolentino
Vou fazer esta conversa por e-mail e não por telefone porque a situação é tão grave que é melhor não correr riscos de ser escutado (Ok. Não vai por telefone, nem via fax ou por sinais de fumo. Mas, hoje em dia, também há maneiras de ter acesso a e-mails... Se o caso era assim tão importante e implicava riscos de escutas, não seria melhor fazer uma viagem à Madeira ou pedir ao correspondente que fosse até Lisboa para uma reunião pessoal?...).

Como verás mais à frentenem os homens do Presidente da República arriscam a falar dela por telefone. Pode ser paranóia da parte deles, mas a verdade é que é melhor não correr riscos. (Ah! Os paranóicos são os outros, mas aqui o jornalista, que não é paranóico, também acha melhor não falar ao telefone e, por isso, conta tudo, tintin por tintin, em e-mail. E, repara-se, é para evitar riscos. Mas, quais riscos? Será que é para depois não haver dúvidas sobre o que ele disse em vez de contar com uma qualquer transcrição telefónica, ilegal e cheia de gralhas de um qualquer tipo do SIS ou lá que o valha? Aliás, viu-se bem para que serviu não correr riscos...)

Primeira advertência: lê este mail sentado. (Esta tirada faz lembrar a carta que Otelo Saraiva de Carvalho mandou a Vasco Gonçalves pedindo-lhe que se sentasse antes de ler a missiva e que depois meditasse sobre o assunto. Mas, desta vez, acho que não foi o Otelo quem escreveu a mensagem)

Secunda advertência: a história não vai ser fácil de fazer, mas se a conseguir-mos pode ser a bomba atómica. (As gralhas e os erros juvenis de ortografia são indicadores de que este e-mail nunca poderia ter sido concebido por um jornalista. E, novamente, se o assunto era assim tão "explosivo" e secreto, o que impediu o jornalista de ir à Madeira falar pessoalmente com o camarada ou por que não chamaram o correspondente a Lisboa? Contenção de despesas? Pois, como o Belmiro anda a cortar nas despesas, depois acontecem estas confusões...)

Vamos por partes
1- Na noite de terça-feira o Fernando Lima, do PR, telefonou-me a dizer queprecisava de falar comigo hoje de manhã num local discreto. Encontramo-nos hoje às 9 h da manhã num café discreto na avenida de Roma (Aqui é de ir ao tecto! Lima, a dois dias do discurso de Cavaco na AR pede um encontro de urgência para um assunto que ainda vai ter de ser investigado? E, depois, se Lima não confia nos telefones, por que marca o encontro pelo telefone? E por que foi escolhida a Avenida de Roma, uma das zonas mais movimentadas da capital, como local "discreto"? Lima e Alvarez não são propriamente a Luciana Abreu nem o Djaló, mas para alguém do mundo da política e dos serviços secretos, Lima é bastante conhecido e perfeitamente identificável. Depois, o encontro foi nessa manhã e o jornalista , às 14.18, já estava a mandar e-mails para a Madeira sem ter verificado com outras fontes o assunto que lhe foi passado?)

e foi logo direito ao assunto, estava ali a falar comigo a pedido do presidente da república, que o assunto era grave e que tinha escolhido escolhido falar comigo porque me achava um jornalista séria (isto seria a dar-me graxa) e porque o acha a presidência da república que o PÚBLICO é o único jornal português que não está vendido ao poder. (Mas, que necessidade tem o Alvarez de transmitir todos estes detalhes ao Tolentino por escrito? Que necessidade tem para a história estas explicações?)

2- O assunto era o seguinte (estás sentado?): o presidente da república acha queo gabinete do primeiro-ministro o anda espiar e que a prova grande disso tinha sido dada na Madeira onde o primeiro-ministro tinha enviado um tipo que trabalha para o MAI só para espiar os passos do Presidente e dos homens do seu gabinete. (mesmo que seja mentira o que não passe de uma paranóia do PR estás a ver a gravidade do facto do o presidente pensar que o PM o anda a espiar). Está a ver como estarão as relações entre eles e a opinião que o PR tem do PM) (Agora imagino o pobre do Tolentino, sentado, a ler este e-mail... Ele deveria ter pensado que não são só os tipos da Presidência da República que estão paranóicos: os seus camaradas em Lisboa também não devem andar a raciocinar bem... Então se o PM anda a espiar o PR, acham que isso comprova-se através de um tipo que vem para a Madeira, às claras, no seio de um comitiva presidencial, e que, ainda por cima, está perfeitamente identificado com o MAI?. Coitado do Tolentino se alguma vez teve mesmo de ler este e-mail...)

3- Depois entregou-me um dossier sobre um Rui Paulo da Silva Figueiredo que é adjunto jurídico do PM, trabalha para o MAI, já passou pelos gabinetes de diversos ministro e, segundo o Fernando Lima, terá tentado entrar para o SIS mas chumbou. (Prontos! Está aqui a "assinatura" de quem encomendou esta confusão. Foi alguém dentro do SIS, pois só alguém dentro do SIS é que poderia saber que determinada pessoa concorreu ao SIS e chumbou... Não é suposto que um assessor do PR saiba isto excepto se não tiver sido o SIS a dizer-lhe isto...)

4- Este tal Rui Paulo acompanhou a visita do PR, não se sabe como e e segundo o Lima “procurou observar”, o mais por dentro possível, os passos da visita do Presidente e o modo de funcionamento interno do satff presidencial”. Ao satff do PR terá percebido isso bastante cedo e redobrou os cuidados. (Mais uma vez, imagino Tolentino a interrogar-se sobre as capacidades mentais do Alvarez e a interrogar-se sobre o fundamento da história e o que, afinal, querem dele...)

5- Estou a contactar-te porque esta história, que pode ser uma bomba ou não dar em nada, tem de começar pela Madeira com todo o cuidado e porque sei que posso contar com a tua discrição e habitual profissionalismo (isto não é graxa). (Aqui o Tolentino deveria ter ficado doente do estômago...)


6- O Lima garantiu-me que Esta tal Rui Paulo foi colocado na mesa dos assessores do PR no jantar oferecido pelo Representante da República no Palácio da São Lourenço e foi também convidado para o jantar que o Jardim ofereceu no último dia na Quinta da Velga. Isto é verdade e facilmente confirmável. (Sim... E?)

7- O Lima sugere e eu acho bem duas perguntas para inicio do trabalho (até porque a eles também lhe interessa que isto começa na Madeira para não parecer que foi Belém que passou esta informação , mas sim alguém ligado ao Jardim) (Aqui o Tolentino, se é que alguma vez leu este e-mail, deveria ter pensado em mandar os camaradas de Lisboa às malvas, pois estaria a arriscar numa história que lhe passava completamente ao lado e que, ainda por cima, era sugerida pela Presidência da República. Por muito que isso até pudesse agradar ao PSD e ao presidente Jardim, seria sempre o nome do jornalista que, em última análise, estaria no cepo)

8- Perguntas sugeridas pelo Lima: Perguntar à dr. Helena Borges, chefe do gabinete do representante da república se o conhece e se é verdade que, no jantar oferecido pelo representante no Palácio de São Lourenço ele ficou na mesa dos assessores do PR (a gente já sabe que é verdade mas vamos fingir que não sabemos) e Porque ficou ele neste mesa sem antes ser dado conhecimento ao staff do PR. 2 Pergunta: Perguntar a Paulo pereira, responsável pela informação do gabinete do Jardim, em que qualidade o tal Rui Paulo foi convidado para o jantar que Jardim ofereceu no último dia na Quinta de Veiga. ("Pois", pensou Tolentino, "Vão mesmo às malvas")

9- Agora digo eu: quem meteu este tipo na visita e em que comitiva é que ele entrou. (E que tal, por exemplo, perguntar isso oficialmente ao Lima?)

10- Como já te disse isto tudo pode ser paranóia dos do PR e do Lima, mas, mesmo sendo paranóia, não deixe de ser grave que o PR pense isto e que ande a passar a informação ao PÚBLICO manifestando uma grande vontade de a história vir ao público (estás a ver a bronca). Acho também que se nós conseguirmos que houve um tipo do MAI e do gabinete do PM metido à sucapa na visita do PR já é um inicio da história. (Então por que razão é preciso ir meter o tipo da Madeira a fazer perguntas?)

11- O Lima sugeriu-me que tratasse com ele (Lima) desta história por e-mail porque estão com medo das escutas. (Mais uma vez, um conselho que uma pessoa com a experiência de Fernando Lima nunca poderia dar...)

12- Esta história só é do conhecimento do PR, do Lima, minha, do Zé Manuel Fernandes (que me pediu para não a contar a ninguém por enquento, mas que eu tenho que ta contar para tu te pores em campo com o conhecimento total do que estamos a falar). Peço-te por isso toda a discrição. (E, se algum dia alguém encontrar este e-mail, nega tudo. Aliás, engole esta mensagem se mesma não se auto-destruir em 10 segundos)

13- O Lima passou-me um dossier completo sobre este Rui Paulo. (Fixe. Fica com ele...)

14- Eu estou de folga, vim só ao jornal tratar disto e vou para casa. Estou sem computador em casa (a minha mulher levou-mo para o trabalho). Quando acabares de ler o e-mail pudemos falar por telefone. (Está de folga, mas às 14.18 ainda foi à redacção depois de ter tido um encontro às nove da manhã na Avenida de Roma e, como disse no e-mail, já falou com o director que, eventualmente, o mandou contar tudo, tintin por tintin, ao correspondente na Madeira. Já é mais de meio-dia de trabalho... Depois, no início do e-mail explica por que não devem falar pelo telefone, mas como lá em casa só há um computador - e pelos vistos o Alvarez não tem ainda e-mail no telemóvel nem um computador que possa pedir emprestado na redacção-, pede então para falarem mais tarde sobre o assunto explosivo pelo... telefone?!)

Um abraço e vai-te a eles (Esta última expressão, estilo exército, permite então concluir que o e-mail é falso e criado apenas com o intuito de deixar mal os jornalistas do "Público", pois eles nunca teriam tamanha falta de inteligência em lidar com matérias tão sensíveis. O que vale é que o director do "Público" vai sair para dar lugar à Bárbara Reis - esta última informação não me foi dita por e-mail. Logo, não há registos. Temos pena)

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Ética republicana

É interessante notar que um ex-director do "Diário de Notícias" é hoje manchete do "Diário de Notícias"...



É igualmente interessante notar o Silêncio da mais alta figura do Estado: "O Presidente da República reagiu à notícia do DN. Garante que ficará 'totalmente em silêncio' até às eleições. Mas afirma que não é 'ingénuo' e que irá recolher informações sobre esta 'questão de segurança'"...

E, por fim, é também interessante que o director de um jornal que, em 2004, quando era acusado de conspirar contra o Governo defendia-se dizendo que isso eram acusações retiradas de um livro como o "Código da Vinci", venha agora apresentar uma teoria da conspiração contra si...



Deve ser porque já leu o novo livro de Dan Brown...

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20090908

Mas é tão fácil...

Os jornalistas do "Público" da secção "on-line" sentam-se a ler as notícias que saem na Internet nos jornais internacionais e, depois, fazem uma tradução sem acrescentarem nenhum dado novo ao que leram. E seria tão fácil fazê-lo... Vejam, por exemplo, a notícia de hoje do diário francês "Le Monde", a propósito de um jovem fotógrafo italiano, Massimo Berruti, que venceu um prémio sobre um trabalho que fez no Paquistão. A dada altura, no texto de apresentação do seu trabalho, o fotógrafo menciona uma entrevista à televisão CNN do General Hamid Gul, ex-chefe dos serviços secretos do Paquistão, que defende a tese de que o 11 de Setembro de 2001 foi planeado dentro dos EUA: "Pourtant, dans le texte d'introduction, quelque chose cloche. Revenant sur les attaques terroristes qui frappent le pays, Massimo Berruti écrit: 'Le général Hamid Gul, anciennement à la tête des services secrets pakistanais, a récemment déclaré sur CNN que les attentats du 11-Septembre avaient clairement été un travail 'fait de l'intérieur', conçu et fomenté aux Etats-Unis, du moins avec le soutien des services secrets et de l'armée de l'air américains.' Et il affirme: 'Dans cette guerre, rien n'est plus sûr, si ce n'est que la vérité est bien absente des déclarations officielles'". Reparem que o fotógrafo italiano "cita" alguém que falou na CNN e que foi chefe dos serviços secretos do Paquistão. Não cita um qualquer maluquinho da "teoria da conspiração". Mas, como o "Le Monde" dá esta visão "truncada" na origem, menosprezando as palavras do paquistanês, o que faz o jornalista do "Público"? Será que vai à procura da tal frase do tal general paquistanês na CNN e contextualiza-a? Será que nos dá uma novidade ou algo diferente do texto do jornal francês? Não. O jornalista do "Público" faz eco e limita-se a traduzir o texto francês, tal e qual: "Segundo o diário francês "Le Monde", na introdução ao trabalho, Berruti escreve:"O general Hamid Gul, antigo responsável pelos serviços secretos paquistaneses, disse recentemente na CNN que os atentados de 11 de Setembro foram claramente um trabalho 'feito no interior', estudados e realizados nos Estados Unidos, senão com o conhecimento dos serviços secretos e das forças armadas norte-americanas". E continua com uma declaração de Amid Gul: 'Nesta guerra [do terrorismo] a verdade está bem longe das declarações oficiais'". E nem copiar sabem, pois escreveram "Amid" em vez de "Hamid"...

Para dar algo novo aos seus leitores, bastava fazer uma busca na Internet com o nome do General paquistanês e CNN. Teriam chegado a este vídeo como primeiro resultado...

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Bodes...

Imaginemos que somos jornalistas e pedem-nos para escrever um texto sobre a “verdade” de Lockerbie. Não temos qualquer pista, não sabemos o que se passou, não temos os papéis do julgamento, não temos o telefone de ninguém relacionado com o caso e, se calhar, tínhamos cinco anos quando, a 21 de Dezembro de 1988, caiu o avião da Pan Am na cidade escocesa de Lockerbie. Tudo que sabemos veio recentemente nas notícias que lemos na Internet, sobre uma qualquer confusão de um agente secreto líbio, já julgado e condenado por um tribunal internacional e que, às portas da morte, a Justiça escocesa mandou para casa na base da “compaixão”. É claro que há rumores de uma contrapartida no negócio do petróleo líbio para o Reino Unido, mas isso é a "real política" e não cabe a nós duvidar que, obviamente, terá de haver contrapartidas. Contudo, há a possibilidade do tal agente líbio ter sido um "bode expiatório". Ele diz-se inocente e a Líbia, apesar de ter pago indemnizações às famílias das 270 vítimas, nunca assumiu a culpa. Como o ditado árabe diz "A verdade nunca morre", vamos então trabalhar na verdade de Lockerbie da melhor maneira que podemos, ou seja, através de buscas na Internet.
Como a maior parte da informação é em inglês, utiliza-se o mais corriqueiro motor de busca da actualidade, o "Google" no qual escrevemos as palavras "Lockerbie" e "truth" – Lockerbie e verdade.
A primeira entrada que nos aparecerá é precisamente o site "www.lockerbietruth.com". Como vêem, é simples começar… Vamos lá então pesquisar o site a ver se é de interesse e credibilidade: É feito pelo pai de uma das vítimas e porta-voz das famílias britânicas, o Dr. Jim Swire. Sim, deve ter algum interesse e credibilidade. Pelo menos, aqui não temos "Teorias da Conspiração", não é verdade? Mas, o que pensa o Dr. Jim Swire sobre a condenação do agente líbio? Isso está na biografia do Dr. Jim Swire, assim como uma foto deste homem a apertar a mão ao líder líbio Kadhafi, afinal aquele que, alegadamente, será o autor moral do atentado que matou a sua filha: "Apart from those in the court itself, he is one of very few to have heard and studied all the evidence presented at the trial, totalling 12,000 pages of transcript. He is among a growing number convinced that the full story of Lockerbie has not yet been revealed”. Agora, uma pergunta de polichinelo: Acham que o diário "Público" menciona o nome do Dr. Jim Swire em algum momento do texto "Será Megrahi o bode expiatório perfeito?".

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20090907

E agora paga-se a falta de memória...

Manifestação contra as propinas... Poucos se lembram que Manuela Ferreira Leite foi uma das mais contestadas ministras da Educação...



Pois, como dizia Orwell: "Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado"...



E agora paga-se a falta de memória...

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20090827

Depoimento fraudulento

O "Público" de hoje - não é perseguição, juro... São factos diários que se justificam perfeitamente - anuncia na capa um "depoimento" de Francisco Pinto Balsemão a propósito da morte do senador Edward Kennedy.



Um "depoimento" é isso mesmo, um "depoimento". São umas palavras de circunstância, apropriadas ao momento em que desaparece uma figura da política internacional. Mas, quando se anuncia um "depoimento" na capa de um jornal diário - sendo, saliente-se, o único depoimento que se anuncia em quatro páginas dedicadas ao tema - e tratando-se de um ex-primeiro-ministro, militante número um do PSD e patrão de um grupo de Comunicação Social distinto do grupo ao qual o "Público" pertence (e que não são rivais, visto o grupo do "Público" não concorrer na área das revistas, semanários ou televisão, principais interesses de Balsemão), esperava-se um "depoimento" cheio de detalhes reveladores. Talvez uma "inside story" até hoje pouco conhecida ou inédita. No entanto, não. Foi um depoimento banal, com factos conhecidos e que, ainda por cima - supremo topete para quem colocou o destaque da existência de tal depoimento na capa - nem sequer foi prestado por escrito. Foi um "depoimento" recolhido pelo telefone...
O Verão que não acabe depressa, não...

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20090819

Lembrar Allan Francovich

A 17 de Abril de 1997, morria no aeroporto de Houston, Texas, o documentarista Allan Francovich, autor de polémicos trabalhos sobre a CIA. Entre os quais, conta-se o "Maltese Double Cross", documentário de 1994, onde se desmonta a teoria da culpa líbia no atentado de Lockerbie. Amanhã, quando se confirmar a libertação do único condenado do caso, o agente secreto líbio al-Megrahi - "Kenny Macaskill, the justice secretary for Scotland, will defy intense pressure from Hillary Clinton, the US secretary of state, to keep Abdelbaset al-Megrahi in jail. Tonight the Scottish government confirmed that an announcement would be made in Edinburgh at 1pm tomorrow, coinciding with news bulletins on the eastern seaboard of the US, home to many of the disaster victims" -, valerá a pena ver/rever o trabalho de Francovich. É uma homenagem à Liberdade e é uma coisa que o "Público" certamente não vai lembrar...

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20090818

Lembrar 1994 ou o que o "Público" não disse...



"Presidência da República teme estar a ser vigiada"... Desculpem lá os senhores do "Público" - não, não é "perseguição" - mas acho que faltou neste texto lembrar que, quando Cavaco Silva era primeiro-ministro e o Presidente era Mário Soares, também se falou que poderia haver escutas em Belém. Foi em 1994, na altura em que se encontrou um microfone no gabinete do Procurador-Geral da República, Cunha Rodrigues (26 de Abril). Era uma fase política muito sensível já que se aproximavam as eleições europeias (12 de Junho) e em Belém discutia-se uma possível dissolução da AR. Dias antes da descoberta do microfone na PGR, Soares acabara de fazer uma "Presidência Aberta" dedicada ao Ambiente e Qualidade de Vida, um bom pretexto para o Presidente levantar críticas ao primeiro-ministro e influenciar resultados eleitorais a favor de António Guterres - reeleito secretário-geral do PS a 13 de Março desse mesmo ano. Depois, a 24 de Junho, deu-se a carga policial sobre os manifestantes na ponte 25 de Abril, e começava a contagem decrescente do cavaquismo...

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20090817

Para que serve ter um correspondente em Washington?

Para terminar a "saga" do diário "Público" - senão ainda dizem que estou a fazer uma "perseguição" ao jornal dito de "referência" - pergunto-me ainda, se têm jornalistas em Lisboa a dar palpites sobre factos dos EUA que lêem na Internet, então para que lhes serve um correspondente em Washington? Hoje, por exemplo, têm um texto sobre a reforma no sistema de saúde dos EUA e contam: "Obama dividiu o seu fim-de-semana entre visitas a parques nacionais e reuniões com a população (conhecidas como 'town hall'), nos estados mais conservadores do Montana e Colorado. 'Nenhuma pessoa neste país devia ser obrigada a declarar bancarrota por ter ficado doente', sublinhou o Presidente, que desferiu um forte ataque contra as companhias de seguro que 'arbitrariamente decidem qual é o tipo de cuidados que cada pessoa pode receber' ou então 'cobram valores astronómicos depois de as pessoas já terem pago os prémios'". Ora, essa informação estava disponível na Internet desde sábado, com a publicação integral do discurso de Obama no Colorado. E que é bem mais interresante e rico do que o resumo jornalístico assinado em Washington. Ou acham que a correspondente do "Público" foi ao Colorado ouvir o "Prez"?

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20090816

Lockerbie, depois da "Teoria da Conspiração", o encobrimento...

Estou com curiosidade em ver o que o "Público" vai fazer com esta informação do "Sunday Times" de hoje. É que se veio no "Sunday Times", deve ser mesmo verdade e não apenas "teoria da conspiração": "US spies blamed Iran for Lockerbie bomb".
Foi publicada no fundo da página 9, mas está lá...



E, já agora, aconselho ainda a leitura deste texto: "Lockerbie: after the conspiricies ... the cover up?". E deste: "If not Megrahi, then who is really responsible?".

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20090814

Quando não se sabe o que fazer, chama-se-lhe "Teoria da Conspiração"

O diário português "Público", publicação dita de "refência", descobriu hoje (não há link directo, desculpem) a história da dúvida sobre o local de nascimento do presidente norte-americano Barack Obama - teria sido mesmo no Havai ou na terra natal do pai, Quénia? Embora possa dizer que para mim tanto faz onde tenha nascido, o certo é que, do ponto de vista legal nos EUA, a confirmar-se o nascimento no Quénia, tal significaria que sua eleição para Presidente do EUA foi ilegal.
O caso passou ao lado durante a campanha eleitoral de 2008, mas fiz aqui a devida referência.
Como agora o assunto chegou à CNN, o "Público" sentiu-se mais à vontade para abordar o tema, mas com as cautelas próprias de quem tem de escrever à distância sem outras fontes que não a consulta na Internet. Vai daí, e típico em jornalistas que não sabem como tratar as grandes polémicas de Estado, menosprezaram o assunto chamando-lhe "Teoria da Conspiração"...



Deste modo, o "Público" de hoje entregou aos seus leitores um texto recheado de comentários perfeitamente inúteis para o apuramento isento e jornalístico dos factos, acabando por revelar mais sobre os preconceitos da jornalista que assina a peça do que com o cumprir da função de informar o leitor.
Confira-se:

"Não é um sketch nem uma piada de um programa de humor em formato de noticiário da televisão americana. São as alegações, tão sérias quanto possível, de um movimento de pessoas cunhadas de birthers que nas últimas semanas saltaram do subterrâneo da blogosfera para o noticiário mainstream americano. Oh, claro que ninguém acredita nisto, como ninguém acredita em bruxas, mas elas existem - e 24 por cento dos americanos, segundo as últimas sondagens, acham que elas existem".

"Mas como qualquer especialista em rumores e mitos urbanos reconhecerá, quando se bombardeia a opinião pública com toda a espécie de conjecturas com a persistência com que os birthers o têm feito, por vezes consegue-se 'instalar dúvidas irracionais em mentes razoáveis' (explicações de David Emery, perito em mitos urbanos, ao site Politico.com)".

"Para futura referência: sabemos que estamos perante uma teoria de conspiração quando a falta de provas é usada como prova. De nada valem evidências em contrário ou críticas: fazem todas parte da conspiração. A directora-geral de Saúde do Havai autenticou o certificado de nascimento? Com certeza fez panelinha com Obama. Outra característica recorrente nas teorias de conspiração: os seus defensores estão convencidos de que estão na posse de uma 'verdade' que ainda não é evidente ou acessível para a maioria das pessoas. Por exemplo: Obama é um obcecado pelo poder que tem vindo a planear secretamente a sua ascensão à presidência há muito tempo com segundas intenções, e, portanto, representa uma ameaça.
Tanto barulho, e ainda assim seguidores atentos das eleições presidenciais americanas podem nem ter dado pela existência dos birthers e das suas teorias. Não que tenham perdido fôlego - sabemos agora -, mas durante algum tempo parecia que tinham sido devolvidos à obscuridade do grupo de presumíveis fanáticos de onde haviam emergido. Uma nota de rodapé na literatura das teorias de conspiração, ou uma piada para alimentar a voracidade da blogosfera".

"Taitz é uma imigrante nascida na ex-república soviética da Moldávia que veio para os Estados Unidos em 1987 depois de viver em Israel. É um caso dentro do caso que são os birthers.
O seu blogue, orlytaitzesq.com/blog1, é um misto de panfleto amador, agenda mediática e indisfarçável vaidade - os seus posts mais recorrentes são referências garrafais às personalidades políticas ou públicas que acabam de se tornar suas amigas no Facebook. Coisas como: 'Não consigo acreditar, mas Benjamin Netaniahu [sic], o primeiro-ministro de Israel, pediu para ser meu amigo no Facebook' (27 Julho). Ou: 'Incrível - a congressista Cynthia Lummis, do Wyoming, juntou-se à congressista Mary Bono e ao vice-líder da minoria na Câmara dos Representantes Eric Cantor e tornou-se minha amiga no Facebook.' O tom é de uma rapariguinha fascinada com a sua popularidade nas redes sociais".

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