Sobre a memória e a memória dos jornalistas
O jornalista António Granado confessou hoje que já errou ao escrever uma manchete. Diz que nunca mais se esqueceu da notícia que, então ao serviço do diário "Público", mandou imprimir: "Avião explode sobre o Mar Morto" quando, na realidade, o avião não caíra sobre o mar de Israel, mas sim no Mar Negro, para os lados da Rússia. Penso que não deve ser considerado um erro, mas sim um engano perfeitamente explicado pelo facto do avião ter partido de Israel. Granado disse que confiou na memória quando ditou o título para a primeira página e, portanto, avisa: "Nunca mais me esqueci que os jornalistas não devem confiar na memória"...
Devo dizer que, seguindo o conselho de Granado, também eu nunca confiei na memória e nunca quis guardar nada na memória. Pode parecer contraditório, pois o meu trabalho jornalístico é precisamente o de avivar a memória e queixo-me sempre que a memória está afastada das actuais redacções. Ora, o que parece uma contradição, é de facto a confirmação de que não guardo nada na memória. Confusos? Eis uma explicação prática: não me lembrava deste engano do "Público", nem sequer me recordava da queda daquele avião. Mas, assim que li o texto de António Granado, fiquei com curiosidade em querer saber mais sobre o caso.

Afinal, por que razão caiu aquele avião? Teria sido mesmo um atentado terrorista poucos dias depois do 11 de Setembro de 2001? Como António Granado não mencionou o "follow-up" da história, fiz uma busca na memória da... Internet. Acabei por ir parar ao site do Aviation Safety Network que me informou que ""flight 1812 had departed Tel Aviv for a flight to Novosibirsk. It proceeded at an altitude of FL360 on airway B-145 over the Black Sea. At the same time the Ukraine defence forces were doing an exercise near the coastal city of Theodosii in the Crimea region. Missiles were fired from an S-200V missile battery. A 5V28 missile missed the drone and homed in on the Tupolev. The missile exploded some 15 meters above the plane. The aircraft sustained serious damage, resulting in a decompression of the passenger cabin and a fire. The aircraft entered an uncontrolled descent, crashed into the sea and sank to a depth of 2000 m".
Ora, ao ler isto, recordei-me de uma notícia sobre a queda de um outro avião, este nos EUA, anos antes, e que sempre se suspeitou que teria sido abatido por um míssil, embora isso nunca tenha sido provado. É um caso que ficou conhecido como TWA 800...

Será isto fruto da memória? Não. Para mim, que tanto faz, é apenas trabalho jornalístico.
Devo dizer que, seguindo o conselho de Granado, também eu nunca confiei na memória e nunca quis guardar nada na memória. Pode parecer contraditório, pois o meu trabalho jornalístico é precisamente o de avivar a memória e queixo-me sempre que a memória está afastada das actuais redacções. Ora, o que parece uma contradição, é de facto a confirmação de que não guardo nada na memória. Confusos? Eis uma explicação prática: não me lembrava deste engano do "Público", nem sequer me recordava da queda daquele avião. Mas, assim que li o texto de António Granado, fiquei com curiosidade em querer saber mais sobre o caso.

Afinal, por que razão caiu aquele avião? Teria sido mesmo um atentado terrorista poucos dias depois do 11 de Setembro de 2001? Como António Granado não mencionou o "follow-up" da história, fiz uma busca na memória da... Internet. Acabei por ir parar ao site do Aviation Safety Network que me informou que ""flight 1812 had departed Tel Aviv for a flight to Novosibirsk. It proceeded at an altitude of FL360 on airway B-145 over the Black Sea. At the same time the Ukraine defence forces were doing an exercise near the coastal city of Theodosii in the Crimea region. Missiles were fired from an S-200V missile battery. A 5V28 missile missed the drone and homed in on the Tupolev. The missile exploded some 15 meters above the plane. The aircraft sustained serious damage, resulting in a decompression of the passenger cabin and a fire. The aircraft entered an uncontrolled descent, crashed into the sea and sank to a depth of 2000 m".
Ora, ao ler isto, recordei-me de uma notícia sobre a queda de um outro avião, este nos EUA, anos antes, e que sempre se suspeitou que teria sido abatido por um míssil, embora isso nunca tenha sido provado. É um caso que ficou conhecido como TWA 800...

Será isto fruto da memória? Não. Para mim, que tanto faz, é apenas trabalho jornalístico.
Etiquetas: António Granado, jornalistas sem memória, TWA 800, Voo 1812
