20100522

Toda a gente sabe que os carros nascem nos rios...


Nas buscas para encontrar Carina, uma jovem de Lamego desaparecida desde o início do mês, as autoridades encontraram um carro no rio Douro. Ao princípio, pensaram que era o carro da desaparecida, mas depois constataram que, apesar de ser da mesma marca, afinal não era aquele modelo. As buscas por Carina continuam. Contudo, nenhum jornalista ainda nos disse de quem é o carro que estava no rio. E como foi ali parar? Será que pensam que algum distraído deixou cair um carro ao rio e esqueceu-se dele? Ou será que os carros nascem nos rios? Resposta: É da Carina que se anda à procura e o carro que está no rio não é o dela... Dahhh??!!

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20100206

A manipulação dos manipuláveis

Não me chateia que José Sócrates queira "financiar a campanha com dinheiro de empresas públicas e controlar a comunicação social". Está no seu direito democrático de o tentar fazer. É uma opção de vida. O que me chateia é o facto de haver uns quantos profissionais - em vários sectores - que estão dispostos a ajudar. Sozinho é que ele não seria capaz.

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20100125

Nas palavras dos outros

20100101

Pequenas diferenças

Enquanto nós por cá temos deputados que são chamados de palhaço, nos EUA há várias maneiras de tratar um senador...



Enquanto nós por cá temos jornalistas mansos, nos EUA há quem consiga fazer perguntas incómodas - e obter as respostas possíveis - mantendo a boa educação...

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20091021

Parabéns ao Mali e Costa Rica...

20090901

Jornalistas e fontes na Internet... Que futuro para a informação?

20090729

"It's the press, baby!"

20090412

A voz do dono...

Sem surpresa, esta é a crítica ao livro "Toda a Verdade Sobre o Clube Bilderberg", publicada esta semana na revista do semanário "Expresso", propriedade do único e histórico membro português do comité de organização do mesmo grupo...

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20090313

Morreu o jornalista que não queria ser posto na ordem...



Nunca trabalhei com João Mesquita. Nunca fiz parte do seu círculo de amigos, mas tive a honra de o conhecer durante as reuniões do MIL - Movimento Informação é Liberdade. Durante a minha intervenção defendi a ideia de que uma Ordem de jornalistas começava a fazer cada vez mais sentido face à actual desordem, e como exemplo mencionei o genial "slogan" da campanha de 1992 que, na altura, me levara precisamente a votar contra a ideia que agora defendia: "Sou jornalista, não me metam na ordem!". Do outro lado da sala respondeu João Mesquita: "Esse 'slogan fui eu que o criei". Obviamente, aquele jornalista passou a ser a pessoa com quem eu iria querer trabalhar para um melhor futuro do jornalismo em Portugal. Agora é tarde. Contudo, nunca deveremos esquecer a vida e o exemplo do João Mesquita que surge bem plasmado nesta entrevista:

"É preciso pensar mais no público do que em nós, jornalistas, pensar mais em quem lê os jornais do que em quem os faz”.

"Vínhamos para o jornalismo basicamente pelo gosto de escrever e pela paixão de intervir. Éramos pessoas comprometidas socialmente, tínhamos intervenção cívica e política e experiência de vida – desse ponto de vista receio bastante que se tenha regredido e que hoje, genericamente falando, se venha para o jornalismo por motivos menos nobres do que aqueles que nos trouxeram. A forma de encarar a profissão hoje será muito mais a de uma carreira e, consequentemente, como um meio de promoção, de fazer dinheiro e ganhar estatuto. Nós não pensávamos na carreira, em sermos directores, em sermos estrelas… Não tínhamos ambições dessas”.

"No Expresso, recebia telefonemas das fontes, algumas das quais chegavam a dar indicações sobre a forma de publicação dos textos. Estive lá pouco tempo, portanto não deu para tirar conclusões, mas agora quando leio os livros do arquitecto Saraiva ou a história do PSD do professor Marcelo , percebo que as minhas suspeitas sobre a influência de certas fontes no jornal eram fundamentadas. Claro que, na generalidade, os jornalistas do Expresso não eram manipuláveis, mas foi ali que me confrontei pela primeira vez com tentativas declaradas de manipulação”.

“Nunca deixei de exprimir as minhas opiniões sobre o jornalismo e sobre as condições do exercício da profissão, mas julgo ser uma pessoa com um razoável feitio, nunca tive conflitos pessoais com camaradas. O que todos sabem é que não sou subserviente, que não sou seguidista, que continuo a ter um juízo bastante negativo sobre a evolução do jornalismo. O que está a acontecer comigo já aconteceu e acontece com muitos outros. Ainda há poucos meses, o Público despediu uma série de jornalistas , entre os quais alguns que eu considero serem ‘apenas’ dos melhores profissionais da nossa imprensa diária. Portanto…".

“A tendência dominante vai contra aquilo que eu penso que devia ser feito, a degradação das condições de trabalho e de vida dos jornalistas é cada vez maior. Vive-se uma situação de desregulação total no sector, inclusive de ausência de princípios éticos. E nos jornais domina a ideia de que eles não são para ler, mas para ver. A principal razão da crise dos jornais é essa: quando se fazem jornais para não serem lidos, pois não serão lidos! É muito mais interessante e fácil para o cidadão comum olhar para uma televisão ou para um ecrã de computador, ou mesmo só ouvir rádio, do que estar a ver jornais”.

Atente-se ainda neste comentário do autor da entrevista, José Luiz Fernandes:

"Por que não tem este jornalista lugar numa redacção? Dir-se-á que a experiência, a memória histórica, o conhecimento de fontes deixaram de ser factores de valorização profissional. Aliás, é público e está amplamente documentado que, sobretudo, desde os primeiros anos deste século as empresas vêm executando um programa de afastamento das redacções dos jornalistas com idade superior a 50 anos. Actualmente, essa tendência já atinge alguns profissionais com menos de 50 anos e, num ou noutro caso, até com menos de 40 – desde que não seja suficientemente moldável e submisso, segundo os padrões da hierarquia. Dir-se-á, então, que jornalistas com espírito crítico não são bem vistos nas redacções do jornalismo actual".

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Jornalismo de cidadão

20090305

Os leitores é que há muito fazem greve

O meu querido camarada Carlos Narciso queixa-se da pouca eficácia da greve dos jornalistas do grupo Controlinveste: "Ontem, houve uma greve no 'Diário de Notícias', 'Jornal de Notícias', '24 Horas' e 'O Jogo', títulos do grupo da Controlinveste. Alguém deu por isso? Os jornais saíram na mesma e, na mesma, foram vendidos…".
Carlos, as greves de jornalistas são inúteis nos dias de hoje. Há folhas de alface que podem ser feitas com estagiários não remunerados que copiam notícias da Internet ou reproduzem comunicados de agências de comunicação. Fazem um "Copy-Paste" directamente do ecrã do computador ou de um e-mail sem ir ao rigor da informação, à confirmação da origem ou à escolha criteriosa da verdadeira notícia. Mastigam aquilo e mandam para a paginação, a tempo e horas para o fecho da edição. O problema é que uma greve sem a solidariedade de paginadores e funcionários da gráfica que imprime os jornais, o pasquim acaba mesmo por chegar à rua.
Quem percebeu isso foi o empresário Rupert Murdoch quando, no início de 1986, conseguiu colocar a funcionar uma gráfica própria para imprimir o "The Times" escapando assim à pressão dos sindicatos dos grafistas, afinal o último bastião de solidariedade da luta de quem produzia conteúdos. Isso entrou para história do jornalismo com o tristemente nome de "Wapping Riots" ou "Wapping Dispute"...


Foto daqui.

Os jornais continuam a chegar à rua onde, como há dias nos disse o Fernando Dacosta, não devemos surpreender-nos que vendam cada vez menos mas, face à qualidade do que lá trazem, surpreende-nos é que ainda continuem a vender.
A crise não está na Imprensa face à Internet ou na falta de leitores. A crise está nos jornalistas que acreditam que escrevem para leitores parvos, mas como estes de parvos não têm nada, deixam obviamente de comprar jornais. Talvez seja isso mesmo: são os leitores que há muito fazem greve e ainda ninguém viu isso...

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20090227

Mais coisas que não vos dizem sobre o cão de Obama...

Mesmo que a família Obama tenha a incrível "sorte" de encontrar um exemplar puro da raça cão de água português num abrigo para animais abandonados - ou seja, fora da lista da Portuguese Water Dog Club of America... -, isso não será uma boa notícia para toda a gente que gosta dos cães de raça portuguesa: "It's nothing against the Obamas. But some Portuguese water dog owners aren't thrilled the breed is a front-runner for the first family. The choice could mean a spike in the dogs' popularity - and that could mean a rise in shady breeders and fickle owners who don't understand the dogs and eventually abandon them, owners of Portuguese water dogs say".
Sem esquecer que ainda há que contar com o "lobby" dos "Labradoodles por Obama"...


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20090226

Voltou a febre do cão português de Obama

20090225

A televisão que queriam trazer até si...

A revista "Telecabo" do mês de Março revela alguns documentos ditos "secretos" do projecto que a ZON tinha para o 5º Canal Público...



O projecto era aterrador. Não previa estúdios para informação nem recursos para reportagens de exterior - ou seja, iria ser feita uma televisão praticamente sem meios humanos e, essencialmente, sem jornalistas. Contudo, o mais aterrador é quando se percebe o sentimento de impunidade moral que há hoje entre aqueles que acham que podem ser donos de um canal público. Basta reparar que, num item chamado de "Sinergias de cross promotion" (e como gostam destas palavras em inglês em vez de dizerem "Sinergias de promoções cruzadas"), previa-se, por exemplo, exibir em canal aberto o primeiro episódio de uma nova série, mas que iria obrigar os telespectadores que quisessem assistir aos restantes episódios a serem depois clientes ZON nos canais pagos...



Pior ainda era o facto de, apesar do mercado ser aberto aos melhores e a favor dos telespectadores, o projecto da ZON assumia a "não-competição directa com SIC e TVI", algo que, na perspectiva dos responsáveis do projecto, iria criar uma "goodwill com benefício para o negócio core da ZON" (e lá está outra vez o inglês técnico, apenas para dizer que, da parte das estações privadas concorrentes, iria haver "simpatia com benefício para o negócio central da ZON").



Quanto à grelha de programação previa-se, para além de "enlatados" que iriam ser repetidos ao longo do dia, que a informação televisiva em horário nobre, à hora do almoço, pelas 13 horas, começasse com cinco minutos de... humor - provavelmente uma filmagem das tiradas humorísticas de Maria Rueff ou Bruno Nogueira, gravadas directamente nos estúdios da rádio TSF e já emitidas na manhã desse dia... E, nos 15 minutos seguintes iria haver... "Notícias Desportivas" - algo que, aqui sim, já havia o risco de colidir com o noticiário das concorrentes...

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20090207

Homenagem a Altino

Chegou-me há dias às mãos, via "Galileu", este formidável livro de contos de Altino do Tojal...



A obra, lançada em Janeiro de 1974 pela "Prelo" - meses antes da pseudo-Revolução que implantou a actual pseudo-Democracia -, é composta por vários contos, entre os quais aquele que dá o nome ao livro.
"A Homenagem" é um retrato dos vários convivas de uma festa de homenagem ao director de um jornal. Está lá o chefe de redacção, "homem baixo, de faces redondas, cabelo penteadinho, lambido de brilhantina", que chora ao bajular o director, provocando o comentário do observador: "Caramba! O chefe de redacção é homem preparado para a vida, sabe chorar quando é preciso!".
Há o fotógrafo sem escrúpulos morais, que se vangloria daquela vez quando, com palavras secas e insensíveis, conseguiu fazer chorar a mãe de uma menor violada e morta às mãos do companheiro de modo a conseguir "o boneco" suficientemente dramático para a primeira página. Há o poeta frustrado que resolveu ser "marxista-leninista", pois, como explica o autor do conto, "não exige talento e sempre dá prestígio". Há ainda o "medíocre", recém-promovido a chefe da Secretaria, um "jornalista que corta muito bem papel e se especializou em provocar o despedimento dos camaradas". Apresenta-se também o velho repórter que, apenas pela idade subiu a redactor - mas que não se importa com a perda das diuturnidades, pois o mais importante é a honra do actual cargo (se bem que o que máximo que vai poder fazer serão artigos sobre coretos e latrinas públicas). O retrato prossegue com a conversa do director sobre as suas aventuras sexuais, havendo ainda o Presidente do Conselho de Administração que se passeia entre os comes e bebes acompanhado por duas gratas meninas, uma de "teta comprida" e outra "de cu amplo". Um autêntico homem do povo que abandona a sala para se retirar para o seu luxuoso gabinete na companhia da moça da "teta comprida". Sem esquecer ainda o jornalista da voz de trovão, que, diz-se, ganhara a promoção levando coristas ao gabinete do director e escandaliza as senhoras presentes ao incentivar um etilizado camarada a contar como escreveu uma comovente reportagem sobre a peregrinação a Fátima a partir de um cabaré.
Todos estas personagens, contudo, são secundárias no conto. O verdadeiro grande personagem é o redactor da secção do Estrangeiro. Esse é que merece grande atenção da parte de Altino do Tojal. É aquele que tem o retrato mais completo, goza de maior atenção nos diálogos. E tem a simpatia do autor: "Educado rudemente pela vida, mas ainda assim puro de franqueza transparente como vidro - ao extremo suicida de não esconder que uma Imprensa castrada é a sua esposa legítima a Literatura é a sua amante". Diz-nos Altino que o redactor da secção do Estrangeiro trabalha "apaixonadamente" numa "divertida sátira de implacável denúncia", mas parece ignorar que quando esse texto for publicado lhe poderá valer "o rancor dos poderosos, do pulguedo mandão, da mediocridade bem instalada - talvez o despedimento, o desemprego, o pão a voar". É da boca deste redactor que saiem as palavras mais poderosas do conto "A Homenagem":

"(...) mas muito menos explicável, quanto a mim, ainda é o motivo por que marcha arrogantemente para a autodestruição um animal cuja caixa craniana aloja um maquinismo de raciocinar...".

"(...) Se torturaste um inocente és um miserável; mas se fui eu a torturá-lo, enfim, essas coisas acontecem, ninguém é perfeito (...)".

"Isto faz lembrar a justificação dada por um pobre diabo arrastado à presença do macedónio [Alexandre, O Grande]: 'Sou pirata porque só tenho um barco; se tivesse uma frota, como tu, seria um conquistador...'".

"Simon Wiesenthal, o "caçador de nazis", acaba de anunciar, todo ufano, que localizou mais caça grossa e que é preciso muito cuidado para não a espantar. Mas o caçador intrépido, o vingador dos oprimidos, o arqueólogo do crime, deve saber que, derramado por judeus ou não-judeus, por gente branca, gente negra ou gente amarela, o sangue é todo vermelho, a lágrima é toda igual. Sendo assim, porque não se põe esse incansável perseguidor de múmias no rasto dos Bormanns de hoje, dos que estão no activo, tão fácil de seguir?".

"(...) Que um desgraçado jornalista nem sequer tem a elementaríssima liberdade de ver sair na íntegra aquilo que escreve e que a sua consciência lhe dita? Que lhe policiam a pena na banca de trabalho e lhe acenam constantemente com a chantagem do pão, forçando-o à exploração sensacionalista do gosto mórbido das massas, mas impedindo-o, por conveniência, de trazer à luz a raiz da miséria que gera o delito e o drama?".

"(...) Como pode o orgulhoso homem sideral, vestido de amianto e manipulando estonteantes tecnologias, pensar no Cosmos em termos de pioneirismo expansionista se não conseguiu ainda ser autêntico senhor do seu próprio planeta em termos de paz e justiça social?".

Quem, no entanto, quem tenta dar conselhos sábios ao redactor da secção do Estrangeiro é o contínuo do jornal: "Vá por mim: chegue-se aos grandes, ria c'o eles. Olhe que eles fodem-no!". O contínuo é assim a pessoa mais avisada e informada sobre a vida dentro e fora do jornal. São dele os melhores conselhos e a mais dura análise da realidade: "Isto num tem salvadoiro. Cada um puxa por si. Veja essas putas e esses paneleiros pra'í a cair de bêbados... Inda diz o nosso jornal que um desgraçado pai de filhos, num sábado à noute, pra esquecer misérias fez desacatos... Mas deixe-me calar, senão ainda me fodo! Hoje, fique você sabendo, ninguém quer saber de ninguém. Cada um mete-se na toca com'ò coelho, e os outros que se fodam. Seja das direitas ou do reviralho, é igal (...)". E termina o contínuo: "Você é poeta, está fodido, só lhe digo isto...".
O conto termina já fora do jornal. À noite, com o autor a contemplar o edifício e a perguntar-se que colossal edifício será aquele. A pergunta terá sido feita em voz alta, a ponto de ter sido escutada por dois operários. E um deles elucida-o:
"É um grande jornal, saiba você! - diz em tom severo. - Nem em Lisboa se encontra um igual!", e acrescenta-se sobre o diário: "Mas aquele ali é um jornal de tomates, lá isso é. Conta as misérias todas dos pobres. Até traz os relatos dos jogos da terceira divisão distrital".
As palavras finais do conto "A Homenagem" descreve-nos brevemente o edifício, mas de forma suficiente para que se possa intuir que jornal poderá ali funcionar:

"E demora um olhar enlevado naquele altíssimo edifício a guindar-se arrogantemente ao negrume quase sem estrelas, com todas as janelas iluminadas, qual poderoso foguetão prestes a disparar para o infinito"


Daqui.

Numa rara entrevista, o autor lembrou a sua passagem pelo "JN":

"Trabalhei sete anos na redacção do Jornal de Notícias e ao fim desse tempo despediram-me.

- Porquê?

- Porque a já extinta editora Prelo acabara de publicar Os Putos, título definitivo do Sardinhas e Lua em edição bastante aumentada. Entre os novos contos havia dois, 'O Campo de Judite' e 'O Gancho', que desagradaram aos omnipotentes senhores do Jornal de Notícias. Despediram-me sem ao menos me ouvirem. Foi em Maio de 1973, estava-se a menos de um ano da Revolução dos Cravos..."
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Por fim, dedicado a todos os actuais jornalistas que sofrem as agruras da profissão, aqui vos deixo a carta de despedimento que figura no último conto deste livro, intitulado "O Quarto":

"Nos termos do artigo 2º do contrato colectivo do trabalho, comunicamos a V. Ex.ª que os seus serviços deixaram de nos interessar, pelo que solicitamos que passe pela nossa tesouraria para acerto de contas e deixe lá ficar o cartão que o acredita como redactor deste jornal. Redacção alguma o acolherá depois disto - baluartes solidários, força monolítica que somos. Se quiser continuar ligado aos jornais, venda-os pela esquinas - uma profissão tão digna como qualquer outra. No caso de optar pela emigração como via de sobrevivência, desejamos sinceramente que seja mais afortunado (ou mais hábil) do que na primeira tentativa. Com o seu desprezo absoluto pelo espírito de classe e o seu idealismo antiquado tentou V. Ex.ª desviar este prestigioso jornal das prósperas calhas que ele se propôs em boa-hora seguir. Esforço gorado, porque estamos atentos. No livrito que escreveu, V. Ex.ª não nomeou ninguém; mas, desgraçadamente para si, todos nos reconhecemos. Que desastrado V. Ex.ª é! Porque não tomou por modelos os contínuos, ou mesmo, vá lá, os repórteres-estagiários? Soltávamos umas boas gargalhadas cá nas nossas poltronas e a coisa morria aí. Ignora V. Ex.ª que a sátira só é legítima quando fere os outros e que este jornal existe para especular sobre factos inofensivo e não para ser motivo de grave especulação? Ignora que um camarada seu, tenha as limitações que tiver, cometa as infâmias que cometer, é personalidade intocável, em especial se se trata dum superior hierárquico? Por delito menos grave foi o grande Swift amarrado ao pelourinho, mas talvez V. Ex.ª ignore quem foi Swift, já que nem tinha as habilitações indispensáveis para exercer a profissão quando, há sete anos condescendemos em admiti-lo. Pretendendo sabotar os ideais do jornal que lhe dava de comer e beber, e que V. Ex.ª - segundo informações dos nossos serviços de espionagem - considera presunçosamente 'uma estufa de medíocres', não nos ficou outra opção além do despedimento puro e simples, ainda que na modalidade sem justa causa..."

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20090128

A capa que ninguém soube ler...

Que a "Visão" e a "Sábado" de amanhã me venham dizer isto, para mim tanto faz, pois não acrescentam nada ao que já se sabia... - sobretudo quando uma revista anuncia "toda a história" é sinal de que não tem nada de novo, não é?...



Agora, a "Focus" de hoje é que conta a história toda na capa... É só saber ler a imagem do homem a correr para longe...


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20090127

Manifestamente a favor

20090112

Isto diz muito...

O "Prós & Contras", na RTP, que está a dar agora, é dedicado à atribuição a Cristiano Ronaldo do prémio de melhor do mundo no jogo da bola ...

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20081216

Pensamento hoje em dia

"Penso, logo prejudico-me"

Português anónimo, estudante de Comunicação Social, séc. XXI

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20081021

Jornalismo especulativo

De um clássico do jornalismo, a mítica cena de abertura do filme "Ace in the Hole", de Billy Wilder, com Kirk Douglas no papel do jornalista sem escrúpulos Chuck Tatum. Despedido de todas as redacções onde trabalhou, Tatum tenta convencer o director de um jornal regional de Albuquerque, Novo México, Jacob Q. Boot, a contratá-lo até ao dia em que encontre a grande história que o levará de volta para Nova Iorque: "Boot, quer ganhar 200 dólares por semana? Sou um jornalista que vale 250 dólares por semana. Contrate-me. Aceito 50"...

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