20090310

Mais um trago de liberdade...

"E não estou a falar das consequências da actual crise económica… Estou a falar da excomunhão de jornalistas que, um dia, por alguma razão, se incompatibilizaram com um patrão e que, por via disso, acabam proscritos da profissão. Estou a falar da existência de listas negras de jornalistas, listas que circulam entre as empresas do meio, de indexes que impedem os que neles constam de voltarem a trabalhar na profissão. Quem está nessas listas? Depende muitos das circunstâncias, mas são, por exemplo, antigos delegados sindicais, ou jornalistas que se notabilizaram no seio das redacções pela defesa dos seus direitos laborais, ou jornalistas que ousaram defender a sua integridade profissional mesmo contra os interesses expressos do patrão ou até do seu chefe directo, jornalistas que disseram não quando queriam que eles tivessem dito sim"...

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20090225

A televisão que queriam trazer até si...

A revista "Telecabo" do mês de Março revela alguns documentos ditos "secretos" do projecto que a ZON tinha para o 5º Canal Público...



O projecto era aterrador. Não previa estúdios para informação nem recursos para reportagens de exterior - ou seja, iria ser feita uma televisão praticamente sem meios humanos e, essencialmente, sem jornalistas. Contudo, o mais aterrador é quando se percebe o sentimento de impunidade moral que há hoje entre aqueles que acham que podem ser donos de um canal público. Basta reparar que, num item chamado de "Sinergias de cross promotion" (e como gostam destas palavras em inglês em vez de dizerem "Sinergias de promoções cruzadas"), previa-se, por exemplo, exibir em canal aberto o primeiro episódio de uma nova série, mas que iria obrigar os telespectadores que quisessem assistir aos restantes episódios a serem depois clientes ZON nos canais pagos...



Pior ainda era o facto de, apesar do mercado ser aberto aos melhores e a favor dos telespectadores, o projecto da ZON assumia a "não-competição directa com SIC e TVI", algo que, na perspectiva dos responsáveis do projecto, iria criar uma "goodwill com benefício para o negócio core da ZON" (e lá está outra vez o inglês técnico, apenas para dizer que, da parte das estações privadas concorrentes, iria haver "simpatia com benefício para o negócio central da ZON").



Quanto à grelha de programação previa-se, para além de "enlatados" que iriam ser repetidos ao longo do dia, que a informação televisiva em horário nobre, à hora do almoço, pelas 13 horas, começasse com cinco minutos de... humor - provavelmente uma filmagem das tiradas humorísticas de Maria Rueff ou Bruno Nogueira, gravadas directamente nos estúdios da rádio TSF e já emitidas na manhã desse dia... E, nos 15 minutos seguintes iria haver... "Notícias Desportivas" - algo que, aqui sim, já havia o risco de colidir com o noticiário das concorrentes...

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Dou um doce...

... a quem for o primeiro leitor a dizer-me o nome do autor destas sábias e justas palavras proferidas há 50 anos durante um discurso num país de língua oficial espanhola:

"Cuando un gobernante actúa honradamente, cuando un gobernante está inspirado en buenas intenciones, no tiene por qué temer a ninguna libertad (APLAUSOS). Si un gobierno no roba, si un gobierno no asesina, si un gobierno no traiciona a su pueblo, no tiene por qué temer a la libertad de prensa, por ejemplo (APLAUSOS), porque nadie podrá llamarlo ladrón, porque nadie podrá llamarlo asesino, porque nadie podrá llamarlo traidor. Cuando se roba, cuando se mata, cuando se asesina, entonces el gobernante tiene mucho interés en que no se le diga la verdad. Cuando un gobierno es bueno, no tiene por qué temer a la libertad de reunión, porque los pueblos no se reúnen para combatirlo, sino para apoyarlo. Quienes, como nosotros, tienen hoy el privilegio de ver a la masa del pueblo reunirse para brindarnos su respaldo, pueden comprender perfectamente, que solo cuando los gobernantes se han granjeado la enemistad de su pueblo, pueden concebir la estupidez, la injusticia, de negarles a los ciudadanos el derecho a reunirse (APLAUSOS)".

Acrescento a 260209: Como já houve quem tenha acertado no nome, aqui fica a versão completa e identificada: "DISCURSO PRONUNCIADO POR EL COMANDANTE FIDEL CASTRO RUZ, EN LA PLAZA DE LA CIUDAD DE CAMAGÜEY, EL 4 DE ENERO DE 1959".

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20090223

Dois casos, apenas uma investigação

Se no caso do BPN há uma comissão de investigação na Assembleia da República ao mesmo tempo que o caso está a ser investigado na justiça, então por que não se investiga o que fez o actual primeiro-ministro durante os últimos dias em que esteve à frente do ministério do Ambiente? Aliás, deveria ser o próprio primeiro-ministro a exigir que tal comissão viesse a ser criada. A mesma serviria para o ilibar de uma vez por todas, das suspeitas de má prática política e acabar com a tal "campanha negra" da qual diz ser vítima. O caso Freeport, à semelhança do caso BPN, também já tem arguidos e agora há evidências de que houve tráfico de influências num processo de licenciamento na véspera de eleições gerais antecipadas. Mas, nada acontece para os lados do Palácio de S. Bento. Não quero acreditar que ninguém investiga porque arriscar-se-ia a descobrir que o caso é semelhante a muitos outros casos com outros governos de outras cores partidárias... Contudo, a total ausência de uma reacção "em conformidade" por parte dos políticos na Assembleia da República leva-me a questionar sobre a qualidade dos nossos actuais defensores da Democracia. E a perguntar-me se ainda há Liberdade ou devemos declarar oficialmente a Ditadura...

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20090222

Jornalismo: Que Liberdade?

Nunca me pronunciei antes sobre as duas candidaturas ao 5º canal de televisão visto que o processo de selecção ainda estava a decorrer na ERC. Recusava-me a escrever algo que fosse "azarar" a escolha daquilo que, para mim, era, obviamente e de longe, a única e melhor opção: a Telecinco. Contudo, quando vi a qualidade das críticas que o projecto provocou, fiquei com imensa curiosidade para saber como é que a ERC iria "descalçar a bota", pois previa-se desde início que só haveria uma candidatura e que essa seria a da Zon.
Viu-se agora: "ERC rejeita as duas únicas candidaturas ao quinto canal de televisão".
Quem pode explicar com mais detalhe o que está em causa nesta rejeição é o Carlos Narciso...



O Carlos é um jornalista que, a bem da nossa informação televisiva, tem de voltar a aparecer no pequeno ecrã. E com mais este entrave, com certeza que terá outro exemplo para apresentar na sua comunicação no "I Congresso Marquês de Sá da Bandeira", organizado pelo Instituto Democracia Portuguesa e que vai ter lugar no próximo dia 3 de Março, às 11h30, na Universidade Lusíada, em Lisboa, debaixo do tema "Jornalismo: Que Liberdade?". Uma pergunta à qual lanço já a minha resposta: Muito pouca e, pelo que se vê, cada vez menos...

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