A revista "Telecabo" do mês de Março revela alguns documentos ditos "secretos" do projecto que a ZON tinha para o 5º Canal Público...

O projecto era aterrador. Não previa estúdios para informação nem recursos para reportagens de exterior - ou seja, iria ser feita uma televisão praticamente sem meios humanos e, essencialmente, sem jornalistas. Contudo, o mais aterrador é quando se percebe o sentimento de impunidade moral que há hoje entre aqueles que acham que podem ser donos de um canal público. Basta reparar que, num item chamado de "Sinergias de
cross promotion" (e como gostam destas palavras em inglês em vez de dizerem "Sinergias de promoções cruzadas"), previa-se, por exemplo, exibir em canal aberto o primeiro episódio de uma nova série, mas que iria obrigar os telespectadores que quisessem assistir aos restantes episódios a serem depois clientes ZON nos canais pagos...

Pior ainda era o facto de, apesar do mercado ser aberto aos melhores e a favor dos telespectadores, o projecto da ZON assumia a "não-competição directa com SIC e TVI", algo que, na perspectiva dos responsáveis do projecto, iria criar uma "goodwill com benefício para o negócio core da ZON" (e lá está outra vez o inglês técnico, apenas para dizer que, da parte das estações privadas concorrentes, iria haver "simpatia com benefício para o negócio central da ZON").

Quanto à grelha de programação previa-se, para além de "enlatados" que iriam ser repetidos ao longo do dia, que a informação televisiva em horário nobre, à hora do almoço, pelas 13 horas, começasse com cinco minutos de... humor - provavelmente uma filmagem das tiradas humorísticas de Maria Rueff ou Bruno Nogueira, gravadas directamente nos estúdios da rádio TSF e já emitidas na manhã desse dia... E, nos 15 minutos seguintes iria haver... "Notícias Desportivas" - algo que, aqui sim, já havia o risco de colidir com o noticiário das concorrentes...

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