20130703

Paulo antes de ser Portas

Paulo Portas, é o mais experientes político português no activo. Nem os líderes dos dois maiores partidos, Passos Coelho e António José Seguro, têm uma experiência política tão antigaNascido a 12 de Setembro de 1962, Paulo de Sacadura Cabral Portas ainda não tinha atingido a maioridade e já provocava polémicas políticas. Em 1978, escassos quatro anos após o 25 de Abril, assinou um texto no “Jornal Novo, então dirigido pela social-democrata Helena Roseta, onde atacou o Presidente da República de Portugal, Ramalho Eanes. Um processo judicialcontra o autor do texto ficou sem efeito quando o mais alto magistrado da Nação se mostrousensível ao facto de estar perante um menor de 16 anos e filho de boas famílias – o pai, o arquitecto Nuno Portas, tinha sido secretário de Estado da Habitação e Urbanismo do I Governo Provisório. A mãe, Helena Sacadura Cabral, era economista e sobrinha do herói da aviação, Artur Sacadura Cabral. Paulo Portas ainda não tinha 18 anos e, durante um congresso do Partido Social Democrata (PSD), no Hotel Roma, fez aquele que, para muitos, foi considerado o melhor discurso e chamou a atenção do então líder do partido, Francisco Sá Carneiro. Depois, ao serviço do semanário “Tempo”, dirigido por Nuno Rocha, o adolescente teve carta-branca para escrever sobre política. Era um jornalista com veia para a política, ou, se quisermos, um político que sabia usar o jornalismo como caminho para conquistaros corações e as mentes de leitores e eleitores. Eram tempos em que os jornais em Portugal estavammuito mais identificados com a corrente política que defendiam. E Paulo Portas militava na direita social-democrata. Hoje, está coligado com o seu antigo PSD, mas como líder do CDS que, naquela altura, com Freitas do Amaral à frente do partido, não tinha problemas em aliar-se com o PSDcomo com o PS de Mário Soares.

No início do ano de 1980, Sá Carneiro e Freitas do Amaral foram eleitos para o Governo da AliançaDemocrática (AD), juntamente com o Partido Popular Monárquico (PPM) de Gonçalo Ribeiro Telles, naquela que foi a primeira maioria absoluta em Portugal. Esse momento seria seguido com entusiasmo pelo jovem político/jornalista Portas. No semanário “Tempo”Paulo Portas assinoutextos sobre os bastidores do gabinete do Conselho de Ministros. Conceição Monteiro, a “histórica” secretária de Francisco Sá Carneiro, era uma das suas amigas pessoais. Foi ela quem, na altura em que Portas atingiu a maioridade, a 12 de Setembro de 1980, lhe deu a ficha de inscrição no PSDcom a assinatura de Sá Carneiro como um dos proponentes. Estava enrolada com uma fitinha, como se fosse um pergaminho simbólico. Meses depois, Sá Carneiro morreu na queda de um avião emCamarate, juntamente com o ministro da Defesa e número dois do CDS, Amaro da Costa. O jovem Paulo Portas ficou órfão político e andou à procura de um novo “pai”. Não seguiu a solução do partido, que apostou em Pinto Balsemão, o actual dono da televisão SIC, e, com o passar dos meses, escolheu apoiar uma alternativa: Cavaco Silva, o agora Presidente da República de Portugal e que fora ministro das Finanças de Sá Carneiro entre Janeiro de 1980 e Dezembro de 1980Depois da morte de Sá Carneiro, Cavaco Silva não aceitou fazer parte do Governo de Balsemão, mas, em Fevereiro de 1981foi nomeado pela Assembleia da República para o cargo de presidente do Conselho Nacional do Plano. Cavaco Silva mantinha a ambição de chegar mais longe e Paulo Portas ajudou-o a manter-se à tona da cena política. Em Junho de 1981, o jornalista e militante do PSD, então ao serviço do semanário “Tempo”, entrevistou Cavaco Silva no seu gabinete na zona da Lapa e exaltou as qualidades de um economista que nunca se assumiu como político. Percebia-se claramente que Paulo Portas, através dos seus escritos jornalísticos e das entrevistas que então assinou, apoiava claramente Cavaco para líder do PSD. Mas, quatro anos mais tarde, quandoCavaco Silva subiu ao poder, Paulo Portas já tinha saído do PSD e escrevia então crónicas políticas para um novo jornal, o “Semanário”, fundado em 1983 por políticos de Direita também com gosto pelo uso do jornalismo como arma política: Marcelo Rebelo de Sousa, Daniel Proença de Carvalho e José Miguel Júdice. Eram outros tempos, sem Internet, sem redes sociais. As experiências de um jovem que começara cedo na política, com o pós-25 de Abril, estavam a adaptar-se aos ventos da estabilidade do jogo político em Portugal, como foi o Bloco Central (1983), chegada de Cavaco a líder do PSD (1985), entrada de Portugal na CEE e eleição de Mário Soares como o primeiro civil Presidente da República (1986). Paulo Portas poderia estar ainda longe de imaginar que, um dia, iria ser um governante. O país crescia com o impacto económico da entrada no Mercado Comum e as noites de Lisboa eram locais de descobertas pessoais, culturais, amizades, troca de contactos e experiências. Até que, finalmente, a 20 de Maio de 1988, saiu o primeiro número do semanário “O Independente”. Era o início de uma nova era. O jornalista Paulo Portas, então com apenas 25 anos,estava à frente de um projecto jornalístico de grande envergadura e, acompanhado por uma reconhecida figura intelectual da época, Miguel Esteves Cardoso, usou esse semanário como o veículo que iria levá-lo a reconquistalugar junto do poder e abrir-lhe as portas para uma vidaque, afinal, sempre fora a que desejara: a da política, pura e dura.


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20111220

Portas apanhado!

A agência noticiosa Reuter escolheu as 100 melhores fotos de 2011, onde figura um instantâneo do líder do CDS e actual ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, da autoria de Rafael Marchante...



A juntar a esta imagem não resisto ainda a apresentar um texto do semanário "Tempo", em 1980, onde o então jornalista Paulo Portas apresentava aos leitores a deputada Helena Roseta. Um mimo!...

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20110811

O actual ministro dos Negócios Estrangeiros sobre a actual primeira-dama, quando ambos ainda não o eram (mais o Marcelo e a história da Vychisoise)

20110717

Um País à Beira de Um Ataque de Nervos...

20110616

Oito anos e seis dias atrás...

A 10 de junho de 2003, o então ministro da Defesa de Portugal, Paulo Portas, recebeu no Forte de São Julião da Barra, em Oeiras, o então secretário de Estado da Defesa, Donald Rumsfeld...





O Iraque tinha sido invadido em Março desse ano e, no seguimento do encontro, houve uma conferência de Imprensa conjunta. Nunca esqueci a comparação que Paulo Portas fez nessa altura entre o tamanho das armas de destruição massiva e o púlpito no qual falava...



"Portas: [In Portuguese.] The only thing that the international community knows is that Saddam Hussein lied to the United Nations and to civilized countries for a decade. I would like to call attention to the fact that the weapons of mass destruction are not an assertion, they are a real problem. For ten years Iraq deceived the United Nations, first hiding them, then showing incomplete lists, then saying they had destroyed them, then moving them to systematically evade the international rules for containing this weaponry. Iraq is a country the size of France. A weapon of mass destruction might be the size of this podium. Finding something the size of this podium in a country the size of France is not something you can do in either a day or a month. But obviously Iraq today is no longer the threat to either the region or to the world that it was when Saddam Hussein was in power".

Paulo Portas tem elevadas qualidades políticas, humanas e intelectuais. Os EUA são um aliado natural português, pois ambos países partilham valores tão elevados como o amor pela Paz e Liberdade e lutam pela Democracia. É perfeitamente compreensível e de salutar que os dois governantes procurassem pontes de entendimento a favor dos interesses dos respectivos países...



Dois anos mais tarde, a 6 de Maio de 2005, quando já se sabia que não havia armas de destruição massiva e a guerra no Iraque, apesar de ter afastado Saddam Hussein do poder, fora sustentada numa mentira, Paulo Portas - já deputado do CDS, pois a liderança do partido estava entregue a Ribeiro e Castro - foi ao Pentágono receber uma medalha pelos bons serviços prestados no passado...

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20110615

Próximo desporto nacional: Tiro ao Portas

Depois do "tiro de partida" dado por Ana Gomes, eis que chega um segundo "tiro" no "submarino" desta já previsível "batalha naval" que vai ser o governo de coligação PSD/CDS. O alvo principal, já se percebeu, voltará a ser o líder do CDS, Paulo Portas. Ainda nem sequer tomou posse como ministro e já há críticas. A mais recente é a crónica de Pezarat Correia que, dizia-se, até teria sido "censurada". Foi hoje publicada no DN...

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20110526

O que Portas dizia de Cavaco em 1995...

20110407

Manifesto-me por Portugal

Só existe um único grande partido em Portugal. Esse partido não se chama PSD, nem PS nem CDS, nem mesmo PPM. Esse partido chama-se AD. Foi a AD que deu a maioria absoluta a Sá Carneiro, em 1979. Sem a AD, foi depois necessário, em 1983, fazer o Bloco Central entre PS e PSD e, sem a AD, Cavaco Silva teve uma maioria relativa na primeira vez que se candidatou a primeiro-ministro, ou seja, em 1985. Foi, contudo, graças ao efeito AD da campanha presidencial do início de 1986, com Freitas do Amaral como candidato do PSD, que, em Junho de 1987, Cavaco Silva conseguiu conquistar sozinho o eleitorado da AD, esvaziando o CDS. Segurou essa maioria na reeleição de 1991, mas o PSD não iria conseguir a repetição com as eleições de 1995, altura em que o PS de Guterres obteve uma maioria relativa, aproveitando a divisão da AD e o desgaste dos meses finais do cavaquismo. Mas, Guterres nunca conseguiu convencer o leitorado da AD e, por isso, nunca teve a maioria absoluta que pretendia nas eleições de 1999. Demitiu-se em finais de 2001. Nas eleições antecipadas de 2002, Durão Barroso não conseguiu a maioria absoluta da AD, pois no CDS Paulo Portas conseguira inverter a “vampirização” do eleitorado centrista e recuperou parte dos votantes da AD para o partido. Contudo, como Barroso e Portas fizeram um acordo pós-eleitoral, nunca conseguiram usar a força plena da AD – sobretudo quando não tinham consigo o pequeno PPM para juntá-los nas diferenças. As eleições antecipadas de 2005 foram ganhas por José Sócrates que conseguiu juntar parte do eleitorado da AD ao seu PS. Afinal, a esquerda sempre criticou a maioria de Sócrates de estar mais próxima das políticas de direita – da AD - do que propriamente da sua área de origem política e social. Em 2009, com todos divididos, a AD não deu maioria absoluta a ninguém. O que vai acontecer nas próximas eleições de 5 de Junho é simples: ninguém vai ter maioria absoluta, pois não há AD. Posso, contudo, arriscar que, graças ao facto do PSD achar que poderá obter a maioria relativa e depois aliar-se ao CDS e repetir o governo de 2002, isso poderá potenciar uma subida do PS durante a campanha eleitoral. O PSD, ao recusar uma aliança pré-eleitoral com o CDS e outros pequenos partidos que, apesar de pequenos na sua expressão eleitoral são grandes nas ideias que defendem para Portugal – caso do PPM -, perdeu o eleitorado da AD. Mesmo que o plano de Coelho dê certo, duvido que aguente mais do que dois anos. Entretanto, o PS vai-se organizar. Vai eleger António Costa e, finalmente, poderá fazer um governo de Bloco Central com o PSD. Nessa altura, o líder será Rui Rio. Está já escrito há muito tempo. Não estou a dizer nada de novo. Manifesto-me, isso, sim, pois não sei se esta última solução será a melhor para Portugal. Este é um País pequeno na sua dimensão geográfica, mas grande em termos de História e de soluções. Basta ser bem gerido, basta não ser despesista e basta incentivar à produção. Basta colocar as leis a funcionar com ética e transparência. Basta de apostar em soluções erradas. Basta.

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20090930

O melhor governo para Portugal

20090329

Submarino

20090107

Quem tramou Inês Serra Lopes?

Na sequência da chamada de atenção do Zé Paulo sobre a condenação de Inês Serra Lopes, tenho de recordar que registei no meu livro "Eu Sei Que Você Sabe" uma passagem da reportagem do semanário "O Crime" de 13 de Março de 2003, onde o jornalista Alte Pinho explica o que esteve por detrás da história do duplo do Carlos Cruz...



Mais se acrescenta que, no dia seguinte à publicação desta reportagem, o "Independente" de Inês Serra Lopes revelava que o apartamento de Cascais onde Jorge Ritto vivia no início da década de 80 e que estivera na origem da primeira investigação, era emprestado. O legítimo proprietário era Caimoto Duarte, que o comprara em 1978, antes de ir como diplomata para a Turquia e que utilizava o apartamento como habitação transitória, "de apoio". Fizera então uma "cedência informal" ao amigo Ritto. Na altura em que o "Independente" revelou essa informação, Caimoto Duarte era o chefe da secreta militar, nomeado pelo ministro da Defesa, Paulo Portas.

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20080717

A madrinha

Alda Taborda, mulher do actual Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, foi a madrinha do novo submarino português. O negócio da aquisição de dois submarinos remonta a 1998, quando Jaime Gama era ministro da Defesa de António Guterres. O contrato final foi depois assinado, em 2004, pelo ministro da Defesa do governo de Durão Barroso, o líder do PP, Paulo Portas. Esta semana, quem baptizou o primeiro submarino acabou por ser a mulher do homem que, em 2001, após a demissão de Guterres, anunciou a candidatura à liderança do PS, mas retirou-a no dia seguinte, aludindo "motivos pessoais". É sempre bom saber que hoje está tudo bem na família Gama...

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20071124

A Paz é porreira, pá

Quando soube hoje da notícia de que "Ramos Horta propõe Durão Barroso para Prémio Nobel da Paz" lembrei-me destas capas do extinto "O Independente" de 1994, altura em que os directores eram Paulo Portas, Miguel Esteves Cardoso e Helena Sanches Osório...




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20070323

Onze anos antes de ser ministro do Mar

Este vídeo de 1993 do programa "Raios & Coriscos", que agora circula no You Tube, é deveras assassino. É o poder da memória que está aqui patente, a lembrar o ditado de "1984": "Quem controla o presente, controla o passado. E quem controla o passado, controla o futuro". Paulo Portas diz-se contra o poder e ainda é questionado por Zita Seabra sobre a eventualidade de poder vir a ser ministro do Mar... Cá para mim, que tanto faz, acho que alguém tinha este vídeo guardado e resolveu brincar com Paulo Portas, nomeando-o para ministro do Mar. Só isso é que poderá explicar a surpresa do próprio no dia da tomada de posse...



Agora, que mais surpresas do seu passado ainda estarão por aí guardadas?!...

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