20120317

Faz hoje 10 anos...

... que tiveram lugar as eleições legislativas antecipadas de 2002, aquelas que resultaram da demissão de António Guterres e permitiram a chegada ao poder de Durão Barroso.
Não me parece que muitos se tenham lembrado hoje da data redonda do 17 de Março de 2002, mas vejo aí a origem dos actuais problemas políticos. As eleições foram a consequência da demissão antecipada de Guterres que, na noite das eleições autárquicas de Dezembro de 2001, resolveu bater com a porta e deixar-nos no "pântano"...



António Guterres fugiu às suas responsabilidades, pois apesar de não ter maioria parlamentar, tinha reforçado, em 1999, a votação em relação a 1995 e dispunha de um mandato de governo para quatro anos. Mas, optou por fugir. Recordo-me da confusão no PS por causa dessa saída antecipada. Lembro-me de Jaime Gama apresentar a candidatura à liderança do partido...



... e de no dia seguinte dizer que, por motivos pessoais, afinal já não podia...



Com a saída de Jaime Gama apareceu Ferro Rodrigues...



As eleições de há 10 anos não deram a maioria absoluta a Barroso, pelo que teve de fazer uma coligação com o líder do CDS, Paulo Portas. Em Novembro daquele ano de 2002 rebentava o escândalo da Casa Pia, que, em 2003, levaria à prisão preventiva do nº2 de Ferro Rodrigues, Paulo Pedroso. O próprio Ferro Rodrigues não escaparia às suspeitas de pedofilia, contudo, apesar dos ataques, conseguiu uma vitória política para o PS ao vencer as eleições europeias de 13 Junho de 2004, no dia seguinte ao início do Euro2004, no Estádio do Dragão, no Porto, quando Portugal perdeu 2-1 contra a Grécia no jogo de abertura. Durão Barroso aproveitou a distração provocada pela euforia do Euro2004 para, tal como Guterres, sair a meio de um mandato. Foi viver longe daqui, nos salões de Bruxelas e palcos internacionais. Deixou um governo com Santana Lopes e Paulo Portas, mas o Presidente Jorge Sampaio não convocou eleições antecipadas quando podia e isso provocou a demissão de Ferro Rodrigues. Sampaio esperou depois pelas eleições internas no PS, feitas para a vitória de José Sócrates e, antes que este perdesse o "estado de graça", criou um discurso para justificar a demissão da coligação PSD/CDS, apesar da mesma ter a confiança da maioria do Parlamento. E assim chegámos a Sócrates. E assim tivemos quatro anos de maioria absoluta socialista e assim tivemos, no PSD, as lideranças efémeras de Marques Mendes, Luís Filipe Menezes, Manuela Ferreira Leite e, finalmente, quando já se tinha tentado quase tudo no PSD, o antigo "jota" Pedro Passos Coelho. Deste modo, com José "Freeport" "Independente" "BPN" "PEC" Sócrates caído em desgraça, chegámos ao actual governo. Chegámos à actual conjuntura político-financeira. Foram 10 anos de tempo perdido, onde, pelo meio, elegemos e reelegemos o primeiro-ministro que, há 25 anos, ganhou a primeira maioria absoluta do PSD e, apesar de ter tido na mão todos os instrumentos financeiros e a legitimidade política para os aplicar em projectos sólidos com fundos europeus, queimou a agricultura, afundou as pescas, esqueceu o tecido produtivo nacional e promoveu o novo-riquismo, dando-nos o País com o povo que agora temos e que ele tanto critica.
Por isso, nestes 10 anos que hoje se celebram, só tenho uma coisa a dizer: Parabéns a todos!

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20110407

Manifesto-me por Portugal

Só existe um único grande partido em Portugal. Esse partido não se chama PSD, nem PS nem CDS, nem mesmo PPM. Esse partido chama-se AD. Foi a AD que deu a maioria absoluta a Sá Carneiro, em 1979. Sem a AD, foi depois necessário, em 1983, fazer o Bloco Central entre PS e PSD e, sem a AD, Cavaco Silva teve uma maioria relativa na primeira vez que se candidatou a primeiro-ministro, ou seja, em 1985. Foi, contudo, graças ao efeito AD da campanha presidencial do início de 1986, com Freitas do Amaral como candidato do PSD, que, em Junho de 1987, Cavaco Silva conseguiu conquistar sozinho o eleitorado da AD, esvaziando o CDS. Segurou essa maioria na reeleição de 1991, mas o PSD não iria conseguir a repetição com as eleições de 1995, altura em que o PS de Guterres obteve uma maioria relativa, aproveitando a divisão da AD e o desgaste dos meses finais do cavaquismo. Mas, Guterres nunca conseguiu convencer o leitorado da AD e, por isso, nunca teve a maioria absoluta que pretendia nas eleições de 1999. Demitiu-se em finais de 2001. Nas eleições antecipadas de 2002, Durão Barroso não conseguiu a maioria absoluta da AD, pois no CDS Paulo Portas conseguira inverter a “vampirização” do eleitorado centrista e recuperou parte dos votantes da AD para o partido. Contudo, como Barroso e Portas fizeram um acordo pós-eleitoral, nunca conseguiram usar a força plena da AD – sobretudo quando não tinham consigo o pequeno PPM para juntá-los nas diferenças. As eleições antecipadas de 2005 foram ganhas por José Sócrates que conseguiu juntar parte do eleitorado da AD ao seu PS. Afinal, a esquerda sempre criticou a maioria de Sócrates de estar mais próxima das políticas de direita – da AD - do que propriamente da sua área de origem política e social. Em 2009, com todos divididos, a AD não deu maioria absoluta a ninguém. O que vai acontecer nas próximas eleições de 5 de Junho é simples: ninguém vai ter maioria absoluta, pois não há AD. Posso, contudo, arriscar que, graças ao facto do PSD achar que poderá obter a maioria relativa e depois aliar-se ao CDS e repetir o governo de 2002, isso poderá potenciar uma subida do PS durante a campanha eleitoral. O PSD, ao recusar uma aliança pré-eleitoral com o CDS e outros pequenos partidos que, apesar de pequenos na sua expressão eleitoral são grandes nas ideias que defendem para Portugal – caso do PPM -, perdeu o eleitorado da AD. Mesmo que o plano de Coelho dê certo, duvido que aguente mais do que dois anos. Entretanto, o PS vai-se organizar. Vai eleger António Costa e, finalmente, poderá fazer um governo de Bloco Central com o PSD. Nessa altura, o líder será Rui Rio. Está já escrito há muito tempo. Não estou a dizer nada de novo. Manifesto-me, isso, sim, pois não sei se esta última solução será a melhor para Portugal. Este é um País pequeno na sua dimensão geográfica, mas grande em termos de História e de soluções. Basta ser bem gerido, basta não ser despesista e basta incentivar à produção. Basta colocar as leis a funcionar com ética e transparência. Basta de apostar em soluções erradas. Basta.

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20100428

Caminho faz-se pisando

"GENEBRA, Suíça, 22 de abril (ACNUR) – A Assembléia Geral da ONU aprovou hoje (quinta-feira, 22/04) a renovação do mandato do Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres, por mais cinco anos". Ou seja, quando terminar o mandato em 2015, Guterres fica livre para ser "candidato natural" às eleições presidenciais de 2016. Que aproveite bem estes cinco anos, que tire muitas fotos de grande calibre social para usar na campanha presidencial de 2016...



E, de modo a evitar que se esqueçam dele cá pelo "burgo", de vez em quando sente-se obrigado a aparecer a dizer umas coisas sérias e graves: "Guterres acusa Europa de falta de clareza na forma de lidar com a crise financeira".

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