20101214

Dias antes...

20100113

Uma cunha para Gonçalo Amaral


A filha do antigo procurador-geral da República Cunha Rodrigues, Maria Gabriela Cunha Rodrigues, é a juíza que tem nas mãos o futuro do ex-coordenador operacional da PJ do caso Madeleine McCann, Gonçalo Amaral. No primeiro dia da audição sobre a proibição do livro "A Verdade da Mentira", a juíza ouviu um procurador, Magalhães Menezes, afirmar não se lembrar de ter assinado um despacho onde era dito que a menina inglesa poderia ter sido vítima de um acidente e posterior ocultação de cadáver. Ouviu depois um inspector da PJ queixar-se de que, ainda hoje, não se sabe "quem são os McCann", pois quando a PJ pediu informações detalhadas a Inglaterra sobre o casal e amigos - para seguirem a pista de rapto como mandam as regras - recebeu informações sobre nove pessoas... numa folha A4. Houve um outro inspector da PJ que garantiu que, mesmo com a publicação do livro "A Verdade da Mentira", não parou o fluxo de novas informações sobre o rapto. Garantiu ainda esse mesmo inspector que, face às evidências obtidas no caso Madeleine McCann, polícias ingleses desabafaram-lhe que já tinham prendido suspeitos com menos indícios. E, por fim, a juíza Maria Gabriela teve um alto responsável da investigação ao banditismo a dizer-lhe que, por vezes, a PJ sabe muito bem o que se passou, mas faltam provas para fazer uma detenção. A sessão continua hoje.

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20091122

A gente secreta

20091105

Quem quer mesmo encontrar Madeleine?

Arrisco dizer que o ex-inspector da PJ Gonçalo Amaral, como benfiquista ferrenho que é, deverá estar a ver o jogo do Benfica contra o Everton que, neste momento, está a dar na televisão. Contudo, não consigo imaginar o nível do sentimento de injustiça que deverá sentir cada vez que no estádio inglês passa a mensagem publicitária do endereço electrónico "www.findmadeleine.com". Gonçalo Amaral, impedido de falar em defesa própria depois de ter escrito um livro onde cometeu o "crime" de explicar e fundamentar as suas convicções enquanto investigador, deverá ser a pessoa que mais interesse tem em todo o mundo em realmente encontrar Madeleine e trazer alguma luz ao caso...

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20090909

Sei o que fizeste na Praia da Luz

20090826

A real política ganha sempre

O primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, combinou com o líder líbio, Moammar Kadhafi, a libertação de Abdelbaset Ali Mohamed al-Megrahi, o agente secreto detido na Escócia pelo atentado de Lockerbie. A conversa teve lugar em Itália, durante a cimeira do G8, seis semanas antes da libertação ter sido oficialmente anunciada pelo ministro da Justiça escocês, Kenny MacAskill. Este último, contudo, garante que decidiu tudo sozinho, sem qualquer pressão do governo central de Sua Majestade ou com receio de represálias económicas – como, por exemplo, a concessão da exploração do petróleo líbio à BP -, tendo justificado a libertação como um "acto de compaixão", pois o condenado apresentava um prognóstico médico de apenas três meses de vida.

Apesar das garantias do ilustre ministro da Escócia, não faltam evidências de que, nos bastidores, muito foi discutido. Numa carta escrita por Gordon Brown no dia da libertação de al-Megrahi e agora divulgada publicamente, o primeiro-ministro inglês lembrava ao líder líbio que, quando falaram em Itália, foi pedido, caso a justiça escocesa optasse pela libertação, que não houvesse qualquer tipo de manifestação de regozijo popular na Líbia por respeito para com as famílias das vítimas.

Nenhuma palavra foi dita no sentido de pedir a libertação, mas também nenhuma palavra foi proferida no sentido de a impedir. Gordon Brown, ele próprio natural da Escócia, ao reconhecer a possibilidade da libertação poder ocorrer e por isso ter tido o cuidado de pedir contenção nas celebrações – acto inútil, como se viu -, acabou por apoiar a decisão do ministro escocês.

Tudo isto é público e tudo isto se intuiu. Contudo, o que já não é tão público, é a notícia do "Sunday Times" da semana passada onde se revela que, caso o agente líbio não tivesse desistido de um recurso judicial – condição necessária à sua libertação por "compaixão" -, então uma das provas que a justiça escocesa iria ter de apreciar seria um documento de 1989, elaborado pela secreta dos EUA, onde se pormenorizavam as movimentações do Irão na encomenda, a terroristas sírios, de um atentado como retaliação ao derrube, cinco meses antes de Lockerbie, de um avião iraniano civil por um míssil disparado desde um porta-aviões norte-americano. Disparo esse, alegadamente, acidental. Em retrospectiva, os EUA nunca culparam os iranianos nem os operacionais sírios, pois, um ano mais tarde, em 1990, o pai Bush necessitou de garantir a neutralidade destes dois países quando invadiu o Iraque de Saddam Hussein na primeira guerra do Golfo. A Líbia, um pouco mais longe no mapa, surgiria depois como o alvo preferencial para as culpas de Lockerbie.

Vendo a história à luz deste último prisma, percebe-se melhor por que razão Kadhafi sabia que al-Megrahi iria ser libertado e por que não levou a sério o pedido de contenção de Gordon Brown. Entretanto, al-Megrahi diz-se inocente e, nos alegados três meses de vida que lhe restam, pretende escrever um livro a contar toda a verdade.

Um livro dá sempre jeito, mas não é Justiça. Nem para al-Megrahi, que assim nunca mais vai provar a presumível inocência em tribunal. Faz-me lembrar a história do casal inglês, autorizado a deixar Portugal pela sala VIP do aeroporto quando todas as provas eram suficientes para os colocar em prisão preventiva. Mais tarde, afastou-se da investigação o inspector da PJ que os queria prender e, por coincidência, conseguia-se a garantia de que o primeiro-ministro inglês assinaria o Tratado de Lisboa. O inspector da PJ demitiu-se e escreveu um livro onde contou toda a verdade. Mas, não foi suficiente para fazer Justiça.

Ganhou a real política.

Texto originalmente publicado no blogue Eleições 2009.

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20080812

Anatomia de uma história mal contada



“Há ainda muito para descobrir dentro do processo”, disse-me há dias o ex-coordenador da PJ, Gonçalo Amaral, quando, juntamente com o João Vasco Almeida, o entrevistei para a “Focus” – ver edição de amanhã, dia 13. O autor do livro “Maddie – A Verdade da Mentira” (140 mil exemplares já vendidos e com traduções previstas para Espanha e Alemanha) deu-nos aquela que terá sido a primeira entrevista já com o caso fora da alçada do segredo de justiça. Assim, o ex-coordenador aceitou olhar para o computador onde tínhamos o DVD com o processo aberto e apontou-nos com o dedo o momento onde está registada a contradição fatal dos testemunhos de alguns dos principais intervenientes da noite em que foi dado o alerta do desaparecimento da menina inglesa na Praia da Luz: “Nunca qualquer órgão de Comunicação Social fez um cruzamento desses depoimentos”, desabafou-nos então Gonçalo Amaral.
Está tudo no primeiro volume dos 17, que perfazem 4713 páginas. Foi a contradição entre o depoimento inicial de Janne Tanner, gerente de marketing, e o do seu companheiro, o médico Russel O’Brian, que levantou as suspeitas de que a gerente de marketing poderia estar a mentir quando disse ter visto um alegado raptor com uma criança ao colo. Tudo isto logo no dia 4 de Maio, nas primeiras horas após o desaparecimento.
Russel O’Brian, médico e marido de Jane Tanner, trabalhou seis meses directamente com o pai de Madeleine, Gerry McCann. Foram pais sensivelmente na mesma altura, sendo que a filha mais velha de Russel tem apenas um mês a mais do que Madeleine. Ao cruzarem os testemunhos de Gerry, Jane e Russel, os investigadores da PJ perceberam que “a história estava mal contada”.
De acordo com o depoimento testemunhal de Gerry McCann, registado nas instalações da PJ às 11h15 do dia 4 de Maio de 2007, catorze horas após os factos ocorridos, verifica-se que o pai de Madeleine ausentou-se do restaurante “Tapas” cerca de meia-hora depois de ter chegado àquele local. Antes de si, já um outro membro do grupo de veraneantes, Matthew Oldfield, fora ver as janelas e confirmara que as mesmas estavam fechadas e que todas as crianças do grupo deveriam estar a dormir. Quando Matthew regressou ao seio do grupo, comunicou isso aos presentes. Nesse mesmo momento, Gerry levantou-se e foi fazer uma nova verificação. Seriam as 21h05. O pai de Madeleine entrou no apartamento munido da respectiva chave, dirigiu-se ao quarto dos filhos, verificou que os gémeos estavam bem, assim como a filha mais velha. Gerry foi então ao WC, onde, disse, manteve-se alguns instantes. Saiu e cruzou-se com um amigo britânico, Jez, que conhecera nas férias e com o qual costumava jogar ténis. O amigo andava a passear o seu bebé, pois este estava com dificuldades em dormir. Estiveram ambos numa pequena conversa até que Gerry regressou ao restaurante.
O depoimento da testemunha Jane Tanner, recolhido às 11h30 de sexta-feira, 4 de Maio, regista o facto de esta ter-se ausentado do restaurante pelas 21h10, cerca de cinco minutos depois de Gerry. Jane deslocou-se ao seu apartamento para verificar se estava tudo bem com as filhas. Nessa altura, a caminho do apartamento, garante ter-se cruzado com Gerry no momento em que este falava com o amigo do ténis. À PJ frisou que passou por ambos sabendo que Gerry já tinha estado no apartamento a ver os filhos.
A contradição surge depois quando se cruza este depoimento com o do marido, Russel O’Brian. Este último, só falou com a PJ na noite de 4 de Maio, às 21h50, quase 24 horas após os factos. Russel confirmou que Gerry e Jane saíram quase em simultâneo. No entanto, disse que a mulher deve ter voltado primeiro porque teria encontrado Gerry a falar com o amigo do ténis. Aqui nasceu uma dúvida muito importante para que se percebesse o momento-chave do desaparecimento de Madeleine McCann. As perguntas assaltaram a mente dos investigadores da PJ: Afinal, Jane Tanner viu Gerry a falar com amigo quando ela regressva do apartamento, como sugeriu o marido, ou à ida?
Afinal, se Gerry e Jane saíram quase em simultâneo, com apenas cinco minutos de intervalo entre si, então como foi possível que Gerry tivesse ido ao quarto ver os filhos, fosse depois ao WC - onde se demorou algum tempo -, voltasse ao restaurante e parasse ainda para falar com o amigo do ténis em apenas cinco minutos, ao ponto de Jane garantir que, quando passou por ambos, a caminho do seu apartamento, Gerry já estava de regresso? Será que Gerry, afinal, conversava com Jez quando ainda ia a caminho do seu apartamento? E, como explicar ainda o facto de que nem Gerry nem o amigo – interrogado mais tarde em Inglaterra – se recordam alguma vez de ter visto Jane, apesar de esta ter afirmado que quando passou por eles estavam todos no mesmo lado do passeio?
Toda esta contradição é relevante para o caso quando se constata que, de acordo com o testemunho de Jane Tanner – comprovado com um esquema por si elaborado sobre estes movimentos -, ela afirma que foi depois de ter passado por Gerry e Jez, quando caminhava em direcção ao seu apartamento, que viu, uns metros mais acima, na esquina, um indivíduo com uma criança ao colo. Nunca no regresso. Seria esse testemunho a base que sustenta toda a tese de rapto que ainda hoje permanece na mente de muita gente. E o suspeito seguia no sentido da vivenda de Robert Murat. Foi, portanto, o testemunho de Jane, apesar de contraditório, que passou a sustentar toda a tese do rapto que apontava para Robert Murat.
A primeira descrição desta amiga do casal apontava para um homem na casa dos 35 e 40 anos, magro, 1,70m de altura, cabelo muito escuro, espesso, curto mas longo até ao pescoço. Como só o vira de costas, não conseguiu dar detalhes do rosto. Mas, isso não a impediu de mais trade garantir que vira, de facto, Robert Murat.
Jane contou ainda que regressou ao restaurante após ter visto os seus filhos e garantiu à PJ que Gerry já não estava na rua a falar com o amigo, pois foi encontrá-lo no “Taps” na companhia da mulher, Kate. Passado cerca de 15 a 20 minutos, foi a vez do marido de Jane, Russel O’Brian, ir ver as filhas, na companhia de Matthew Oldfield. Este último terá depois passado pelo apartamento dos McCann, mas não viu se Madeleine estava ou não na cama, pois admite que apenas estava interessado em ouvir algum barulho vindo do seu interior. Russel, no entanto, terá ficado no seu quarto a cuidar da filha, pelo que Jane comeu rapidamente e foi ter com o marido ao quarto para o render. Russel regressou ao restaurante e foi nesse momento que Kate se levantou para ir verificar o sono do três filhos. Seriam as 22h00 ou 22h15, e estava Jane Tanner no seu apartamento quando ouviu Kate McCann e uma outra amiga do grupo, Fiona Payne, a gritarem que Madeleine tinha desaparecido. A partir dali, seria a confusão total que nos levou a uma situação que se arrastou durante meses e, finalmente, terminou por enquanto com o caso a ser arquivado sem que alguma vez tivesse aparecido um corpo ou um raptor.
Se alguém raptou ou ocultou o cadáver de Madeleine McCann, isso foi, até ao momento, o crime perfeito.

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20080728

Um palpite


in, "O Enigma da Praia da Luz", pág. 201, Frederico Duarte Carvalho, Guerra&Paz, Março 2008

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Fala quem não sabe, quem sabe não fala

O actual director do semanário "Expresso" assina um editorial nesta última edição onde tece considerações pouco simpáticas em relação ao ex-coordenador da PJ, Gonçalo Amaral...



"Pouco simpáticas" é uma maneira de colocar a situação, quando Henrique Monteiro, na realidade, foi autor de considerações que surpreendem pela dureza e, sobretudo, por muito daquilo que revela sobre quem as proferiu.
Contabilize-se então:

1 - Apesar de trabalhar num semanário que é propriedade de um membro da comissão permanente do grupo Bilderberg, ele ainda só sabe escrever "Bildberg"...

2 - As tais "teorias conspirativas" que Henrique Monteiro alude não existem apenas na Internet. Já foram analisadas em jornais e livros, mas são permanentemente silenciadas em publicações pertencentes a membros desses grupos como é caso do semanário dirigido por Henrique Monteiro.

3 - Gonçalo Amaral não pediu para ser "herói nacional", nem "detentor da verdade". O ex-coordenador da PJ conta no livro uma verdade sobre algo que conheceu por dentro. É um caso policial que Henrique Monteiro não pode conhecer, pois não é essa a sua profissão. A profissão de Henrique Monteiro é certificar-se de que certas verdades susceptíveis de estimular a mente de pessoas menos habituadas a elas - o vulgo leitor - não cheguem à praça pública.

4 - Quanto à "convicção" de Gonçalo Amaral, a mesma baseia-se em indícios que são do conhecimento geral e oficial do público desde que foi divulgado o relatório da PJ. Para mim, que tanto faz, os indícios mais gritantes são as indicações dadas pelos cães, os tais que nunca antes falharam e que voltaram a acertar em casos posteriores ao da Praia da Luz. É claro que há quem não queira ver isso como uma evidência que, somada a outros indícios (testemunhos contraditórios dos amigos, ausência de provas em casa de Murat, possível avistamento do pai de Madeleine a deslocar-se em direcção da praia com a filha ao colo à hora dos factos) indicavam um rumo de investigação que, frise-se, foi interrompido de forma abrupta a 2 de Outubro de 2007 - dia em que Gordon Brown telefonou a Stuart Prior, oficial de ligação entre a polícia inglesa e portuguesa, a perguntar se era mesmo verdade que Gonçalo Amaral já tinha sido afastado da investigação.

5 - Desde o afastamento de Gonçalo Amaral, pouco ou nada se fez no sentido de encontrar o corpo de Madeleine McCann, quer viva ou morta. Não há nenhuma investigação a possíveis raptores, pois o mais importante era encerrar um caso bastante pantanoso. E disso não fala Henrique Monteiro.

6 - Henrique Monteiro pede provas que sustentem a tese de Gonçalo Amaral. A Henrique Monteiro, já ninguém precisa de pedir mais provas.

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20080727

O enigma da verdade


Acabei de ler o livro de Gonçalo Amaral, "Maddie - A Verdade da Mentira". O livro, por coincidência, foi editado pela mesma editora que, em Março, publicou o meu romance de ficcção sobre o mesmo caso, a Guerra&Paz. Para dizer a verdade, dei por mim a consultar várias passagens do romance à medida que seguia as revelações do coordenador da PJ. Uma dessas referências diz respeito ao Tratado de Lisboa e às pressões políticas que levaram ao afastamento de Gonçalo Amaral. Há ainda a história de uma conversa via MSN com origem na Holanda, um suposto vídeo pedófilo com Madeleine, referências a estranhas actividades sexuais de amigos dos pais e, afinal, um homem que na noite de 3 de Maio caminhou em direcção à casa da Pirâmide... Coincidências, garanto-vos... Quanto à verdade sobre o que poderá ter acontecido a Maddie, apenas vos digo que, ainda assim, acho que o livro de ficcão diz mais...
Será que Gonçalo Amaral concorda?

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20080723

Já não é confidencial



Como prometido, podem ficar a conhecer o livro do momento, mas, já agora, visitem-me no Gazeta Nacional - onde também escrevem o João Vasco Almeida o António Martins Neves - e fiquem a saber "O que escapou a Gonçalo Amaral".

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Morrer na Praia


Logo à tarde darei mais informações sobre o livro de Gonçalo Amaral.

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20080506

A solução final do enigma da Praia da Luz

Com a demissão, hoje, do director da PJ, Alípio Ribeiro, o ministro da Justiça escolheu um homem de Coimbra com Santa Comba Dão no curriculum, Almeida Rodrigues - dito assim até parecia que estávamos de novo em 1928.
Para mim, que tanto faz, foi dado mais um passo para a solução final do enigma da Praia da Luz. Está tudo a seguir um guião escrito há um ano. A PJ, recorde-se, manietada pelos poderes políticos, nunca teve autorização para incomodar os McCann. Isso foi por demais notório aquando da demissão do inspector chefe Gonçalo Amaral, em Outubro, que veio acompanhada pelo anúncio de Gordon Brown de que aceitava assinar o Tratado de Lisboa. Foi a nossa moeda de troca: deixaríamos os McCann escapar à justiça e tínhamos a preciosa assinatura britânica na nova constituição europeia. Parece redutor e leviano dizer isto assim, com esta simplicidade, quando é suposto os governantes pensarem em valores bem mais elevados. Mas, garanto-vos, eles também são humanos com falhas. Contudo, têm algo que falta a muitos de nós: poder.
Almeida Rodrigues, o homem que liderou a detenção do "serial killer" de Santa Comba Dão, com certeza que não vai apanhar com as culpas depois do caso McCann acabar finalmente por ser arquivado.
Se os McCann mataram mesmo a filha por acidente e depois esconderam o corpo, não há justiça humana que os atinja. Está visto. As contas que eles têm de prestar é com o Deus em que acreditam e esse, se bem se lembram das aulas de catequese, tudo perdoa. Os McCann, muito provavelmente, nem sequer acreditam que a filha lhes morreu nas mãos porque agora estão a expiar a culpa através da missão divina que lhes foi entregue: a luta em prol das crianças desaparecidas.
Há dias, um amigo chamou-me a atenção para o primeiro momento em que os McCann foram publicamente confrontados com a possibilidade de estarem envolvidos directamente no destino da filha. Foi a 6 de Junho, um mês e três dias depois do desaparecimento de Madeleine, durante uma conferência de Imprensa, em Berlim. Disse-me esse amigo: "Repara na linguagem corporal dos pais à medida que a pergunta da jornalista se desenvolve: Ao princípio, a mãe, Kate, pisca os olhos de forma normal. Quando percebe o sentido da questão, esse piscar pára por uns momentos. É natural que assim seja. O pai também mexe a mão, de forma nervosa, para se coçar debaixo do casaco. Contudo, é ele, Gerry, que se preparava para responder, mas Kate antecipou-se e, sem consultar o marido ou esperar por um sinal dele, avançou para o microfone que até estava desligado. Gerry não teve tempo de iniciar a resposta e ficou mesmo de boca aberta durante aquele instante em que olhava para mulher. Nota-se que fica preocupado, mas rapidamente percebe que tem de recuperar a compostura e mantém-se hirto enquanto a mãe responde que são poucos os que pensam que eles são culpados garante que são bons pais". E conclui esse meu amigo: "A linguagem corporal indicia que não terão contado à polícia tudo o que sabem e que ainda escondem informações".



Acrescentou ainda o meu amigo: "Há boas hipóteses de ter sido esta a conferência de Imprensa que Gonçalo Amaral estava a assistir durante o tal almoço bem regado e de duas horas que, dois dias depois, foi denunciado na Imprensa britânica".

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20080417

E se ela aparecesse a 12 de Maio?

Na senda das imagens já divulgadas aqui, temos mais esta...

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20080331

Obrigado a todos


"O Enigma da Praia da Luz" já foi apresentado.
Obrigado ao Mário e à Tânia, da "Guerra & Paz", pelo trabalho feito.
Obrigado ao Francisco por o ter apresentado com mestria.
Obrigado a todos aqueles que apareceram esta tarde na Fnac do Colombo.
Obrigado a todos que não puderam estar presentes, mas sei que queriam estar...
Obrigado a todos os leitores desconhecidos deste blogue, pois sei que hoje estamos mais informados, ainda que este seja um livro de ficção...

Para todos, aqui fica o discurso que li, para registo de quem esteve e para conhecimento público de quem não foi:

"O caso do desaparecimento de Madeleine McCann foi e é, sem dúvida, dos mais mediáticos que o nosso país assistiu nos últimos anos.
Já muito se escreveu, especulou, inventou, investigou, sentenciou e até se julgou.
Estou aqui para vos apresentar uma outra visão do caso. Será só mais uma? Talvez.
Mas é, com toda a certeza, a visão de alguém que participou e assistiu de perto ao caso.
Muitos houve que fizeram o mesmo e esta é a história de apenas um deles.
No geral, e neste caso em particular, os jornalistas são frequentemente vistos como autómatos ao serviço da informação, que perseguem as notícias para apresentar na redacção e pouco mais.
Aqui, o papel do jornalista foi muito discutido e, mais uma vez, sentenciado e julgado.
Levo-vos a conhecer a pessoa que está por trás de notícias no jornal que todos nós consumimos com voracidade na esperança de resolvermos nós próprios o caso Madeleine McCann.
Apresento-vos portanto, Miguel de Andrade, jovem jornalista que passa pelo 'circo' do caso que foi e ainda é 'O Enigma da Praia da Luz'.
É a história da experiência dele que quis ficcionar aqui. Quis mostrar como foi a perspectiva do jornalista, o dramas éticos e até (sim, também ele os tem!) alguns sentimentos e moralidade.
Estou longe de querer julgar o casal McCann, até porque seria pretensioso da minha parte, sobretudo como jornalista que sou há quase duas décadas.
'O Enigma da Praia da Luz' é um livro de ficção, baseado em factos reais. Nada mais.
Sempre ouvimos falar dos reis que mandavam matar o mensageiro das más notícias, sendo que a finalidade não era eliminar a notícia em si, mas sim a de obter um pretexto para o soberano poder dizer que não a havia recebido.
Hoje, há reis, presidentes e primeiros-ministros que, apesar de terem a tentação de mandar matar o mensageiro, vivem num mundo dito mediatizado onde é impossível controlar a divulgação das notícias.
Só que há notícias que se matam com o passar do tempo, sem haver a necessidade de eliminar fisicamente quem as traz.
As notícias do desaparecimento de Madeleine McCann, previsivelmente, também morreram.
Dizem-nos, dizem-vos, que já ninguém quer saber mais sobre uma criança que ainda continua desaparecida…
A Justiça em Portugal aceitou assim cair sobre a espada e os jornalistas, último escalão desta cadeia social entre o poder e os cidadãos, são agora os culpados.
Mas, ainda assim, como dizia o poeta, antes de se tornar político, há sempre alguém que resiste".

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20080227

O meu próximo livro



Em breve...

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20071231

O caso do ano



...

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20071203

A capa...

20071202

Com os cumprimentos de Sua Majestade

O novo embaixador inglês já chegou a Lisboa. Alexander Ellis é o homem que veio substituir John Buck. De acordo com o curriculum do novo representante do Governo de Sua Majestade em Lisboa vemos que ele é casado com, presumo pelo nome, uma portuguesa de gema. Lisboa também não é uma novidade para o embaixador Alexander Ellis, uma vez que, entre 1992 e 1996, foi o terceiro e, posteriormente, segundo secretário na representação diplomática britânica em Portugal.



As relações que, eventualmente, teve com Durão Barroso, o Ministro dos Negócios Estrangeiros entre 1992 e 1995, terão sido proveitosas, já que Alexander Ellis, com apenas 40 anos (é um dos mais jovens embaixadores do Reino Unido) vem agora para Lisboa depois de ter desempenhado recentemente as funções de conselheiro do Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso...
Se já antes tivemos em John Buck um embaixador bastante activo no caso do desaparecimento de Madeleine McCann, a ponto de ter viajado para o Algarve mal foi dado o alerta, constata-se ainda que uma das primeiras acções de Alexander Ellis foi a de ir apresentar as credenciais nas instalações da Polícia Judiciária de Faro...

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20071108

Luz sobre Agostinho da Silva

Lanço mais um desafio aos meus sempre perspicazes leitores. Desta vez quero que me digam quem foi o Dr. Agostinho da Silva, que dá o nome a uma rua da localidade da Luz, em Lagos, a poucos metros do apartamento de onde desapareceu Madeleine McCann.

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