20070918

Mude o dia da sua morte

O semanário inglês "News of the World" tem um artigo sobre o produtor de televisão que esteve a conversar durante 15 minutos com Gerry McCann meia-hora antes do desaparecimento de Madeleine, Jeremy Wilkins, que tem uma produtora de televisão chamada "Zig Zag" que, segundo o artigo, "has made a string of controversial TV programmes".
Concordo com o artigo, uma vez que um dos programas produzidos por esta empresa tem um título assaz sugestivo face ao momento que vivemos: "Change the Day You Die". Também tem um programa sobre médicos, o "DIY-Surgery". Há ainda uma produção sobre crimes, como o "The Real Texas Chainsaw Massacre" e um sobre os perigos do hipnotismo, o "The Dark Side of Stage Hypnotism". Mas o mais "ternurento" de todos deve ser mesmo o "Adopt a Granny/Grandpa".

Etiquetas: , , , , ,

Um homem em quem podemos confiar

No início do caso, quando Clarence Mitchell apareceu no Algarve como porta-voz dos McCann, soube-se logo que este ex-jornalista da BBC era um homem de confiança do governo britânico...




Este era também um antigo Correspondente Real, que um dia dissera que a investigação francesa à morte da Princesa Diana "has been nothing other than professional and thorough". Para mim, que tanto faz, pareceu-me então que fora uma reacção natural da parte do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que face a um caso tão mediático envolvendo cidadãos seus, especialmente no estrangeiro e num caso tão trágico e enternecedor como é o desaparecimento de uma criança, mandou um especialista dos média para ajudar aquela família inglesa.
Na altura, registei mentalmente o facto, apenas. Quando o caso começou a mudar de rumo e tudo apontava para a suspeição dos pais, já Clarence Mitchell deixara de trabalhar directamente com o casal de modo a que não parecesse que o governo britânico estivesse a tomar uma posição clara contra o trabalho da soberana polícia portuguesa. Agora, o mesmo homem do governo reapareceu, e em força, ao lado do casal. E a proferir afirmações sérias: "To suggest that they somehow harmed Madeleine accidentally or otherwise is as ludicrous as it is nonsensical. Indeed, it would be laughable if it was not so serious".
Este envolvimento (in)directo de uma figura ligada a Gordon Brown, assim como o de outras personalidades do Reino Unido, não escapou aos olhos da polícia em Portugal, que já manifestou a sua indignação: "Doesn’t Gordon Brown have a job to do? Why is he getting involved in a police investigation? We have a job to do and need space in which to do it. This pressure from politicians is not helping the case".



(Na foto: José Sócrates a trabalhar com Gordon Brown, em Londres, no dia 9 de Julho deste ano - Foto de Ricardo Oliveira, GPM)

Etiquetas: , , , , , , , ,

20070912

Foram mesmo "eles"...


Uma das dúvidas em relação às exactas palavras que a mãe de Madeleine McCann, Kate, disse quando deu o alerta do desaparecimento da filha era saber se mencionou um plural em relação à quantidade de pessoas que teriam raptado a sua filha. A existência de um grupo levar-nos-ia a colocar a hipótese de que ela tinha conhecimento de uma ameaça real sobre a criança e que nunca o contara à polícia.
Teria Kate McCann dito "Eles levaram-na", ou isso foi um erro de tradução dos portugueses e, afinal, o que a mãe exclamara fora simplesmente "Levaram-na"?
Fui procurar descobrir de onde viera essa informação e encontrei o primeiro artigo que o "Sunday Times" dedicou ao caso, três dias depois do alerta...



E aqui já não há dúvidas quanto à primeira versão que passou em relação a essa frase...



"They've taken her" é mesmo "Eles levaram-na". A frase, resalve-se, não é uma declaração directa de uma testemunha presencial. Foi uma informação que a irmã de Gerry McCann - que não estava em Portugal - transmitiu depois aos jornalistas.

Etiquetas: , , , , , , ,

Notas soltas à procura da luz

Domingos Amaral, escritor e director da revista "Maxmen" - e igualmente uma pessoa que conhece bem os bastidores do poder uma vez que também é filho de um antigo líder partidário que já foi ex-ministro da Defesa e ministro dos Negócios Estrangeiros - escreveu uma crónica publicada hoje no "Diário Económico" onde questiona qual será o grau de amizade entre Gerry McCann e o actual primeiro-ministro de Inglaterra, Gordon Brown: Já viram o que será se se prova que a Downing Street foi colossalmente enganada por um amigo de Brown ? Já viram o que será se se prova que uma mega-campanha mundial arquitectada directa ou indirectamente pelo primeiro-ministro inglês se revela a maior fraude deste início de século? O “caso Maddie”, de história criminal fascinante, passaria a ser um gravíssimo assunto político para a Inglaterra…
O nosso primeiro-ministro foi um dos primeiros líderes europeus a visitar Gordon Brown assim que ele substituiu Tony Blair na liderança do Governo britânico - e com razão pois Portugal assumia a presidência rotativa da UE.


Foi a 9 de Julho, cerca de dois meses após o desaparecimento de Madeleine McCann e, obviamente, tiveram de falar sobre o assunto: O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, agradeceu hoje ao seu homólogo português, José Sócrates, os esforços de Portugal para localizar Madeleine McCann, a criança britânica sequestrada em Maio passado no Algarve.
As investigações na PJ em Portimão estavam então a entrar numa fase mais séria e, dois dias depois do encontro de primeiro-ministros em Londres, Robert Murat, o único arguido no caso de desaparecimento de Madeleine, esteve frente-a-frente com três ingleses amigos do casal McCann.

Etiquetas: , , , , , , ,