O meu amigo Luís Miguel Rocha tem sido atacado por alguma Imprensa portuguesa e blogs quanto ao livro "O Último Papa". Há quem diga que tudo não passa de uma boa acção de marketing e que não existem documentos. Há depois quem ache que o livro está mal escrito.
Quanto à questão dos documentos, apenas tenho a dizer que eu, por exemplo, apresentei documentos sobre Camarate e nem por isso houve notícias nos jornais!... E o segredo de Fátima que o Luís diz ser o verdadeiro, é tão bom ou até melhor do que aquele que o Vaticano quer que nós acreditemos... Por isso, quanto a questões de ver para crer, estamos de momento falados.
Quanto à qualidade literária, enfim, isso é a opinião de cada um. Eu gostei...
Agora, quando li este texto no "Público":...

... um texto onde o jornalista informa os leitores que pagaram pelo jornal que "em 1978, as questões da Igreja não eram a doutrina sobre a pílula, os gays ou o sacerdócio feminino", isso obriga-me a voltar a ser "petulante"...
Como sabem, estive em Roma a acompanhar a apresentação do livro junto da Imprensa italiana. É claro que também por lá perguntaram se isto não seria uma acção de marketing - ao que o Luís respondeu com um simples: "Estou aqui a dar a cara"... Mas ninguém em Itália se lembrou de contestar as posições do Papa João Paulo I que o Luís revela no livro.
Na noite anterior à apresentação, assistimos a um documentário sobre Albino Luciani na RAI3. Um documentário que apresentou um Papa que poucos conhecem. Em 33 dias ele mostrou que sabia comunicar e dominava as técnicas de comunicação em público. Aquilo que dizem que joão Paulo II foi mestre, Luciani foi iniciador... Vimos, por exemplo, um diálogo que o Papa manteve com uma enorme plateia de fiéis graças à ajuda de uma criança. Ouvimos ainda as palavras que condenavam a opulência. O "Papa do Sorriso" queria uma igreja transparente em termos finaceiros - e a pessoa que Luciani queria despedir era um bispo norte-americano, chamado Marcinkus, que dizia que não se podia governar o Banco do Vaticano com "Avé Marias"...
Depois vimos alguém classificar o futuro Papa de "revolucionário". Algo que já vinha desde 1968, dez anos antes da sua morte.
Foi nesse ano de 68 que Albino Luciano, o futuro Papa João Paulo I, ficou conhecido como o Bispo da Pílula!...
"'I assure you,' Luciani told the pastors, 'the bishops would be extremely happy to find a doctrine that would declare licit the use of contraceptives under certain conditions ... If there’s only one possibility in a thousand, we have to find this possibility and see if maybe with the help of the Holy Spirit we can discover something that previously escaped us.'
In a recent interview, Msgr. Mario Senigaglia, Lorenzi’s predecessor as Luciani’s secretary, recalled that his stand was well known. In fact, he said, some Italian wags referred to Luciani at the time as
'the bishop of the pill'."É isto o que o jornalista do "Público" não quer que se saiba!
E porquê?
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