20120123

Não sou anónimo nem me chamo Alcides

Fui informado, por altura do Natal, da existência de um blogue chamado "Bar do Alcides" que se apresentava da seguinte forma: "O Bar do Alcides é o ponto de encontro de todos aqueles que estão insatisfeitos com o actual 'ESTADO DA NAÇÃO PORTUGUESA' e que querem desabafar enquanto bebem um copo. O Bar do Alcides é feito e editado por portugueses não-maçons que estão exilados no Rio de Janeiro e em São Paulo no Brasil. Aqui a MAÇONARIA não é de todo BENVINDA!".
Achei interessante a iniciativa e fiquei atento, tanto mais que anunciavam, para a noite de Natal, a publicação de um livro a revelar como o primeiro-ministro Sá Carneiro fora assassinado pela maçonaria. Dias antes da data prevista, contactei os responsáveis do blogue através de uma mensagem via "Facebook", mostrando-me interessado em adquirir a obra e até em partilhar informações, já que estou a escrever um livro sobre o que aconteceu em Camarate a 4 de Dezembro de 1980. Como prova da vontade em querer partilhar informações, enviei-lhes a cópia de um artigo do jornal espanhol "La Vanguardia", datado do dia 4 de Dezembro de 1980, onde se falava da maçonaria - nomeadamente o GOL -, e como esta organização estava contra Sá Carneiro, apoiando o candidato presidencial Ramalho Eanes...



Era e ainda acredito que continua a ser um texto pouco conhecido em Portugal. Posso dizer que era um documento relativamente importante para a minha investigação e fora fruto de uma daquelas sortes jornalísticas, que se encontram com alguma paciência em arquivos da Internet, e não numa qualquer busca do "Google". Mas, da mesma forma que tinha lá chegado, também um qualquer indivíduo mais interessado no assunto poderia lá chegar. Na resposta, os autores do "Bar do Alcides" não fizeram qualquer comentário ao artigo que lhes enviei e disseram-me apenas para esperar pela publicação para a data e hora marcada. E esperei. Vi depois no longo texto que publicaram, que o único dado inédito face ao que já conhecia fora precisamente a junção daquele artigo do "La Vanguardia".
Agora, devido à polémica em torno das declarações sobre a pensão de Cavaco Silva, os responsáveis do blogue surgiram num grupo de discussão do "Facebook" para o qual fui adicionado sem ter pedido - mas, pronto, vá lá. Ao ler os comentários, desabafei que, para mim, Cavaco Silva ainda tinha ainda de responder sobre o conteúdo da última reunião que teve com Sá Carneiro e Amaro da Costa, no dia 4 de Dezembro de 1980, onde estiveram a falar sobre o orçamento das Forças Armadas. E perguntava: Sabendo ainda que Cavaco Silva tinha a incumbência de investigar o Fundo de Despesa de Ultramar, a pedido de Sá Carneiro, por que motivo essa investigação nunca avançou? Face a esta questão, qual foi a conclusão dos responsáveis do "Bar do Alcides"? Escreveram isto: "Aníbal Cavaco Silva ENVOLVIDO no assassinato do Dr. Francisco Sá Carneiro". Ora, a meu ver, este é um título exagerado ao qual não posso estar associado, pois parece que Cavaco Silva participou, conscientemente, na morte do fundador do PSD. A minha observação, que não é nada inocente - reconheço -, ainda assim foi feita de cara descoberta e é fruto de muito trabalho jornalístico, pois há mais informações que precisam de ser investigadas. Por isso é que, a 7 de Dezembro de 2010, assinei um texto no semanário "O Diabo" a chamar precisamente a atenção para o facto de que Cavaco Silva teria de depor sobre Camarate...



Mais grave ainda, é que o referido texto do "Bar do Alcides" apresenta a reprodução de um texto de minha autoria e publicado em Novembro de 2006 na revista "Focus", aquando da entrevista que fiz a José Esteves, o suposto autor da bomba de Camarate...



Quero aqui dizer aos leitores do "Para Mim Tanto Faz" que não sou o autor do "Bar do Alcides", não conheço pessoalmente nenhum dos envolvidos nem tenho qualquer controlo naquilo que eles escrevem. Muitos dos problemas em Portugal não são os segredos ou as sociedades dos aventais e espadas. São, isso sim, factos que todos nós sabemos, mas, passados uns tempos, ficam esquecidos por jornalistas sem memória ou sem capacidade de fazerem perguntas em Liberdade. Como ainda vou tendo alguma memória e mantenho a custo a Liberdade de fazer perguntas, escrevo os meus textos sem medo de mostrar a cara.
Chamo-me Frederico Duarte Carvalho e sou jornalista.

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20101109

Fim de regime - sinais

A última página do semanário "O Diabo" desta semana é bem indicativa do clima de fim de regime que se vive. E, totalmente de acordo, desta vez, com a opinião do Fra Diavolo...

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20100615

Bilderberg no "O Diabo"

O semanário "O Diabo" publica hoje uma crónica de minha autoria sobre o mais recente encontro do Clube Bilderberg. Vale a pena comprar a edição em papel e guardar. Entretanto, fica aqui a versão integral do texto:

Ao encontro de Bilderberg

Frederico Duarte Carvalho
em Sitges, Barcelona

Os “senhores do mundo” reuniram-se no início deste mês em Sitges, perto de Barcelona. Este é o relato de quem lá foi e ficou à porta

Agora já posso dizer que estive num encontro do Clube de Bilderberg. Pelo menos, até onde me deixaram ir: até junto do apertado cordão de segurança policial. Ao fim de quase 10 anos a escrever sobre este clube restrito, onde apenas os políticos convidados têm assento junto dos grandes empresários multinacionais, tive finalmente a oportunidade de me aproximar: o encontro deste ano teve lugar em Sitges, perto de Barcelona, aqui mesmo ao lado.
Em 1999 a reunião foi em Sintra, mas confesso que, nessa altura, ainda não estava suficientemente familiarizado com a importância destes encontros. Para mim, não havia mal nenhum no facto de um grupo de políticos se reunir com alguns empresários. Afinal, é esse o trabalho de cada um. Na era moderna chama-se a isso “lobby” ou “grupos de pressão” e são perfeitamente legais e regulamentados.
Contudo, comecei a suspeitar de que talvez houvesse alguma razão nos protestos daqueles que desconfiavam desses encontros. E por uma única razão: eram à porta fechada, sem o devido escrutínio posterior na Comunicação Social e também sem direito a uma conferência de Imprensa no final. Aí comecei a torcer o nariz, pois pareceu-me – como jornalista que sou – que havia nesta atitude algo que não estava de acordo com o que é transparente.
“A privacidade destes encontros não tem outra intenção senão a possibilidade dos seus intervenientes poderem falar abertamente e com franqueza”, explica-se num recente endereço electrónico “oficial” da organização criada em 1954 no hotel Bilderberg, na Holanda - http://bilderbergmeetings.org. Por esta ordem de ideias, confirma-se que quer políticos, quer empresários, não são francos nem honestos quando falam em público. E como também afirmam que não há lugar a um comunicado de Imprensa ou declarações à saída que os vinculem a decisões, nem sequer vale a pena aos jornalistas lá aparecerem a bater à porta. Também se diz que, como há patrões da Imprensa presentes nestes encontros, não faz sentido pensarmos que os membros do Clube Bilderberg estejam a preparar uma conspiração terrível contra a humanidade – uma das teorias defende, por exemplo, que os membros do Clube trabalham no sentido de criarem condições a uma redução drástica da população mundial, pois os recursos naturais estão a chegar ao fim. Entre os donos de órgãos de Comunicação Social mais próximos de nós que estão sempre presentes nestes encontros, destacam-se o ex-primeiro-ministro português Pinto Balsemão, dono da SIC...



... e o seu compadre espanhol Juan Luis Cébrian, actualmente dono da TVI. Mas, a nível internacional, também há quem represente o diário norte-americano “Washington Post” e a influente revista de economia internacional “The Economist”. Estranhamente, algo me diz que, ainda assim, deveria estar realmente preocupado com o conteúdo das conversas e das amizades forjadas em Bilderberg. Acho até que teria bem mais interesse conhecer as suas conversas do que as escutas entre Armando Vara e José Sócrates.
Quem não tenha participado activamente nos encontros não pode dizer com a certeza absoluta o que se passou lá dentro, pois os intervenientes estão proibidos de falar publicamente sobre os assuntos em debate. É uma regra do clube. Não é que as reuniões ou os encontros sejam “secretos”, pois por definição só é secreto aquilo que não se sabe que existe. E Bilderberg, sabe-se, existe mesmo. Há, inclusive, jornalistas que escrevem livros e alimentam blogues com informações que, alegadamente, saem de lá de dentro.
Um desses jornalistas é um conhecido meu. Jantei com ele uma vez no Porto e chama-se Daniel Estulin, filho de um agente secreto russo, cidadão canadiano a viver há anos em Espanha. É autor de vários livros – dois editados entre nós – e publicou recentemente uma ficção, “Conspiração Polvo”: “Diz-se que os membros do Clube Bilderberg querem criar uma Nova Ordem Mundial. Não é verdade. O que eles pretendem é a criação de um Governo Mundial Único”, afirma Estulin. E ele costuma estar certo em muitas coisas. Foi ele que me disse que o petróleo iria subir para os 150 dólares o barril numa altura em que andava perto dos 40 dólares. Quando a crise rebentou, ouvi um director de um reputado jornal de economia nacional que até poderia chegar aos 200 dólares. Mas, garante Estulin, são tudo medidas “fictícias”. Destinadas a manter-nos na crise, enquanto os membros do grupo Bilderberg ganham cada vez mais poder. E Estulin também lá estava, como eu, a assistir ao encontro, numa rotunda, à torreira do sol, atrás do cordão policial montado na via de acesso ao hotel Dolce, onde durante quatro dias – entre 3 e 6 de Junho – se reuniram os cerca de 120 membros do clube.
Juntaram-se ainda uma série de jornalistas e activistas anti-globalização, que iam desde o Reino Unido, Espanha, Suíça, Alemanha, Rússia, EUA e Roménia. Em comum, um propósito: confirmar quem iria participar na reunião e fotografá-los à entrada ou à saída, no interior dos carros de alta cilindrada em que se faziam transportar – alguns identificados com uma misteriosa letra “K”, talvez em honra de um dos mais altos impulsionadores destes encontros, o ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger.
Paulo Rangel, o eurodeputado do PSD e ex-candidato a líder dos sociais-democratas, também esteve lá, fechado no hotel, sem poder vir beber um copo num bar local – isto por razões de segurança. Só não se percebe se por haver a ameaça real de alguém querer fazer-lhe mal ou se para evitar que ele fizesse mal a alguém. A única confissão que Rangel acabaria por fazer (ao diário “i”) sobre o encontro foi a de que ficou positivamente “impressionado” por ter almoçado ao lado de Kissinger, pessoa que agora considera “brilhante”.
Não sabemos, entretanto, se Rangel teve a oportunidade de perguntar a Kissinger o que realmente veio ele fazer a Portugal a 2 de Outubro de 1980. Conforme contou na sua autobiografia o coronel Hugo Rocha – ex-chefe de Gabinete do então ministro da Defesa, Amaro da Costa –, o norte-americano teria vindo falar secretamente com o nosso governante sobre a venda de armas de Portugal ao Irão. Dois meses depois acontecia Camarate, e ainda hoje subsistem suspeitas de que, a ter havido atentado, um dos prováveis motivos seria precisamente a investigação de Amaro da Costa ao tráfico de armas para o Irão.
Teria sido, assim, uma boa oportunidade para Rangel conhecer a opinião de Kissinger sobre o assunto. Tanto mais que em Camarate, caso Rangel não se recorde – é jovem – também morreu Sá Carneiro, então primeiro-ministro e líder do PSD, cargo ao qual Rangel se candidatou recentemente, tendo perdido para Pedro Passos Coelho.
Sitges, a 35 quilómetros de Barcelona é uma simpática cidade costeira. De raízes piscatórias, é hoje mais conhecida como capital do turismo “gay” em Espanha. Foi ali que, alegadamente, se debateu o futuro do Euro. Irá a moeda única sobreviver à crise grega ou iremos todos ser arrastados no caminho? E Portugal no meio disto? O nosso ministro das Finanças esteve lá. Teixeira dos Santos até faltou ao debate quinzenal na Assembleia da República e fechou-se no hotel Dolce. Mas a fazer o quê? Ele não nos pode dizer, pois são as regras do clube – isto apesar de ser funcionário público e a Constituição portuguesa defender que temos direito a ser informados sobre a gestão do Governo. Ficou para a história do encontro o momento em que o ministro de Estado e das Finanças de Portugal saiu do encontro com cara de poucos amigos ao ver que estava a ser fotografado. Ficou também a ideia de que, afinal, não será lá muito bom para a Democracia, especialmente numa altura de crise financeira, vermos um ministro das Finanças participar em encontros com empresários privados, à porta fechada, durante três dias, e sem direito a declarações à Imprensa. Irá algum país sair momentaneamente do Euro até resolver a sua dívida? Irá haver uma invasão do Irão? São alguns dos temas, supostamente, discutidos entre aquelas quatro paredes.
Especulou-se durante o encontro, na rotunda à torreira do sol, que Durão Barroso também estaria presente no encontro de Sitges. Mas, até ao momento, não há imagens que o confirmem, nem a lista “oficial” alude à sua presença. Sabemos, isso sim, que Barroso esteve na reunião de 2003, em Versalhes – Ferro Rodrigues declarou no DIAP que esteve nesse encontro e falou aí com Barroso sobre o processo Casa Pia. No ano seguinte, em 2004, Portugal sentiu de forma bem visível aquilo que, até então, apenas se especulava sobre o real poder do Grupo Bilderberg: a capacidade dos convidados políticos serem literalmente “catapultados” para altos cargos públicos após a participação nestas reuniões fechadas à Imprensa e onde se pode falar “abertamente e com franqueza”.
registos fotográficos e testemunhos oficiais que os dois políticos portugueses convidados para o encontro de 2004, em Stresa, Itália, foram o então presidente da Câmara de Lisboa, Pedro Santana Lopes, e o ex-ministro do Ambiente e então deputado socialista, o actual primeiro-ministro José Sócrates. O encontro teve igualmente lugar nos primeiros dias de Junho, numa altura em que, publicamente, ainda não se sabia quem poderia vir a suceder ao italiano Romano Prodi na presidência da Comissão Europeia. O nosso primeiro-ministro Durão Barroso apoiava publicamente a candidatura do comissário europeu português, o socialista António Vitorino. E conta Santana Lopes no livro “Percepções e Realidade” (pág. 41): “Lembro-me que, por essa altura, participei nos encontros de Bilderberg onde estava António Vitorino. Sabendo que eu pertencia à direcção do Partido no Governo português, as pessoas sondavam-me sobre a hipótese de Vitorino ir para a Comissão. Tive então ocasião de transmitir o apoio de Durão Barroso e do Governo português a essa candidatura, mas parecia claro que o presidente da nova Comissão Europeia tinha de ser do PPE, Partido Popular Europeu (centro-direita). Assim aconteceu”. Barroso foi o “escolhido”. Ora, soube-se no Natal passado, Durão Barroso almoçou em Lisboa, uma semana antes da reunião de Bilderberg, com o presidente do PPE, o ex-primeiro-ministro belga Wilfred Marteens. Foi no dia seguinte ao XXV congresso do PSD – em Oliveira de Azeméis -, onde Barroso garantira no discurso final que apoiava a candidatura de Vitorino. Mas, conforme escreveu o belga nas suas memórias, Barroso disse-lhe que, se não fosse possível a solução Vitorino, ele próprio estaria disponível a aceitar o cargo – apesar de estar a meio do mandato como primeiro-ministro de Portugal. Contudo, pedia segredo. Ora, se Santana Lopes não sabia disto quando esteve em Bilderberg – e ninguém falou com ele “abertamente e com franqueza” sobre essa possibilidade -, isso significava que Santana era carta fora do baralho. Calhou depois a fava do Governo a José Sócrates – que, primeiro, teve de esperar pela demissão de Ferro Rodrigues e consequente eleição a secretário-geral do PS para, finalmente, poder chegar a primeiro-ministro com maioria absoluta. Quanto a Vitorino, logo se verá, pois não há lugar para todos. No entanto, também não me parece que ele hoje esteja mal na vida.
As reuniões do Clube Bilderberg têm assim o condão de, ò coisa bonita!, aproximar pessoas de países e culturas tão díspares num propósito comum: a procura do bem para todos nós. Pelo menos assim o esperamos. Ficámos preocupados apenas quando vemos o actual presidente do clube, o belga Étienne Davignon, a afirmar: "Quando as pessoas dizem que isto é um governo mundial secreto, respondo que se fossemos o governo mundial secreto deveríamos estar cheios de vergonha de nós próprios". Ou seja, eles afinal não mandam mesmo em nada e, ainda assim, são uma vergonha, pois o mundo está a assistir à desintegração do sistema financeiro mundial ao mesmo tempo que quem poderia fazer a mudança – os políticos eleitos democraticamente - preferem reunir-se à porta fechada com quem vive à custa da crise do que ir ao Parlamento nacional debater as soluções. Mas, agora, o que interessa isso quando temos a Vuvuzela para podermos ir puxar pela Selecção?

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20100331

Algumas perguntas ao "O Diabo"

Na última página do semanário "O Diabo" desta semana foi publicada esta crónica assinado por um tal "Fra Diavolo"...



Sendo este semanário uma publicação dita "independente" e com um historial democrático único na história da Imprensa nacional - que outro jornal agarrou de forma tão séria a questão de "Camarate" e contribuiu decisivamente para que o caso não caísse no esquecimento? - queria, à luz desse passado, deixar aqui algumas questões:

1 - Quando se diz que o Clube Bilderberg "não é secreto" - e, neste caso, tem toda a razão, pois o que é secreto é o que não se sabe que existe. Seria o mesmo que dizer que o SIS são os serviços secretos de Portugal quando toda a gente sabe que o SIS existe, logo, não pode ser um serviço secreto -, acrescenta que "as suas reuniões e a sua agenda são divulgados com abundância na Comunicação Social". A minha pergunta é: qual foi a Comunicação Social que "divulgou" com "abundância" as últimas reuniões? Consegue quantificar quantos órgãos noticiaram a agenda das últimas reuniões? Já agora, algum deles calhou ser, por exemplo, um canal de televisão? Pública ou privada?

2 - "E relatos pormenorizados do que lá se passa são anualmente publicados por jornalistas convidados para assistir"? Ah, sim? Mostre-me um artigo publicado por um jornalista que lá tenha estado a assistir. Basta um.

3 - "O Clube nada decide politicamente". Como sabe? Já esteve em alguma reunião? Então o que vão lá fazer os políticos? Turismo?

4 - "É, isso sim, um poderoso 'lobby' onde banqueiros e financeiros vão comunicar o que lhe convinha para o próximo ano, envolvendo à mistura uma dúzia de políticos e barões da Imprensa, para ouçam o que é preciso ouvirem". Então, acha democrático que políticos eleitos para cargos públicos aceitem convites de grande agentes financeiros para "ouvirem" o que estes têm para dizer em reuniões fechadas e longe de qualquer escrutínio público? Se sim, então libertem já Manuel Godinho, pois esse só ofereceu robalos e canetas de luxo. Não ofereceu empregos a políticos nem garantiu a "Boa Imprensa" necessária para os eleger.

5 - "Quanto a Rangel, já se viu o enorme 'poder oculto' de Bilderberg. Passos, o vencedor, é que nunca lá pôs os pés". Luís Filipe Meneses também já foi líder do PSD sem nunca ter ido a Bilderberg, mas não chegou a primeiro-ministro. Rangel ainda não foi à reunião deste ano. Quando for, logo veremos o que vai acontecer no país. Entretanto, tenho quase a certeza que a próxima reunião e a agenda da mesma vai ser "abundantemente" divulgada no semanário "O Diabo".

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