20050227

Corruptos no governo

No "site" do Portugal Diário li isto sobre a reforma de 18 mil euros do antigo comissário europeu da Justiça, António Vitorino, cujo nome é dado como certo num próximo governo de José Sócrates (sim, eu sei que o mais correcto seria colocar estes dois nomes em lugares contrários, mas foi o que que se conseguiu arranjar em tão pouco tempo...):

"O PortugalDiário sabe que esta reforma, apesar de vitalícia, vai sendo deduzida quando o ex-comissário em causa voltar a uma actividade a full-time e, claro, remunerada. Ou seja, os 18 mil euros a que Vitorino tinha direito durante três anos, mais uma pensão vitalícia - e que nessa caso seria só uma parte do vencimento total - pode ficar reduzida a uns míseros 720 euros. Até lá, e durante os três anos, o ex-comissário tem de fazer contas e deduzir o salário de ministro à pensão europeia.
Vitorino, que parece reticente em aceitar o convite pode, contudo, optar pelo descanso sem nunca perder os 18 mil euros a que tem direito ao final do mês. Afinal, para quê ter aborrecimentos, se nem sequer precisa de trabalhar para se sustentar?"

E, então concluiu-se com isto:

"Por outro lado, tê-lo no Governo é, de certa forma, uma garantia para os portugueses: é mais difícil corromper uma pessoa que não precisa do dinheiro para nada."

Vamos lá ver se entendi esta última afirmação:
Vitorino ganha 18 mil euros, mas não vai para o governo...
Se Vitorino for para o governo, perde os 18 mil euros...
Logo, se Vitorino for para o governo vai precisar de dinheiro...
Daí que, como "é mais difícil corromper uma pessoa que não precisa de dinheiro para nada", Vitorino, que vai precisar de dinheiro, será mais facilmente corrompido...
Aliás, mesmo que Vitorino ganhasse 18 mil euros, ele seria sempre mais facilmente corrompível do que eu - que não ganho nem metade da metade daquilo que ele ganha -, visto que ele ocupará um posto mais elevado para quem quer corromper e tem mais facilidades do que eu em apagar depois o rastro do dinheiro sujo.
E recorde-se ainda que como cada homem tem o seu preço, aqueles que, como eu, têm pouco dinheiro, só se vendem por quantias muito superiores à daqueles que ganham muito mais do que eu ou vocês...
Sendo assim, eu é que deveria ir para o governo, uma vez que iria ganhar mais dinheiro do que aquele que ganho presentemente. Mas, só se viesse a ser corrompido é que poderia comprar casas, montes, carros e outros bens.
Como os portugueses saberiam que eu era pobre antes de ir para o governo e que ninguém fica rico com o honesto salário de ministro, logo, se eu enriquecesse, sabia-se imediatamente que fora corrompido... dah!

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