20040730

Teresa na RTP

Reparei que a RTP preparou uma "Grande Reportagem" sobre a luso-americana Teresa Heinz, mulher do candidato democrata à Casa Branca, John Kerry. Eis alguns factos que muito provavelmente não deverão constar dessa reportagem:

O anterior marido de Teresa Heinz, o multimilionário e senador republicano John Heinz, faleceu num acidente de aviação a 4 de Abril de 1991. Foi pouco depois de ter terminado a acção militar no Golfo Pérsico, quando George Bush, pai do actual presidente, liderava a coligação mundial contra o ditador iraquiano Saddam Hussein.
A morte de John Heinz não teria passado de mais um infortúnio ditado pelo destino, onde tantos outros nomes de políticos desaparecem em acidentes aéreos, contudo, no dia seguinte, também num acidente aéreo, morreu um outro senador republicano, John Tower. De uma penada ficavam de fora de cena dois nomes que poderiam revelar-se incómodos para o presidente George Bush, visto que os senadores republicanos teriam estado presentes numa viagem secreta a Paris, em Outubro de 1980, para participarem nas negociações entre Bush e emissários iranianos para garantir a não libertação de 52 reféns norte-americanos que estavam presos há quase um ano em Teerão, e assim conseguirem que o então presidente democrata, Jimmy Carter, não viesse a ser reeleito.
Desconhece-se até que ponto a relação da mulher de John Heinz permitia-lhe conhecer o real envolvimento do marido nos negócios secretos do candidatura republicana de 1980. Mas recorde-se os factos: naquele ano, os candidatos do Partido Republicano eram o actor Ronald Reagan e o milionário texano George Bush, que tentavam realizar uma tarefa até então inédita nas eleições presidenciais norte-americanas, que passava por derrotar um presidente em exercício, Jimmy Carter.
O desafio dos republicanos parecia facilitado por uma série de desaires internacionais de Jimmy Carter, nomeadamente a invasão do Afeganistão pelos soviéticos e ainda pela detenção de 52 norte-anericanos da embaixada dos EUA na capital do Irão, em Novembro de 1979.
O presidente democrata, que foi Nobel da Paz em 2002, nunca conseguiu negociar com sucesso o regresso dos rapazes a casa, dando um ar frágil ao mítico poder da América a nível internacional. Uma tentativa de uma acção militar para libertar os reféns correu mal em Abril de 1980.
Do outro lado da barricada, Ronald Reagan e, em especial, George Bush, estavam bem acompanhados. O chefe de campanha dos republicanos era William Casey, antigo membro da OSS, os serviços secretos norte-americanos da Segunda Guerra mundial e que, depois das eleições, viria a ser chefe da CIA. Aliás, o próprio Bush tinha sido director da CIA em 1976, quando fora nomeado por Gerald Ford.
Feitas as contas, os membros da campanha republicana rapidamente concluíram que Jimmy Carter conseguiria ser reeleito caso conseguisse a libertação dos reféns norte-americanos antes das eleições. Essa seria a sua “October Surprise”, um termo político norte-americano que define uma acção espectacular em termos eleitorais durante o mês de Outubro, véspera das eleições presidenciais, que ocorrem sempre na primeira terça-feira de Novembro.
O nome do falecido marido de Teresa Heinz surge nesta altura. Rodney Stich, antigo piloto e investigador de acidentes aéreos da FAA – Federal Aviation Administration – autor do livro “Defrauding America”, defende aí a existência de um plano secreto para uma negociação entre os republicanos e os iranianos no sentido de garantir a não libertação dos reféns antes das eleições, “roubando” assim as eleições a Jimmy Carter. E John Heinz terá sido um desses negociadores.
Rodney Stich entrevistou para o seu livro o piloto Gunther Russbacher, que alega ter sido ele que levou avião até Paris, em Outubro de 1980, com vários membros do partido republicano ao encontro com os emissários iranianos. Um mês antes deste encontro, o Iraque de Saddam Hussein havia iniciado a guerra contra o Irão, que agora necessitava cada vez mais de armas e dinheiro para combater esta acção dos seus vizinhos. Entre os negociadores, segundo o testemunho de Russbacher registado no livro de Rodney Stich, estavam o próprio candidato à vice-presidência, George Bush e ainda os senadores republicanos John Heinz e John Tower. Os tais que viriam a falecer em acidentes de aviação, quase em simultâneo, 11 anos mais tarde, quando George Bush iria começar a sua campanha política pela reeleição nas eleições de 1992, que foram então ganhas pelo democrata Bill Clinton.
John F. Kerry também não está de todo “desatento” a esta história secreta de uma América desconhecida do grande público e até mesmo afastada dos guiões dos filmes de Hollywood (e de certeza que não é por falta de ingredientes). O actual marido de Teresa Heinz foi um dos congressistas que investigou os negócios secretos da administração Reagan-Bush que ficou internacionalmente conhecido como “Irangate”. John F. Kerry teve a tarefa de descobrir se a CIA, para além do negócios secretos de armas por reféns levados a cabo durante a década de 80 pelo Tenente-coronel Oliver North, também esteve envolvida com os contrabandistas de droga sul-americanos.
Teresa Heinz tem assim todas as possibilidades de chegar a ser primeira-dama dos EUA, pois basta que o seu marido consiga repetir a proeza de Bill Clinton e ganhar as eleições contra um presidente ainda em exercício.
Dentro da história da América secreta, contudo, esta troca de nomes na Casa Brnaca não passaria disso mesmo: uma troca de nomes, independentemente do partido a que pertencem, pois John F. Kerry, tal como John Heinz, são produtos da mesma universidade de George W. Bush. A selecta universidade de Yale, berço de uma secreta fraternidade conhecida como “Skull&Bones”.

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