20100219

Homens que são cabras

Há pequeníssimas coisas, aparentemente sem importância alguma, mas que me aborrecem. Uma delas são as traduções dos títulos dos filmes que, por vezes, quando não seguem a linha original, inventam um título completamente novo. Há exemplos de títulos em português que se tornaram em casos clássicos de melhor título que o original como, por exemplo, "Música no Coração", bem melhor do que seria "O Som da Música". Contudo, há títulos tão básicos e facilmente traduzíveis de inglês para português, que nem sequer valem a pena perder tempo a olhar para eles e pensar. Basta traduzir e pronto. Esse é o caso do título do filme "The Men Who Stare at Goats", ou seja, "Os Homens que Olham Fixamente para Cabras"...



Mas não. Os senhores que olham para títulos de filmes acharam que o público português não iria ter a inteligência suficiente para perceber que tipo de filme seria esse - apesar de ter um elenco de peso que valeria qualquer título, como George Clooney, Jeff Bridges, Ewan McGregor, Kevin Spacey e a cabra.
Vai daí, ao contrário, por exemplo, da tradução espanhola...



Os "inteligentes" resolveram explicar por que raio de razão é que os tais homens olhavam para as cabras!...



Chateia-me que haja passoas neste país que são pagas para pensar que os portugueses são pessoas ignorantes, estúpidas e sem capacidade de raciocínio.

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20070411

Monte Olimpo

A sentença do Supremo Tribunal de Justiça que condena o diário "Público" no pagamento de uma indemnização de 75 mil euros ao Sporting por ter publicado, em Fevereiro de 2001, uma notícia verdadeira sobre as dívidas fiscais do clube e que causaram prejuízos à imagem da instituição está, na minha modesta opinião, correctíssima.
Apesar de haver alguns jornalistas que não conseguem entender, a razão é simples: os jornalistas não podem ser desresponsabilizados do seu papel social, mesmo quando publicam notícias verdadeiras!
Concordo que qualquer pedófilo, assassino, violador de velhinhas possa um dia processar os jornais que noticiaram a sua detenção e identidade. Se a lei não atira criminosos para uma prisão perpétua nem os condena à morte (o que acho bem), a mesma lei defende o seu direito à reintegração em sociedade. Os jornalistas, sentados no seu Monte Olimpo, julgam-se senhores da verdade, mas também têm de perceber que essa verdade prejudica aqueles que prevaricaram e que, ainda assim, têm o direito a proseguir com a sua vida uma vez paga a sentença à sociedade. Um direito que a Comunicação Social, com a sua verdade de cariz financeiro, restringe.
Se o "Público" achou por bem publicar aquela verdade sobre o Sporting e nesse dia ganhou dinheiro com o negócio das notícias (sim, vejam que os gratuitos, por exemplo, não publicam notícias que abrem jornais nem incomodam), então não podem censurar a Justiça quando esta os condena no preceito da lei.
A única resposta deveria ser dada com jornalismo, em vez de se armarem em vítimas e desatarem a gritar "censura!".
Se houvesse jornalismo a sério em Portugal em vez das investigações por "encomenda" ou encobrimentos convenientes, o Sporting iria ser investigado na sua acusação. Afinal, quantos sócios abandonaram o clube após a data da publicação da notícia? E quantos novos sócios entraram logo a seguir? E quantos campeonatos conquistou pouco depois da publicação da notícia? As respostas é que deveriam marcar o valor da indemnização...
E, por outro lado, os jornais também deviam avançar com processos judiciais. Por exemplo, contra um primeiro-ministro que oculta dados sobre a sua licenciatura ou um outro que usou o nome de Portugal numa declaração de guerra baseada em mentiras...
E isso sim, é que seria inteligente.

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