Blogue do jornalista Frederico Duarte Carvalho, com coisas que tanto faz que se saibam porque em nada servem para o que sabemos. e-mail: paramimtantofaz@gmail.com
20120518
Camarate - O que sabiam os jornalistas
Durante o ano de 1995, Camarate estava na ordem do dia, pois passavam-se 15 anos desde os acontecimentos e o processo corria o risco de prescrever do ponto de vista criminal. Na Assembleia da República, a V Comissão recebia os resultados dos teste laboratoriais feitos em Londres a uma peça do avião e concluía pela existência de indícios de material explosivo. Na SIC, Miguel Sousa Tavares tinha dúvidas sobre o atentado e perguntava a Augusto Cid, um dos principais defensores da tese de atentado e membro da Comissão, se não tinha também procurado indícios que levassem a concluir pela tese do acidente. O cartoonista explicou e rebateu pacientemente todas as dúvidas do jornalista...
Entretanto, a TVI foi televisão que mais se destacou na investigação jornalística. Entre os profissionais daquela estação estava Miguel Ganhão Pereira, que então analisou a primeira confissão feita por Fernando Farinha Simões, onde este já falava no nome do major Canto e Castro. Miguel Ganhão Pereira iria ficar tristemente célebre quando se suicidou, cinco anos mais tarde, no dia em que se cumpriam 20 anos exactos desde a tragédia de Camarate. Como jornalista da TVI foi um dos que deu a cara na divulgação da informação de que, o possível móbil de um atentado em Camarate, seria o tráfico de armas durante a guerra Irão-Iraque, facto que Freitas do Amaral defendeu recentemente...
O "DN" descobriu a pólvora: "Senhorio de Nobre esteve preso por tráfico de armas". O diário chegou a esta conclusão porque terá feito uma busca na Internet e depois consulou o seu próprio arquivo, onde encontrou a primeira notícia do caso, publicada em Janeiro de 85. Não consta do texto agora publicado uma única declaração actual do visado, Moisés Broder. Nem consta a informação de que tenha sido contactado para a prestar, o que nos deixa algo preocupados sobre a qualidade do jornalismo ali praticado. Se o "DN" desejar saber mais sobre o tráfico de armas de Portugal para o Irão, poderá continuar a consultar nos seus arquivos o final de 86 e início de 87. Fala-se aí muito sobre o papel de Cavaco Silva e de George Bush (pai) nesses mesmos negócios... Seria bom ver algum jornalismo em vez de andarem a navegar ao sabor da corrente...
Os iranianos fizeram um filme que satiriza a guerra Irão-Iraque e que é o maior sucesso de bilheteiras do momento. "Ekhrajiha" também é tido como um filme "imoral" e está a causar polémica...