20090217

O cão bilionário

Foi em Novembro passado que chamei a atenção para um filme que poucos tinham ainda ouvido falar: "Slumdog Millionaire".
A película, entretanto, já chegou às nossas salas e o livro, publicado pela ASA em 2006, foi agora reeditado com uma nova capa que, obviamente, é alusiva ao filme...



Como já vi o filme e li o livro, posso dizer que são ambos completamente diferentes. Ou seja, se vir o filme primeiro não o reverá depois no livro. E se ler primeiro o livro, não o reconhecerá no filme.
Sem querer estragar a surpresa da intriga, diga-se que o autor do livro, o diplomata indiano Vikas Swarup, pensou numa história que tanto se podia passar na Índia como noutro qualquer país onde fosse emitido o programa de televisão "Quem Quer Ser Milionário".
O segredo - e factor que me atraiu imediatamente ainda antes sequer de ver o filme ou ler a obra - está no conceito da esquematização da intriga, onde cada capítulo do livro corresponde a uma das perguntas do programa e o concorrente, pessoa de fraca cultura geral, só conseguirá progredir até ao prémio máximo se recordar episódios trágico/cómicos que contam a sua vida miserável. Este conceito abre hipóteses para várias histórias de vida, apenas dependendo das perguntas que quisermos fazer. Por isso, algumas perguntas são diferentes do livro para o filme. E não existe uma personagem feminina Latika no livro, mas há uma outra situação amorosa. E o final é diferente. Muito diferente... Daí que seja imperativo ler o livro e ver o filme, pois ambos merecem ser conhecidos. E muito.
O original do livro é indiano, logo a vivência do personagem é mais trágica e pobre do que, por exemplo, se fosse um pobre adolescente que vivesse num dos ditos países mais industrializados do mundo no seio do G7. Mas, se o conceito pudesse ser seguido noutras paragens geográficas, poderíamos, por exemplo, criar uma cena onde um jovem desempregado alemão responderia a uma pergunta sobre física quântica porque, durante os meses em que vivera com vagabundos, aprendera alguns conceitos básicos com um engenheiro russo que procurava emprego na Alemanha... Não seria muito diferente se quisessemos transportar o cenário para a Europa, América ou África. Bastaria apenas seguir o conceito, inventando mil e uma histórias de vidas que se cruzam, onde nos momentos mais graves sabemos que podemos aprender algo que nos vai ser útil no futuro. É um conceito universal...
É por isso que eu acho que o filme vai mesmo ganhar alguns dos prémios máximos no próximo dia 22. E que o livro deve ser lido.
Uma última explicação sobre a origem do título do filme em português. Quando Vikas Swarup escreveu o livro, que no original em inglês é "Q&A" - abreviatura para a expressão "Question and Answer" - chamou "Quem Quer Ser Bilionário" ao programa de televisão. Foi uma opção devido ao facto de não ter os direitos de autor do programa original, que usa a designação "milionário". A tradução em português pegou depois no nome desse programa para título. Mais tarde, quando se negociou a adaptação para filme com realização de Danny Boyle, foi o próprio produtor do programa original que decidiu entrar na aventura e é por isso que no filme o programa já tem o nome "Quem Quer Ser Milionário" e não "Bilionário". O título do filme foi "Slumdog Millionaire" - "Milionário das Barracas", isto numa tradução mais livre da minha parte - contudo, como é prática corrente em Portugal sempre que há um filme que origina de um livro anteriormente editado no nosso país, optou-se pelo título da obra literária.

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3 Comentários:

Blogger Flávio Gonçalves disse...

Por falar em adaptações, aconselho-te a ler o livro de banda-desenhada "Wanted" (publicado pela BdMania em Portugal) e depois o filme do mesmo nome e inspirado no livro... o livro trata duma sociedade secreta de criminosos que governa o mundo (familiar?) nas sombras, o livro de uma sociedade secreta... mas de benfeitores (e tem a Angelina Jolie e tal).

Aqui fica a dica.

18 fevereiro, 2009  
Anonymous Rita Duarte disse...

Mais uma vez, o impagável FDC a dizer "Avisei, ão avisei"?
O que seria de nós sem um FDC para nos abrir os olhos e aconselhar?

19 fevereiro, 2009  
Anonymous Anónimo disse...

Seríamos bem mais cegos, Rita. É que até para correr o risco de errar é preciso coragem...

Rui Janeiro

20 fevereiro, 2009  

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