20030826

A propósito do "carpem Die"

Cada vez que converso com uma pessoa mais nova, ela vem-me com aquela conversa: "Eu sei lá se amanhã estou vivo! É preciso viver cada momento como se fosse o único".
Têm toda a razão, sobretudo face aos perigos do mundo de hoje. Eu próprio, desde que nasci, faz amanhã 31 anos, tenho vindo a sobreviver num mundo cheio de atentados terroristas (o Setembro Negro, nos Jogos Oí­mpicos de Munique, por exemplo, foi nove dias depois de eu ter nascido), fizeram depois um golpe de Estado em Portugal quando eu tinha 2 anos, e seguiu-se um Verão Quente, onde o país esteve à beira da Guerra Civil.
Inventou-se a bomba de neutrões, a Rússia invadiu o Afeganistão e o Iraque iniciou uma guerra contra o Irão. Pelo meio morreu o nosso primeiro-ministro e ministro da Defesa que, contra todas as regras de segurança num paí­s civilizado, viajavam no mesmo avião. Houve ataques das FP-25 de Abril, a ETA em Espanha e o IRA na Irlanda, a Guerra Fria e a explosão nuclear em Chernobyl. Depois veio a guerra nos balcãs, a entrega da Rússia às Mafias e o 11 de Setembro. Tento acordar, olho à  volta e constato: quem manda nisto tudo ainda são os mesmo do dia em que nasci. Foi há 31 anos, faz amanhã. Não considerem isto um desabafo nostálgico, mas sim uma larga introdução para a resposta que eu dou quando me dizem que temos de aproveitar o dia de hoje como se fosse o último e, por isso, tanto faz o que acontece: "Se viveres hoje como se fosse o último dia da tua vida, o que pensas fazer amanhã se não morreres?"

3 Comentários:

Anonymous Hortencia disse...

Penso que viria aqui ler mais uma das suas postagens.
Concordo com a sua colocação...acho que o certo de aproveitar o dia seria como se fosse o primeiro!! Com muitas coisas para se conhecer e descobrir e por isso explorar ao poucos, cuidando para que sempre existe uma continuação para o próximo segundo dia...

10 agosto, 2008  
Anonymous Delba Monducci disse...

Muito interessante. Vou colar na minha comunidade, DE LIVROS E DE LEITURAS, com todos os seus dados, claro. Alguma coisa contra?

Olha que eu darei um jeito de qualquer jeito... ;-)
Love. Samashti

23 agosto, 2008  
Blogger Marcio Lunardelli disse...

Pois é, penso que essa expressão que de repente se torna uma opção de vida. Além da sua colocação ser muito inteligente. A primeira afirmativa também um fundo de verdade, já que a única coisa que nos pertence realmente é o nosso passado,e o momento, porque vc pode sair ileso em meio a tantos atentados conta a vida humana que você menciou. Mas pode sair de uma academia, crente que está melhorando sua condição de vida e ter uma ataque cardíaco fulminante.
Então, se vivermos o momento presente, com responsabilidade e sabedoria, sabendo que poderá existir uma talvez amanhã. Só alegria meu amigo.

02 novembro, 2008  

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