20120801

"Just some stuff"...

Muito interessante esta passagem numa crónica, no "DN", do diário de uma voluntária portuguesa nos Jogos Olímpicos de Londres: "Em Fevereiro, a meses do início dos Jogos, as boas-vindas na fronteira britânica foram um choque. Com o meu cartão do cidadão nas mãos, a simpática funcionária do aeroporto olha para mim como quem acaba de ver um bichinho raro e pergunta em jeito de constatação: 'Estás aqui para os Jogos Olímpicos' Não pude deixar de arregalar os olhos. Como? Importa-se de repetir? Como é possível que saiba isso? 'Oh, just some stuff', responde-me lacónica. 'Não interessa, esquece lá isso e bem-vinda ao Reino Unido!'". Pois, o "Grande Irmão" foi sempre inglês...

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11 Comentários:

Blogger Fernando Negro disse...

Entre quem é, ou foi, politicamente activo, há episódios semelhantes e ainda mais graves...

(E o que irei descrever, são coisas que ocorreram há uma década atrás - ou, por outras palavras, há cerca de 10 anos atrás, em termos de tecnologia.)

- Como, em Espanha, a polícia, após uma mera identificação (em que os BI são levados, para serem registados numa central), dizer em que manifestação anterior é que uma pessoa esteve (na qual esta mesma pessoa não foi sequer detida, ou ficou - supostamente - com qualquer registo criminal, mas foi apenas também identificada) - como pude ouvir alguém uma vez contar.
- Ser, no mesmo Estado, e conjuntamente com outras pessoas, obrigado e ficar quase uma hora encostado a uma parede, e em boa parte desse mesmo tempo a ser filmado, e ser forçado a identificar-me (BI levado para a central), sem que tivessem sido cometidas algumas ilegalidades nas manifestações anteriores, ou no momento em que fomos interceptados - como aconteceu a mim - simplesmente por sair de um bar e ir a caminhar de volta ao sítio onde ia dormir.
- Ser selectivamente raptado, na rua, e fechado dentro de uma carrinha de polícia, com vários seres fardados lá dentro, e continuamente espancado no interior da mesma - como pude ouvir, de uma camarada anarquista meu francês, após isto ter acontecido, em Barcelona, no intervalo de manifestações paras as quais este também se tinha deslocado. (E como soube também que ocorria, repetidamente, no passado, a outro camarada espanhol.)
- Ser encurralado, no decorrer de uma manifestação perfeitamente legal, nos EUA, numa área restrita, e só ser autorizado a daí sair, se obedecesse à polícia e saísse em fila indiana, para passar ao pé de um polícia que filmava, de perto, toda a gente que por ele passava - como aconteceu a mim - sem ser acusado de ter cometido alguma ilegalidade.
- Passar pela mesma situação anteriormente descrita, no mencionado Reino Unido, sem sequer ter nada a ver com a manifestação em causa - como aconteceu a uma amiga de alguém da minha família.
- Ver "flashes", que ninguém percebia de onde vinham, numa manifestação em Barcelona - como pude eu ver.
- Ver, no decorrer de cargas policiais, numa concentração nesta mesma cidade, alguém a tentar esconder uma câmara de filmar, na qual não sei se também terei aparecido...
- Ser preso, com base numa lei que nem sequer existe, e ficar uns dias na prisão, antes de ser libertado e, quando levado perante um juiz (ou juíza), ver uma ficha ser entregue a esta última pessoa com as iniciais da instituição contra a qual tinham sido as manifestações (o que indicia claramente que estão a ser guardados, nos organismos de repressão e vigilância do Estado, ficheiros específicos para cada um dos eventos) - como aconteceu a um cidadão português com o qual participei numa manifestação, também em Espanha.
- Ver a polícia, mais uma vez, a preencher fichas com as iniciais da instituição contra a qual tinham sido as manifestações - como aconteceu a uma amiga minha, que foi presa nos EUA - após uma manifestação. (Esta tinha sido ilegal, mas mais nada foi feito, para além de ter sido cortado o trânsito...)
- Monitorizar a correspondência electrónica de uma pessoa, monitorizar o seu tráfego de Internet, escutar a linha telefónica desta e causar interferências na mesma, assim como causar repetidas quedas nas ligações - como acontece em Portugal - sem que a pessoa alvo deste tipo de assédio e vigilância tenha cometido qualquer crime, ou demonstrado quaisquer indícios disso. (Não me perguntem como é que eu sei disto...)
- Ver a polícia vir ter com um grupo de "okupas", e ouvi-la a contar pormenores de conversas privadas que ocorreram dentro da casa ocupada em causa - caso ocorrido, mais uma vez, em Portugal.

E estes, são apenas alguns casos, de que me lembro e de que tive conhecimento pessoal...

01 agosto, 2012  
Blogger Karocha disse...

http://pauparatodaaobra.blogs.sapo.pt/5537904.html

01 agosto, 2012  
Blogger Fernando Negro disse...

É tudo para o nosso bem...
O Grande Irmão existe para nos proteger.

01 agosto, 2012  
Blogger Fernando Negro disse...

Ah, e já me esquecia... Esta é a mais linda de todas...

- Ser, como disse, individualmente filmado numa manifestação nos EUA e, uns bons anos depois, uma pessoa da minha família criar uma conta no Facebook - que como toda a gente bem informada sabe, é uma fachada para os serviços secretos norte-americanos - essa mesma pessoa da minha família colocar uma foto na sua página, onde eu apareço, e o software deste portal colocar um quadrado à volta da minha cara a perguntar "Quem é esta pessoa?". :)

02 agosto, 2012  
Anonymous Anónimo disse...

às vezes há gente que me parece meio paranóica, desculpem lá. Se essa senhora chega a Heathrow a 19 de julho, provavelmente ar entusiasmado e desporttivo não acho estrondoso que a funcionária, bem disposta e a meter conversa com uma jovem, tenha perguntado se estava para os jogos olimpicos. Ela perguntou, não afirmou. A resposta da autora da crónica é que me parece um pouco despropositada.
Se no aeroporto de Faro perguntassem aos ingleses: "então? está aqui para ir à praia?" seria uma pergunta normal, não? Porque haveriam de os ingleses pensar que a pessoa SABIA que iam à praia e achar que os serviços secretos sabiam muito bem, através de um número de cidadão, se iam a Albufeira ou à Quarteira?
Enfim... Parece-me um bocado exagerado...

06 agosto, 2012  
Anonymous Anónimo disse...

Caro anónimo, acho que não leu bem o texto. De facto, a autora escreveu que chegou a Londres a 19 de Julho, ao aeroporto de Heathrow. Mas essa não era a primeira vez que ia a Inglaterra. A primeira viagem - que está bem explícita - foi em... FEVEREIRO... foi meio ano antes dos jogos Olímpicos começarem!!! Meio ano!!! Era frio em Londres. Ela não ia para a praia, mas poderia ir embalar frangos, que é o que muitos portugueses vão fazer naquela altura. como é que, seis meses antes dos Jogos Olímpicos já sabiam que aquela cidadão portuguesa iria aparecer no aeroporto para ir frequentar uma acção de formação para os Jogos Olímpicos? Estava escrito na testa dela, no passaporte? Não. Deveria estar escrito num computador, na fronteira. Já havia ficha, ou não? Por isso é que a outra diz: "Oh, just some stuff" e não "I was only guessing!..."

06 agosto, 2012  
Anonymous Anónimo disse...

Tem razão. Foi em Fevereiro, li mal o texto. Mas mesmo assim a funcionária pergunta não afirma. E qdo percebe que tem razão pela reação da cronista faz-se de importante dizendo 'ohh just some stuff". também pode ser uma versão, não é? Cada um vê o que vê.

06 agosto, 2012  
Anonymous Anónimo disse...

Sim, tem razão. Cada um vê o que vê. Há até aqueles que nem querem ver o que se vê... Eu também perguntaria, em Fevereiro, a uma pessoa se estava ali pelos Jogos Olímpicos. Era a primeira coisa que eu me iria lembrar de perguntar, sobretudo em Fevereiro. De resto, que outro motivo haveria para alguém ir a Inglaterra em Fevereiro? Aquilo está sempre a chover e frio... Até mesmo agora em Agosto, está a chover e faz frio? Aliás, por que raio de motivo iria alguém a Inglaterra em Agosto quando toda a gente em Inglaterra vai para o Algarve? só se for pelos mesmo motivo que se vai em Fevereiro: para os jogos Olímpicos... Penso que deveriam ter organizado os JO em Fevereiro. Fazia mais sentido... Eram os JO de Inverno...

06 agosto, 2012  
Anonymous Anónimo disse...

Bom, então das duas uma: ou foi apenas um comentário deslocado na estação e que por coincidência acertou, ou a funcionária é incompetente se se 'descai' com a informação que tem no computador ao próprio visado que entra no país...
Além disso, não entendo qual é o espanto se a segunda hipótese fosse a certa... Nasceu ontem ou não sabe o mundo em que vive?

06 agosto, 2012  
Anonymous Anónimo disse...

Provavelmente foi incompetência... Para um "wild guess" foi mesmo muito "wild"... A funcionária deveria jogar no euromilhões nesse dia. Talvez o que a traiu foi a inocente emoção de ver alguém já ligado aos Jogos olímpicos aparecer à sua frente no frio de Fevereiro. O espanto da voluntária deveu-se certamente à sua intuição legítima em procurar querer saber mais da parte da funcionária que se descaíara com o que lhe aparecera no computador. Qualquer um de nós suspeita que "eles" trabalham bem. Mas, ver isso acontecer, ao vivo e a cores, temos de confessar que é sempre divertido... Ou não fosse o Reino Unido a terra que deu ao mundo a expressão "Big Breda"...

06 agosto, 2012  
Blogger Fernando Negro disse...

Outra, de que me lembrei agora... E que aconteceu a um anarquista português que tinha cadastro, por ter assaltado um banco (sem ter feito qualquer vítima), sendo o que a seguir descrevo, algo que aconteceu pouco tempo depois do 11/9...

- Marcar um voo para o estrangeiro, receber, pouco tempo depois, um telefonema onde lhe perguntavam o que ia fazer (Resposta: Visitar um filho...), dirigir-se no dia do voo para o aeroporto e, no decorrer do "check-in", mencionar o telefonema e ficar a saber que ninguém da parte da companhia aérea tinha feito tal telefonema... (Quem terá sido então? E como é que souberam de tal coisa?...)


E ainda um outro episódio, que ocorreu com activistas libertários (ou que andavam lá perto, em termos de ideologia) também em Portugal, sem que estes tivessem feito nada - mas esta, uma história da qual não me lembro muito dos pormenores...

- Um grupo de pessoas andar envolvido em activismo ecologista e receber, cada uma delas, uma visita, à porta de casa - acho que do SIS(?) - e a(s) pessoa(s) que fazia(m) tal visita avisar(em) que "estavam de olho neles" e "que se fizessem algo de ilegal, já sabiam 'eles' quem eram os principais suspeitos"... (Não me lembro exactamente das palavras, mas terá sido algo deste tipo que terá sido dito. Mais uma vez, como sabem 'eles' destas coisas?...)

25 agosto, 2012  

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