Blogue do jornalista Frederico Duarte Carvalho, com coisas que tanto faz que se saibam porque em nada servem para o que sabemos. e-mail: paramimtantofaz@gmail.com
20101118
É pena que o futebol não seja como o boxe...
Se assim fosse, a vitória da selecção nacional frente à Espanha campeã do Mundo deveria fazer com que a taça viesse agora para Portugal. Por outro lado, o resultado deveria ser de 5-0 e não 4-0, pois mesmo que o golo de Cristiano Ronaldo tivesse sido invalidado por toque na bola de Dani por estar em posição irregular (apesar de estar dentro da baliza, ou seja, já com o golo feito), a beleza da jogada merecia a valorização por pontos...
Fiquei, contudo, desiludido por os títulos da nossa Imprensa terem optado por uma onda previsível de "Olés" em vez de escolherem títulos que nos ajudassem a recuperar do trauma da África do Sul como "É assim que se ganha, Carlos!" ou "Fale com o Paulo Bento!"...
Agora, imaginemos que passamos a Alemanha (é o adversário que se perfila para os quartos-de-final, com alguma ironia, pois a lógica do primeiro lugar no nosso grupo era para a evitar), e que depois até conseguimos chegar à final... Do outro lado, de repente, teremos esta Holanda. E lembram-se o que aconteceu a última vez que houve um Portugal - Holanda?...
É certo que, apesar de, provavelmente, ter sido o jogo mais indisciplinado - e vergonhoso - da história de um mundial, houve lugar a um dos mais lindos golos da selecção, mas marcado por quem já lá não está...
Por isso, acho que já se andam a preparar desculpas...
Em 2004, mudaram um governo enquanto o povo andava entretido com a bola. Quatro anos volvidos ainda não aprendemos nada. Vive-se um clima de medo e pânico - ouvi há pouco na televisão dizer que o bloqueio dos camionistas foi uma espécie de preparação para uma "guerra civil". Sei de pessoas supostamente bem informadas e com cultura suficiente para perceber a situação, mas que ainda assim temem ter de ficar em casa, fechados, com medo e sem comida. Neste momento, ao contrário do que cheguei a desejar em 2004, quero que a Selecção Nacional chegue à final e ganhe. A sério. Não é uma contradição, é apenas uma experiência para resolver uma dúvida: Se formos mesmo os melhores da Europa no jogo da bola, será que conseguiremos depois ter raça para ultrapassar o fado deste sentimento tão Mamediano que é o de estar quase, quase a ganhar e ter medo de dar o passo em frente que nos levaria à glória? Porque a verdadeira vitória não é ser melhor do que outros, mas sim superar-nos a nós próprios...
Confessem lá: depois do golo do Deco, aquilo não ficou mesmo tremido e pensou-se que os checos iam dar a volta ao resultado? Foi bom Ronaldo ter depois marcado, finalmente, um golo - ele não poderia continuar a ser apenas o jogador mais lindo do Euro2008, não é? O terceiro golo surgiu no fim, mas o Quaresma há muito que deveria ter entrado - e porque não jogar de início? Gosto do jogo da bola e desejo que a Selecção vá longe na prova, apesar de abominar o patriotismo bacoco que cega-nos dos reais problemas do país. Contudo, a exibição da raça portuguesa - aquela do negro Eusébio em 1966, por exemplo -, deveria ser mais categória e técnica em vez de parecer fruto de acasos de uma reza à santa ou lá o que seja que está no bolso do novo treinador do Chelsea.
Ontem, a Holanda venceu por 3-0 contra os actuais campeões do mundo, a Itália. Foi um dos melhores jogos até ao momento do Euro2008 e digno de uma final. Os nossos jornais que se dedicam exclusivamente à cobertura do sector do desporto preferiram ignorar o feito holandês na edição de hoje...
Por isso, antevendo um novo "esquecimento" dos nossos jornais desportivos, chamo a atenção para o facto do número 7 da selecção espanhola, David Villa, ter marcado três (3) golos frente à sempre difícil rússia...
Amanhã vamos reencontrar os checos. Lembro-me de ter assistido a este golo de Karel Poborsky, na Câmara do Porto, antes de ir para a rua festejar o S. João...
Naquela altura tive pena. Se amanhã acontecer o mesmo, nem por isso...
Gostaria de ser mais optimista. A Turquia foi um bom adversário, mas demasiado perdulário. O jogo teve poucos momentos de emoção e foi preciso um defesa subir ao ataque para marcar o golo.